sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cultivar o descrédito


É impressionante a forma como a Procuradoria-Geral da República (PGR) e alguns meios de comunicação social locais – relevantes até, diga-se –, parecem se esforçar em cultivar o seu próprio descrédito. Explico-me:
De há uns dias a esta parte, a PGR e alguns media têm-se desdobrado em desmentidos de informações veiculadas nas “redes sociais”, em meu modesto entender, numa clara tentativa destes de colocar em pé de igualdade TODOS os intervenientes destas plataformas largamente mal usadas, pois é por todos sabido que nelas campeia gente de toda a estirpe.
A PGR devia aproveitar este momento de proliferação e actuação de delinquentes e zaragateiros nas chamadas “redes sociais” para se posicionar como uma instituição impoluta, que não se deixa distrair por fofoqueiros, malandros e brincalhões.
Agindo como agem, a instituição hoje encabeçada por Beatriz Buchili (http://www.
correiodamanhamoz.com/redes-sociais-vs-pgr/ ) e alguns responsáveis editoriais acabam, talvez involuntariamente, ampliando o desempenho destes irresponsáveis e até alertar para quem deles andava alheio.

Assim sendo, dá mesmo para perguntar: até onde a PGR empreenderá esta inútil “corrida” e/ou troca de mimos em público com gente cobarde e encapuzada.
Da Procuradoria-Geral da República os moçambicanos esperam aparições públicas para algo relevante, tais como a divulgação de nomes dos implicados nas dívidas que empurraram Moçambique para a sarjeta e/ou dos integrantes dos esquadrões da morte que enlutaram e geraram sofrimento em muitas famílias, entre outras.
Convocar jornalistas para reagir à performance de boateiros não me parece trabalho glório de uma PGR.
Valha-nos Deus!
Acredito que muitos dos colegas que anuíram ao convite da PGR foram ao local da conferência de imprensa convictos de que iam ouvir falar de coisa séria, tipo nomes de implicados nas antigas “dívidas ocultas” que hoje geraram um relatório de inquérito “oculto”.
Por falar do relatório “oculto”, terá a Kroll consciência do auto-achincalhamento a que se entrega nesta sua empreitada em Moçambique?
Com um histórico pouco imaculado, esta organização com cerca de 2800 colaboradores em quase todo o mundo, dentre eles espiões e ex-espiões, polícias e ex-polícias, contabilistas, jornalistas, detectives, etc., etc., pela porta grande e sob aplausos entrou em Moçambique mas deftivamente pelas bandas da “Pérola do Índico” já criou uma falsa impressão e poucos levarão a sério o conteúdo do resultado do seu trabalho no dia em que (se) for colocado à disposição do público.
Efectivamente, poucos, se é que alguém (salvo a antiga embaixadora Nyoni e mais poucos), alguma vez imaginaram que os resultados do relatório da Kroll seriam censurados e em algum momento “escondidos”, como as dívidas que veio investigar.
refinaldo chilengue
CM – 26.05.2017

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