segunda-feira, 19 de junho de 2017

MISAU e autoridades cubanas estudam possibilidade de parcerias


Cuba quer ajudar Moçambique a não amputar pé diabético de 700 doentes por ano
No primeiro dia da visita a Cuba, o Presidente da República foi conhecer o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia. No local, os cubanos mostraram o quão estão avançados, em termos tecnológicos, na investigação na saúde. Trata-se de um dos 15 melhores centros de pesquisa em saúde do mundo, que congrega 39 empresas farmacêuticas, emprega quase 20 mil pessoas e produz material médico para tratamento, diagnóstico e prevenção de 29 tipos diferentes de doenças.
Desde a sua criação, o centro já produziu 33 vacinas, 33 medicamentos para tratamento de diversos tipos de cancro e uma vacina para o cancro de pulmão, uma das principais doenças dos cubanos, devido ao consumo excessivo do tabaco, bem como 18 medicamentos para doenças cardiovasculares e sete para outras enfermidades. O centro, através das suas empresas, vende esses medicamentos para 49 países.
Graças à existência daquele centro, os cubanos dizem com orgulho que são o único país tropical do mundo que não tem doenças tropicais. “Aqui, os cubanos morrem de cancro, doenças cardiovasculares, diabetes e/ou doenças ligadas à velhice. A nossa esperança de vida é de 79 anos e reduzimos a taxa de mortalidade infantil para apenas 4,3%”, disse Manuel Perez-Castaneda, um especialista cubano.
Durante a sua apresentação, os cubanos mostraram-se disponíveis para ajudar o nosso país a desenvolver um projecto similar ao deles e a combater as doenças infecciosas, que são a principal causa de morte em Moçambique. Aliás, os mesmos apresentaram ao Presidente da República as 50 principais doenças que mais matam no nosso país e que, para eles, já não constituem problema.
O Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia aproveitou a presença do Chefe de Estado, Filipe Nyusi, para apresentar um estudo pormenorizado sobre a situação da diabetes em Moçambique. O estudo foi feito em todo o país e os cubanos “gabam-se” de serem  os únicos que têm aquela informação, a qual prometeram partilhar com o Ministério de Saúde, que no encontro estava representado pela respectiva ministra, Nazira Abdula.
O estudo dos cubanos identificou mais de quatro mil diabéticos em todo o país, dos quais mais de mil sofrem do pé diabético, uma lesão que geralmente aparece na perna e que não cicatriza com facilidade, levando em muitos casos à amputação da perna do doente.
No estudo, os cubanos dizem que, em Moçambique, mais de 700 pessoas são-lhes amputadas pernas devido ao pé diabético. E dizem que desenvolveram uma terapia que, em 35 a 40 dias, curam a ferida e evitam a amputação da perna. Segundo os cubanos, é um tratamento que cura até 75% das pessoas que são submetidas ao mesmo.
Por isso, disseram a Filipe Nyusi que, se o governo quiser, “amanhã mesmo” levam a terapia para os hospitais moçambicanos e treinam médicos moçambicanos a utilizá-la.
Em Cuba, o referido tratamento reduziu  significativamente as amputações aos diabéticos. Em 2007, o tratamento havia em apenas seis hospitais cubanos, hoje, passados 10 anos, pode ser feito em 470 hospitais.
Refira-se, por outro lado, que em Cuba, um exame de TAC, que em Moçambique leva meses para se fazer, qualquer centro de saúde o faz no mesmo dia em que o médico o solicita.
A ministra da Saúde, Nazira Abdula, disse, no final da reunião, que o seu ministério ia analisar, junto com as autoridades cubanas, quais os medicamentos que o país poderá importar da Cuba. Mas não descartou a possibilidade de cooperação, para a implementação da uma indústria farmacêutica similar à cubana.

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