quinta-feira, 25 de maio de 2017

O PORQUÊ DO BARULHO A VOLTA DAS DÍVIDAS?

O PORQUÊ DO BARULHO A VOLTA DAS DÍVIDAS?
Há um ditado popular, muito em voga em Moçambique, segundo o qual o pior cego é aquele que não vê porque não quer. Vem isto a propósito das novas técnicas de colonialismo, s que se designa de globalização ou o movimento da aldeia global. Hoje, as grandes potências, sedentas dos inúmeros recursos que a mãe natureza nos presenteia, usam de todas as artimanhas possíveis para controlar os nossos recurso, muitas das vezes recorrendo a táctica de dividir para reinar. Não raras vezes as multinacionais desses países patrocinam actos de verdadeira subversão, semeando caos, para depois aparecem com salvadores do convento, sob cumplicidade de alguns patrícios nossos.
É sabido que as regras de convivência no concerto das nações já não concebem que um país use dos seus meios de repressão estadual para ocupar outro, uma vez que foi abolida há anos o colonialismo no sentido clássico e constante dos manuais da civilização ocidental. Mas porque o Ocidente não é detentor dos recursos naturais em voga nos tempos hodiernos, recorre a uma colonização sub-reptícia, não recorrendo ao poderio militar, mas aos artifícios económicos para subjugar os países menos desenvolvidos. E até criam organismos financeiros, quais agiotas, mas vestidos na pele de Messias, para manter o controlo sobre os outros povos. Outro dos artifícios de que se socorrem é o seu sistema aberto e flexível de educação, que quase que de esmola permite que cidadãos não ocidentais se matriculem em escolas e universidades, máxime americanas, para lá se formarem e “servirem” os seus países, mas quando efectivamente o que se pretende é um verdadeiro “brain wash”. Sem querer dizer que todos os não ocidentais que se formam, por exemplo, nos EUA, são arma de arremesso dos ocidentais, não deixa de ser estranho que uma vez de volta aos seus países, boa parte dos novos doutores vindos da terra do Tio Sam se prestam o papel de porta-vozes e, porque não, de advogados da visão ocidental dos fenómenos.
Portanto, os críticos acérrimos nos respectivos países, já não são os estrangeiros gestores das ONG que por cá pululam ou funcionários expatriados das chancelarias, mas os nossos patrícios, com “legitimidade sanguinis” para vender a visão ocidental de como os processos se devem reger nos nossos países. Não é por acaso que em Moçambique, por exemplo, as vozes mais críticas ao projecto do Sistema Integrado de Monitoria e Protecção (SIMP) da Zona económica Exclusiva são moçambicanos muito bem diplomados que vendem a imagem de um país de bandidos e mafiosos, em manifesto prejuízo para o povo.
Tudo quanto dizemos retro tem que ver com a actual onda agitação que a Pérola do Índico vive por conta da contratação de empréstimos, no valor global de 2,1 biliões de dólares americanos, para operacionalizar o SIMP, que foi criado pelo Decreto do Conselho de Ministros n° 91/2013, de 31 de Dezembro, sob proposta do então Ministro da Defesa Nacional, Filipe Jacinto Nyusi, a cargo das empresas das Forças de Defesa e Segurança, EMATUM, MAM e PROINDICUS.
O que muita gente não se questiona ou, sabendo, propositadamente omite, é o facto de durante as operações de pesquisa e prospecção de gás e petróleo na Bacia do Rovuma, as empresas ANADARKO e ENI terem recorrido a empresas privadas e estrangeiras para prestarem serviços de protecção a essas operações e que pelos serviços prestados arrecadavam não menos que 200 mil dólares por dia, dinheiro esse que de maneira alguma entrava no circuito financeiro nacional, nem em forma de impostos pagos ao estado, tão pouco em forma de pagamento de salários a trabalhadores nacionais residentes em Moçambique. Importa referir que os serviços de protecção aqui indicados eram prestados por empresas pertencentes a Generais reformados, entre americanos, italianos e sul-africanos, cuja mais-valia para o país não é tida nem achada.
Perante uma ameaça real: deixar parte importante da nossa soberania nas mãos de estrangeiros, com o inevitável cortejo de adversidades e inconvenientes e perante uma oportunidade para alavancar o sector empresarial do Estado, por via das Forças de Defesa e Segurança, para além de permitir a geração de receitas que em boa verdade garantiriam o equilíbrio da nossa balança de pagamentos, o Estado Moçambicano, no exercício do seu poder e dever soberano, optou por criar mecanismos para alcançar os desideratos acima referidos.
Imaginemos que por um simples cálculo aritmético, com uma única embarcação, uma empresa como a PROINDICUS facturasse, no mínimo, por dia, 200 mil dólares, em 30 dias poderia ter um encaixe bruto de 6 milhões de dólares e 72 milhões por um ano, o que não deixa de ser apetecível. Isso demonstra que estamos em presença de uma empresa não só economicamente viável, mas também e sobretudo, mecanismo importante para a reafirmação da nossa soberania. E não deixa de ser verdade que ao embarcar numa iniciativa similar, que tira ganhos a empresas de Generais estrangeiros, os nossos dirigentes serão alvos da mais severa perseguição.
Infelizmente, Armando Guebuza e Filipe Nyusi têm sido crucificados por terem estado num Governo que tudo fez para trazer soluções para alguns desafios que o país enfrenta. Ninguém faz essas análises quando se trata de emitir opiniões a respeito deste processo todo. Aliás, todo este barulho, com origem interna só prejudica aos moçambicanos, que não podem colher benefícios da actividade dessas empresas e estão sob chantagem dos parceiros de apoio directo ao Orçamento do Estado. E, como acima aduzimos, os ocidentais servem-se de alguns moçambicanos para definir a sua agenda de asfixia.
