segunda-feira, 10 de julho de 2017

ESTOU PREOCUPADO COM AS LAMENTAÇÕES DO MEU PRESIDENTE

Centelha por Viriato Caetano Dias (viriatocaetanodias@gmail.com )
A verdade liberta particularmente o futuro, já que o passado é irrecuperável. In Marcolino Moco – Angola: Estado-nação ou Estado-et­nia política?, 2015, p. 33.
Hoje vou ser um pouco duro e não espero receber simpatias dos meus “cama­radas.” Às vezes, quando as coisas não correm bem e os mensageiros não levam a in­formação a quem de direito, temos que usar outros canais, para exprimir aquilo que nos apoquenta a alma.
Se alguém o disse que go­vernar era fácil, enganou-se. Se alguém o disse que esta­ria rodeado de santos, en­ganou-se. Se alguém o disse que vai sair do poder como entrou, não podia estar mais enganado. O poder desgasta física e psicologicamente. O poder cria inimigos de alma. Que assim seja, se no fim das contas conseguir resolver os problemas do povo. Valerá a pena!
Há moçambicanos que em silêncio lutam todos os dias pela sua sobrevivência e quando ouvem o presiden­te a lamentar, publicamen­te, ficam enfraquecidos. O presidente deve agir. E agir significa tomar decisões. A pior coisa que um presidente pode fazer é deixar de tomar decisões. Sejam elas boas ou más. Se forem más, é preciso assumi-las como um passado infeliz e conviver com essas deficiências sem remorso, pois só assim é que os mortais conseguem rectificar os erros. Se as decisões forem boas, permanecerão no tempo e te­rão seguidores.

Não gosto de ver o meu presidente andar de comício em comício a lamentar. Esta atitude pode sair-lhe muito caro em política. Para quem foi ministro da defesa deve ter aprendido que o poder não admite curvas. Tome as medidas que forem necessá­rias para desenvolvimento do nosso país e não espere ser beatificado pelos seus de­tractores. A teoria samoriana das “minas retardadas” é uma realidade, por isso não esteja expectante os detractores da sua governação se transforem em gestores do silêncio.
Uma coisa é certa, o pre­sidente está quase a meio do seu mandato e ainda não fez substituições sérias no seu executivo, mesmo diante de várias realidades factuais de dirigentes que demonstram cansaço e alguma incompe­tência técnica para continua­rem nos cargos que ocupam. Mais adiante, darei alguns exemplos.
Dizia um autor da Hollywood que “Há sempre uma hora para conversar e uma hora para se ser duro.” Os que fomentam “o novo tipo de guerra” convivem com a nossa família. São membros da nossa família. É preciso excomungá-los e não esperar que o tempo os molde. Por outro lado, não é preciso ter dois dedos de testa para per­ceber que a Renamo é alimen­tada pela nossa intolerância. Há que ser duro.
Eu tenho visto um pouco por todo o país dirigentes que não se identificam com a sua governação, senhor presiden­te. Já denunciei isto aqui no Wamphula Fax casos de algu­mas “criaturas” que mostram total indiferença pela causa do povo, entretanto, esses ti­pos, por golpe da sorte ou da esperteza, são recompensados em todos os aspectos. Desta forma, o almejado desenvolvimento sustentável do país será alcançado num horizonte longínquo.
Prepare-se porque na próxima eleição presidencial, se for candidato, terá que enfrentar um novo chavão da oposição: os myloves. E a minha pergunta é: como é que os nossos ministros conseguem apanhar sono reparador quando o povo é transportado em condições desumanas? Psicólogos faltarão para atender as vítimas desta geração myloves. Que qualidade de dirigentes terá o nosso país quando há uma proposta para transformar sucatas em salas de aulas? As sequelas mentais são sempre de difícil tratamento.
Eu aconselharia os nossos ministros a andarem disfarçados (mascarados) nos chapas para ouvirem o que o povo pensa sobre eles. Alguma coisa deve ser feita para que se impeça esta hemorragia da indiferença.
Meu amado presidente, eu o considero jovem e com capacidade de fazer a síntese das melhores ideias para o rápido desenvolvimento do país. É o homem certo para a unidade do grande conjunto que é a nação moçambicana. Conheço-o como um homem de acção e de “palco” é não um artista de bastidor. Isto deve-se, talvez, por possuir o sangue de um povo guerreiro. Porém, vejo que está a ser “empurrado” inocentemente para um tipo de governação da indiferença:
“Os cães ladram, a caravana passa” e “nós continuamos…”
Pode ser que eu não tenha sequer um por cento de conhecimentos que o senhor presidente tem sobre o tecido que faz o país, mas, como telespectador atento, tenho seguramente o dobro de conhecimentos que o povo pensa sobre a nossa família e país.
O que lhe posso dizer, senhor presidente, é que os próximos pleitos eleitorais vão ser difíceis. Sublinho, muito difíceis.
Os nossos dirigentes estão a governar sem nenhuma cábula do seu discurso inaugural nem metas. As coisas boas acontecem por acaso, as coisas más são consequências do perfil dos dirigentes que se escolheu para servir o povo.
Acabe com os empecilhos do “nosso” desenvolvimento.
Corra com os malandros.
Eu ainda lembro-me daquele martelo que o senhor presidente recebeu no dia da sua investidura. Pois é, use-o, já!
Zicomo e um abraço nhúngue ao Njala, incansável trabalhador.
Nota: Incomoda-me o coro que alguns órgãos de comunicação social fazem no sentido de ampliar as alegações da Renamo sobre a não retirada das forças de defesa e segurança da Gorongosa. No passado, estes mesmos coristas, defendiam a transformação de armas em enxadas. A Renamo não se santificou. Assim que a área da Gorongosa estiver totalmente desprotegida e insegura, teremos uma Renamo novamente musculada, militarmente. Em minha opinião, a retirada deve ser condicionada
 Desarmamento prático da Renamo, caso contrário, o esforço do presidente será igual a “água em cima do pato.”
WAMPHULA FAX – 10.07.2017

