domingo, 23 de julho de 2017

Vítima do seu carácter e vontade de tirar Moçambique da dependência: As acções do plano de vitimização

Vítima do seu carácter e vontade de tirar Moçambique da dependência: As acções do plano de vitimização

Armando Guebuza (na imagem) foi vítima do seu carácter e vontade de sairmos da dependência. Quem conhece os contratos de gás e petróleo vê claramente que queríamos usar este recurso para o desenvolvimento industrial e energético de Moçambique. A percentagem negocial que deveria ficar no país e a ser industrializada ou transformada era de 25%. E essa pretensão não agradou ao FMI e associados. Moçambique está a gerir interesses de varias potências económicas do mundo nos seus recursos naturais, daí o cerco e os problemas todos que estamos a viver, com parte de culpa sendo nossa própria, porque aceitamos e acomodamos a corrupção.

Aproveitando se do carácter e visão do Armando Guebuza, era preciso reduzir o poder de barganha do Governo de Moçambique na negociação dos projectos de exploração dos recursos naturais, com destaque para o gás da Bacia do Rovuma, e manter o país sob controlo do FMI e associados. Era preciso quebrar a força do Governo da FRELIMO e pôr Moçambique de joelhos diante das potências com interesses nos recursos deste país. Para tal, a primeira coisa que a USAID e CIA fizeram, após o anúncio das descobertas de gás na Bacia do Rovuma, foi sentar e estudar a forma de continuar a subjugar os moçambicanos.
Infelizmente (para nós, moçambicanos) [e felizmente (para eles), FMI e associados], temos uma sociedade e Governo bastante corruptos. O plano para colocar Moçambique de joelhos envolveu as seguintes acções paralelas:

1. Primeira acção

Enganar o Chefe, então Armando Guebuza, fazendo-o aceitar uma saída para o fortalecimento da soberania de Moçambique, particularmente na zona económica exclusiva deste país no Oceano Índico. A criação da EMATUM, ProIndicus e MAM (doravante designadas conjuntamente por "empresas moçambicanas") tem racionalidade à primeira vista, mas houve ingenuidade demais. Com efeito, não existe um país do terceiro mundo que presta serviços às transnacionais, quais Eni e Anadarko. Por isso mesmo é que, por exemplo, a Anadarko e a Eni puseram em cima da mesa das negociações a proposta de se embandeirar as suas plataformas de exploração de gás na Bacia do Rovuma. Esta proposta visa assegurar que a zona de exploração seja considerada território de outro país, tal qual ocorre com embarcações. Entretanto, convenceram Armando Guebuza, então Presidente da República de Moçambique, que havia forma de avançar com a implementação do projecto de estabelecimento e operacionalização do sistema integrado de monitorização e protecção da zona económica exclusiva deste país no Oceano Índico, e a operação deveria ser secreta.
Estudos foram mostrados, cheios de coisas bonitas, mas se sabia à partida que não teriam pernas para andar. Foi pura ingenuidade crer que aquele projecto se poderia materializar como os estudos indicavam. Com efeito, não havia como Moçambique poderia pedir emprestado 2,2 bilhões de dólares, sem que os bancos centrais europeu e norte-americano tivessem conhecimento. Logo, a operação da criação das "empresas moçambicanas" só poderia ser totalmente secreta; aliás, só poderia ser secreta na aparência. Era, portanto, impossível o FMI e associados não souberem das "dívidas ocultas" de Moçambique. Eles sabiam destas dívidas, mesmo antes da saída de Armando Guebuza do poder. Aliás, o relatório da dita "auditoria internacional independente" da Kroll às contas das "empresas moçambicanas" retrata este ponto, embora de forma algo camuflada. Outrossim, os bancos que concederam os empréstimos às "empresas moçambicanas" deram aval aos créditos de forma muito estranha e rápida, sem fazer o "due diligence", que é norma nesse tipo de operações. Infelizmente, por termos gente corrupta, gente que sabia que ia ganhar boas luvas, Armando Guebuza foi enganado a fazer parte do jogo sujo, provavelmente sem se aperceber. Os mentores da ideia do sistema integrado de monitorização e protecção da zona económica exclusiva da República de Moçambique no Oceano Índico sabiam previamente que o projecto ia fracassar, mas queriam ganhar dinheiro para si.
É por isso que aqui (em Moçambique) há pessoas que a justiça deve condenar por alta traição à Pátria, pois há provar que aceitaram fazer parte da cabala para "acabar" com Moçambique e saírem com "algum" para si. Ou seja, venderam uma ratoeira com laço a Armando Gubuza, num esquema envolveu dar oportunidades de negócio à sua família, para que ele ficasse mais "cego" ainda! Não parece haver dúvida de que o Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE) está infiltrado, pois foi aqui onde surgiu o plano diabólico que virou Armando Guebuza de herói para vilão. O feiticeiro entrou, porque alguém abriu a porta. Esse alguém está entre nós e temos que o identificar e lhe dar o tratamento que a nossa lei recomenda, em vez de andarmos aqui batendo-mo-nos uns aos outros, atabalhoadamente. A prova de que a criação das "empresas moçambicanas" foi um ardil para manter Moçambique sob jugo dos maiores accionistas do FMI é que são eles que hoje aparecem com propostas para comprar estas empresas, os russos inclusos. Claramente, eles estudaram bem a nossa fragilidade: a corrupção organizada!

