terça-feira, 25 de junho de 2019

"Ela não faz o meu género". Trump nega ter violado jornalista


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou na segunda-feira ter violado a jornalista E. Jean Carroll na década de 1990, numa entrevista ao site político norte-americano "The Hill".
"Eu vou dizer isto com muito respeito: antes de mais nada, ela não faz o meu género, em segundo lugar, nunca aconteceu, nunca aconteceu, ok?", disse o presidente dos EUA.
"Uma mentira completa", insistiu Trump. "Eu não sei nada sobre essa mulher, é uma coisa terrível que as pessoas possam fazer tais acusações", acrescentou em declarações ao The Hill.
A jornalista E. Jean Carrol acusou Trump de agressão sexual ocorrida há 23 anos num provador da loja de venda de artigos de luxo Bergdorf Goodman, em Nova Iorque.
Carroll, que passa a ser a 16.ª mulher a acusar Trump de um crime sexual, explicou àNew York Magazine por que razão demorou tanto tempo a contar o sucedido.
"Receber ameaças de morte, ser retirada à força de casa, ser despedida, arrastada pela lama e juntar-me a 15 mulheres que divulgaram casos credíveis sobre o homem que agarrou, importunou, menosprezou, espancou, molestou e agrediu, apenas para o ver torcer, negar, ameaçar e atacá-las, não me parece nada divertido. Além disso, sou uma cobarde", explicou.

Ramalho Eanes. A corrupção é uma “epidemia que grassa pela sociedade” portuguesa


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O ex-Presidente fez uma radiografia do país e considerou que a corrupção é um problema "muito complexo" que "grassa pela sociedade". Eanes apelou ainda à necessidade de modificar o sistema eleitoral.
António Ramalho Eanes apresentou a conferência "Portugal — a crise e o futuro" nesta segunda-feira, em Lisboa
João Relvas/LUSA
Autores
  • Agência Lusa
António Ramalho Eanes considera que a corrupção é uma “epidemia que grasse pela sociedade” portuguesa. Na opinião do antigo Presidente da República, que apresentou esta segunda-feira, na Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), em Lisboa, a sua radiografia do país, isto deve-se, em parte, a uma “cultura de complacência”, mas também a um sistema partidário que escolheu o “encastelamento”, citou o Diário de Notícias.
“O problema da corrupção é muito complexo. Em Portugal, tem sido dito, e acho que com alguma razão, que a sociedade civil não é forte e autónoma perante o Estado e devia sê-lo. As empresas deviam ser autónomas perante o Estado. O Estado estabelece as regras, vê se são respeitadas e atua quando não são, mas não estabelece com as empresas determinadas relações que são relativamente perversasAs relações em que a empresa consegue determinadas benesses, favores, isso é um género de corrupção“, declarou o ex-Presidente durante a conferência, intitulada “Portugal — a crise e o futuro”.
Segundo Ramalho Eanes, “tudo isto se pode modificar e modifica com certeza” quando a sociedade civil for mais “autónoma” e “as empresas não tenham dificuldades burocráticas porque a nossa administração pública responde com prontidão, a justiça não demora quando houver uma fiscalização sobre aquilo que são os atos do parlamento”.
“Se olhar a história, há coisas que são muito difíceis. A alteração cultural numa sociedade é uma coisa muito difícil. Enchemos a boca com revoluções culturais, a russa, a chinesa. Quando implodiu o comunismo na União Soviética, o que a gente encontrou foi o homem russo. Não tinha sido criado um Homem novo, tal como prometiam. Não é fácil criar homens novos. Não é fácil modificar a cultura“, reconheceu já durante a fase de questões dos jornalistas, que marcaram presença em grande número no evento. Isso levou a que o antigo Presidente dissesse, em tom de brincadeira: “[A comunicação social] veio para ver se eu estou senil ou não”, citou também o Diário de Notícias.
O antigo Presidente da República destacou, no entanto, que “houve alterações significativas”, pois “a sociedade civil era maioritariamente inculta, ignorante” e “hoje é maioritariamente culta, informada, cosmopolita”. “Começa a ter todas as condições para transformar o seu procedimento e relação com o poder político”, disse durante a sessão que se estendeu durante cerca de duas horas.
Durante a conferência, Ramalho Eanes criticou também as “listas fechadas” e o facto de os membros eleitos se transformarem em “delegados dos partidos”, em vez de serem representantes dos cidadãos. Segundo o ex-Presidente, as  forças políticas “do arco do poder têm colonizado a administração pública”, nas suas várias vertentes (central, local e setor empresarial do Estado), nomeadamente a Caixa Geral de Depósitos.

