quarta-feira, 14 de junho de 2017

Avião da TAP cruza-se com drone quando se preparava para aterrar em Lisboa


O avião da TAP seguia a 700 metros de altitude
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O avião da TAP seguia a 700 metros de altitude PAULO PIMENTA
Um avião da TAP, com cerca de 130 passageiros, cruzou-se, nesta quarta-feira à noite, com um drone a 700 metros de altitude, quando se preparava para aterrar no Aeroporto de Lisboa, disseram à agência Lusa fontes do sector aeronáutico.
O Airbus 319, proveniente de Milão, Itália, “cruzou-se” com o drone por volta das 21h, no momento em que a aeronave estava à vertical da Ponte 25 de Abril, na zona de Alcântara, e a poucos minutos de aterrar no Aeroporto Humberto Delgado, segundo as mesmas fontes.
Contactada pela Lusa, a NAV Portugal (responsável pela gestão do tráfego aéreo) confirmou a ocorrência, sendo este o segundo incidente em duas semanas envolvendo estes aparelhos.
A 1 de junho, um avião que se preparava para aterrar no aeroporto do Porto quase colidiu com um drone a 450 metros de altitude, obrigando os pilotos de um Boeing 737-800, da companhia TVF, France Soleil, grupo Air France/KLM, a realizar várias manobras.
Esse incidente ocorreu cerca das 16h40, no momento em que o Boeing 737-800, com capacidade para cerca de 160 passageiros, estava na aproximação final para aterrar, a 3,5 quilómetros da pista 35. Quando o drone se aproximou, o avião teve de efectuar diversas manobras para evitar a colisão, acrescentando fontes ouvidas pela Lusa na ocasião, que foi “a perícia da tripulação que evitou um grave acidente” com o Boeing 737-800, que tinha descolado de Paris.
Após este incidente, a Associação Portuguesa de Aeronaves Não Tripuladas (APANT) veio alertar para os riscos inerentes a estas práticas, aludindo ao regulamento aprovado pelo regulador do sector.
O regulamento da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) proíbe o voo destes aparelhos a mais de 120 metros de altura, uma medida que pretende precisamente “minimizar a interacção com a aviação geral”, e a proibição de voo nas áreas de aproximação e descolagem de um aeroporto, “uma vez que são consideradas fases críticas de voo”, sublinhou a APANT.
Desde o início do ano, este é o sexto incidente conhecido deste tipo.
Em 2016, o extinto Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) – que deu origem ao Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) – recebeu 31 reportes de incidentes com Sistemas de Aeronaves Pilotadas Remotamente, vulgarmente designados por drones, a maioria registados nas proximidades do Aeroporto de Lisboa.
Dados facultados no ano passado pelo então GPIAA à Lusa mostravam que as restantes ocorrências se verificaram noutros aeroportos de Portugal continental e nas ilhas.
Um dos incidentes mais graves aconteceu na tarde de 11 de Dezembro, quando um funcionário alertou para a presença de um destes aparelhos sobre uma das placas do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Na ocasião, a situação obrigou ao cancelamento temporário da descolagem de um avião e condicionou durante cerca de meia hora a operação de uma das pistas do aeroporto.
Outro dos reportes foi feito a 21 de Dezembro no Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, quando, durante uma revista, os funcionários encontraram na pista um drone que tinha sido avistado a sobrevoar a área de aproximação do aeroporto ao final de tarde do dia anterior. O aparelho nunca foi reclamado por ninguém.

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