terça-feira, 4 de julho de 2017

Gente material e espiritualmente egoísta

Gente material e espiritualmente egoísta

Sem coragem, ninguém faz obra alguma. Todas as decisões e actos envolvem riscos. Se Armando Guebuza não tivesses ousado, o Banco de Moçambique não teria os três novos edifícios ontem inaugurados pelo seu sucessor na Ponta Vermelha, Filipe Nyusi. Se Armando Guebuza não tivesse ousado, a ponte Maputo-kaTembe [sobre a Baía de Maputo], cuja construção está na fase de colocação do tabuleiro, não estaria a ser a realidade em que se está a tornar, e Filipe Nyusi vai certamente inaugurar ainda este ano. E muitos outros empreendimentos sócio-económicos, que Filipe Nyusi está inaugurando em todo o Moçambique não teria sido possíveis.
Sem coragem, ninguém consegue nada na vida, pois há sempre os que se opõem a qualquer decisão que tomamos. Se Filipe Nyusi não tivesse ousado acreditar em Afonso Dhlakama, muito provavelmente ainda estaríamos a circular pelo país com escoltas militares, com medo de sermos atacados por homens armados. Se Filipe Nyusi não tivesse alterado o paradigma do diálogo pela paz efectiva em Moçambique, as duas comissões técnicas que discutem as questões de descentralização da administração pública e do desarmamento definitivo da Renamo, não teriam sido formadas. Moçambique e os moçambicanos estariam ainda a viver numa grande incerteza sobre a viabilidade da paz efectiva em Moçambique.
Sem coragem, ninguém consegue mesmo nada na vida, pois qualquer decisão que se tome terá sempre contestatários. Se Filipe Nyusi não tivesse ignorado os contestatários (eu incluso!) e arriscar hipotecar a soberania do Estado moçambicano, anuindo à exigência dos "parceiros de cooperação" para a realização de uma "auditoria internacional independente" às contas do consórcio de empresas públicas moçambicanas criadas para assegurar a operacionalização do Sistema Integrado de Monitorização e Protecção (SIMP) da zona económica exclusiva de Moçambique no Oceano Índico, até hoje não se saberia o que essa auditoria permitiu saber, sem comprometer largamente a soberania do Estado moçambicano. As lições que a tal auditoria permite aos moçambicanos e seus "parceiros de cooperação" aprender, não teriam sido possíveis aprender, se Filipe Nyusi não tivesse ousado conceder à exigência dos tais "parceiros de cooperação".
Podia continuar e apontar outras coisas que não teriam sido possíveis sem actos de coragem. A própria nacionalidade moçambicana, que os contestatários de todas decisões tomadas pela liderança da FRELIMO, nasceu com produto de acto de coragem dos jovens da «geração 25 de Setembro». A nacionalidade moçambicana nasceu com a constituição da República Popular de Moçambique, no dia 25 de Junho de 1995. E houve quem contestou, razão pela qual dois anos mais tarde a jovem Nação moçambicana viu-se envolvida numa guerra que dividiu irmãos, que mataram entre si durante 16 anos. Foi preciso a coragem e ousadia de Joaquim Chissano, que ignorou os contestatários, para as conversações com a Renamo tivessem início e conduzissem à assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP), de Roma, assinado no dia 04 de Outubro de 1992. Infelizmente, ocorreu que o AGP não foi correctamente implementado, porque depois faltou coragem ao Joaquim Chissano... Essa falta de coragem de Joaquim Chissano foi porque ele ouviu os argumentos dos contestatários e se quedou por eles. Hoje, Moçambique ainda vive em paz pobre por causa desse acto de falta de coragem de Joaquim Chissano.
