sexta-feira, 9 de junho de 2017

PCA da HCB critica gestores públicos que investem sem ambição de retorno


Pedro Couto diz haver problema de percepção de que investimento público deve ter retorno
O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Pedro Couto, considera que, no Estado, existe um grave problema de percepção de que os investimentos públicos não devem ter retorno. O PCA da HCB reactivou um velho problema de gestão dos fundos públicos e disse que muitos gestores agem como se em investimentos das empresas públicas não houvesse custos. Couto falava, ontem, em Tete, durante um debate, no Fórum de Infra-estruturas.
O ex-ministro das Finanças disse que, mesmo as finanças islâmicas, que condenam os juros nos seus investimentos, prevêem retorno. “É preciso que nós ganhemos consciência e entendamos que também os investimentos do sector público exigem retorno. Estou a dizer que até as finanças islâmicas - eu fui vice-ministro das Finanças - condenam juros e outras coisas, mas têm taxas de retorno lá dentro, mínimo é três por cento”, explicou o ex-ministro.
Pedro Couto considera que o sector privado também é problemático. “O sector privado também não é imaculado, também tem defeitos na sua visão. Acha que não tem imposto nenhum a pagar, nem taxas a pagar, quer tudo de graça, mas também não pode ser”, caracterizou o sector privado, Pedro Couto.
O presidente da HCB diz que os empresários devem saber assumir riscos, dar os seus contributos para o desenvolvimento da economia nacional e deixarem de fazer pedidos para não pagarem nada, como forma de fazer negócios apenas para tirar proveitos.
Por seu turno, o antigo ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, defendeu a necessidade de sintonia entre os sectores público e privado, para que haja investimentos nas infra-estruturas. Zucula diz que uma parceria inteligente entre as partes é essencial. “Essa coisa de parcerias não é uma opção, é uma necessidade ou obrigação. O nosso sector público não pode financiar tudo”, concluiu Zucula.
Já Ismael Faquir, da Ernst and Young, defende que os gestores públicos tenham mais tempo nos seus mandatos, de modo a operacionalizarem os seus projectos. “Qual é o tempo de duração de um conselho de administração nas empresas públicas? Que tipo de estabilidade é que nós pretendemos dar a essas empresas, para que depois se possa cobrar das pessoas responsáveis por estas empresas os resultados que se pretendem. Tem-se notado uma duração curta dos mandatos que, a meu ver, não ajuda naquilo que se pretende, que é a estabilização destas empresas”, referiu Ismael Faquir.
As intervenções foram feitas, esta quinta-, no Fórum de Infra-estruturas, num debate sobre “Mobilização de recursos públicos e privados para a implantação de infra-estruturas nos corredores de desenvolvimento e seu papel no desenvolvimento da economia nacional e regional”, que teve como moderador o economista Tomaz Salomão.

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