sexta-feira, 7 de julho de 2017

Governo diz que retirou tropas e Renamo fala de troca de lugares


Renamo e Governo divergem sobre a retirada de tropas

Um grupo de jornalistas de diversos órgãos de comunicação social, entre públicos e privados, escalou, sob a direcção das Forças de Defesa e Segurança (FDS), a serra de Gorongosa, para aferir a retirada das oito posições que o Presidente da República prometeu desactivar, no âmbito do cumprimento da trégua.
No meio de dificuldades, devido às vias de acesso, após escalar as posições de Nhamadjiwa, Nhachenge, MaPanga-Panga, Nhancunga, Lourenço, Mangueiras e Nhariroza, os jornalistas constataram ausência das FDS em algumas posições e existência das forças em outras, a exemplo de Nhamadjiwa, Nhariroza e Magueiras.
Mesmo perante os factos, o comandante responsável pelas tropas governamentais em Gorongosa, Wind Wind Badford, afirmou, primeiramente, na quarta-feira, que todas as posições de que a Renamo reivindica retirada já haviam sido desactivadas.
E porque as declarações de Badford contrastavam com os factos no terreno, os jornalistas insistiram, ontem, para que fosse ouvida a comissão mista - um grupo constituído pelo Governo e pela Renamo, para monitorar a trégua.
A referida comissão divergiu quanto à retirada das tropas governamentais em Gorongosa. A equipa do Governo, na voz do seu sub-chefe, reiterou que as tropas já haviam sido desactivadas na totalidade. “Nós estamos há aproximadamente dois meses e já fizemos a verificação, no terreno, da retirada das forças nas posições acordadas entre o líder da Renamo e o Presidente da República”, disse Borges Nordino.
Mas João Buca, representante da Renamo na Comissão mista, desmentiu a retirada dos militares. “As posições não estão sendo retiradas. Apenas estão sendo mudadas de seus lugares”, referiu Buca, apontando exemplos: “as posições de Nhauranga, MaPanga-Panga e Nhauchenge foram retiradas e de acordo com populares e FDS, que nos acompanhavam, disseram claramente que estavam nas Mangueiras”.
Confrontado com esta realidade, o comandante responsável pelas tropas governamentais recuou da sua versão inicial e admitiu que as posições foram movimentadas para Satungira, ou seja, mantém-se na mesma zona.
“Algumas forças retiradas de algumas posições por onde passamos foram a Santungira, enquanto as outras regressaram às suas origens”, salientou o comandante Wind Wind Badford.
A comissão mista é composta por oito elementos, sendo quatro do Governo e igual número indicados pela Renamo.
Do lado governamental, o grupo é chefiado por Borges Nordino que ostenta a patente de coronel; Zeca Cebolinho (coronel); Raúl Wamusse (superintendente principal) e Viriato Tamele (tenente-coronel).
Já a Renamo, confiou João Buca para chefiar o grupo e coadjuvado por Carlos Esquivar Chumbo, militar que carrega a patente de major; Brito Colete (tenente-coronel) e Augusto Pahiwa, major das forças da perdiz.
CONFORTO E PRIVACIDADE VERSUS SEGURANÇA: PARA QUE NÃO PERCAMOS O FOCO DO DEBATE
Raramente escrevo dois textos por dia. Disse, raramente. Hoje, faço-o por julgar pertinente o tema do dia: a questão sobre se as forças da defesa e segurança saíram dos oito locais anunciados ou não. Fui dos primeiros a anunciar no dia 1 de Julho, citando o Ministro da Defesa, Atanásio Ntumuke.
Começo por chamar atenção a “tempestade no copo de água” que se quer ou se está a fazer. A tentativa de acusar as forças da defesa e segurança - FDS - ou mesmo o Presidente Nyusi de estar a faltar a palavra à promessa/anúncio feito no dia 25 de Junto e por causa disso a perigar o processo de pacificação do país, por manifesta falta de vontade política. Ora, isso não só não corresponde a verdade como é na minha opinião, fruto de um mero jogo político de ânimo leve com intuito de perigar a própria Paz.
Comecemos assim:
1. Existe uma equipe conjunta de monitoria da trégua instalada em Santunjira, Gorongosa cuja missão é assegurar a manutenção da trégua, garantindo que não haja provocações de ambos os lados.