Enfim, não estou a dizer que não se deve ouvir aos contestatários. Longe disso. É sempre bom ouvir opiniões contrárias. Mas melhor mesmo é pôr essas opiniões ao crivo da razão guiada por objectivos nobres, justos, não egoístas. Tenho comigo que tal crivo não se compadece com a observância dos princípios, regras ou valores da dita democracia liberal. Na prática política que vise fortalecer o exercício efectivo da soberania de um Estado ao serviço de um povo que ama a sua terra e a sua independência, essas regras só devem ser invocadas mais tarde para legitimar as decisões tomadas, e já quando os resultados despontam. Foi mesmo assim que Joaquim Chissano agiu, no princípio, para conseguir o AGP, mas depois fraquejou na sua implementação por razões que só ele conhece melhor. Foi também assim que Armando Guebuza agiu, para conseguir erguer as obras que ergueu, algumas das quais o seu sucessor, Filie Nyusi, está hoje a inaugurar. É assim que Filipe Nyusi tem estado, e deve continuar, a agir, se quiser fazer deixar o seu nome bem inscrito na História de Moçambique. Geralmente, os contestatários são detractores, ainda não estejam conscientes do facto. Raras são as vezes que um líder dá-se bem ouvindo e seguindo os seus contestatários. E a razão é que, geralmente, os contestatários são indivíduos comodista; indivíduos que execram mudanças, desde que eles estejam ou se sintam bem. Eles [os contestatários] são gente material e espiritualmente egoísta. Atender essa gente porquê e para quê, se o seu propósito da sua contestação é viver bem sozinhos, daí que prefiram a estagnação da maioria. Fazem, pois, bem os líderes que ignoram críticos contestatários, desde que provado o demérito dos seus argumentos e a nobreza ou justeza dos objectivos visados pelas decisões ou actos contestados.
Vintan Diole, Elson Cuna, Ser - Huo e 13 outras pessoas gostam disto.
Comentários
Eliha Bukeni
Eliha Bukeni Em economia os recursos sao escassos. Os contestararios das obras do BM defendem e com alguma razao, que no actual estagio de desenvolvimento o pais na lista de prioridades, aqueles 3 edificios do BM sao um desperdicio de recursos escassos. Os 230 milhoes de USD poderiam ter construido infraestruturas basicas, com impacto multiplicador na economia do que aqueles elefantes brancos, cujo maior incentivo foram as comichoes assacadas. Igualmente, uma boa estrada da Katembe ate Umbeluzi (pouco mais de 50 km) colocava a Katembe a 30 min de Maputo com um investimento de menos de 100 milhoes de USD. Por isso, os contestarios da ponte defendem que os restantes 600 milhoes USD (700-100) poderiam ter construido mais centenas de kms de estrada a ligar os centros de producao agricola e os centros de consumo e transformacao, alavancando a economia, de tal forma que daqui a 30 anos, talvez se justificasse o capricho de colocar Maputo a 5 min da Katembe. Quanto a inauguracoes, devo lembrar que AEG se atribui o nome a uma ponte cujo investimento foi mobilizado por JAC, alias, esta ponte sim, foi um investimento que todo o pais agradece. Gostei que o Prof. tenha mencionado a coragem de FJN em aceitar a auditoria internacional. Lamentavel e que neste caso das dividas, nao haja edificios sumptuosos ou uma imponente ponte para chapar sobre as caras dos contestatarios. Oxala PGR possa descobrir as obras construidas pelos (713 milhoes USD + 500 Milhoes USD)!
4 · 1 h
Ricardino Jorge Ricardo
Ricardino Jorge Ricardo Guebuza e Nyusi, sim, homens corajosos que a pátria viu e conheceu...muito corajosos eles.
Será???
Elson Cuna
Elson Cuna Prpfe, de tanto canto e aplàuso a ousadia de Armando Guebuza, focou a ousadia na construção da ponte Maputo-Katembe e edificação da mega instrutura do BM, esqueceu-se no entanto de tocar na coragem do mesmo indivíduo, na grande "batida" de U$D milhões que mergulharam esta nação num caos. Granda corajoso...
Raul Junior
Raul Junior Para mim Guebuza só será compreendido 100 anos após a sua morte. Para compreender Guebuza, a população precisa de estudar muito. Guebuza transformou utopias em realidade. As pessoas não acreditavam em Nyusi. Em pouco tempo conseguiu tréguas em direção à paz efectiva e duradoira. Conseguiu eliminar fome em muitas províncias! Mais uma vez temos alguém que transforma utopias em realidade! O povo não está habituado a estes ritmos! Quer promessas só! Estamos financeiramente asfixiados mas estamos a viver. As pessoas acreditam neste governo da Frelimo!

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