domingo, 25 de junho de 2017

Marcelo recruta nova assessora diplomática na secretaria-geral do MNE


Presidente escolhe a veterana Ana Martinho, sua antiga colega de faculdade, para suceder a José Augusto Duarte. Diplomatas estranham ‘despromoção’.
Marcelo substituiu assessor diplomático
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Marcelo substituiu assessor diplomático MIGUEL MANSO / PUBLICO
Ana Martinho, a actual secretária-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, será a assessora diplomática da Presidência da República a partir do momento em que José Augusto Duarte deixar o cargo, no Outono, apurou o PÚBLICO. Marcelo Rebelo de Sousa escolheu a antiga colega de turma da Faculdade de Direito para vir terminar a sua vida activa em Belém – e a diplomata aceitou.
Com praticamente a mesma idade que Marcelo (69 anos, é sete meses mais velha) e uma energia equiparável, Ana Martinho foi a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral do MNE onde se encontra desde 2013. Prestes a atingir o limite de idade para desempenhar estas funções (completa 70 anos a 16 de Maio de 2018), a diplomata vai desta forma poder manter-se no activo, no único lugar onde isso seria possível.
A escolha do Presidente surpreendeu, no entanto, alguns diplomatas que, avaliando as suas escolhas anteriores, tendiam a concluir que preferia não ir buscar alguém que estivesse a exercer um cargo institucional. Ser secretária-geral do MNE é equiparado, nos meios diplomáticos, a ser Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas ou juiz presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O cargo de assessora representa, desde logo, uma descida abrupta no Protocolo de Estado.
Certo é que Ana Martinho também se manteve no cargo actual muito além do habitual. Já completou o quarto ano, e muito provavelmente estaria no lugar cinco anos, até ao limite idade, caso não fosse para Belém no final do ano. Atravessou duas legislaturas, respondeu perante três ministros. Desde o Secretário-Geral Teixeira de Sampayo - que morreu em 1945 com um ataque cardíaco fulminante ao beijar a mão a rainha D. Amélia, que interrompera o exílio para uma visita a Portugal - que ninguém esteve tanto tempo no cargo.
O seu percurso mostra um perfil acentuadamente político: durante os governos Cavaco Silva, foi assessora do gabinete do primeiro-ministro e chefe de gabinete do ministro das Finanças. Esteve no gabinete de Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia e foi representante permanente junto da OCDE e da OSCE.
No ano passado, recebeu o prémio Femina de Honra 2016, por ter sido a primeira mulher a assumir o posto mais importante da diplomacia portuguesa. Depois de quatro anos no actual cargo, como chefe máxima da carreira diplomática, poucos segredos haverá para ela no mundo que passa pelo Palácio das Necessidades.

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