sexta-feira, 16 de junho de 2017

Pela quinta vez neste ano, um indivíduo morre nas mãos da população na Beira


Um indivíduo com identidade não reconhecida foi submetido a torturas até à morte depois de uma suposta tentativa fracassada de assalto a uma residência.

O caso ocorreu na madrugada desta segunda-feira (12), na cidade da Beira, província de Sofala.
O acto bárbaro, vulgarmente conhecido como justiça pelas próprias mãos, aconteceu no bairro de Chingussura. Onde os residentes acusam a Polícia da República de Moçambique (PRM) de não operar e restituir à liberdade, de forma sistemática, os desertores neutralizados pela população.
O assaltante era também acusado de fazer parte de uma quadrilha de assaltantes com recuso à catanas (armas brancas), segundo apurou o a nossa fonte.
Ele caiu nas mãos de populares quando a dona da casa onde pretendia cometer o acto criminoso gritou pelo socorro. Os vizinhos, que tem estado atentos aos movimentos supostamente de ladrões, devido à insegurança que assola a zona, partiram para a agressão física sem dar tempo ao acusado para se defender.
Mas afirma-se também que o malogrado foi encontrado na rua, na companhia de um amigo. E confundido com ladrão. O seu alegado cúmplice pôs em fuga quando se aperceber da agitação dos moradores de Chingussura. Alguns dos quais instigando à violência.
O cidadão foi espancado sem dor nem piedade com recurso a instrumentos contundentes. Alegadamente porque fazia parte dos considerados “homens-catana”. É a quinta vítima que morre nas mãos de populares, desde início deste ano.
Em 2015, pelo menos 26 pessoas foram vítimas da justiça pelas próprias mãos no país. De acordo com a informação anual da Procuradora-Geral da República (PGR), Beatriz Buchili. Que foi apresentada em Abril último à Assembleia da República (AR).
No ano passado, o número de casos subiu para 27 e o país registou, em média, dois linchamentos por semana. O que demonstra, infelizmente, que esta prática é uma realidade. O combate exige o envolvimento de todos os segmentos da sociedade, observou a guardiã da legalidade.

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