“Toda a gente sabe” que é “necessário modificar” o sistema eleitoral

O ex-Presidente defendeu ainda a necessidade de revisão do sistema eleitoral para resolver a crise da representação política, sem esquecer que a sociedade civil também deve ter maior nível de participação. “É verdade que esse hiato existe. Isso não é novidade nenhuma. Toda a gente sabe, toda a gente reconhece e é necessário modificar”, afirmou Ramalho Eanes, referindo-se à distância entre cidadãos e políticos, antes de citar, como exemplo, o estudo do antigo primeiro-ministro e atual secretário-geral da ONU, António Guterres, para reforma da metodologia das eleições, embora escusando-se a especificar soluções concretas para o problema.
“Uma das razões, como referi, será o sistema eleitoral. A outra, talvez não tenhamos feito aquilo que se impunha, que era socializar a política, isso poderia ter sido feito através da escola. E politizar a sociedade, sobretudo a jovem, também através da escola”, disse sobre o aumento da abstenção ou a opção pelos votos brancos e nulos. Para Ramalho Eanes, “a democracia tem muito menos democracia quanto menor for a participação dos cidadãos na escolha dos seus representantes, porque são os seus representantes que vão desenvolver o trabalho político em proveito da comunidade, do país, de todos e deles mesmos”.

Irão. Sanções norte-americanas significam “fim permanente do caminho da diplomacia”


Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, "Trump está a destruir os mecanismos internacionais estabelecidos para manter a paz". Ministro iraniano diz que governo dos EUA está sedento de guerra.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Yavad Zarif, reagiu às imposições de Donald Trump no Twitter
MURTAJA LATEEF/EPA
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão classificou as novas sanções aplicadas pelos Estados Unidos da América ao ayatollah Ali Khamenei e a membros do seu círculo próximo como o fim da diplomacia entre os dois países.
“A imposição de sanções sem qualquer utilidade ao supremo líder do Irão significa o fim permanente do caminho da diplomacia”, afirmou o porta-voz do Ministério, Abbas Mousavi, citado pela Reuters. “A administração desesperada de Trump está a destruir os mecanismos internacionais estabelecidos para manter a paz e a segurança no mundo”, disse ainda, esta terça-feira, no Twitter.
As declarações do porta-voz surgem um dia depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Yavad Zarif, ter afirmado que aqueles que são próximos do presidente dos Estados Unidos “estão sedentos por uma guerra”. “Donald Trump está 100 por cento correto que os militares dos Estados Unidos não têm nada a fazer no Golfo Pérsico. A retirada das suas forças está totalmente de acordo com os interesses dos Estados Unidos e o mundo”, afirmou Mohammad Yavad Zarif, também no Twitter.
O ministro acrescentou que existem outros que procuram a guerra. “Agora está claro que existe uma equipa B que não está preocupada com os interesses dos Estados Unidos, que despreza a diplomacia e estão sedentes por uma guerra”, salientou.
Segundo a agência Efe, a equipa B a que Mohammad Yavad Zarif se refere é composta pelo conselheiro de segurança nacional norte-americano, John Bolton, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman. Num outro tweet, o ministro iraniano salienta que a equipa B quase levou o presidente dos Estados Unidos a desencadear uma guerra.
Donald Trump, assinou nesta segunda-feira um decreto que, segundo disse, impõe sanções “duras” dirigidas ao líder supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei, e ao seu círculo próximo, além de um reforço generalizado das medidas punitivas à república islâmica. De acordo com Trump, estas novas sanções seguem-se a “uma série de comportamentos agressivos por parte do regime iraniano no decurso das últimas semanas, incluindo a destruição de um drone americano”. “Vamos intensificar a pressão sobre o Irão”, afirmou o presidente na Casa Branca, assegurando que as medidas poderão permanecer em vigor “durante anos”.
Pouco após as palavras de Trump, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, anunciava que os Estados Unidos também vão impor sanções ao ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros e congelar “milhares de dólares” de ativos iranianos suplementares. “Vamos colocar Zarif” na lista de sanções, “o mais tardar esta semana”, anunciou Mnuchin, para acrescentar que oito altos responsáveis dos Guardas da Revolução também foram sancionados.
O clima de tensão entre os Estados Unidos da América e o Irão dura há bastante tempo, mas a crispação aumentou desde que o Presidente norte-americano, há um ano, retirou o seu país do acordo nuclear internacional assinado em 2015, repondo sanções devastadoras para a economia iraniana.
No sábado, Trump admitiu que o uso da força contra o Irão “está sempre em cima da mesa”, após a confirmação de que o Irão tinha abatido um drone americano — que, segundo Teerão, violou o espaço aéreo iraniano, mas, de acordo com Washington, estava em espaço aéreo internacional. O governante anunciou, como retaliação, um ataque contra três locais no Irão, o qual disse ter abortado à última hora para evitar um elevado número de mortos.

