sábado, 6 de maio de 2017

Nyusi encurralado e furioso


Auditoria da Kroll poderá ser um fiasco
Reinam dúvidas sobre até que ponto é que a Kroll poderá esclarecer o que aconteceu com as centenas de milhões de dólares que o Governo na altura chefiado por Armando Guebuza avalizou a favor de empresas participadas pelo SISE, considera o Africa Confidential (AC), uma publicação inglesa especializada em assuntos africanos.
“Mesmo com a extensão de prazos, há dúvidas de que o tempo será suficiente para a firma internacional [Kroll] vencer as resistências burocráticas e o secretismo defensivo e chegar ao coração da matéria”, refere a análise.
Segundo o AC, persistem sérios receios de que as perguntas que todos gostariam de ver respondidas poderão continuar na penumbra.
“Para onde foi o dinheiro e quem o recebeu?”, são as questões que poderão ficar sem resposta, admite o AC, assinalando que o escândalo dos empréstimos secretos destinados a projectos de segurança marítima de credibilidade duvidosa vieram à luz do dia em Abril de 2016.
O AC observa que eram crescentes as expectativas e tensão nas vésperas do dia 28 de Abril, a data em que a auditora Kroll devia ter entregue o relatório da auditoria à dívida pública.
“A Procuradora-Geral da República, Beatriz Buchili, deu à Kroll uma terceira extensão de prazo, para completar as suas investigações”, assinala a análise.
Buchili, continua, nega estar a relutar em publicar o relatório de 90 dias inicialmente dados a Kroll.
As garantias que o Governo moçambicano deu à Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), ProIndicus and Mozambique Asset Management (MAM) agravaram em 20% a dívida externa do país, refere o AC.
A análise cita diplomatas a acusarem o Governo de Filipe Nyusi de estar a obstruir a auditoria, ao recusar documentação detalhada sobre como é que o dinheiro terá sido gasto.
“É altamente provável que o dinheiro tenha sido gasto em equipamento militar e em treinamento não relacionado com protecção costeira, a que era supostamente destinado, mas prevalece uma extrema sensibilidade em revelar detalhes”, observa.
Não seria a primeira vez, continua o texto, que o argumento da segurança nacional é usado para ocultar segredos embaraçosos.
O AC entende que o secretismo leva muitos a assumir que grandes somas de dinheiro foram desviadas para comissões e subornos, não apenas a favor de moçambicanos, mas também intermediários e entidades estrangeiras.
“É claro a partir da informação disponível até ao momento, incluindo documentos na posse do AC, que Moçambique não desfrutou em nenhum lugar de dois biliões de dólares, que é o dinheiro que foi para os projectos marítimos da Ematum, Proindicus e MAM”, diz o documento.
Num momento em que os cidadãos comuns moçambicanos sentem o espartilho da crise económica e financeira, o público quer saber para onde foram os milhões.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Suécia, que pagou a auditoria, vão receber as cópias do resultado ao mesmo tempo, tal como Beatriz Buchili.
A seguir, irão reiniciar negociações sensíveis sobre o reatamento da ajuda financeira a Moçambique, interrompida na sequência da descoberta das dívidas escondidas.
Nyusi encurralado e furioso
“Negociações tensas estão em curso em Washington. Enquanto se espera que a auditoria forneça uma quantidade significativa de informação e clareza, incluindo a identificação do montante que não foi usado em Moçambique, espera-se que a auditora fique aquém de uma explanação mais abrangente sobre quando e como o dinheiro foi gasto”, refere o AC.
Tal como as coisas estão, diz o AC, as perspectivas de o FMI iniciar um novo programa financeiro ou os doadores terminarem o congelamento da sua ajuda ao Orçamento é remota.
Este cenário terá sido transmitido ao Presidente Filipe Nyusi num encontro à porta fechada, recentemente realizado com diplomatas de países influentes.
Encurralado pela difícil missão de agradar a Frelimo, o FMI e os doadores, Filipe Nyusi terá reagido com fúria no encontro, por se sentir entrincheirado.
A tentativa de Nyusi manter o equilíbrio pode ter sido afectada pela recente divulgação de que ele próprio assinou documentos aprovando o projecto da ProIndicus.
SAVANA – 05.05.2017

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