sábado, 24 de junho de 2017

Dois mil milhões de dólares desapareceram. FMI pede esclarecimento ao Governo de Moçambique


Procuradoria Geral da República de Mocambique diz que não sabe "exactamente" para onde foram os fundos. Quinhentos milhões não foram sequer auditados por falta de documentação "satisfatória".
O Fundo Monetário Internacional disse hoje que quer esclarecer o destino de milhares de milhões de dólares em dívidas escondidas do governo moçambicano cujo destino permanece rodeado de mistério.
Isto depois da Procuradoria Geral da Republicano ter revelado que a auditoria deixou por esclarecer o destino exacto de 2.000 milhões de dólares contraídos por três empresas estatais entre 2013 e 2014.
Outros 500 milhões de dólares não foram sequer alvo de auditoria devido a “inconsistências” e falta de documentação “satisfatória”.
O FMI disse que vai enviar uma delegação a Moçambique para esclarecer essa questão e também para "reavaliar a situação macroeconómica e discutir as prioridades das autoridades relativas ao orçamento de 2018”.
Num comunicado a organização disse que o “sumário” do relatório contém “informação útil sobre como os empréstimos foram contraídos e sobre os ativos adquiridos pelas empresas”.
“Contudo, persistem lacunas de informação, em particular no que respeita ao uso dos fundos dos empréstimos", disse o FMI que revelou que a delegação vai visitar Moçambique entre 10 e 19 de julho para discutir os resultados da auditoria com as autoridades e “possíveis medidas de seguimento” incluindo a reavaliação da “situação macroeconómica e discutir as prioridades das autoridades relativas ao orçamento de 2018”.
"Lacunas permanecem no entendimento sobre como exatamente os 2.000 milhões USD foram gastos, apesar dos esforços consideráveis" para esclarecer o assunto, disse a procuradoria.
"Até as inconsistências serem resolvidas e documentação satisfatória ser fornecida pelo menos 500 milhões de dólares de gastos de natureza potencialmente sensível permanecem por ser alvo de auditoria e por explicar”, disse o sumário do relatório da companhia Kroll
VOA – 24.06.2017

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