Enfim, o que é que o ciúme não faz?
Um abraço da Pérola do Índico.
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Comentários
Antolinho André
Antolinho André Excelente reflexao. Provavelmente o barulho que assistimos pode vir dessas empresas que protegiam ganhando 200 mil dólares dia usando as diversas artimanhas. Mas situações similares devem ser amplamente divulgadas na mesma amplitude que se fala das tais dívidas ocultas para as pessoas poderem sentir o peso na balança pois este artigo aparece numa altura em que até o cidadão comum foi bombardeado com as dívidas. Este artigo só apanha poucos indivíduos. Assuntos destes devem aparecer em tempo útil. Estás de parabéns ilustre Alexandre Chivale.
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 · 4 h · Editado
Cristina Alice Matavele
Cristina Alice Matavele As pessoas também deviam perceber que tamanho empréstimo sem conhecimento das instituições da Bretton Woods....nem minha avó acredita nisso.
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 · 4 h
Antolinho André
Antolinho André Kkkkkkkkkk, se a tua avó nasceu e cresceu no período que antecede a independência de Moçambique nem deve saber o que significa Bretton Woods.
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Cristina Alice Matavele
Cristina Alice Matavele Se eu sei ela sabe também.
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 · 3 h
Antolinho André
Antolinho André Kkkkkkkkkk, não me faça rir. Então a soberania moçambicana está nas mãos da Bretton Woods?
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Cristina Alice Matavele
Cristina Alice Matavele Acho que não percebeu o alcance do comentário!
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Antolinho André
Antolinho André Quem não entendeu o alcance do comentário? Porquê não relê os comentários anteriores? ?
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Cristina Alice Matavele
Cristina Alice Matavele kkkkkkkl😥😥😥😥
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Ahlupale Próprio Amakhwapa
Ahlupale Próprio Amakhwapa excelente reflexão, ilustre Chivale. sabido que todos os focos de violência em África, que comemora hoje o seu dia, tem sido fruto de "agitação" do invejoso ocidente, surgem em mim algumas questões: I- porquê será que os ocidentais conseguem sempre encontrar descontentes internos para desistabilizarem seus próprios países? II- porquê será que não é possível nós irmos lá e convecermos alguns deles a fazerem o mesmo? III-porquê será que os nossos "bons líderes" fazem sempre de tudo para terem algumas economias depositadas nesses mesmos países de agitadores? gostaria de ouvir a opinião de alguém que tanto admiro e com quem muito tenho aprendido, desde os longínquos tempos de estrelinha.
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 · 2 h · Editado
Alexandre Chivale
Alexandre Chivale Ainda estás neste post?
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Ahlupale Próprio Amakhwapa
Ahlupale Próprio Amakhwapa claro. tendo em conta que outra das artimanhas consiste em provocar guerras entre irmãos.
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Edmarf Armando Naconacavo
Edmarf Armando Naconacavo Com isso quer dizer q esta divida foi bem vinda. Mas tudo q se faz nas escuras nunca foi boa coisa. Elustre Chivale. O texto foi longo, mas menos interesa ler de novo. Boa sorte e bom trabalho espero q trabalhemos para o pais creicer nao p desenfoar o povo com fintas Maradona.
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Alexandre Chivale
Alexandre Chivale Podes ler de novo.
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Edmarf Armando Naconacavo
Edmarf Armando Naconacavo Ilustre, seraq vou ter um consenço se ler de novo?
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Alexandre Chivale
Alexandre Chivale Isso é o que eu gostaria de saber
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Edmarf Armando Naconacavo
Edmarf Armando Naconacavo Mas q tal se respeitado ilustre traduzi se este texto, numa segunda via mas bem resumido e Claro. Este tem muintos zigzagues.
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Alexandre Chivale
Alexandre Chivale Tenha paciência
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Paulo Gamba
Paulo Gamba Porque a dívida faz barulho
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Paulo Gamba
Paulo Gamba Hahahahah
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Edmarf Armando Naconacavo
Edmarf Armando Naconacavo Ok me encorajar a ler mais uma vez.
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Mathause Fernando
Mathause Fernando Os principais actores deste barrulho são os mesmos e bem conhecidos, ou seja, os apóstolos da desgraça, ou por outras, aqueles que acreditaram que este país de dirigentes super patriotas, dirigentes que sonham por um país próspero e soberano.
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Mathause Fernando
Mathause Fernando *aqueles que não acreditam que este país tem dirigentes super patriotas,....,
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Valter Luis Pelembe
Valter Luis Pelembe Concordo plenamente quanto a tentativas neocolonialistas do Ocidente sobre a África ilustre Chivale. Mas uma semente só pode germinar e crescer num terreno fértil ou fertilizado. Acho por isso que, é importante resolver os problemas internos que nos dividem e semeai ódio, desconfiança e sentimento de vingança entre irmão africanos para que todos possamos ver e lutar contra as investidas do Ocidente.
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Sultan Nazir Nazir
Sultan Nazir Nazir Bela reflexão ou por outra reflexão nota 1000, tenho pena que uns vão ler e fingir que nada percebem ou perceberam.
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Benedito Macaua
Benedito Macaua Fantástico e maravilhoso texto! Isto é que é ser Patriota e Revolucionário. Parabéns, ilustre Alexandre Chivale!
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