Há pressão contra alguns entendimentos com a Renamo

Filipe Nyusi revela a existência de pressões de pessoas e sectores contrários a alguns entendimentos alcançados no seu diálogo com o líder da Renamo

O Presidente da República, Filipe Nyusi, revelou a existência de pressões de pessoas e sectores contrários a alguns entendimentos alcançados no seu diálogo com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, no processo das negociações para a paz efectiva no país.
Esta revelação foi feita, último sábado, no distrito de Morrumbene, província de Inhambane, num encontro com as mulheres daquela região, que marcou o último dia da visita de trabalho de três dias àquele ponto do país.
O Chefe de Estado referiu-se, como um dos exemplos de decisões que sofreram muita pressão contrária, ao acordo para a retirada das tropas governamentais da serra da Gorongosa. “Quando anunciámos a retirada das Forças de Defesa e Segurança de algumas posições onde se encontravam, nem toda a gente da sociedade compreendeu. A sociedade não compreende, mas também há uma pressão do outro lado, defendendo que devia ser um pouco mais. mas os outros defendem que se cedeu muito mais do que se devia”, disse Nyusi, sem revelar, de forma clara, os sectores que fazem a pressão, salientando apenas que tem sido uma situação de difícil gestão. “A situação não tem sido fácil de gerir, mas o importante é que a harmonia e a tranquilidade têm prevalecido”, frisou.
Ainda a este propósito, Nyusi voltou a denunciar, tal como havia feito durante a visita à província de Tete, a existência de algumas movimentações ao nível de algumas províncias do país que contrariam o espírito da paz.
“Algumas coisas que surgem em algumas províncias, temos estado a considerar como actos isolados, e que encontram esclarecimento ao mesmo tempo. Quando chegar uma fase em que se tornam pior, neste momento em que vivemos tréguas, então, mais uma vez, tentaremos ao nível das lideranças, para podermos encontrar o consenso”, disse, sem avançar detalhes sobre as questões em causa.

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