terça-feira, 6 de junho de 2017

Polícia Federal prende ex-ministro Henrique Eduardo Alves



Frankie Marcone/Futura Press/Folhapress
NATAL,RN,06.06.2017:OPERAÇÃO-MANUS-PRISÃO-HENRIQUE-EDUARDO-ALVES - O ex-ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves é preso na manhã desta terça-feira (6) no apartamento onde mora, no bairro de Areia Preta, Zona Leste de Natal (RN), durante operação da Polícia Federal. Batizada de Manus, a operação investiga corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro na construção da Arena das Dunas, em Natal. Segundo a PF, o sobrepreço chega a R$ 77 milhões. (Foto: Frankie Marcone/Futura Press/Folhapress) *** PARCEIRO FOLHAPRESS - FOTO COM CUSTO EXTRA E CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS ***
O ex-ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves é preso na manhã desta terça (6) em Natal
A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (6) em Natal o ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
O mandado de prisão foi expedido pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte e é um desdobramento das delações da Odebrecht.
Há também mandado de prisão contra o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso no Paraná por decisão do juiz Sergio Moro desde outubro do ano passado.
Henrique Eduardo Alves, que sempre fez parte do núcleo de confiança de Temer, pediu demissão em junho de 2016, após ser citado em delações.
Alves também foi ministro de Dilma Rousseff no segundo mandato, também na pasta do Turismo.
O ex-ministro foi o terceiro a deixar o governo interino de Temer, apenas em 34 dias de gestão. Antes dele, foram demitidos Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência), após o vazamento de gravações em que ambos criticaram a operação Lava Jato.
O secretário de Obras de Natal, Fred Queiroz, também foi preso na operação. O cunhado de Henrique Alves, o publicitário Arturo Arruda, foi alvo de condução coercitiva.
A operação desta terça foi batizada como Manus e apura supostos crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.
A investigação se baseia em provas da Lava Jato que apontam que Alves e Cunha receberam suborno na construção da Arena das Dunas, estádio construído em Natal para a Copa do Mundo.
De acordo com a apuração da Polícia Federal e do Ministério Público, houve sobrepreço de R$ 77 milhões no valor da obras, com favorecimento de duas grandes construtoras.
Os pagamentos ocorreram como doação eleitoral oficial, entre 2012 e 2014. Os valores, segundo os investigadores, omitiam subornos e, em um dos casos, eram desviados em benefícios pessoais.
MAIS UMA VEZ
Tanto Henrique Eduardo Alves e como Eduardo Cunha são alvos de outros pedidos de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal do Distrito Federal nas operações Sepsis e Cui Boni, que apuram fraudes no no FI-FGTS.
O Ministério Público no DF, que pediu as prisões, afirma que há relatos da existência de movimentação financeira no exterior entre 2011 e 2015, período em que teriam ocorrido os desvios de recursos do FI-FGTS por parte da organização criminosa.
Os pedidos de prisão chegaram na segunda (6) à PF do Rio Grande do Norte, que já tinha outro mandado expedido contra Henrique Alves e Cunha relativo à investigação da Arena Dunas. Dessa maneira, foi decidido que os mandados seriam cumpridos juntos nesta manhã.
Na investigação do DF, além de Alves e Cunha, há mais três mandados de prisão preventiva. Segundo o Ministério Público, esses investigados ajudavam na movimentação de dinheiro supostamente ilícito em contas no exterior.
Neste caso, os pedidos de prisão decorrem de fatos revelados na delação premiada da Odebrecht. Os depoimentos foram remetidos à primeira instância há pouco mais de um mês, por decisão do Supremo Tribunal Federal, e juntados às investigações que apuram irregularidades cometidas pelo grupo de Cunha nas vice-presidências de Fundos e Loterias e Pessoas Jurídicas da Caixa Econômica Federal.
MISTÉRIO
Em junho do ano passado, a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou o ex-ministro sob suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A acusação teve como base informações repassadas pelo Ministério Público da Suíça, que identificou uma conta secreta do peemedebista em instituição financeira daquele país.
A conta descoberta tinha um saldo de mais de R$ 2 milhões.
De acordo com as investigações que embasaram a operação desta terça (6), Henrique Alves emprestou a conta para que Cunha pudesse receber a propina, desviada de contratos em obras públicas.
O ex ministro havia afirmado à época que não tinha ideia de como o dinheiro foi parar na conta.
Além das delações da Odebrecht, houve afastamento de sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos.
Os alvos responderão pelos crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.
O nome Manus é uma referência ao provérbio latino "Manus Manum Fricat, Et Manus Manus Lavat": uma mão esfrega a outra, uma mão lava a outra.
A Polícia Federal afirma que cerca de 80 policiais cumprem 33 mandados judiciais, sendo cinco mandados de prisão preventiva, seis de condução coercitiva e outros 22 de busca e apreensão no Rio Grande do Norte e Paraná.
OUTRO LADO
A defesa de Henrique Alves informou que não vai se manifestar até o momento por não ter informações sobre a operação que envolve seu cliente.

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