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Escrito por Adérito Caldeira em 29 Junho 2017 |
O sumário da Auditoria que a Kroll realizou para a Procuradoria-Geral da República confirma “que o processo para a prestação de Garantias do Governo parece ser inadequado. Especificamente, no caso de três das cinco garantias do Governo emitidas, com um valor combinado de 1 bilião USD, não foi entregue qualquer documentação para comprovar que foi efectuada avaliação antes da sua assinatura pelo Posição C (Nota do editor: ministro das Finanças)”.
Segundo a Kroll, que refere que o seu foco foi “identificar eventuais irregularidades ou motivos de preocupação e sugerir melhorias que poderiam ser introduzidas para fortalecer este processo”, o Ministério das Finanças do Governo de Armando Guebuza autorizou, entre Fevereiro de 2013 e Dezembro de 2014, a emissão de cinco garantias separadas para empréstimos que foram contraídos ou que se previa virem a ser contraídos pela Proindicus, EMATUM e MAM, totalizando 2,2 biliões de dólares norte-americanos.
A Kroll compilou o quadro seguinte onde, quando não consta nenhuma data, significa que o respectivo documento não foi entregue, e concluiu que “Não parece ter havido um processo documentado ou de clara compreensão para a emissão de garantias do Governo”.
“À excepção da primeira garantia do Governo, para a ProIndicus, cuja análise envolveu três membros do Governo (Indivíduo D, Indivíduo C e Indivíduo L (possivelmente Posição L), as garantias foram somente analisadas e aprovadas por apenas dois membros do Governo, o Indivíduo C (Nota do editor: Manuel Chang) e o Indivíduo D (Nota do editor: Maria Isaltina de Sales Lucas). Não houve envolvimento da Assembleia da República ou do Tribunal Administrativo nos processos de avaliação ou aprovação das garantias do Governo”, pode-se ler no sumário divulgado da Auditoria divulgado pela Procuradoria-Geral da República.
Todavia, “relativamente à segunda e à terceira garantias do Governo concedidas à ProIndicus (com um valor total de 528 milhões USD), nenhuma documentação foi fornecida pelo Ministério das Finanças para demonstrar que foi efectuada qualquer avaliação sobre a solicitação das garantias antes da aprovação das mesmas pelo Ministro das Finanças. Do mesmo modo, nenhum comprovativo foi fornecido à Kroll de que foi realizada qualquer avaliação pelo Ministério das Finanças antes da aprovação da garantia de 850 milhões USD relativa ao empréstimo da EMATUM”.
Além disso , “O Posição C (Nota do editor: ministro das Finanças), Indivíduo C (Nota do editor: Manuel Chang) admitiu voluntariamente à Kroll que violou conscientemente as leis do orçamento acordadas ao aprovar as garantias do Governo para as Empresas de Moçambique, tendo explicado que funcionários do SISE o convenceram a aprovar as garantias do Governo com base em razões de segurança nacional”.
Vice-Ministra da Economia e Finanças em conflito de interesses, violou a Lei da Probidade e embolsou milhares de dólares
O @Verdade apurou que o individuo D é Maria Isaltina de Sales Lucas após verificar a sua assinatura em documentos das empresas Proindicus e EMATUM.
No dia 15 de Janeiro de 2013, mais de um mês antes de emitir os seu parecer abonatório para a emissão da Garantia para o primeiro empréstimo da Proindicus a então directora nacional do Tesouro rubricou um documento do Credite Suisse onde assumia os termos e condições do contrato do empréstimo em nome da República de Moçambique.
Ademais, segundo a Kroll, “o Indivíduo D (Nota do editor: Maria Isaltina de Sales Lucas) recebeu da EMATUM a quantia de 95,000 USD pelo seu papel enquanto Director(a) Não-Executivo(a) durante o período que decorreu entre Agosto de 2013 e Julho de 2014”.
Além de conflito de interesses Maria Isaltina de Sales Lucas, funcionária do Ministério das Finanças, onde além de ter sido directora nacional do Tesouro foi secretária permanente, violou o artigo 25 da Lei da Probidade Pública durante o período em que esteve na EMATUM.
Ironicamente Maria Isaltina de Sales Lucas já como vice-ministra da Economia Finanças liderou a equipa técnica de Moçambique que acompanhada pelo primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, deslocou-se de emergência aos Estados Unidos da América,em Abril de 2016, para reconhecer junto do Fundo Monetário Internacional a existência dos empréstimos secretos da Proindicus e MAM.
Diga-se que se uma Administradora não executiva, que somente deu pareceres sobre Garantias para os empréstimos, embolsou 95 mil dólares bem podemos imaginar quanto valeu a consciência do ministro Manuel Chang para violar a Constituição e as leis orçamentais ou quanto tem rendido o patriotismo do Senhor António Carlos do Rosário que está envolvido desde o início do endividamento, até hoje, nas três empresas.
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quinta-feira, 29 de junho de 2017
Maria Isaltina Lucas aprovou Garantias para Proindicus, EMATUM e MAM e embolsou milhares de dólares
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