terça-feira, 13 de junho de 2017

A afirmação estratégica da UNITA face ao “Eduardismo” - Paulo Timóteo


 Luanda - [Ponto Prévio:É humanamente impossível, tendo como base a realidade atual do País e a sociologia humana, que um Partido que durante quarenta anos e com duas Legislaturas consecutivas nos últimos dez anos, e que não tenha resolvido questões básicas das suas populações ,venha a ganhar as Eleições. A não ser que as eleições não sejam livres, justas e transparentes ou então que haja um milagre. Do ponto de vista histórico é humanamente impossível, entretanto possível, por demérito flagrante da Oposição.]
Fonte: Club-k.net
O dia 03 de Junho de 2017 ficará nos anais da história política angolana como o ínicio da Autonomia Estratégica do Partido UNITA, face ao Eduardismo, 14 anos depois, da sua derrota militar e, da morte em combate do seu fundador, Dr. Jonas Malheiro Savimbi. Não podia ser de outra forma, o MPLA vem esticando demasiadamente a corda, numa fase em que se lhe começam a ruir as bases, tendo perdido legitimidade política para governar este País e o seu Povo, face a enormidade do falhanço da sua governação, associada a corrupção desenfreada e galopante , assim como a delapidação dos bens da Nação ,por uma elite predadora e lumpenocrática .

O MPLA é actualmente e, com muita comiseração , um falhanço, que vem perdendo eleitores em todos os estratos da sociedade angolana. O MPLA necessitará de fazer a cura de oposição e refundar-se, por um imperativo de sobrevivência política. A Manifestação que a UNITA convocou , realizou e liderou, no pretérito dia 03 de Junho, pós a nu a fragilidade autonómica estratégica da restante Oposição, com realce para a CASA-CE de Abel Chivucuvucu , tendo o Bloco Democrático caminhado a contramão da Coligação, sido por isso assertivo. . O Abel tem de compreender, que face à maturidade política do eleitorado no seu conjunto e, do seu em particular, o mesmo já não admite que se tergiverse. Poderia ter dado liberdade de participação aos seus militantes, por ela ter sido acima de tudo, uma Manifestação pela Cidadania.

O êxito da manifestação em todo o País contra a fraude eleitoral e, com uma mobilização sem precedentes, mostrou aos eleitores que há liderança política e, que é possível lutar contra o medo e, por uma Mudança pacífica, dos paradigmas de governação em Angola. Já o afirmara anteriormente, que Samakuva é um líder de consensos e, que os leva ao limite, não sendo um personagem de rupturas, porém, não sabia, que tinha a astúcia e a paciência de chinês. Encurralou o MPLA, retirando-lhe a iniciativa política, fora dos marcos institucionais instrumentalizados e por si manietados. A CNE assim como o MPLA, não terão outra saída, senão a de ceder a favor da transparência do Processo Eleitoral, repondo a legalidade. O 03 de Junho, veio demonstrar a caducidade dos mecanismos fraudulentos, como meio exclusivo por parte do MPLA, para o alcance do Poder e veio igualmente retirar alguma “legitimidade” política aos Partidos fantoches tais como a APN de Quintino Moreira e a FNLA de Lucas Ngonda. Ficou demonstrado que a UNITA é o único partido actualmente, que está em condições de bater-se em pé de igualdade com o Partido/Estado, o MPLA, retirando-lhe a hegemonia política.


Permitiu também esvaziar o argumento de que a UNITA e a CASA-CE lutam pelo mesmo eleitorado, numa espécie de segunda divisão, estando o MPLA numa espécie de 1a Divisão.

Neste Acto , a UNITA demonstrou com argúcia, persuasão e força, que está em condições de apear o MPLA do Poder . Compreende-se agora que não tenha sido por isso inocente o facto do Director do Gabinete os Partidos Políticos do Tribunal Constitucional (TC), que por coincidência é genro do Presidente desta instância, ter querido demonstrar àquando da admissibilidade e validação das candidaturas, que o único primo divisionário era o MPLA e que os restantes Partidos eram de uma divisão inferior. Foi uma provocação, daí a analogia com o Barcelona feita por JPG e JLo.


