terça-feira, 18 de julho de 2017

Polícia mata cidadão para defender interesses da "Vale" em Tete


Empresa brasileira nega responsabilidade e diz que vai dar assistência à família.
Um cida­dão morreu vítima de baleamento quando a Polícia da República de Moçambique abriu fogo contra a população que protestava con­tra a vedação de uma passagem que foi levada a cabo pela "Vale" em Moatize, na província de Tete. Vendo os protestos da população, a ''Vale" chamou a Polícia para dispersar os manifestantes, e esta abriu fogo contra a população, ten­do assassinado a tiro um dos ma­nifestantes. No passado sábado, o cidadão assassinado foi a enterrar na sua terra natal, em Tsangano.
Na sequência do incidente, a empresa brasileira "Vale Moçam­bique" emitiu um comunicado no qual a nega qualquer respon­sabilidade sobre os acontecimen­tos da semana passada, que ter­minaram com a morte de uma pessoa e ferimento de outras. Em comunicado de imprensa, a "Vale Moçambique" diz que, no dia 13 de Julho de 2017, lamenta­velmente um morador do Bairro Nhantchere, na vila de Moatize, vizinha do complexo mineiro da "Vale", perdeu a vida em consequência de uma bala perdida, aquando da intervenção da Polícia da República de Moçambique na reposição da ordem pública, em virtude de tentar dispersar a popu­lação que impedia os trabalhos de fecho da vedação já existente no lo­cal que dá acesso à área pertencen­te à empresa *Vale Moçambique".
O comunicado diz que a "Vale*, desde o início das suas actividades, tem levado a cabo várias iniciativas de sensibilização e conscienciali­zação das "comunidades", através dos   seus   Interlocutores:  Governo e "líderes comunitários", para que seja explicado o risco de entra­da indevida na área operacional, devido aos perigos inerentes ao processo produtivo de mineração.
A empresa diz também que a vedação das áreas de exploração mineira é um requisito legal, e a "Vale*, desde 2012 vem realizando o trabalho de vedação da extensa área onde ocorreu o incidente. Um dos valores da empresa é "a vida em primeiro lugar", diz a *Vale", e acrescenta que a vedação da área é imprescindível para garantir a segurança da própria população.
A "Vale" diz que lamenta o su­cedido, que se solidariza com a família do cidadão que foi morto, que irá prestar toda a assistência necessária e que as autoridades competentes estão a trabalhar no apuramento dos factos.
CANALMOZ – 18.07.2017

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