2. Segunda acção

Financiar as ditas "organizações da sociedade civil" e meios de comunicação social privados, para doutrinar as pessoas com ideia de que Armando Guebuza e seus colaboradores foram pedir dinheiro em nome do povo moçambicano para fins particulares. Esta frente visa fragilizar a FRELIMO, através do método de dividir para reinar, de modo a forçar uma mudança de regime.
Portanto, todo o plano de contratação das dívidas ocultas foi urdido para forçar uma mudança de regime na República de Moçambique. O que se pretende é que a FRELIMO seja deposta do poder para se colocar alguém (partido político financiado pelos patronos do FMI) que vai facilitar a manutenção deste país no ciclo da dependência económica, de que tornar barata a exploração dos seus recursos naturais para a indústria dos mais fortes e continuar mercados dos produtos acabados, fabricados por essas indústrias.
O atraso da Anadarko em chegar a cordo com Governo de Moçambique para o desenvolvimento do projecto de exploração do gás da Bacia do Rovuma, deve ser visto como parte do plano de subjugar Moçambique e os moçambicanos, de modo a forçar a mudança de regime. A Anadarko dificilmente vai avançar com o seu projecto, enquanto a exigência de 25% do gás para industrialização em Moçambique continuar.
O FMI e associados também não vão dar empréstimos de dinheiro a Moçambique, enquanto este país se teimar com plano de reforço da sua soberania na zona económica exclusiva deste país no Oceano Índico. Vão tentar de tudo para que a asfixia dos moçambicanos continue, até haver cedências por parte do Governo, ou então vão induzir uma mudança de regime como estão a fazer em Venezuela, na Síria, e outras partes do mundo. O que eles querem são matérias-primas baratas para as sus indústrias e mercados para os produtos acabados dessas indústrias. É isto que mantém o capital dos países ricos cada vez mais robusto. O FMI é o seu instrumento para subjugar povos.
Por sabedoria política da FRELIMO, Moçambique tem conseguido evitar convulsões sociais sangrentas, em grande escala. Bem ou mal, Moçambique vem aguentando-se FIRME nos carris do progresso. Isso não agrada ao grande capital internacional que está a ver um pedaço de mercado fugir do seu controlo. A guerra foi sempre (i) pelo controlo das fontes de matérias-primas baratas e (ii) pelo controlo dos mercados dos produtos acabados das indústrias do grande capital. Não haja equívoco em relação a isto; é a pura verdade em factos!
Ainda contexto dos esforços para asfixiar Moçambique e os moçambicanos, de modo que aceitem o jugo do grande capital, agora está-se a atacar as nossas exportações tradicionais. Por exemplo, está-se a atacar a exportação do camarão, usando a WWF [World Wide Fund for Nature | Europe]. Diz-se, por pura chantagem, que o camarão moçambicano é produto de pesca ilegal, não controlada e não declarada, e se apela aos consumidores europeus para boicotar este produto, e isto é feito por ser sabido que o mercado europeu constitui cerca de 80% dos consumidores do camarão moçambicano!

