sábado, 13 de maio de 2017

Novo corredor de Nacala anima economia do norte


Nyusi inaugura hoje maior linha férrea do país


É já na tarde desta sexta-feira que o Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugura o Corredor Logístico de Nacala (CLN), um dos maiores investimentos em infra-estruturas da história do país e que compreende uma linha férrea de 912 quilómetros e um porto de águas profundas, no distrito de Nacala-a-Velha, em Nampula.
Trata-se de um investimento de 4.5 biliões de dólares injectados de 2011 a 2016, como forma de viabilizar o escoamento do carvão da Vale Moçambique, a partir do distrito de Moatize, província de Tete. A infra-estrutura já está a ser utilizada e transportou seis milhões de toneladas de carvão em 2016, esperando-se que, no presente ano, transporte cerca de 10 milhões de toneladas. Somente a partir de 2018 é que o CLN prevê que a linha transporte 18 milhões de toneladas de carvão por ano, o limite da sua capacidade.
“O investimento já foi finalizado e não foi feito apenas pelo CNL, mas também por outras empresas que trabalham no Corredor Logístico de Nacala, como é o caso do Corredor de Desenvolvimento de Norte (CDN) e a própria CA no Malawi, naqueles trocos que correspondem à sua concessão”, disse ao “O País Económico” José Carlos Sousa, director executivo do CLN. 
O empreendimento ganha mais sentido numa altura em que o preço do carvão no mercado internacional tende a recuperar, depois de anos consecutivos de queda. Devido à situação, a Vale teve que restruturar o seu projecto de exploração de carvão em Moçambique, despedindo milhares de trabalhadores.
Com o abrandamento dos investimentos na Zona Económica de Nacala (ZEN), os distritos de Nacala-porto e Nacala-a-Velha as populações sentem a crise na pele, agravada pelo encerramento de empresas na ZEN. Com esta infra-estrutura, a esperança ressurge no seio dos locais como uma luz no fundo do túnel. 
PORTO COM CAPACIDADE DE ARMAZENAR UM MILHÃO DE TONELADAS DE CARVÃO
O porto de Nacala-a-Velha tem capacidade para armazenar até um milhão de toneladas de carvão metalúrgico e térmico. Por se tratar de um porto de águas profundas, a infra-estrutura não precisa de dragagem, tal como o vizinho porto de Nacala.
O mesmo não acontece com os portos da Beira e de Maputo, que precisam frequentemente de ser dragados para receber navios de grande tonelagem. Com pouco tempo de operação, o porto de Nacala-a-Velha já recebeu um navio de 187 mil toneladas, cujo carregamento de carvão levou cerca de três dias.
Dos 912 quilómetros percorridos pela linha que integra o CLN, 60 quilómetros são de Tete para Malawi, onde percorre 200 quilómetros, sendo que, de Malawi a Nacala-a-Velha, a linha perfaz 652 quilómetros. Cada comboio que transporta carvão é composto por quatro locomotivas, 120 vagões e transporta 7 560 toneladas de carvão, que é armazenado antes de rumar a países da Europa e Ásia, onde a China é destaque.
 Com pouco mais de 500 quilómetros, fica para trás a linha de Sena como a maior linha férrea do país, com a entrada em operação do empreendimento que liga Moatize a Nacala. 
O Corredor emprega, no momento, 1 200 trabalhadores directos, mas o número chega a quatro mil trabalhadores, quando se considera os empregos das empresas subcontratadas e à volta do corredor logístico que hoje é inaugurado. 
CARVÃO DA VALE
A principal função do corredor logístico de Nacala é escoar o carvão produzido pela Vale, na província de Tete.
A capacidade de produção de carvão da mina Moatize é de 11 milhões de toneladas por ano. Para melhor responder à demanda de processamento de carvão, a Vale investiu na construção da maior central de enriquecimento de carvão do país. Além da indústria siderúrgica, utiliza-se o produto para a geração de energia.
O carvão metalúrgico e o térmico extraídos nas minas de Moatize têm como destino os mercados do Brasil, China e Japão, sendo que, até agora, foram exportados, através de Nacala, cerca de 6,5 milhões de toneladas. A meta é atingir 18 milhões de toneladas por ano, capacidade instalada do porto e da linha de caminho-de-ferro.
PRESENÇAS DE PESO NA INAUGURAÇÃO DO CLN
Para além do Presidente da República, Filipe Nyusi, na cerimónia de inauguração do Corredor Logístico de Nacala, deverão participar membros dos governos de Moçambique, Malawi, Brasil e Japão.
Contar-se-á, também, com a presença de gestores do topo das multinacionais Vale e Mitsui, principais accionistas do Corredor. Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) são, também, accionistas de peso no Corredor Logístico de Nacala, em representação do Estado moçambicano na parceria público-privada.

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