sábado, 15 de julho de 2017

Birra pelos "indivíduos" ou amor pela justiça?

Birra pelos "indivíduos" ou amor pela justiça?

Juma Aiuba, meu respeitado amigo e compatriota, escreve o seguinte, comentado o "Balanço do Meio Mandato" de Filipe J. Nyusi como Presidente da República de Moçambique:

------ INÍCIO DE TRANSCRIÇÃO ------

Chega de fábulas!
Acabo de ouvir a declaração do Presidente da República Filipe Jacinto Nyusi alusiva ao seu meio-mandato. Gostei particularmente da iniciativa de fazer uma espécie de mini-informe do estado da nação. Sinceramente, gostei! É uma iniciativa de comunicação muito boa. É inovador.
Só não entendo uma coisa: O Presidente da República não aponta as dívidas ocultas como um grande constrangimento do seu mandato. O Presidente da República não reconhece o consórcio criminoso do endividamento ilegal como um obstáculo. O Presidente da República não faz menção às dívidas como uma das causas do fraco desempenho económico do actual governo. Não entendo! Não entendo mesmo!
O Chefe de Estado aponta apenas a subida de preços, a seca no Sul e as cheias no Norte como as causas dos problemas do país. Acho que não é bem assim. As dívidas da EMATUM, PROINDICUS e MAM são - sim - um grande problema. E ainda serão no futuro. O país está refém disso.
O dinheiro das dívidas não foi levado pelas águas das chuvas, como se quer fazer entender. Não derreteu com sol. Não secou simplesmente. Não! Alguém levou... na verdade, "alguéns": os "Indivíduos" com nomes de abecedário. E os gajos andam aí numa "wela" bebendo Moët & Chandon e palitando bacalhau à Gomes de Sá.
Já é tempo de começarmos a chamar os bois pelos nomes. Chega de fábulas! Chega de fantasias! Chega de canções para embalar bezerros!
- Co'licença!
Juma Aiuba