Contra-cabala

Temo como escapar da colonização económica?
Claro que temos! Vamos lá acordar, compatriotas (moçambicanos)! Há entre nós quem fez porcaria, sim; foi por culpa nossa deixar o feiticeiro entrar, mas não cada vez mais burros e distraídos. A saída é esquecermos, por algum momento, esses culpados internos e nos darmos as mãos para proteger o futuro dos nossos filhos. Depois vamos ajustar as contas com os traidores da nossa Pátria, que deviam más é ser fuzilados. Têm sorte, porque já não há pena de morte em Moçambique. Mas, se for necessário, podemos reintroduzí-la para castigar exemplarmente os traidores da Pátria. Como país, temos que nos unir. Impõe-se que os actores da sacanagem com dinheiro das "dívidas ocultas" tenham coragem de reconhecer os seus erros e pedir desculpas honestas aos seus compatriotas. Há que haver cometimento de todos nós, moçambicanos, para fazer sacrifícios. Governantes e governados, todos temos que estar unidos; temos todos que fazer sacrifícios, não apenas alguns de nós.
Aquelas intervenções da Presidente da Assembleia da República e do Director Nacional do Orçamento, em torno dos Mercedes para os membros da Comissão Permanente da Assembleia da Repúblico, não devem (se bem que podem) ser aceites como exemplos do pensamento que deve nortear a nossa conduta para sairmos da crise. Temos que esta cientes todos nós, moçambicanos, de que vamos, sim, passar tempos difíceis, mas que temos que ter garra e paciência. Em retrospectiva, este país (Moçambique) já passou por piores crises, mas porque tínhamos um governo sério e intolerante para com a corrupção, o povo aguentou porque tinha dirigentes sérios. De uma vez por todas, temos que acabar com esquemas de meia dúzia de pessoas que obstaculizam o desenvolvimento do país por causa das suas práticas corruptas. Temos que olhar o país numa perspectiva de crescimento. Os indicadores macroeconómicos recentemente publicados pelo Banco de Moçambique são animadores. A própria missão do FMI, que esteve recentemente de visita a Moçambique, reconheceu que estamos a fazer progressos. Isto quer dizer que somos capazes de fazer coisas que eles também apreciam. Mas não nos deixemos enganar. O FMI e associados não são amantes do nosso progresso; eles são amantes dos nossos recursos naturais e da nossa renda.
Para quem duvida que somos capazes, Moçambique acaba de registar a melhor produção de milho dos últimos 20 anos. Hoje, quilograma de milho custa MZN 5,00. O nosso problema continua a ser o escoamento da produção para os mercados. Este ano (2017) somos por demais auto-suficientes em termos de milho. Já se nota nas grandes cidades a queda do preço de outros produtos de primeira necessidade. Estes são sinais de que Moçambique está de volta aos carris do progresso. Porém, para o país continuar nos carris do progresso, precisamos gente séria e honesta a conduzir os processos do nosso desenvolvimento; precisamos de ter coragem de expurgar os corruptos, os lesa-Pátria. É de coragem e acção que precisamos, para derrotar os inimigos do nosso progresso. É de um pacto social forte, aberto e transparente! Cortar regalias excessivas, desencadear um combate cerrado contra corrupção, apostar forte na educação e desenvolvimento de talentos, promover a paz e reconciliação nacional, entre outras iniciativas no mesmo diapasão. Para tudo isto, precisamos coragem, muita coragem e acção consentânea com o desiderato "progresso". Temos que ter presente que não pode haver progresso onde há atropelos da lei impunes. A impunidade dos prevaricadores, corruptos, lesa-Pátria, é inimiga do progresso.
Enfim, contra um povo corajoso e disciplinado na gestão da sua república, o FMI e associados NADA podem! Portanto, a solução dos nossos problemas está em nós mesmos e não com o FMI e seus associados. Vamos arregaçar as mangas e trabalhar para o nosso presente e futuro melhor como Nação! O FMI e associados não têm força para subjugar um povo determinado, disciplinado, e que sabe o que quer para si.
A Luta Continua!

2 comentários:

Anónimo disse...

Por acaso o povo sabe o que quer.....Acredito que isso se vai refletir nas proximas eleicoes

Marcos Francisco disse...

Para dizer a verdade, o povo moçambicano está num beco sem saída!

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