segunda-feira, 12 de junho de 2017

Funcionários públicos e camaradas “abocanharam” os sete milhões


Beneficiários ilegais dão mão à palmatória
Recentemente, a governadora da província de Gaza, Stela Pinto Novo Zeca, ameaçou dirigir demarches jurídico-legais con­tra funcionários públicos que, tendo-se beneficiado do financiamento do Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD), hoje mostram-se relutantes a reembolsá-lo.
De acordo com a governadora, contra este grupo deverão pesar duas acusações. A primeira tem a ver com o facto de se terem beneficiado ilegalmente de um fundo destinado exclusivamente a pessoas locais não elegíveis a receber financiamento do sistema bancário normal e a segunda acusação tem a ver com o facto de, tendo recebido, não estarem a devolver o dinheiro.
Aliás, nem interesse de devolução mostram, o que, na visão da governadora, é inaceitável. Já no distrito de Boane, mais concretamente no Posto Administrativo da Matola Rio, são os próprios beneficiários ilegais que começam a dar mão à palmatória, reconhecendo o egoísmo e o facto de terem feito o que não deviam ter feito no âmbito do acesso àquele fundo. Num recente encontro de capacitação dos membros dos conselhos consultivos locais, um dos “beneficiários de elite” não se coibiu de dizer o que lhe vai na alma, apesar de o tiro ter atingido, também, a ele próprio. Chama-se João Paulo, é 1° vogal do Conselho Consultivo no Posto Administrativo da Matola-Rio, local que acolheu o encontro de capacitação.
Foi um dos primeiros beneficiários e graças ao Fundo, hoje tem uma frota de autocarros de transporte de passageiros. Ele reconheceu que, inicialmente, o projecto dos sete milhões de Meticais não estava claro, razão que fez com que o fundo fosse cair nos bolsos daqueles que se mostravam mais fortes. Nisto, reconheceu que o dinheiro, pelo menos no início do projecto, foi entregue a um grupo de elite, deixando os mais necessitados de fora. No grupo de elite estão camaradas (membros da Frelimo) e funcionários públicos. Entretanto, refere, agora a situação está controlada.
“Em abono da verdade, é bom que se diga isto: Funcionários públicos e camaradas é que se beneficiaram dos valores desembolsados nos primeiros dois anos (2006-07) aqui na província e a maioria deles não reembolsou os valores. E a população sabe muito bem disso” – denunciou João Paulo, acrescentando que “é, por isso, que tivemos dificuldades de reaver o dinheiro que está nas mãos destas comunidades”.
É que, acrescentou ele” quando exigimos o reembolso, eles dizem que vem exigir a nós (população). Porquê não exigem aos camaradas do partido Frelimo, que foram os primeiros a levar o dinheiro, mas que, até agora, não estão a pagar”. João Paulo evitou mencionar nomes dos devedores de “elite”, mas a lista é extensa. No ano passado, por exemplo, segundo a fonte, foram desembolsados perto de um milhão e oitocentos mil meticais, valor que serviu para financiar um total de 27 projectos. Deste valor, apenas foi reembolsado 6.8 por cento.Com o valor foram financiados projectos de geração de renda, a exemplo da venda de produtos de primeira necessidade, vendas de material de construção, entre outras actividades.
Para este ano, foram desembolsados cerca de um milhão e seiscentos mil meticais. Este valor foi repartido por 23 beneficiários.
“Há um trabalho de sensibilização que estamos a fazer nas comunidades para minimizar a situação. Julgamos que o esforço está a valer porque apesar de ainda ser de forma tímida. Há uma notável melhoria comparando com os anos anteriores. A nossa expectativa é continuar a melhorar para que o fundo possa cobrir mais gente”, disse.
A capacitação que teve lugar no Posto Administrativo da Matola Rio resulta de uma iniciativa da Agência de Colaboração em Descentralização e Desenvolvimento Local (AGECAP), uma Organização Não Governamental moçambicana, que actua em assuntos de governação e desenvolvimento local nos sectores de educação e desenvolvimento económico local, visando prestar apoio as comunidades no sentido de influenciar o processo de tomada de decisões da governação local.(Eduardo Conzo)
MEDIA FAX – 12.06.2017

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