terça-feira, 20 de junho de 2017

Populares recuperam campo de futebol entregue a gestores privados em Maputo


Empresa AJFD diz que decisão de devolver o campo aos moradores é injusta e promete recorrer em tribunal

Depois de cerca de três anos, marcados por manifestações em protesto contra a ocupação de um campo de futebol e seis sessões de audiência com o Conselho Municipal de Maputo, os moradores do bairro de Bagomoyo receberam, hoje, a resposta que tanto ansiavam: o campo será devolvido num prazo de 30 dias.
A decisão vem expressa num despacho feito pelo presidente do Conselho Municipal de Maputo, David Simango, em Abril deste ano.
“Na sequência dos factos apresentados percebe-se que a empresa AJFD efectuou a vedação do campo Codamo e a consequente interdição do mesmo aos munícipes sem a anuência do Conselho Municipal de Maputo, na qualidade de gestor dos campos municipais. Nestes termos ordeno a entrega do campo ao município, designo uma comissão de trabalho para tratar dos trâmites legais de recuperação do campo composta por vereadores de todas áreas envolvidas para que o campo seja devolvido dentro de 30 dias à população daquele bairro”, diz o despacho lido pelo vereador do Distrito Municipal Kabukwana, Lourenço Vilanculos.
A disputa pelo campo de futebol envolvia de um lado a comunidade que alegava que o espaço era um centro de manutenção física e por outro a empresa AJFD que comprou o espaço da empresa Ceta Moçambique para a construção de um supermercado. Na verdade, o caso é só um exemplo, da disputa de espaço entre a comunidade e privados que acontece um pouco por todo o país.
A decisão agradou a comissão dos moradores, mas que usou a ocasião para dizer que há outros problemas por resolver, causados pelas obras de vedação do campo em disputa.
“O acesso às casas tornou-se muito difícil após a colocação daquele muro. Além disso sofremos muito quando chove porque a água que sai do terreno vem para as nossas casas”, explicou Lizete Fumo.
Por sua vez, a empresa AJFD disse que a decisão é injusta e prometeu recorrer em tribunal logo que tiver acesso ao despacho.
“Esta decisão é uma aberração jurídica, não faz nenhum sentido sermos tirados um espaço pelo qual temos toda documentação”, disse Manuel Pereira.
O despacho do conselho municipal não define se o muro será demolido. De acordo com a vereação de KaMubukwana, nos próximos dias, será divulgado o parecer sobre as outras reclamações dos moradores.

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