quinta-feira, 18 de maio de 2017

Eu gostaria de ver o presidente Nyusi acompanhado pelo líder da RENAMO e por Deviz Simango numa viagem dentro ou fora do país


Lazaro Bamo
4 min ·



Há dias voltei a ver INVICTUS, um filme que mostra como é que Mandela conseguiu unir os sul africanos através do Rugby. Mandela tomou uma decisão ousada, que consistia em levar o povo a unir-se. Mandela queria uma reconciliação entre os sul africanos pois descobriu que os negros não apoiavam a brilhante equipa de Rugby somente porque ela era associada ao apartheid. Os negros sul africanos preferiam apoiar equipas estrangeiras somente para rejeitar o conjunto local. Mandela decidiu apoiar uma equipa cujo capitão era filho de um bóer radical, aquele que não escondia o ódio pelo novo presidente sul africano, tendo chegado ao extremo de dizer: Filho estes tipos vão nos tirar emprego e as oportunidades que temos. A África do Sul ia acolher o mundial de Rugby e por via disso tinha acesso directo, mas Mandela queria mais, que a equipa vencesse. Os dirigentes desportivos fizeram todas abordagens para convencer ao presidente que aquela seleção não tinha pernas para andar, paralelamente a isso os mãos resultados e lesões reduziam efectivamente as chances daquela equipa vencer. A assessora particular de Mandela tentou convencê-lo a desistir daquele sonho, ela achava que a associação do Rugby podia extinguir a equipa como quisesse e adoptasse outro nome como eles queriam. A assessora insistia que Madina devia se concentrar na inflação que abalava o rand e na crise que o país enfrentava. Madiba disse NÃO, que nada seria mais importante que usar aquela oportunidade para unir os sul africanos. Foi o que ele fez, ensinou a equipa de Rugby o sentido de união e a necessidade de amor a pátria e respeito pelas diferenças. Ele próprio deu exemplo disso, integrado o pessoal da segurança que trabalhou com o seu antecessor bem como mantendo o pessoal do gabinete que receava a sua demissão. Aquilo que para a sua assessora, alguns jornalistas, dirigentes desportivos etc era uma aventura inconsequente, tornou se o orgulho do povo sul africano. Depois de vencer o mundial, brancos e negros se abraçavam e celebravam. Mas por que é que falo do filme e coloco a foto do PR Filipe Nyusi acompanho por Deviz Simango? É que está foto me lembra Nelson Mandela, que preferiu ter por perto os seus adversários políticos como forma de unir os sul africanos e com isso ele foi a figura que foi. Para mim Mandela entendia que os seus adversários políticos não eram seus inimigos mas pessoas que pensavam diferente e que tinham algo que podia ser potenciado em prol do país. O presidente Nyusi quando tomou posse disse que queria ser presidente de todos moçambicanos, eis a materialização da promessa. A inclusão è incontornável em nome dos interesses supremos da nação. Fazer política hoje exige outro tipo de sensibilidade. Creio que o presidente Nyusi tem a sua marca e característica que pode ser difícil para alguns perceberem (alguns por má fé mesmo) mas para mim deve continuar a ser aposta, a Unidade Nacional. Tenho estado a notar que nos falta como povo um ideal comum, que supera as meras necessidades político partidárias, este ideal só o teremos se formos unidos e a diferença não for vista como motivo de guerra. Todos nós devemos estar comprometidos com a inclusão, como primeiro passo para que nenhuma força externa nos possa abalar. Infelizmente há quem insiste que devemos continuar a erguer barricadas e ter petróleo e fósforo nas mãos prontos para queimar o outro, que por ser diferente de nós, não merece respeito. O país precisa de todos e se as pessoas se sentirem próximas das lideranças terão mais confiança e o diálogo vai melhorar. Se o diálogo melhora, claro que ninguém vai precisar de sair por aí a dar tiros ou simular recrutamentos forçados. Eu gostaria de ver o presidente Nyusi acompanhado pelo líder da RENAMO e por Deviz Simango numa viagem dentro ou fora do país a defenderem uma agenda comum do país apesar de serem de partidos diferentes. Este gesto pode dinamizar a reconciliação, pode nos mostrar que não somos inimigos mas sim pessoas comuns que tem agendas particulares que coincidem quando se fala de Moçambique. Este exemplo do Presidente Nyusi deve avançar e nos outros devemos seguir.

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