sexta-feira, 9 de junho de 2017

Dinheiro desviado terá servido para comprar viaturas e construir casas

Acusados admitem uso de contas diversas para drenar fundos

Funcionários da Defesa admitem esquemas de desvio de fundos e dizem que coordenavam com chefe de vencimento do Comando, já falecido
As namoradas dos dois efectivos do Ministério da Defesa, a esposa de um deles e o irmão do outro pagam, hoje, o preço de terem “emprestado” as suas contas bancárias. Estão todos no banco dos réus! Abdul Ismael, de 33 anos de idade, militar de profissão desde 2007, é apontado como um dos protagonistas do desvio de fundos.
À data dos factos, entre 2010 e 2015, estava afecto ao sector de vencimentos e processava salários. Foi nessa qualidade que teria usado várias contas para drenar fundos públicos.
Perante o juiz, admitiu, ontem, que usou a conta da sua ex-namorada e do seu irmão para canalizar milhões desviados do Estado. Diz que o seu departamento recebia um valor em excesso para o pagamento de salários e, sob recomendações do chefe de vencimentos, Alberto Issufo, tinha de se procurar “contas extra” para canalizar o valor, daí ter usado contas dos seus próximos.
Verdade ou não, Alberto Issufo não está mais entre nós para apresentar os seus argumentos. Morreu entre 2013 e 2014. Ainda assim, o esquema continuou.
Já Ernesto Rufino, também funcionário da Defesa e militar há 28 anos, é o segundo homem apontado como quem movimentou contas diversas para desviar fundos. Era oficial de processamento de salários e teria usado o mesmo esquema, através das contas da sua esposa e de outra mulher, mãe de dois filhos seus. Além de contas bancárias, diz também que dava em mão um valor, a cada mês, a uma terceira mulher, igualmente mãe de outro filho seu, a qual também responde em tribunal.
Na sessão desta quinta-feira, foram ouvidos, igualmente, Aníbal Sacatisa e Elsa Chaúque. Sacatisa é militar e estava num outro departamento, o regimento de blindados, na Matola-Gare. Diz que deixou o seu cartão de banco com o seu amigo, Abdul Ismael, porque estava aquartelado em Manhiça, e não sabe o que acontecia na sua conta.
Elsa Chaúque, também militar, tinha relações com Ricardo Jiquina, homem da Defesa cujo paradeiro se desconhece. Chaúque também recebeu dinheiro indevido na sua conta, mas atira a responsabilidade ao seu parceiro. Diz ter permitido que Ricardo pegasse no seu cartão de banco por algum tempo e este nunca mais o devolveu, alegando ter-se perdido.
Dinheiro desviado terá servido para comprar viaturas e construir casas
Durante o período do saque no Ministério da Defesa, parte dos envolvidos teriam comprado viaturas para uso pessoal. Consta, também, que foi comprado mobiliário na Home Center, com base na verba desviada. O valor de aquisição do mobiliário ultrapassa um milhão de meticais, saído de algumas contas usadas no esquema. Abdul Alfredo, um dos funcionários da Defesa implicados, diz que usou o valor, para, igualmente, reabilitar a sua residência e para custear a formação do irmão, também na barra do tribunal.

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