Nicolás Maduro apela ao reforço da união entre civis e militares na Venezuela


Na cerimónia de celebração dos 198 anos da Batalha de Carabobo, Nicolás Maduro disse que para a Venezuela existir como "república independente e soberana" é necessária a coesão das forças armadas.
Maduro ordenou a criação de uma comissão bicentenária com funções até 2021, data de celebração dos 200 anos da Batalha de Carabobo
Miguel Gutierrez/EPA
Autor
  • Agência Lusa
O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recordou segunda-feira a perseverança e capacidade estratégica de Simón Bolívar para superar traições e divisões e instou os venezuelanos a fortalecerem a união civil e militar.
“Que ninguém se deixe enganar. A Venezuela avançará pelo esforço que fizermos, pelo amor que coloquemos na nossa tarefa. A Venezuela existirá como República independente e soberana se as Forças Armadas continuarem unidas, coesas e leais”, disse.
Nicolás Maduro falava no Estado venezuelano de Carabobo (centro do país), durante uma cerimónia que evocou os 198 anos da Batalha de Carabobo, uma das principais ações militares independentistas, comandadas por José António Páez, Miguel de la Torre e Simón Bolívar, um militar e político venezuelano que teve um papel importante na independência da Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e da Venezuela do império espanhol.
“Ninguém nos obsequiou a nossa independência, ninguém nos ofereceu esta República, não foi uma concessão, foi uma conquista arrebatada a sangue e fogo”, disse.
Por outro lado, explicou que “unido, o exército e o povo” é possível conseguir a vitória, sair “do colonialismo, do obscurantismo da escravidão imperial”.
Maduro ordenou a criação de uma comissão bicentenária que deve exercer funções até 2021, data em que se assinalam os 200 anos da Batalha de Carabobo. “As Forças Armadas Bolivarianas devem ter uma configuração bicentenária e um plano bicentenário desde já, para atualizar a tecnologia, os sistemas de armas (…). Em 2021 devemos ter um desdobramento das forças e um sistema de armas perfeito, superior ao que temos hoje”, disse.
Segundo Nicolás Maduro, em 2021 a Venezuela deve ter “quatro milhões de milicianos com armas, uniformizados, com a sua organização, integrados à estratégia” governamental, para “novas batalhas e grandes vitórias”.

