sexta-feira, 2 de junho de 2017

Governo e Eni assinam contratos para arranque do projecto de gás no Rovuma


A infra-estrutura estará pronta, para produzir gás natural, daqui há cinco anos
Foi formalizada, ontem, a decisão final de investimento no gás da bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, do consórcio liderado pela empresa italiana Eni. Os contratos para o arranque das obras de construção da infra-estrutura que vai operacionalizar a produção de gás natural em grandes quantidades foram assinados, esta quinta-feira, pela ministra dos Recursos Minerais e Energia, Letícia Klemens, e as empresas responsáveis pela exploração de reservas de gás natural no bloco 4 da bacia do Rovuma. O acto foi presenciado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e por grande parte das empresas envolvidas no negócio de hidrocarbonetos na província de Cabo Delgado.
Com os contratos assinados, as empresas responsáveis pela execução do projecto de transformação do gás natural para a venda, denominado FLNG de Coral Sul, têm a luz verde para avançar. De acordo com o administrador delegado da empresa Eni, Claudio Descalzi, a infra-estrutura a ser construída a partir de agora, estará pronta, para produzir gás natural, daqui há cinco anos, ou seja, em pelo menos 60 meses. Nesta fase de construção, está previsto um investimento de 8 biliões de dólares. Desse valor, 6 biliões de dólares serão financiados por 15 bancos.
 “Este projecto é o primeiro e o único, até ao momento, a nível mundial, que atingiu Project Finance no valor de seis mil milhões de dólares. Isso é extremamente importante, não apenas, do ponto de vista financeiro mostrar que é um projecto bastante robusto e porque, neste momento de estrema dificuldade financeira a nível mundial, fomos capazes de convencer 15 bancos, três nacionais e 12 internacionais para virem a Moçambique financiar 6 biliões de dólares”, referiu o administrador delegado da companhia italiana Eni.
Na ocasião, Filipe Nyusi afirmou que, essencialmente, o arranque das obras do empreendimento marca o início da transformação do gás natural da bacia do Rovuma em dinheiro, mas adianta que a intenção não vai concretizar-se em pouco tempo. O Chefe de Estado apelou aos operadores a explorarem o recurso natural de forma sustentável, sem prejudicar o meio ambiente, nomeadamente, a actividade pesqueira e sem colocarem em risco a segurança nacional, pelo facto de os projectos se localizarem nas proximidades de países vizinhos.
“Foram vários anos de negociações, com diferenças ultrapassadas, num equilíbrio de interesses das diversas partes por cedências de posições por vezes difíceis. Compatriotas, minhas senhoras e meus senhores, esta foi a solução possível encontrada…. Auguramos que o período de construção, que ocorrerá nos próximos cinco anos, prossiga dentro dos prazos e orçamentos estimados em benefício do povo moçambicano”, afirmou o Presidente da República.
O projecto FLNG de Coral Sul é dos maiores de África e do mundo, considera Claudio Descalzi. O administrador delegado da Eni sublinha que o projecto vai mudar a imagem de Cabo Delgado e do país em geral e que, a partir desta fase de construção, o país estará no centro das atenções de praticamente todo o mundo.
“Moçambique e em particular este projecto Coral Sul têm atingido vários recordes ao nível mundial e o primeiro recorde é que este projecto flutuante é o primeiro de LNG em África, vem a seguir de outros grandes produtores do mundo e é actualmente o terceiro maior”, diz Descalzi.
A unidade flutuante de gás natural liquefeito (FLNG – Floating Liquefied Natural Gas) terá uma capacidade de cerca de 3,4 milhões de toneladas por ano. A construção da unidade FLNG será financiada através de Project Finance cobrindo 60% do seu custo total.
Para além de Filipe Nyusi, Letícia Klemens e administrador delegado da Eni, participaram no lançamento da fase de execução do projecto FLNG de Coral Sul, os presidentes dos conselhos de administração das empresas concessionárias da Área 4, nomeadamente, Wang Yilin da CNPC; Carlos Gomes da Silva da Galp; Seunghoon Lee da Kogas e Omar Mithá da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
Durante a cerimónia foram assinados os contratos para a perfuração, construção e instalação das instalações de produção, assim como os acordos entre as empresas concessionárias e o Governo de Moçambique para o financiamento e o enquadramento legal do projecto.
Este é o primeiro projeto que irá desenvolver e colocar em produção quantidade considerável dos recursos de gás descobertos pela  Eni na Área 4 da bacia do Rovuma. Este resultado foi alcançado em três anos desde a perfuração do último poço de pesquisa, e em um país que está a entrar no mercado global de gás, apesar do difícil cenário de preços dos últimos anos.
“À medida que o mundo transita para uma combinação energética de baixa emissão de carbono, a Eni acredita que o gás é o pilar para se alcançar um futuro mais sustentável”, disse Claudio Descalzi. “A nossa ambição de nos tornarmos um interveniente global integrado de gás e GNL baseia-se no trabalho com parceiros-chave como Moçambique. O projecto de Coral Sul fornecerá energia confiável, contribuindo para o desenvolvimento de Moçambique. Esta abordagem de parceria com os nossos anfitriões é a base sobre a qual assenta a nossa estratégia conjunta de crescimento sustentável.”
O campo de coral, descoberto em Maio de 2012, está localizado na Área 4 e contém cerca de 450 bilhões de metros cúbicos (16 TCF) de gás no local. Em Outubro de 2016, a Eni e seus parceiros da Área 4 assinaram um acordo com a BP para a venda de todo o volume de GNL produzido pelo projecto de Coral Sul por um período de 20 anos.
A Eni é a operadora da Área 4, através da sua participação na Eni East África (EEA) que detém 70% da concessão, enquanto a portuguesa Galp Energia, a sul-coreana Kogas e a moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) detêm 10% cada. A Eni detém 71.4% de participações na Eni East África juntamente com a empresa chinesa CNPC que detém 28,6%.
Em Março de 2017, a Eni assinou um acordo de venda de 50% das suas participações na EEA para a ExxonMobil, acordo este que será concluído após a satisfação de um número de condições precedentes, incluindo o aval do Governo moçambicano e outras autoridades regulatórias.

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