Ocorre que medir magnitudes de coisas é só assunto de físicos. É assim que até o cálculo diferencial e integral foi inventado independentemente por físicos. Os matemáticos pegaram, depois, nas ideias e as deram uma construção abstracta, mais elegante, desenvolvendo os algorítmicos e estabelecendo os critérios de existência de soluções e os limites de sua validade. Até a economia foi inventada por um físico. Portanto, saber física serve melhor à economia do que só saber economia. Não estou a puxar a sardinha para a minha brasa; estou a colocar pontos nos iis! Física é a ciência que estuda TUDO, desde as coisas mais pequenas, como o electrão, até as mais gigantescas, como o próprio Universo de que fazemos parte... Desde este ponto, as leis da economia são também leis da Natureza, razão pela qual são também objecto de estudo da Física!
O crescimento económico de Moçambique não é fictício, é real. O facto de não se reflectir na melhoria das condições de vida das pessoas comuns não torna o crescimento económico fictício. Tal se deve ao défice de produção interna e a malandrices de certas entidades empresariais e públicas. Mas é facto inequívoco que a economia moçambicana tem estado a registar crescimento quantitativo assinalável e sistemático.
Para melhor entender o que estou a dizer, talvez fazer (e responder) a seguinte pergunta:
O que é crescimento económico?
Muito simplesmente, crescimento económico (CE) é a diferença, expressa em percentagem, entre o volume (VH) de produção de bens e serviços e de investimentos realizados num determinado período de actividade económica e o volume (VO) das mesmas coisas (i.e. produção de bens e serviços e investimentos realizados) em igual período anterior, volumes esses medidos em unidade monetária ou em dinheiro, tendo como referência o volume anterior (VO), isto é,
CE = [ ( VH - VO ) / VO ] x 100 = ( VH / VO - 1 ) x 100. (*)
Se esta diferença, expressa em percentagem (daí o factor 100 na fórmula), for positiva (CE > 0), a economia cresceu; se for negativa (CE < 0), a economia regrediu; e se for nula (CE = 0), a economia estagnou.
Por convenção, os economistas tomam o produto interno bruto (PIB) obtido em cada exercício económico no lugar das variáveis VH e VO, na fórmula acima. Também por convenção, o PIB é calculado excluindo as importações (de bens e serviços), o serviço da dívida e os custos ambientais (e.g. serviços municipais de recolha do lixo) decorrentes da actividade económica. Note-se que os itens excluídos do cálculo do PIB representam uma saída líquida de uma fracção da renda nacional.
Em Moçambique, nos últimos 24 anos verificou-se sempre que, em cada ano comparado com o ano anterior, CE > 0; isto é, no período em referência a economia registou um crescimento sistemático, mesmo que algumas vezes tenha sido modesto num ano em relação ao ano anterior. Assim, se se tiver respeito pelas convenções vigentes sobre o crescimento económica, fica evidente que a economia moçambicana registou um crescimento económico numérico real e sistemático nos últimos 24 anos.
Agora, é preciso entender porque este crescimento não está a reflectir-se na melhoria das condições de vidas das pessoas comuns. Mas este já é outro assunto...
O crescimento económico de um país só se pode traduzir na melhoria das condições de vida das pessoas comuns (nesse país) se não houver défice de produção interna de bens e serviços ou se não houver malandrices na gestão da coisa pública. Os moçambicanos têm que produzir bastante para o seu próprio consumo e para aumentar as exportações e diminuir as importações, e acabar com malandrices na gestão da coisa pública. Só assim os agentes económicos poderão render melhor e o Estado poderá arrecadar impostos bastantes para fazer investimentos públicos. São estes investimentos que viabilizam a melhoria das condições de vida das pessoas comuns. Porém, as importações de quase tudo, a mistura com malandrices, tornam Moçambique vulnerável às oscilações de preços no mercado internacional. Mais ainda, exportar matérias-primas e não produtos acabados faz o país render menos.
Portanto, é preciso promovermos o crescimento da indústria transformadora nacional, para acrescentar valor aos nossos recursos naturais e rendermos mais com a sua exploração comercial. É preciso estancarmos a fuga ao fisco, o contrabando, o egoísmo das classes política e empresarial, enfim, é preciso estancar a corrupção, para que o crescimento económico que Moçambique regista possa traduzir-se na melhoria das condições de vida das pessoas comuns.
Não se diga que o crescimento económico de Moçambique é fictício, porque isso é uma mentira. Não se faça o Presidente da República mentir ao seu "patrão"—o povo. Diga-se a verdade. E a verdade é que a renda nacional útil é baixa, porque a maior fracção das receitas do Estado é usada para importação de produtos acabados que poderiam ser produzidos no país. A verdade é, também, que essa pequena fracção da renda nacional sobra para a realização de investimentos públicos é mal distribuída, com as classes empresarial e política moçambicanas a ficar com a maior fasquia, e oferecendo ao cidadão comum serviços de má qualidade. E porque sabem disso—porque sabem que as obras e os serviços que oferecem aos seus concidadãos são de má qualidade—os nossos empresários e "políticos" que gerem recursos do Estado educam os seus filhos no estrangeiro, e não no país, e sustentam famílias de amantes sem sentir peso. Esta é a razão fundamental para que o crescimento económico de Moçambique—que é real—pareça fictício.
Enfim, não se induza o Presidente Filipe Nyusi ao erro de pensar e crer que a economia moçambicana não cresce qual reportado. Tal só pode ser mais uma artimanha dos malandros instalados no aparelho do Estado para continuarem a roubar sem freios. Atenção à chamada, Presidente Nyusi!
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Nota: (*) As equações são tidas como modelos matemáticos descrevendo fenómenos. Assim, a equação acima [Eq.(*)] é o modelo matemático que descreve o crescimento económico.
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