segunda-feira, 31 de julho de 2017

www.africamonitor.net Ano VIII – Fundado 14.Mar.2005 Nº 760 o 04.Junho.2013

www.africamonitor.net Ano VIII – Fundado 14.Mar.2005 Nº 760 o 04.Junho.2013 Editor: Xavier de Figueiredo Breves » Em editorial de pendor crítico dedicado ao tema dos investimentos angolanos no sector da comunicação social em Portugal, o semanário Agora, 01.Jun, refere que “governantes angolanos, associados a banqueiros, acabam de comprar (...) a Controlinveste”. A figura usada para identificar os compradores foi considerada uma referência indirecta ao Vice Presidente, Manuel Vicente, e a Carlos Silva, PCA do BPA, duas personalidades que o Agora (AM 747), desde a sua passagem para o chamado Grupo Madaleno (AM 736), trata com alegada acrimónia. Em 04.Jun o jornal i, de forma indirecta também ligado ao Grupo Madaleno, identifica o empresário angolano António Mosquito (AM 728) como accionista maioritário de uma sociedade de capital de risco, apresentada com compradora da Controlinveste. Em 2012 (AM 707), a Controlinveste esteve em vias de ser comprada pela Newshold, mas a operação gorou-se. » O director do Gabinete de Informacao (Gabinfo), Moçambique, Ezequiel Mavota, terá instruído a RM e TVM a não procederem à recolha de declarações dos animadores do movimento grevista dos médicos, em especial do presidente da respectiva associação sindical, Jorge Arroz. RM e TVM são os dois mais importantes ocs do Estado; a atenção que prestaram ao assunto, inclusive por alturas da detenção de J Arroz, foi ezígua. O Gabinfo é o organismo que na Estrutura do Estado absorveu algumas funções do extinto Ministério da Informação. E Mavota, jornalista, foi, antes, responsável editorial da RM. Angola: JES dá rara entrevista televisiva Pesquisa José Eduardo dos Santos (JES) tem prevista para hoje, 04.Jun, uma entrevista televisiva ao jornalista free lancer Henrique Cymerman. A anuência de JES à sugestão da entrevista terá sido determinada pela oportunidade associada à mesma de contraditar afirmações/acusações nefastas para si próprio e para o regime, ultimamente feitas no estrangeiro por personalidades angolanas e outras. No juízo de altos funcionários do gabinete presidencial, os referidos pronunciamentos, incluindo entrevistas de Isaías Samakuva e Abel Chivukuvuku, nas recentes viagens de ambos ao estrangeiro, fazem para de uma “campanha política e de imprensa” visando desgastar a figura de JES e assim abalar o regime. A entrevista de JES a H Cymerman esteve prevista para 28.Maio, mas comprometeu-se por razões não devidamente apuradas; o jornalista chegou mesmo a deixar o país, mas regressou em 03.Jun, desta feita com a garantia de que a entrevista seria concedida. Em 31.Mai foi assinalada uma reunião na PR destinada a apreciar o assunto, para a qual foi convocado o MCS, Luiz de Matos. H Cymerman, profissional conceitado, trabalha em regime livre para importantes ocs internacionais, caso da SIC, da qual é correspondente em Israel. Supõe-se que a SIC é uma das televisões internacionais em que há maior interesse na emissão da entrevista. Moçambique Crise Renamo 1 . A maleabilidade acrescida que as autoridades de Moçambique passaram a observar (AM 759) na sua conduta face à crise gerada pelo chamado “acantonamento” na Gorongosa do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, suscitou em meios competentes apreciações como as seguintes: - Começou a ser notada, de forma nítida, após o “incidente” de Muxungué – factor considerado determinante. - Outros factores influenciadores: ausência e/ou tibieza de apoios internacionais à conduta até então mantida pelo Governo; surgimento de críticas internas, inclusive no próprio regime. Na esteira do “incidente” de Muxungué o Presidente Armando Emílio Guebuza (AEG) dispôs-se finalmente a receber Joaquim Chissano para uma conversa sobre a crise, solicitada por este, e o seu emissário nas conversações com a Renamo, José Pacheco, passou a denotar superior boa vontade negocial. Após o segundo “incidente”, na Gorongosa, foram libertados todos os militares da Renamo detidos antes, em Muxungué, e aventada a possibilidade de o Governo estar a preparar uma alteracao pontual da Lei Eleioral, por forma a atender à reivindicacão da Renamo de estabelecimento de uma regra de paridade na composição da CNE. 2 . O desprimor operacional com que a FIR, uma força especial da Polícia, se comportou em duas escaramuças armadas com a Renamo, Muxungué e Gorongosa, transmitiu uma ideia de fraqueza do Governo, que o mesmo, movido pelo intuito de evitar “impactos” sociais e políticos negativos, tratou de ocultar/dissimular. Na perspectiva das autoridades, uma evolução da situação baseada em elementos como as demonstrações de fraqueza da FIR, combinada com a tibieza de esperados gestos de apoio ou boa vontade da comunidade internacional, tenderia a fragilizar o Governo e, eventualmente, a diminuir a sua capacidade de controlo da situação. Em ambos os recontros a FIR sofreu 26 ou 34 baixas, conforme versões da Polícia ou da Renamo, contra apenas uma baixa do lado desta. O facto de ser atribuída à FIR a iniciativa das refregas e de a mesma dispor de blindados de rodas Kasper para sua protecção, agrava o seu comportamento. Além da FIR (Força de Intervenção Rápida), estaciona na Gorongosa um destacamento do GOE (Grupo de Operações Especiais), também da Polícia (AM 712) assim como força de reserva à ordem do EMGFA, constituída por uma unidade de “Comandos” do Exército – até agora inactiva. 