quarta-feira, 14 de junho de 2017

Conteúdo do relatório da Kroll talvez só depois do congresso


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Conteúdo do relatório da Kroll talvez em setembro

Este congresso vai fortalecer Nyusi e permitir que ele aplique a sua visão e a sua agenda para o país, porque em 2015, quando tentou fazer isso, não conseguiu
O director do Programa África do Instituto Real de Assuntos Internacionais do Reino Uni­do considerou que o cargo de procurador-geral da Repúbli­ca em Moçambique é o traba­lho mais difícil do país.
O trabalho mais difícil em Moçambique não é o cargo de Presidente da República, mas sim o da procuradora­-geral da República, que tem de analisar e pensar o que fazer sobre o relatório da dívida” elaborado pela consultora Kroll.
Entrevistado pela Lusa em Londres, na sede da Chatham House, Alex Vines conside­rou que “a divulgação de um sumário executivo da audi­toria será feita rapidamen­te”, mas acrescentou que a divulgação do relatório total “será um processo demora­do e poderá até só estar dis­ponível depois do congresso da Frelimo”, agendado para Setembro.
A realização deste congres­so, aliás, é um dos temas que tem dominado a política in­terna moçambicana, disse Alex Vines, salientando que “a Frelimo está entre a es­pada e a parede, confronta­da com a situação difícil de saber quem estava à volta das dívidas numa altura em que o actual Presidente era o ministro da Defesa e o Presidente da República na altura, Armando Guebuza, era o líder do partido”.
Os riscos para o partido, dis­se, “são elevados devido à importância das pessoas que provavelmente tinham conhecimento dos emprés­timos da Mozambique Asset Management e da Proindi­cus”.
Estas duas empresas públi­cas contraíram empréstimos nos bancos VTB e Credit Suisse, com aval do Estado, sem que os montantes ti­vessem sido inscritos nas contas oficiais e nos relató­rios enviados aos doadores internacionais.
Questionado sobre se a di­vulgação de um sumário da auditoria encomendada à Kroll será suficiente para fa­zer avançar os processos da renegociação da dívida com os credores e a retoma da ajuda financeira internacio­nal, Alex Vines respondeu que não.
Um sumário não chega, é preciso mais informação; os detentores da dívida vão querer progressos mas tam­bém percebem que isso só deverá acontecer depois do congresso da Frelimo”, disse Vines, notando que “toda a gente quer um acordo, mas haverá cálculos detalhados sobre quem teve conheci­mento dos empréstimos, quem esteve envolvido, e a Frelimo vai ter de pensar muito cuidadosamente so­bre como vai gerir isso”.
Tema central do congresso
Sobre os preparativos do congresso da Frelimo, Alex Vines defendeu que o tema central da reunião deve ser a utilização das receitas do gás de Moçambique para combater a pobreza.
A inflação desceu face ao ano passado, o Metical fortaleceu-se, o governa­dor do banco central trouxe confiança, há alguma esta­bilidade a curto prazo, mas a pobreza e a crescente de­sigualdade mantêm-se um problema, e isto terá de ser a discussão central no con­gresso da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambi­que)”, disse Alex Vines.
O analista vincou que o tema central do congresso deve ser “como mudar isto e dar um desenvolvimento mais equitativo ao país no contexto das autárquicas de 2019 e dos desafios que os governos de libertação nacional enfrentam na re­gião”.
Para o analista, “a grande preocupação sobre Moçam­bique é que, apesar dos desenvolvimentos econó­micos positivos nos últi­mos tempos, a pobreza au­mentou no Centro e Norte do país, a desigualdade e a pobreza estão a aumentar e, mesmo em Maputo, com o corte dos subsídios, haverá muitas dificuldades e uma classe média mais descon­tente”.
O congresso do partido no poder será, por isso, muito importante para a política interna de Moçambique, e Alex Vines prevê que o po­der do Presidente moçam­bicano, Filipe Nyusi, seja reforçado de forma mais as­sertiva que em 2015, quan­do chegou à Presidência.
Este congresso vai fortale­cer Nyusi e permitir que ele aplique a sua visão e a sua agenda para o país, porque em 2015, quando tentou fazer isso, não conseguiu; afastou Guebuza da presi­dência do partido, mas não era ainda suficientemente forte para imprimir a sua agenda”, considerou.
Questionado sobre a im­portância da assinatura do Acordo Final de Investimen­to pela petrolífera ENI, no final de Maio, o que deverá garantir uma receita fiscal de 16 mil milhões de dóla­res norte-americanos nos próximos dez anos, Vines admitiu que “é importante que um investimento tão significativo como este vá em frente, porque o Governo ganha previsibilidade nas receitas”, mas alertou que o executivo está a ser dema­siado optimista nas metas.
O início da exportação não será tão cedo como o Gover­no espera, nem as receitas serão tão altas, penso que só lá para 2023 é que a ex­portação vai começar a sé­rio”, disse, vincando que, ainda assim, “em termos de receitas futuras qualquer progresso é importante
CM – 14.06.2017

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