quarta-feira, 5 de julho de 2017

Terei ‘total independência’, diz relator de denúncia contra Temer


Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que defendeu impeachment de Collor e Dilma, afirma que não é suscetível a pressão e que aceitou o desafio porque pensa no Brasil




O deputado federal Sergio Zveiter (PMDB-RJ), escolhido nesta terça-feira relator da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, disse que terá “total independência e tranquilidade” na análise do processo.
РЕКЛАМА
“O meu compromisso é com o Brasil e com a Câmara dos Deputados, que é um poder autônomo. Comigo não tem pressão. A única pressão que me causa às vezes perplexidade é quando eu vou ao médico tirar a pressão, para ver se estou com pressão alta ou baixa. Minha pressão é normal, graças a Deus”, disse.
Ele também afirmou que, nem uma eventual consequência de suas decisões na sua reeleição em 2018 vai interferir em sua postura como relator do caso na CCJ.  “Eu não estou pensando em eleitor nesse momento, estou pensando no Brasil, no país que eu vivo, que eu nasci. Eu tenho filho também e eu aqui estou na mesma situação que todos nós. Eu quero o melhor para o nosso país e é por isso que eu aceitei essa missão”, disse.
“Sou um deputado federal no segundo mandato e tenho total independência e tranquilidade. Me considero, por ser advogado, por ter presidido a OAB duas vezes no Rio de Janeiro, com capacidade de estudar essa matéria”
Sergio Zveiter (PMDB-RJ), relator da denúncia contra Temer na CCJ da Câmara
Advogado de formação, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Zveiter foi indicado pelo deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) para conduzir o processo e apresentar o parecer  – que pode ser pelo arquivamento ou pela abertura de processo contra Temer. A denúncia foi feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Garotinho, Cabral e Paes

Com carreira política no Rio, Zveiter já foi secretário dos governos de Anthony Garotinho (PR), Rosinha Garotinho (PR) e Sérgio Cabral (PMDB) – este último, réu em 12 processos por corrupção, está preso desde novembro de 2016 pela Operação Lava Jato. Zveiter também foi titular de pasta na gestão de outro peemedebista, Eduardo Paes, à frente da Prefeitura do Rio.
Zveiter votou a favor do impeachment de Dilma Roussef (PT) e fez campanha, como presidente da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil), pela destituição de outro presidente da República, Fernando Collor de Mello.
Vindo de uma família de advogados, ele é irmão de Luiz Zveiter,  também ex-presidente do STJD e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e filho de Waldemar Zveiter, ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça de 1989 a 2001.
Na Câmara, está no seu segundo mandato – foi eleito pela primeira vez em 2011 pelo PDT. Depois, passou pelo PSD e se filiou ao PMDB no ano passado. Tentou duas vezes, sem sucesso, a Prefeitura de Niterói.

Tramitação

Nesta terça-feira, após reunião com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reiterou que os prazos serão respeitados. Ele citou o rito estabelecido no regimento interno, já que, segundo ele, “sempre há o risco de algum lado judicializar essa questão”. Temer terá até dez sessões do plenário para apresentar sua defesa à CCJ. Após isso, a comissão tem até cinco sessões para concluir análise que será levada ao plenário.
Segundo a Constituição, em caso de acusação por crime comum, como corrupção passiva, o julgamento cabe ao STF, mas o processo só pode ser aberto se houver autorização do plenário da Câmara – é necessário o apoio de pelo menos dois terços dos parlamentares (342 votos).
Maia também reiterou a intenção de discutir com os líderes partidários a possibilidade de ter mais oradores a favor e contra durante a discussão em plenário. Segundo ele, pelo regimento interno são necessários apenas dois debatedores de cada lado. “É o único ponto que é mais frágil, temos que ampliar um pouco isso”, afirmou.
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No vídeo, Lula garante que Geddel é um exemplo a seguir

Caso se reencontrem no mesmo pátio de cadeia, o ex-presidente e seu ex-ministro saberão que são ligados por laços indissolúveis


Preso ex-ministro de Temer, noticiaram os grandes jornais nesta terça-feira. A informação é incompleta: Geddel Vieira Lima foi ministro-chefe da Secretaria de Governo do atual presidente, mas também foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010, e vice-presidente da Caixa Econômica Federal de março de 2011 a dezembro de 2013, quando a presidente era Dilma Rousseff. Mais: a transferência para a gaiola ocorreu com o amigo Michel Temer alojado no Planalto. Mas as bandalheiras descobertas pela Polícia Federal foram praticadas no cargo que Geddel ganhou da amiga Dilma por ordem do amigo Lula, um entusiasta dos dotes administrativos do político baiano cuja gula por dinheiro lhe valeu o apelido de Jacaré.

Em 2010, ao saber que Geddel deixaria o primeiro escalão para ser surrado na disputa pelo governo da Bahia, Lula lamentou em vários comícios a perda irreparável. O vídeo acima registra um dos momentos da cerimônia do adeus a um servidor da nação. “Você foi um cumpridor de tarefa extraordinário”, derrama-se o orador de olhos postos no ministro que se vai. “E isso eu tenho ouvido não apenas da minha boca, que viajo com você, mas da companheira Dilma, que conviveu contigo”. Enquanto o motivo da choradeira retórica capricha na pose de estadista sertanejo, Lula contempla a plateia amestrada e segue em frente“Eu disse ao Geddel outro dia: é uma pena que você deixa o governo, você poderia continuar no governo (…) pela grandeza do teu trabalho.
Não era pouca coisa. Mas não era tudo, informou a continuação do espetáculo da pieguice demagótica. “Eu acho que o Temer deveria pegar os deputados aqui, de todos os partidos, e levar pra ver algumas obras que estão acontecendo no Nordeste brasileiro, pra saber o que que tá acontecendo no Nordeste brasileiro”, viaja na redundância. Todas as obras tinham como parteiros o presidente e o ministro. Por exemplo, a transposição das águas do Rio São Francisco.“O canal da integração é uma obra que vocês vão perceber por que que Dom Pedro II queria fazer essa obra em 1847, e eu espero que até 2012 a gente conclua ela inteira. Então, Geddel, meus agradecimentos por todo o teu trabalho nesses três anos e meio de governo”.
Passados mais de sete anos, a promessa não desceu do palanque, o ministro insubstituível está na cadeia e o falastrão fantasiado de Pedro III tem sucessivos pesadelos que misturam celas, grades, catres e camburões com placas de Curitiba. Separados politicamente pelo impeachment, os dois prontuários ambulantes continuam atados por laços indissolúveis. Lutaram juntos pela institucionalização da corrupção impune, assaltaram juntos milhares de cofres públicos, conviveram fraternalmente na organização criminosa disfarçada de aliança partidária. Caso se reencontrem no mesmo pátio de presídio, Lula e Geddel imediatamente entenderão que nasceram um para o outro.

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