segunda-feira, 17 de julho de 2017

Esposa de Aiuba Curreneia e Adelaide Amurrane em escândalos financeiros


Endividaram Estado e burlaram empresários

Anselmo Sengo
De escândalos em escândalos financeiros, envolvendo figuras de proa da sociedade moçambicana, o país vai andando. Depois do assunto de maior repercussão, que é o relatório da Kroll, seguido pela condenacao semana passada do ex-Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Abdul Remane Lino de Almeida, esta semana, e dentro da sucessão de escândalos que vêm sacudindo o país, aparece Flávia Curreneia, Adelaide Amurrane e Joao Santana (Bacalhao) que acoberto de uma garantia soberana conseguiram 42 milhoes d euros, (60 milhoes de dólares) para a construcao de um hospital em Nampula e depois de uma universidade na província de Maputo. tanto o primeiro como o segundo, ambos projectos não passaram de uma arma para inrequecer e burla empresários moçambicanos da cidade e província de Maputo. o PÚBLICO sabe ainda que Flavia Curreneia está sendo contestada pelos funcionários do Parque de Ciencia e Tecnologia de Maluana onde é directora, incluindo acusacoes de ser uma pessoa de deficil trato e mau relacionamento com os seus superiores hierarquicos.
Estamos perante um segundo escândalo de endividamento do Estado moçambicano sem aval da Assembleia da República e o cerco contra Flávia Curreneia e Adelaide Amurrane está a fechar-se.
Ao que se sabe, Joao Carlos Santana dos Santos, um cidadão português que fugiu de Portugal com pulseira electrónica para Moçambique, Higino Katupa, filho do deputado em membro da comissão permanente da Assembleia da República Mateus Katupa produziram um projecto de um hospital em Nampula que seria construída acoberto do gabinete da primeira-dama de então Maria da Luz Guebuza. para o efeito, contactaram Flavia Curreneia, antiga directora do gabinete para convencer a ex-primeira dama a aceitar o projecto, no regime parceria público-privada.
O gabinete da ex-primeira-dama através do Joao Santana solicitou que fosse emitida uma garantia soberana, e para o sucesso da trama, era imperioso que o antigo Ministro da Saúde Ivo Garrido, participasse, dando bênção ao negócio. Mas este recusou-se, alegando que construiu o hospital maior na provincia de Maputo de 120 quartos por apenas quatro milhões de dólares e não queria endividar o Estado nesse valor. Segundo as nossas fontes, foi ai que Flavia Curreneia não se fez de rogada, e em conluio com Higino Katupa e Joao Santana decidem urdir um outro plano “macabro” que consistia em propor à ex-primeira dama a construcao de uma universidade que seria tutelada pelo Instituto Criança, Nosso Futuro. Acoberto desses nomes, dirigiram-se no bairro de Tchume II, no município da Matola ao encontro de Antonio Camejo, empresário e dono do condomínio Jesebela, onde exibiram a carta de garantias soberana, incluindo a carta da proveniência dos fundos via caixa geral de depósitos de Portugal.
Camejo aceitou a proposta, uma vez que ele também já tinha idealizado construir uma universidade e, a dado momento, o grupo sugeriu que Camejo pagasse um milhão de dólares a Adelaide Amurrane alegadamente para ela facilitar que o dinheiro fosse depositado em dólares e não em meticais. Camejo teria respondido que não tinha o dinheiro, entretanto, o grupo disse para ele entregar duas casas no condomínio Jesebela como forma de Amurrane obviasse a pretensão, uma vez que ela tem uma fácil facilidade na circulacao nos corredores políticos e governamentais.
Segundo as nossas fontes, Adelaide desloca-se ao condomínio e escolhe duas casas gemeas, no valor de 400 mil dólares cada, tendo o empresário sido obrigado a transmitir por via de uma escritura pública.
Afinal o que fez ao grupo optar em manter o dinheiro em dólares e não em meticais no BCI?
Dados em nosso poder, indicam que na verdade o plano nunca foi de hospital, muito menos uma universidade. “O grupo queria receber dinheiro e dividir-se como, alias, veio a acontecer mais tarde, isto neste ano de 2017”, sublinha a fonte para acrescentar que a Ministra na Presidencia para Casa Civil Adelaide Amurrane recebeu as duas casas e seguidamente houve reuniões no BCI, onde o dinheiro estava depositado e esqueceram-se da participacao no suposto projecto da universidade do empresario Camejo, “situacao que ao inrequecimento sem justa causa”. E como se não bastasse, acrescentou o nosso interlocutor, “Joao Santana implementou seu plano de burla e trocou a casa de Amurrane no condomínio com a de Natividade Bule localizada na zona nobre da capital do país”.
Aliás, Flavia Curreneia, teria ainda apelado ao dono do condomínio para tirar o tecto do terraço para permitir que a sua filha entrasse em contacto com as estrelas, uma vez que, é praticante mor de Yoga.
É aqui onde tudo de estraga, pois Camejo descobre que tudo quanto havia sido conversado e mostrado, não passava de uma esquema de burla, tendo por isso, iniciado uma investigacao e exigiu as suas casas de volta. O empresário foi ameaçando sob os argumento de que “devi ter cuidado e calar-se porque não estava a lidar-se com pessoas fortes, poderosas e intocaveis”.
Natividade Bule descobre muito recentemente que não houve trocas, mas sim, uma burla e ambos, decidiram abrir um processo crime na terceira brigada da Policia de Investigacao Criminal de Maputo. apercebendo-se que a “bomba” estava prestes a rebentar, Joao Santana abandonou o nosso país sem deixar rastos, levando consigo dinheiro e uma mulher moçambicana, com quem, contraira matriminio muito recentemente.
Em contacto com a nossa reportagem, Flavia Curreneia reconheceu ter participado nos dois projectos mas nega sua autoria. “Conheco os dois projectos, já estive no condomínio e vimnos as casas. O resto não é comigo. Fale com a Ministra Amurrane e o senhor Joao Santana”.
Descontentamento no parque de ciências de Maluane
Mas este escândalo não bastava para a ex-esposa de Aiuba Curreneia, também ex-Ministro da Planificacao e Desenvolvimento. Como directora do Parque de Ciência e Tecnologia de Maluane, a sua gestão está sendo fortemente contestada, havendo vozes que avançam que ela “já deveria ter caído há muito. Se até hoje não aconteceu, só o Ministro é que sabe mas na verdade, já não existe ambiente de trabalho. Todos os funcionários incluindo membros do Conselho de Administracao exigema sua demissao”.
O parque de ciências e tecnologias de Maluana consiste na prestacao de serviços de gestão, para o estabelecimento e o desenvolvimento de empresas baseadas no conhecimento, localizadas num ambiente ligado a centros de investigação e tecnologia de excelência, tais como instituições de ensino superior e instituições de investigação.
A essência o Parque de Ciência e Tecnologia é de gerir o fluxo do conhecimento e actuar como uma ponte entre a pesquisa e o mercado que realce e incremente, o desenvolvimento, a transferência e a comercialização da tecnologia e da inovação. Acrescido a este facto, é dever do Parque impulsionar o desenvolvimento nas áreas de Inovação, Ciência e Tecnologia e nas comunidades em que é implantado.
“Como vocês sabem, a Dra Flavia é uma pessoa de difícil trato. Ela é muito arrogante e, pior, tinha um mau relacionamento com os membros do Conselho de Administração do parque e, o Ministro não podia tolerar isso”, disse um funcionário ao nosso Jornal.

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