------ FIM DE TRANSCRIÇÃO ------

Agora o meu comentário à esta intervenção de Juma Aiuba:
1. Filipe Nyusi não autorizou a contracção de dívidas ocultas; está a gerir um legado, e com muita responsabilidade. Não é problema criado pela sua governação, mas sim pela governação do seu antecessor. Aliás, é um problema fabricado por aqueles que não querem que Moçambique tenha a sua zona económica exclusiva no Oceano Índico melhor protegida, porque da falta dessa protecção tiram melhor benefício das oportunidades de negócios que surgem nesta zona.
2. As calamidades naturais a que o Presidente Filipe Nyusi faz referência no seu "Balanço de Meio Mandato" foram um problema surgido pouco antes do início da sua governação, e agravado durante os primeiros meses deste mandato. Portanto, é um problema que pôs a teste a sua capacidade de gestão de adversidades. E ele (Filipe Nyusi) correspondeu bem ao desafio. Com efeito, as infraestruturas destruídas pelas cheias no Centro e Norte do país foram respostas em tempo recorde, mesmo no meio dos constrangimentos financeiros decorrentes do corte do apoio directo ao orçamento geral do Estado pelos "parceiros de cooperação"—afinal os fabricantes do escândalo das "dívidas ocultas" que o amigo e compatriota Juma Aiuba queria que o Presidente Filipe Nyusi invocasse no seu "Balanço de Meio Mandato".
3. Falar de coisas negativas engendradas pela mente humana é dar força aos opositores e inimigos do nosso progresso. Ainda bem que, no seu "Balanço de Meio Mandato", o Presidente Filipe Nyusi não faz referência ao pretenso "escândalo das dívidas ocultas" e, em vez disso, enaltece as vitórias alcançadas no meio do turbilhão de "concertos de heavy rock" de pretenso protesto contra as "dívidas ocultas". Fica ao critério de cada um de nós (moçambicanos) entender que o desempenho do Executivo dirigido pelo Presidente Filipe Nyusi nesta primeira metade do seu mandato teria sido melhor que o reportado, não fosse por causa desse pretenso "escândalo financeiro", cujo objectivo era exactamente obstruir a governação do "jovem Presidente" e enfraquecer a FRELIMO logo desde o princípio deste mandato.
Enfim, ninguém ignora que as "dívidas ocultas" estão a criar dificuldades ao país, tampouco o Presidente Filipe Nyusi. Não fazer referência a essas dívidas no "Balanço do Meio Mandato" serve um propósito: não dar ouro ao bandido. Com efeito, imagine-se o Presidente da República de Moçambique aparecer publicamente a confirmar que "sim, as dívidas ocultas estão a ser um obstáculo ao sucesso da nossa governação". Seria equivalente a alguém, a quem foi roubado dinheiro ou jóias, aparecer publicamente a dizer "sim, o dinheiro ou as jóias que me foram roubadas estão a fazer muita falta na minha vida". Quem não sabe que o que nos é roubado vai fazer-nos falta até um dia? Quem não sabe que o apoio que foi retirado a Moçambique está a fazer muita falta, e continuará a fazer até um dia? Entretanto, não é óbvio o que fomos capazes de conseguir fazer mesmo sem essa apoio. Claramente, o que conseguimos fazer é que importa enaltecer, em vez das dificuldades provocadas por um "escândalo financeiro" urdido para nos enfraquecer.
Concluindo, o Balanço de Meio Mandato do Presidente Filipe Nyusi está muito bem por enaltecer o que foi possível fazer, de bem, em tempo de crise provocada pela revelação propositada dos "créditos ocultos", como se no mundo inteiro só Moçambique tivesse "dívidas escondidas". Agora, dizer isto não significa defender o que foi mal feito na contratação dessas dívidas, tampouco o que foi mal feito na aplicação dos respectivos dinheiros. As autoridades competentes do Estado moçambicano estão a trabalhar no esclarecimento das dúvidas que persistem sobre o dossier das "dívidas escondidas". Em devido tempo, haverá esclarecimento público cabal; e havendo infracções que configurem crimes, os infractores encontrados serão tratados como manda a lei moçambicana.
Posto isto, qual é o teu problema, ó Juma Aiuba? É birra que tens com os indivíduos A, B, C, D, E, F, G, H, etc.? Vamos lá supor que parte desses dinheiros tivesse caído na tua conta bancária, por sorte ou azar. Ainda terias essa birra? Bem, estas perguntas são dizer que, se amas a justiça, então não DEVES destratar os indivíduos A, B, C, D, E, F, G, H, etc. O que DEVES fazer é exigir o esclarecimento cabal do caso e a aplicação que cabe aos que tiverem cometido infracções criminais, nos termos da nossa lei.

Sou bela justiça! E tu?...
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Comentários
Julião João Cumbane
Julião João Cumbane O Presidente Filipe Nyusi "não é mensageiro da desgraçada". Propalar mensagens de desgraça é trabalho dos "apóstolos da desgraça", quais "rockistas de moz".
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· Responder · 13 h · Editado
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Nelson Badaga
Nelson Badaga Juma Aiuba Peço para não te distrair...
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Mouzinho Zacarias
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· 13 h
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Juma Aiuba
Juma Aiuba Graças à educação que os meus pais me deram, não costumo "comer" dinheiro alheio. Não sou pessoa de empobrecer pessoas para enriquecer.

Agora, espanta-me saber que o PR não pode mencionar desgraças criadas pelo homem, mas fala da subida de preços, co
mo se essa subida fosse um fenómeno natural. Afinal, a crise económica, que fez subir os preços, não é obra do homem? Pelo contrário, eu acho que mencionar as dívidas colocaria os gatunos desassossegado. Iria também transmitir a ideia de que todos nós estamos preocupados. Seria bom para limpar a imagem de que o governo e o partido Frelimo são coniventes. Iria limpar a imagem de cabala. Iria limpar a imagem de que Filipe Nyusi também levou uma parte do dinheiro, como Ministro interessado no pseudo-negócio.

