sexta-feira, 19 de maio de 2017

Jovens do Parlamento Juvenil entraram no “My love” e foram ter com o representante do FMI

PARLAMENTO_JUVENIL_MYLOVE
“My love” quer dizer “Meu amor” e é a expressão utilizada para qualificar o sistema de transportes urbanos em Maputo, introduzido e aceite pelo Governo, dada a sua incapacidade total de prover um sistema de transportes condigno. Os passageiros são transportados como gado e, como não têm quatro patas, usam os braços se para abraçarem uns aos outros e, assim, garantirem o necessário equilíbrio. Cada um abraça o que estiver mais próximo, o seu “amor de ocasião”, e assim sucessivamente, numa solidariedade compulsiva de equilíbrio. Trocam-se odores, hálitos e olhares. Se à chuva, se ao sol ou no frio, pouco importa. Zero é o nível de segurança.

Este é o sistema de transporte na capital do país, quarenta e dois anos depois da Independência Nacional.
É a face mais visível da indigência humana a que o povo está votado, num país onde os dirigentes arquitectam fraudes financeiras de 2,2 biliões de dólares e ainda recebem palmadinhas dos chamados “doadores”, com muita probabilidade de a culpa morrer solteira. É perante esta espiral de incongruências que um grupo de jovens do Parlamento Juvenil decidiu entrar num “My Love” e foi reunir-se com o representante do Fundo Monetário Internacional, que os chamou, após esses jovens terem enviado uma carta, há dias, questionando as posições e perspectivas do FMI no processo de endividamento do país e as prioridades do FMI em Moçambique.
Foram recebidos por Ari Aisen, representante da organização em Maputo.
Um “My love” estacionou à entrada dos escritórios do FMI, e de lá saíram os jovens que foram ter com o chefe do FMI em Moçambique.
Fomos informados de que a ideia de usar um “My love” como meio de transporte era para transmitir ao FMI como o povo do país – que foi lesado em 2,2 biliões e continua a contratar outras dívidas questionáveis – é transportado em plena capital.
Não tivemos acesso ao que foi debatido. Mas o “Canalmoz” sabe que, na carta enviada pelo Parlamento Juvenil, e que foi mote da reunião, a organização questionou os verdadeiros interesses do FMI no processo de financiamento e endividamento de Moçambique
“O nosso questionamento é sobre o que efectivamente interessa ao FMI, se é a mera conclusão do processo de auditoria da ‘Kroll’, subsidiado pelo cumprimento das demandas por debaixo do tapete, ou o uso que Moçambique fará desta auditoria na responsabilização dos infractores e no cumprimento   do plano de acção às recomendações destas resultantes”, que podem “tornar Moçambique num Estado de Direito democrático sustentável enquanto pressuposto para o restabelecimento da confiança e da estabilidade económica e, consequentemente, para a retomada do apoio a este povo que se recente de várias carências”, diz a carta enviada.
Aparentemente, o Parlamento Juvenil não está à vontade com a postura do FMI, no que diz respeito aos passos seguintes. (Matias Guente e Eugénio da Câmara)
CANALMOZ – 19.05.2017

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