2. Igualmente, existe uma equipa conjunta com membros da Renamo e governo que está a trabalhar no dossiê questões militares, para que se aconselhe ao governo e a Renamo sobre as melhores formas de reintegração dos homens armados da Renamo nas FDS e no melhor modelo de desmilitarização do partido Renamo.
3. A trégua sem prazo declarada pelo líder da Renamo, são fruto do clima de confiança entre as duas lideranças que ao momento estão cometidos em trabalhar arduamente para alcançar a paz efectiva. Fixem bem esse ponto.
4. O processo de desmilitarização da Renamo não começou. Ou seja, a Renamo continua nas suas posições ofensivas/defensivas do mesmo modo que as FDS. E É POR CAUSA DISSO QUE a comissão conjunta está no terreno para assegurar que essas posições ofensivas/defensivas se mantenham em inactividade até próxima ordem, sem provocações de ambas as partes.
Por outras palavras, estou a dizer que o AQUARTELAMENTO das tropas do Governo e da Renamo não começou. A ter que começar, tinha que haver um plano concreto, um calendário público e um comando conjunto para guiar o processo.
Ora, porque é que o Comandante-em-chefe ordenou a retirada das oito posições?
A resposta é simples: PARA CONFERIR CONFORTO E PRIVACIDADE ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama. O líder da Renamo quer comer, passear, receber suas visitas, conversar com quem quiser, enviar emissários de e para seu local de residência, enviar seus homens comprar víveres e outra logística…etc. Antes era difícil fazer isso livremente, pois as FDS teriam cercado, dificultando quase qualquer movimentação. Os seus homens tinham dificuldades em buscar água, comprar alimentos, abastecerem-se de logística diversa, encaminhar visitas até o local… A acontecer, tinham que se abrir os corredores. Os mais bem informados sabem disso e estranho que se limitam em acrescentar sua voz ao coro de lamentação e critica.
Não é por acaso que o Presidente Nyusi, no dia 25 de Junho afirmou que a ordem que estava a dar era para ainda aprofundar a confiança entre as lideranças. Não fazia sentido, claro, Presidente Nyusi andar livremente enquanto o outro interlocutor “cercado até o pescoço”.
Portanto, meus caros, o aquartelamento das forças armadas tanto da Renamo como do Estado ainda não começou. A ter que acontecer, tinha que ser DE AMBOS LADOS, como já me referi atrás, com locais de aquartelamento identificados e anunciados. O que está acontecer é mero exercício para conferir maior conforto e privacidade ao líder da Renamo, permitindo-o que também faça seu trabalho político, com os seus em privado e confortável. Diria até, que se trata de um BENEFÍCIO PRÁTICO que ele próprio Dhlakama e os seus estão a beneficiar, fruto da trégua anunciada por ele próprio.
E faz sim sentido que as FDS se tenham apartado do local onde estavam para outro. Muitos de nós pensávamos que o aquartelamento estava já em marcha. NÃAAAAAAAAO. NÃO ESTÁ. O país está ainda em tensão, porém beneficiando de tréguas sem prazo. Em vez de andarem em acusações gratuitas, o melhor seria encorajar as FDS a saírem de facto das oito posições, caso não o tenham ainda.
Ir verificar se dois, três, cinco ou oito postos avançados estão ou não desocupados é coisa que qualquer um de nos pode fazer. Mas não é esse a missão principal da comissão conjunta. A comissão conjunta tem a missão para verificar que não há provocações de ambas as partes e dialoguem imediatamente e dirima os conflitos caso haja.
A retirada completa das FDS e seu aquartelamento coincidirá com o acantonamento e desmobilização/reintegração dos HAR nas hostes das FDS. Por enquanto, o exercício é mesmo para confortar a liderança da Renamo e conferir-lhe maior privacidade, que ele precisa também.
Contribuamos para que um não-assunto se transforme num estopim para descarrilar todo processo de pacificação do país. O Presidente Dhlakama fala quando quiser com o Presidente Nyusi e esse tem o comando das FDS.
STOP Paródia.

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