Ora, a UNITA num acto político em que revelou elevada maturidade e capacidade de liderança provou que é igualmente primo divisionária, tal como o MPLA. Uma cedência por parte da CNE significará irremediavelmente o inicio da cura de oposição por parte do MPLA, face à imensa contestação do eleitorado. Os filhos do Presidente em actos de pleno desespero, face ao fim do ciclo político que se avizinha, têm sido folcloricamente inexcedíveis, ao municiarem de forma contundente a Oposição. A este cenário acrescenta-se também o aumento da literacia eleitoral das populações urbanas e a ausência de recursos financeiros para alimentar as maratonas da lumpenocracia, cujo expoente máximo é o inenarrável Bento dos Santos Kangamba. Admitindo que a CNE não venha a ceder em toda a linha, temo o “day after”. Então que fazer?

Nganga e Heitor: Dois intelectuais da pacotilha O MPLA arregimentou dois “Freelancers” com alguma visibilidade intelectual, Fernando Heitor (FH) e João Paulo Ganga (JPG), cujo objectivo primordial é o de desacreditar a UNITA, naquilo que são as suas formulações estratégicas, que ponham em causa o Poder vigente.
O destaque vai para JPG que tem baseado a sua narrativa, na valorização de aspectos menores do Partido UNITA com os quais se tenta credibilizar. Em contra-partida, tem atacando inapelavelmente a UNITA naquilo que são as questões substantivas, fraturantes e estratégicas, menorizando-as.

Foi o que se verificou no ataque às manifestações em que João Paulo Ganga foi intelectualmente desonesto com a agravante de ter mentido. Relativamente à Fernando Heitor, a pergunta que faço é a seguinte: porque é que um sexagenário que tenha  militado por mais de três décadas numa organização política sendo ainda Deputado da UNITA, decide atacá-la com tamanha ferocidade e de forma quase míope e em período de pré campanha eleitoral? Porquê Heitor?

Faz-me lembrar o texto do livro da 4a Classe do tempo colonial, “ Para onde vais tu Luteka? ”. Este ao menos, nós sabíamos para onde ia. Era ao Kimbanda !!! A UNITA deve iniciar uma espécie de “Estados Gerais para a Mudança”, para uma Governação Inclusiva, como alude no seu Manifesto Eleitoral, com vista primeiro ao resgate da Cidadania.

Mesmo que não os exponha nesta fase, deverá arregimentar sectores que se identifiquem com o MPLA e que estão em contraciclo com aquilo que é o “Eduardismo”, porque é a Líder da Oposição. A MANIFESTAÇÃO conferiu-lhe legitimidade redobrada para isso o que lhe permitirá negociar com eles as condições da Transição, independentemente de quem venha a ganhar as Eleições, caso sejam justas e transparentes. É que não podendo fazer caça às bruxas, não se deverá permitir a impunidade do SAQUE que atingiu níveis estratosfericamente inaceitáveis e criminosos, que puseram em causa os fundamentos do Estado e a segurança das populações angolanas em toda a dimensão Humana. A instituição de um Órgão Suprapartidário e Independente, que venha a recolher parte substancial do SAQUE, tornar-se-á um imperativo para a negociação da Transição e da Estabilidade Política no médio-longo prazos. A UNITA deverá estabelecer fundamentalmente com a CASA-CE , o PRS e personalidades independentes , um PACTO de Cidadania para a Transparência das Eleições Gerais, cuja fundamentação será a Assinatura de um Acordo de Compromisso, em que não se resuma à denúncia das ilegalidades da CNE, mas o que fazer caso essas ilegalidades permaneçam , que é o mais expectável, porque o sorteio dos Boletins e, dos Tempos de Antena, uma espécie de fuga pra frente da CNE, é a prova cabal desse pressuposto.