Como alguém que trabalha com Comunicação Institucional, aconselhava outra postura. Enfim, paro por aqui.
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Reggie Muac
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Ivan Amade
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Gito Katawala
Gito Katawala
Traduzido do Inglês
Eu sabia...Ver Original
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Buene Boaventura Paulo
Buene Boaventura Paulo É preciso ter lata, só que furada... não sentir por seu País (endividado até ao pescoço por um punhado de malandros) só é típico de 'bajus' com deformações graves na massa craniana
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Jeremias Chilaw
Jeremias Chilaw O Pais nao sao dividas e nem se deve limitar as dividas. Por isso o Presidente nao tem que necessariamente se cingir as mesmas. Ademais, as pessoas que falam de determinados assuntos, ao sugerirem que o Chefe de Estado deveria falar sobre as dividas, esquecem que nao pensamos da mesma forma. O PR falou dos aspectos que achou relevantes, no seu entender. Outras pessoas terao outros entendimentos, o que eh normal.
Lenon Arnaldo
10 h ·
".... a Renamo e um caso de estudo, por ser único partido a nível da região que participa no jogo democrático armado" - In Joao Pereira, Jornal Savana
A pergunta que não quer calar-se: seria nesse parlamento em que um dos intervenientes é parte do problema (bandido), em que o governo, devia submeter o projecto de aquisição de material de militar/segurança. Que paradoxo/ingenuidade.
Comentários
Da Teca
Da Teca Seja claro nessa pergunta que você na quer calar!
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Lenon Arnaldo
Lenon Arnaldo Qual é a parte escura? Refiro- me, a ilegalidade da dívida - ou melhor, as razões que fizeram com que o governo não ...,.. captaste
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Da Teca
Da Teca Já li 3 vezes mas esta tudo uma confusão. Falou se RENAMO e do parlamento com um interveniente " bandido " ... blá... blá... blá..., algo militar.

Obs: Eu não entendo nada de crónicas e códigos.
Pátria Amada
Pátria Amada Caro condidadão Lenon, se bem entendi e vi bem no seu perfil, você é formado em ou estudou Direito na UEM. Uma das matérias que aprendemos no nosso sistema jurídico é que o Estado só pode fugir da legalidade, enquanto o seu primado na actuação, nos casos de Estado de Necessidade dada a urgência.
Será que o Governo, órgão de soberania nacional, ao ter violado o consentimento da AR na contracção da dívida soberana (alínea p) do nº 2 do artigo 179 da nossa Constituição, veja que é uma competência exclusiva, própria, reservada, indelegável) fê-lo ao abrigo do Estado de Necessidade? Claro que não!
O que o concidadão está a dizer é matéria politica uma vez que a Ciência Política se ocupa dos aspectos descritivos da Política, ignorando, ainda que não por completo, o dever ser, matéria da alçada do Direito (Constitucional) que trata do dever ser do Estado, como o Estado e demais entes DEVEM se comportar.
Quando se trata de aspectos públicos, vamos deixar as questões meramente descritivas, só o que acontece mas sim, como devem ser, como devem ser levados à cabo. E isso é possível quando começarmos a nos educar em casa a respeitar o vizinho. Pois, a coisa pública não é só tua, é também do vizinho. Só assim, poderemos esperar um equilíbrio normal que se pode esperar de uma sociedade comum.
Mas o nosso caso já é demais.
Não é porque a RENAMO tem armas que o Governo deve violar sistematicamente a Lei. Não é porque o meu vizinho rouba, viola e eu seguirei também. Tenho que ter postura saudável que me dignifica como homem individual. O mal não pode prevalecer em todos. Tem de haver excepção e isso se espera do Estado e não dos gangsters.
Se a RENAMO é dos gangsters, bandidos, o Governo não pode agir nós mesmos moldes. Veja em que situação nos colocaram. Até uma simples CTA da UEM, uma das instituições mais estáveis no país, já demonstrou haver problemas graves de gestão neste país. Da UEM não esperaríamos aquilo mas aconteceu.
Daqui a nada, podemos ouvir que os tribunais (juízes) e as procuradorias estão de greve porque não recebem seus salários há 5 meses.
Portanto, dignifica a "toga", sô Lenon.
Obrigado!
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Homer Wolf

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