sexta-feira, 21 de julho de 2017

Como é que o Presidente pode fazer uma avaliação positiva do seu meio-mandato se o País continua mendigo?

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Cartas ao Presidente da República (61)
Eu disse uma vez, aqui neste espaço, que a graduação dos óculos com que o Presidente da República olha para o País está distorcida. Receio ter me enganado. O Presidente não usa óculos. E devia usá-los. Tem problemas de vista. Mas antes deve e é urgente- consultar um oftalmologista. O Presidente vê com alguma nebulosidade os problemas nacionais. De resto, isto é perigoso.
Quem avisa amigo é!
São de uma irresponsabilidade tremenda as declarações do alto magistrado da nação de que Moçambique está de volta. A não ser que queira dar outro sentido a esta afirmação. Mas é bom que o Presidente saiba que o povo não entende parábolas, não gosta de metáforas.
O balanço da metade da sua governação, Presidente, não pode ser bom enquanto a reacção penal anticorrupção for selectiva, nas pessoas que arrola e nos factos que elenca. O Presidente encheu o peito e, com o seu odioso eu, disse que havia realizado isto e aquilo, mas em nenhum momento falou dos tubarões da nossa economia-política. Não falou dos prevaricadores conhecidos por todos que empurraram o País à forca.
Moçambique não desceu pelo seu próprio pé ao cadafalso. Foi empurrado e foram os seus camaradas, Presidente, que o fizeram. E ao não o citar, significa que está a acobertá-los. É cúmplice.
Como é que o Presidente pode fazer uma avaliação positiva do seu meio-mandato se o País continua mendigo? Qual é a estratégia, publicamente conhecida, que o camarada Presidente tem ou teve para o País sair deste marasmo económico?
Só pode ser lunático um individuo que fale, em pleno público, de balanços positivos enquanto o País continua com fome, não produz o suficiente para alimentar a sua própria população. Como é que pode esse indivíduo se auto-avaliar positivamente quando os barcos da sobrefacturação, comprados pela Ematum, estão a enferrujar e nem magumba trazem à mesa dos moçambicanos? Sabe o Presidente que mais da metade da população moçambicana activa, provavelmente a que votou no senhor, continua desempregada?
Sinceramente, não entendi essa pressa de auto-glorificar-se enquanto Moçambique continua provavelmente o único exemplo no mundo em que o pobre trabalhador, o contribuinte de impostos, é transportado numa camioneta como se fosse gado prestes a abater.
Como pode alguém dizer o que disse num país em que as falanges do ódio são continuamente abastecidas para andarem nas rádios e televisões para desacreditarem mais de vinte milhões de moçambicanos?
Moçambique é um País entregue à veleidade da súcia dos camaradas, querendo endividam-no, vivem como nababos e o povo é obrigado a pagar a factura, e, ao fim do dia, alguém diz que esse mesmo País voltou aos carris. Isto só pode ser dito a menos, é claro, que esse alguém, além de mentiroso, seja daqueles tipos que não consideram vício de carácter mentir ao povo o chamando de patrão, desde que esse mesmo povo continue ignorante, contabilizado como estatística.
DN – 21.07.2017

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