Estou plenamente convicto, que a assinatura por aquelas três formações Políticas de um “Pacto de Cidadania para a Transparência das Eleições Gerais “ faria a CNE recuar isolando o MPLA e as suas marionetas; APN de Quintino Moreira e FNLA de Lucas Ngonda, tornando as Eleições caso insista em realizá-las sem aquelas formações politicas, uma farsa aos olhos da Comunidade Internacional e perante o eleitorado.

Entretanto, ao MPLA subjaz um dilema para os actores políticos deste Partido, que pretendam substituir José Eduardo dos Santos (JES) no cadeirão máximo da Cidade Alta. Esse dilema estende-se ao candidato do MPLA, General João Lourenço ( JLo) , que não tem legitimidade política para ser o seu líder incontestável, simplesmente porque JES não o permitiu, não implementando as primárias para que JLo as ganhasse e com isso ganhasse legitimidade e, por sua vez Autonomia Estratégica na condução política do Partido/Estado, o MPLA.

Pelo contrário, manietou-o retirando-lhe essa prerrogativa essencial, na afirmação de uma Liderança que é a Legitimidade. Foi um erro crasso, pois inferioriza-o perante os seus dois principais concorrentes, Samakuva e Chivucuvucu. Deu-lhe, entretanto, e de bandeja um “ presente envenenado “ a Fraude Eleitoral, estrategicamente dirigida pela CASA de SEGURANÇA da Presidência da República, tornando-o um “fantoche”.

O posicionamento secundário de JLo, tanto na recepção ao Presidente Matias Nguema, aquando da sua vinda a Angola como mais recentemente no regresso de JES de Barcelona por motivos de saúde, conformam essa evidência, demasiadamente objectiva, porque a imagem de subserviência perante o Presidente, cuja popularidade é muitíssimo baixa, afugenta inexoravelmente os eleitores.

É essa dicotomia, que consiste na falta de legitimidade interna no Partido do candidato JLo e a baixa popularidade do MPLA nas condições actuais de manifesta adversidade, que tornarão o MPLA e a CNE irredutível às reivindicações pela Transparência das Eleições Gerais em Angola e, se venham a tomar, eventualmente, medidas primitivamente suicidárias, de sobrevivência política, a intimidação e violência. Oxalá nos enganemos. PS: A TPA juntou os mandatários dos Partidos Políticos e Coligações, para o debate após a publicação dos posicionamentos destes nos Boletins e nos Tempos de Antena. Os únicos assertivos foram Mário Pinto de Andrade pelo MPLA e José Pedro Kachiungo pela UNITA. Foi confrangedor ver a Mandatária da CASA-CE, Cesinanda Xavier a insurgir-se contra Kachiungo, deixando o principal adversário ali ao lado e, bem pertinho, incólume. Percebe-se a mensagem estruturada da UNITA no combate ao seu principal adversário.

Quem viu a prestação de Chivucuvucu na TV Zimbo e viu a Dra. Cesinanda na TPA, perguntar-se-á: serão do mesmo partido? A APN como prevíramos é um nado morto, segundo o seu imberbe mandatário. O seu programa resume-se a luta pela Paz e Direitos Humanos. Obviamente quem o pariu vai ter que o sustentar não com kissângua, pela vestimenta que apresentou, vai ter que ser alimentado com leite NIDO gordo, (passe a publicidade), para que os eleitores façam bem a confusão entre as bandeiras, mas em tempo de crise...

Teorias da conspiração à parte, sobre as bolas do sorteio ma a bola no 4 (do MPLA) que tinha a mais cerca de uma grama que as outras, foi, obviamente, projetada para ser a primeira a sair, explicada pela Lei da Gravidade de Newton, as bolas da UNITA e da APN provavelmente com o “hímen” incorporado foram formatadas para que uma puxasse a outra, o mesmo aconteceu com a CASA-CE e a FNLA ( aqui também aplica-se a Lei de Newton ) , para que, pela coloração das bandeiras, se possa justificar, aquando da FRAUDE, a fuga de votos e o score eleitoral das formações fantoches. Daí que esteja plenamente justificada, a luta ininterrupta contra a FRAUDE ELEITORAL.




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