sexta-feira, 14 de julho de 2017

A lua de fel de Costa na imprensa espanhola.

 Mais uma notícia crítica

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El Español noticia que o último mês acabou com a "lua de mel" de António Costa como primeiro-ministro. É mais um artigo crítico, depois do caso Sebastião Pereira e da lista de armas roubadas em Tancos
Louçã já escreveu que "o Partido Popular espanhol está muito preocupado com o exemplo do governo português e desembainhou a intriga"
DIEGO CRESPO / HANDOUT/EPA
É mais uma má notícia de Espanha para António Costa. Esta sexta-feira, pela madrugada dentro, às 03h25, o El Español anunciou que “escândalos acabam com a lua de mel do Governo português”. É mais um texto crítico do executivo, depois dos artigos do misterioso Sebastião Pereira no El Mundo, no pós-Pedrógão Grande, a antecipar o fim da carreira política do primeiro-ministro, e depois de o próprio El Español ter publicado a lista do material militar roubado em Tancos.
As críticas da imprensa espanhola já levaram Francisco Louçã a sugerir que há dedo conspirativo do Partido Popular (homólogo do PSD em Espanha) nestas notícias. O antigo líder do Bloco de Esquerda escrevia no Público, a 3 de julho, que é “preciso acordar” e falava num “sinal preocupante, Espanha”, alertando que “Portugal entrega aos seus parceiros militares a lista do material roubado, que é secreta, e vem publicada no dia seguinte no El Español. Uma ministra portuguesa comenta o caso com o seu parceiro espanhol e uma versão da conversa vem escarrapachada no El Mundo, no dia seguinte. Uma vez é um deslize suspeito, duas vezes é uma operação.” Louçã acrescentou ainda: “Como se viu no caso ‘Sebastião Pereira’, o Partido Popular espanhol está muito preocupado com o exemplo do governo português e desembainhou a intriga. Já agora, convém-nos saber o que fazem os vizinhos.”
A última notícia negativa para António Costa é o artigo desta madrugada que descreve os casos que levaram ao fim da “lua de mel” do primeiro-ministro português. A notícia, assinada por Aitor Hernandéz (correspondente em Lisboa) começava da seguinte forma: “O último mês não tem sido fácil para António Costa”. Depois lembrava como a primavera tinha sido boa para o Governo, com o próprio El Español, a BBC ou o New York Times a falarem no “milagre português”.
Apesar de lembrar o sucesso da saída do Procedimento por Défice Excessivo, a notícia do El Español enumera a “controversa gestão do trágico incêndio de Pedrógão Grande, o roubo de armas de Tancos e a demissão de vários secretários de Estado, acusados de receber tratamento favorável indevido por parte de uma empresa energética”, episódios que “acabaram com uma prolongada lua de mel do executivo“. O resultado, destaca o jornal espanhol, foi uma “maior divisão do ambiente político do país e uma remodelação governamental”.
Neste último mês têm sido várias as notícias que registam o período horribilis para o primeiro-ministro, mas as mais polémicas, estiveram relacionadas com as peças assinadas, sob pseudónimo, por Sebastião Pereira sobre os incêndios de Pedrógão.
Além de preconizar o fim da carreira política de António Costa, o artigo falava em“gestão desastrosa da tragédia”. Era destacada “a evidente falta de coordenação entre as autoridades, tanto a nível dos trabalhos de extinção, como da comunicação com os media”, que “provocaram uma enxurrada de críticas à gestão do desastre por parte do Governo do primeiro-ministro António Costa, e em particular da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa”.
Na madrugada de domingo, 2 de julho, o jornal El Español também tinha divulgado uma lista completa do material bélico roubado dos paióis de Tancos. O Exército português tinha optado por não divulgar a lista para não prejudicar a investigação, mas o jornal espanhol teve acesso à informação e publicou não só o tipo de equipamento roubado mas também as quantidades.
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