domingo, 30 de abril de 2017

Angola reativa campo de refugiados da guerra civil para receber congoleses


O Governo angolano vai instalar um novo campo para acolher refugiados da República Democrática do Congo em Nzaji local que durante a guerra civil recebeu a população que fugia do conflito.
Angola recebe atualmente 56.700 refugiados e cidadãos à procura de asilo, dos quais 25.000 são da República Democrática do Congo
JOAO RELVAS/LUSA
Autor
  • Agência Lusa
O Governo angolano vai instalar um novo campo para acolher refugiados da República Democrática do Congo (RDCongo) em Nzaji, no leste de Angola, local que durante a guerra civil recebeu a população que fugia do conflito.
De acordo com informação disponibilizada este domingo pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que está a apoiar o Governo angolano neste processo, aquela área, no município de Camulo, a 90 quilómetros da fronteira, já está a ser preparada com abrigos, condições de higiene e água potável, para receber os refugiados congoleses que continuam a chegar ao leste de Angola.
Em causa estão os conflitos étnico-políticos no Kasai e Kasai Central, na RDCongo, que desde meados de 2016 já provocaram, segundo o ACNUR, um milhão de deslocados, 11.000 dos quais fugiram para Angola, através da província da Lunda Norte.
Só em abril, Angola recebeu 9.000 refugiados congoleses da região do Kasai e a agitação que se vive no país vizinho já obrigou à movimentação de forças armadas e policiais angolanas para a fronteira, com o ACNUR a reforçar o apelo à manutenção da fronteira angolana para esta população.
De acordo com a informação deste domingo do ACNUR, Angola recebe atualmente 56.700 refugiados e cidadãos à procura de asilo, dos quais 25.000 são da RDCongo.
Aquela organização das Nações Unidas conta em Angola com um orçamento de 2,5 milhões de dólares (2,3 milhões de euros), para “proteção e assistência” a 46.000 refugiados, mas face à situação atual de “emergência”, o ACNUR já pediu mais 5,5 milhões de dólares (cinco milhões de euros) para prestar apoio a esta vaga de refugiados, tendo chegado a Luanda este domingo diversos apoios humanitários.
Segundo informação anterior do ACNUR, estes refugiados continuam a chegar principalmente ao Dundo, capital da província de Lunda Norte, onde relatam ataques de grupos de milícias, que estão a alvejar a polícia, militares e civis que suspeitem de apoiar ou representar o governo congolês.
“Depois de fugir das forças rebeldes e do Governo, alguns refugiados tiveram de se esconder na floresta durante vários dias antes de fugir para Angola. Os refugiados estão chegando em condições desesperadas, sem acesso a água limpa, comida ou abrigo”, relata o ACNUR.
A situação entre as crianças “é terrível”, e chegam a Angola desnutridas e doentes, sofrendo de diarreia, febre e malária.
O comandante-geral da Polícia Nacional de Angola informou recentemente que estão em curso ações de reforço de patrulhamento na fronteira com a RDCongo, para evitar a penetração de grupos armados em território angolano.
“Estão a ser tomadas as medidas. Nós não podemos ficar impávidos, estamos a tomar as medidas de contenção para que não haja penetração de forças armadas para dentro do nosso país”, disse o comissário Ambrósio de Lemos.
A situação já levou o chefe do Estado-Maior Adjunto das Forças Armadas da RDCongo, general Dieudonnè Ameli ao Dundo, para uma reunião com o general Gouveia de Sá Miranda, comandante do Exército angolano.
Só a província da Lunda Norte partilha 770 quilómetros de fronteira com a RDCongo, dos quais 550 terrestres e os restantes com limites fluviais.

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