quarta-feira, 21 de junho de 2017

Guerra das potências na Síria agudiza-se com derrube de drone iraniano


A intensificação do confronto entre Assad (e aliados russos e iranianos) e os EUA continua.
Os iranianos decidiram atacar o Daesh a partir do seu território
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Os iranianos decidiram atacar o Daesh a partir do seu território EPA
Os incidentes entre as potências internacionais envolvidas no conflito sírio não param de se repetir: desta vez, a aviação dos Estados Unidos destruiu um drone armado de fabrico iraniano operado por milícias pró-Bashar al-Assad no Sul da Síria.
O incidente acontece um dia depois do aviso da Rússia, que promete tratar como “alvos legítimos” quaisquer aviões norte-americanos ou da coligação liderada por Washington que voem “a oeste do rio Eufrates”. Por “precaução”, a Austrália, que participa nesta força internacional formada em 2014 para combater os terroristas do Daesh, suspendeu os seus ataques aéreos no país.
Aos sírios já aconteceu de tudo desde 2011, mas nas últimas semanas são os países estrangeiros que combatem o Daesh ou apoiam o regime (a Rússia e o Irão) que têm tomado acções inéditas contra os outros. Em causa estará a vontade de estabelecer “linhas vermelhas” com trocas de mensagens bélicas entre potências com interesses contraditórios no país e na região.
Num comunicado, as forças dos EUA dizem ter abatido o drone depois do aparelho “ter manifestado intenções hostis e avançado na direcção das forças da coligação”.
Antes, um responsável militar explicara à AFP que o caça F-15 americano destruiu o drone Shahed 129 por este estar “a ameaçar as forças americanas no terreno”, na região de Al Tanf, junto à intersecção das fronteiras com a Jordânia e com o Iraque. “Eles estavam a avançar contra os nossos homens e preparavam-se para atacar.” Nas últimas semanas, esta zona tem sido cenário de vários confrontos entre forças pró-Assad e os EUA, que aqui usam uma base para treinar grupos aliadas, como os curdos.
Desde que EUA e Rússia coordenam operações ficara estabelecido que a zona em redor da base de treino estava a salvo de ataques militares (agora, Moscovo interrompeu estas comunicações). Mas a meio de Maio, ataques aéreos liderados por Washington na mesma área atingiram milícias iranianas; já no início de Junho, 60 membros de outro grupo formado por Teerão para ajudar Damasco entraram na zona “desmilitarizada” com tanques e armas antiaéreas – em resposta, dois dias depois, os EUA derrubaram um primeiro drone iraniano.
A escalada dos últimos dias envolveu o derrube por parte dos americanos de um caça sírio – a primeira vez que tal acontece – e a decisão russa de acompanhar os aviões internacionais com sistemas antimísseis, ameaçando disparar contra os que atravessem a linha do Eufrates, rio que vem da Turquia e atravessa a Síria numa linha diagonal antes de entrar no Iraque.
A subida de tom pôs alguns analistas a especular sobre um confronto aberto EUA-Rússia, algo que não será desejado por nenhuma das partes. Certo é que alguns dos acontecimentos na Síria, como os ataques mais sistemáticos de Assad e dos seus aliados contra forças rebeldes pró-EUA e os disparos americanos contra grupos pró-regime ou o próprio regime podem continuar. Isto porque, com o Daesh em perda acelerada, importa mesmo saber quem controla cada zona de onde os jihadistas são forçados a recuar.

Poderio iraniano

No mesmo sentido, Teerão decidiu dar provas do seu poderio militar ao lançar mísseis do país contra alvos do Daesh no Leste da Síria, algo que nunca fizera apesar do apoio que concede a Assad desde o início da revolução síria. O controlo do Sul da Síria é especialmente importante para a República Islâmica e para a sua ambição de assegurar um corredor terrestre a uni-la aos países aliados do Iraque, Síria e Líbano, num desejado "crescente xiita" de influência.
Noutra nota da crescente tensão, um caça russo Su-27 passou “a metro e meio” de um avião de reconhecimento americano no mar Báltico, mantendo-se durante alguns minutos a essa distância do RC-135. O Comando Europeu (EUCOM) dos EUA descreve o voo do aparelho russo como “errático” e fala de “uma interacção perigosa”.

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