domingo, 4 de junho de 2017

Como Trump reagiu ao atentado de Londres

Do ‘travel ban’ às críticas ao mayor de Londres. 

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Trump não demorou muito a reagir ao atentado em Londres. Começou por defender o 'travel ban', mostrou-se solidário com o povo britânico e criticou duramente o mayor de Londres.
OLIVIER HOSLET/EPA
O atentado deste sábado em Londres, em que morreram sete pessoas e 48 ficaram feridas, está a ser pretexto para um conjunto de declarações polémicas por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A primeira reação de Trump foi, no mínimo, surpreendente: decidiu usar o atentado para defender novamente a sua proposta de Travel Ban — impedimento de entrada nos Estados Unidos de cidadãos oriundos de países de maioria muçulmano identificados .
Num tweet, o presidente norte-americano escreveu: “Temos de ser espertos, vigilantes e duros. Precisamos de que os tribunais nos devolvam os nossos direitos. Precisamos do “Travel Ban” como um nível extra de segurança!”
Minutos depois, mostrou-se solidário com os britânicos, mas à moda de Trump. “O que quer que seja que os Estados Unidos possam fazer para ajudar em Londres e o Reino Unido, nós estaremos lá — ESTAMOS CONVOSCO. DEUS VOS ABENÇOE!”
Uma posição que o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, viria a corroborar: “Como o presidente Trump disse: ESTAMOS CONVOSCO.”
Esta manhã, contudo, Trump voltou ao ataque. O presidente norte-americano regressou ao Twitter para lançar um apelo: “Temos de deixar de ser politicamente corretos e ir ao centro da questão da segurança do nosso povo. Se não formos mais inteligentes só vai piorar”.
E logo depois atacou duramente o mayor de Londres, Sadiq Khan, que esta manhã tinha apelado à calma entre os britânicos e garantido que não há motivos para pânico. “Pelo menos sete mortos e 48 feridos no ataque terrorista e o mayor de Londres diz que não há motivo para alarme”, escreveu Trump no Twitter.
Logo depois, levou a resposta, por parte do porta-voz do autarca da capital britânica. “O mayor está a trabalhar com a polícia, os serviços de emergência e o governo para coordenar a resposta a este horrível e cobarde ataque terrorista e garantir aos londrinos e aos visitantes da cidade liderança e segurança”, disse o porta-voz do mayor de Londres, Sadiq Khan.
“Ele tem coisas mais importantes para fazer do que responder ao tweet mal informado de Donald Trump, que deliberadamente tira do contexto as suas declarações a apelar aos londrinos que não fiquem alarmados quando virem mais polícia — incluindo agentes armados — na rua”, acrescentou.
Mas a novela não ficou por aqui, com Trump a publicar ainda um último tweet, novamente para fazer política interna. “Já repararam que não estamos a ter um debate sobre as armas, neste momento? É porque usaram facas e um camião!”
A relação entre o Reino Unido e os EUA em matéria de terrorismo sofreu um forte abalo há duas semanas, a propósito do atentado em Manchester, e o tema já foi discutido este domingo. Na altura, o Reino Unido anunciou que as autoridades britânicas deixariam de partilhar informações sobre a investigação ao atentado com os serviços de informações dos EUA. Tudo porque no The New York Times foram publicadas imagens da bomba usada no atentado, imagens essas que chegaram ao jornal através de uma fonte dos serviços de informações norte-americanos.
A polícia de Manchester ficou furiosa com a atitude dos serviços de informações dos EUA e deixou de partilhar informações sobre a investigação. E Donald Trump não se conteve: “A primeira-ministra May estava muito furiosa com o facto de a informação que o Reino Unido deu aos EUA tenha sido divulgada. Deu-me os detalhes todos!”
Esta manhã, a comissária da polícia metropolitana de Londres confirmou aos jornalistas que não havia nenhum impedimento à partilha de informações sensíveis “com os nossos aliados americanos”, tudo indicando que a relação entre as forças de segurança dos dois países tenha sido restabelecida.
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