terça-feira, 18 de julho de 2017

"O pior está ainda a caminho, sobretudo em matéria da paz…"


Xícara de Café por Salvador Raimundo
SEM esperar pelos ‘opinion maker’, Filipe Nyusi chamou a sí, semana passada, a avaliação - sem beliscadelas - ao seu próprio desempenho nos últimos dois anos e meio, desde que foi empossado presidente da República de Moçambique.
Daí não surpreender que da avaliação resulte o ‘orgulho’ do trabalho realizado nesse período.
Está para nascer o servidor público com coragem suficiente para, publicamente, assumir ter sido de um desempenho negligente, incompetente e recheado de despesismo, em período de barrigas-vazias - de austeridade.
Nyusi não podia ser excepção.
Para esta casa, a nítida ideia de que os candidatos a cargos executivo e legislativo, uma vez eleitos, não esperam enfrentar e resolver as dificuldades que, inequivocamente, encontram pela frente, mas sim, facilidades.
Fica a sensação de que os concorrentes não têm sequer preparação do que irão encontrar uma vez lá em cima, no pódio. Pensam que tudo será um mar de rosas. Ari !
Mais dificuldades e menos maravilhas. Por isso é que o Zé Povão elege pessoas que julga serem as mais certas para a solução dos seus problemas. Mas nem sempre tem sido assim...
No início, Filipe Nyusi e alguns membros do governo, desdobravam-se em queixumes perante os efeitos calamitosos e a zanga de Afonso Dhlakama, como se tais fenómenos fossem novos; que Machel, Chissano e Guebuza não passaram pelas mesmas dificuldades, a pior para os primeiros dois, nem com isso cabisbaixos.
Até que rapidamente se corrigiu esse modo de estar perante o eleitorado, que em boa verdade votou em Nyusi e na Frelimo, na certeza de que estes fariam das lágrimas força motriz para ultrapassar todos os entraves.
Arregaçaram-se as mangas, o INGC foi equipado à moda actual, assumindo-se como verdadeira entidade preventiva, enquanto a Agricultura e Segurança Alimentar gozavam de um enormíssimo privilégio presidencial, desde o primeiro momento de Ponta Vermelha.
Nyusi sentado à mesa - no tacho após jornada laboral – com perito agro-pecuário, não é obra para muitos. Por isso, não admira que aquele técnico, depois disso, redobre esforços por um desempenho bem conseguido.
A agro-pecuária é de uma presença estratégica nos programas de governação da Frelimo.
A diferença reside na materialização desses mesmos programas de governação.
Nyusi não só se limita a fazer ditames sobre o que se deve, ou não, fazer na agro-pecuária, como marca presença física e incentiva a malta, desde o mais pequeno funcionário até a dupla Pacheco-Meque. Aqui sim, Nyusi que chame a si o feito…
É que o Povão elegeu Filipe Nyusi não para ouvir choradeiras ou queixumes - calamidades e balbúrdias de Dhlakama.
Chegados aqui, nem tudo foram coisas ruins, nem boas. O pior está ainda a caminho, sobretudo em matéria da paz…
EXPRESSO – 17.07.2017

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