É contra a direita? Então vale tudo

JORNALISMO

É contra a direita? Então vale tudo /premium

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A campanha do Guardian contra Boris Johnson mostra como o jornalismo de esquerda, perante os políticos de direita, recorre a todos os truques sujos de que normalmente acusa esses políticos.
De um lado, temos Boris Johnson, do outro o Guardian. Johnson, candidato à liderança do Partido Conservador, pode ser o próximo primeiro-ministro do Reino Unido e foi um dos promotores do Brexit. O Guardian é o jornal de referência da esquerda britânica e defende a opção de ficar na UE. Por isso, o Guardian, nos últimos dias, sentiu que tinha o direito de publicar fotos do interior do carro de Boris Johnson, e depois as gravações que uns vizinhos fizeram de uma discussão que Johnson teve dentro de casa com a sua namorada. Esses vizinhos parecem ser esquerdistas que já tinham insultado Johnson na rua. Desta vez, mal ouviram discutir, chamaram a polícia e, inspirados talvez pelo agente da Stasi do filme A Vida dos Outros, fizeram a gravação, que passaram imediatamente ao jornal. O Guardian não hesitou em publicar. Métodos de pasquim intrusivo, como os que desacreditaram alguns tabloides britânicos há alguns anos? Segundo o Guardian, é o “interesse público” que manda saber, por quaisquer meios, se Johnson aspira o carro ou levanta a voz em casa.
Todas as semanas, o Guardian tem artigos exaltados sobre Trump, as redes sociais, e, desde que consta que Trump é amigo de Putin, a ameaça russa. São, segundo o Guardian, os problemas da democracia. Talvez sejam, mas esta história mostra que não são os únicos. O Guardian não quer construir muros na fronteira, não é uma invenção de Mark Zuckerberg, nem – tanto quanto sabemos — um instrumento de Putin. Mas não se importa de publicar fotos do interior do carro de um político, para insinuar que é desarrumado, ou dar conta das discussões que, dentro de casa, tem com a sua namorada, para deixar no ar a suspeita de violência doméstica (embora a polícia não tivesse detectado mais do que uma querela trivial). Porquê? Porque esse político representa opções de que o jornal não gosta, e, portanto, contra ele tudo é legítimo, incluindo a violação da privacidade e sugestões malévolas.
Boris Johnson não será um santo. Mas perante Johnson, tal como perante Trump, o jornalismo de esquerda parece sofrer do complexo de Nixon. Nixon convenceu-se de que os seus inimigos faziam jogo sujo: só por isso, segundo ele, teria perdido as eleições em 1960. Daí que, quando chegou à presidência, em 1969, tivesse decidido também ele jogar sujo. É o álibi do costume para qualquer abuso: todos, antes de serem indecentes, têm o cuidado de se persuadir de que os seus adversários estão a fazer o mesmo, e de que portanto vale tudo.
Não, o problema não são só Trump e as redes sociais. Também não é só o jornalismo de esquerda, aliás: os rivais de Johnson na eleição do Partido Conservador aproveitaram logo a boleia do Guardian para minar o seu favoritismo. O problema é de quase toda a gente, embora seja sempre mais fácil vê-lo nos nossos adversários.
Os consensos do pós-guerra fria romperam-se perante a recessão de 2008, a crise das migrações de 2015 e o declínio do Ocidente. Voltámos a discutir a política como se tudo o que é fundamental estivesse em causa. No Reino Unido, a esquerda acredita que Johnson quer fazer do país uma Singapura em ponto grande, e a direita acusa Corbyn de sonhar com uma Venezuela europeia. E provavelmente, tudo está mesmo em causa, mas não como os políticos dizem, isto é, só porque haja outros políticos a conspirar. De facto, os constrangimentos financeiros e sociais do Ocidente dificultam mudanças radicais em qualquer sentido, como Boris Johnson, a propósito do Brexit, já admitiu. O declínio é um risco maior do que a revolução. Mas talvez por isso, para de algum modo compensar a impotência, a política fez-se mais facciosa e desregrada. Não é a primeira vez: também foi no fim que os bizantinos mais se engalfinharam por causa do sexo dos anjos.