3 . A evolução da crise gerada pelo “acantonamento” de A Dhlakama deu também lugar a um despertar da oposição interna a AEG, que assim saiu do estado de “adormecimento” em que se encontrava desde o último congresso da Frelimo (AM 699); a atitude do Governo e de AEG face à crise é alvo de objecções. As correntes internas adversas a AEG viram na actual conjuntura uma oportunidade de ajuste de contas com o mesmo, também “justificado” pela convicção de foram marginalizadas (AM 752), no acesso a vantagens para a elite política da exploração próxima de recursos como o gás natural e outros minérios 4 . A atitude neutral que a comunidade internacional tem vindo a observar no acompanhamento da crise em Moçambique (condicionada por posições afins dos EUA, União Europeia e países do chamado grupo nórdido do G 19), está baseada em factores como os seguintes: - Conveniência de evitar que a presente crise degenere em instabilidade potenciadora de danos como o comprometimento de grandes investimentos. - A Renamo tem razão nalgumas das suas queixas (AM 717), embora a forma de protesto que seguiu não tenha sido a mais adequada. - É útil a uma melhor distribuição da riqueza, capaz de minimizar a pobreza, que a Frelimo e o seu rgime sejam gfiscalizados por uma posição forte. A principal reserva do G 19 em relação ao Governo prende-se com a corrupção – que se julga facilitada pela hegemonia política da Frelimo. A exploração de recursos naturais de mais alto valor, gás natural e minérios, dará azo a um alastramento do fenómeno da corrupção, se a Frelimo “for deixada à sua mercê”. Mogens Pedersom, embaixador da Dinamarca e presidente do G 19, fez recentemente declarações públicas incisivas em relação à corrupção no Estado (referência a casos concretos) e aos seus efeitos perversos na sociedade. Donativos do G 19 constituem ca de 60% das receitas oerçamentais. 5 . A Dhlakama é favorecido pela ideia de que desempenhou um papel de genuína cooperação com a Frelimo na pacificação do país, a que se juntam agora informaçõers segundo as quais tem estado a resistir a pressões internas para enveredar pela violência como meio de lidar com “humilhações e provocações do Governo”. Embaixadas em Maputo têm feito sentir a A Dhlakama que deveria abandonar as montanhas em que se encontra “acantonado” desde 15.Out.2012 (AM 703), para dialogar com a AEG. As reservas que tem apresentado têm sido consideradas “compreensíveis” por parte das mesmas embaixadas. As pressões internas sobre A Dhlakama, provenientes de antigos comandantes da guerrilha da Renamo, são também alimentadas pela ideia de que o chamado diálogo com o Governo constitui um “entretenimento” destinado a permitir a este “ganhar tempo e desgastar a Renamo”. 6 . A mudança de atitude verificada no Governo não poderia, tendo em conta realidades da política moçambicana, ter sido posta em marcha sem a iniciativa ou o beneplático de AEG. O representante do Governo nas conversações com a Renamo, José Pacheco, tem estreitas ligações pessoais e políticas a AEG. O ponto de vista dos analistas é o de que AEG atendeu com a nova flexibilidade a “sugestões” que lhe terão sido feitas no plano regional e internacional, e tentou esvaziar um clima de descontentamento face ao regime que se manifesta em diversos meios da sociedade e em alas do regime. 7 . A Renamo está a preparar para breve uma reunião do seu Conselho Nacional (CN), em princípio 12/14.Jun, na vila da Gorongosa. A par dos 100 membros do CN, também deverão participar na reunião outros quadros da Renamo, tais como os 128 delegados distritais – no total ca de 400 pessoas. Ciente de dificuldades logísticas que terá de enfrentar para organizar a reunião, na verdade uma espécie de Congresso, sem essa designação, a Renamo prepara a criação de condições destinadas a compensar a ausência de facilidades que habitualmente lhe são negadas por “instruções” ao mercado oriundas da Frelimo. FIM A matéria constante do conteúdo de África Monitor é de natureza confidencial. Destina-se apenas aos seus subscritores e para seu próprio uso. Não pode ser publicada ou, por nenhuma forma, distribuída. Os direitos de autor permanecem como propriedade de África Monitor. Propriedade e Edição Monitorius, Lda NIF/RNPC 508584060 Redacção/Administração Avenida António Augusto de Aguiar, nº 24 – 1º Esq. 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