Nyusi irritado com a má gestão dos fundos dos pensionistas
Ilec Vilanculos
TEMA DA SEMANA 2 Savana 12-05-2017
Conhecido por usar os
recursos dos pensionistas
para financiar
projectos de viabilidade
duvidosa, o Instituto Nacional
de Segurança Social (INSS) foi
a principal vítima da visita que o
Presidente da República, Filipe
Nyusi, efectuou esta quarta-feira
ao Ministério do Trabalho, Emprego
e Segurança Social (MITESS).
Áspero, Nyusi avisou que a previdência
social moçambicana não
pode continuar a ser uma “capoeira
pública”, onde quem entende
vai tirar o que encontra desde
“galinhas até ovos”, minando o
ciclo reprodutivo da instituição.
Questionou a pesada estrutura
do Conselho de Administração
(CA), composta por cerca de 10
pessoas, e a competência do gabinete
jurídico, considerando que
não tem sido capaz de levar a
bom porto os diversos processos
em que o INSS é interveniente
processual.
Pela má fama do INSS, devido
ao fandango com que os gestores
têm gerido os fundos da institui-
ção, estava à vista que o PR seria
corrosivo, na deslocação ao MITESS
.
Apesar de o PCA, Francisco Mazoio,
ter tentado amenizar a situação,
ao convidar o chefe de Estado
para inaugurar um inovador
sistema denominado M-contribuição,
com o qual o contribuinte
passa a controlar a sua situação
contributiva, Filipe Nyusi não
conseguiu conter a fúria.
Ao abordar a situação do INSS,
popularmente conhecido como
“banco dos pobres”, no quadro
das recomendações que deixou ao
conselho consultivo alargado do
MITESS, Filipe Nyusi começou
por dar uma lição de moral sobre
o esbanjamento.
Considerou que o desperdício
ocorre quando as pessoas estão
habituadas a receber sem produzir
e beneficiam de doações, faltando-lhes,
por isso, sensibilidade
para a poupança.
“Quando chegamos ao INSS, notamos
que estamos nadando em
cima de dinheiro. Dormimos em
cima do dinheiro que não é nosso,
é do trabalhador, por isso, precisamos
de ter a cultura de poupança”,
disse, no final da visita ao
MITESS, depois de ter escalado,
sucessivamente, o Instituto Nacional
de Emprego e Formação
Profissional (INEFP), edifício
sede do INSS e, por fim, o Ministério
onde orientou um encontro
com o Conselho Consultivo.
De seguida, criticou o desperdício
dos recursos dos contribuintes,
reprovando projectos de investimento
economicamente inviá-
veis.
Os depósitos a prazo, que são uma
das aplicações do INSS, também
foram alvo de reparo por parte do
chefe de Estado, alertando para
a necessidade de um maior rigor
em relação a este tipo de investimento.
Visivelmente incomodado com
o cenário que se vive no INSS,
Nyusi atirou: “Não podemos
transformar o INSS em capoeira
pública. Quando é uma capoeira
pública, qualquer pessoa vai
buscar lá e quando é um ovo que
caiu, no dia seguinte, estamos a
tirar. Nem esperamos para serem
12 ovos para a galinha incubar e
chocar. Consome-se, enquanto é
ovo e o sistema não reproduz”,
sentenciou.
Criticou o CA pelas obras do
sector imobiliário inacabadas,
mal concebidas e sem plano de
exploração, sugerindo que a situação
pode ter sido propiciada
pelo clientelismo que campeia na
instituição.
Mais severo ainda, considerou
que a instituição se tem aventurado
em investimentos “malucos”,
mostrando-se vulnerável a oportunistas
interessados em delapidar
o INSS.
No auge da crise que afecta o país,
assinalou, o INSS transformou-
-se numa “vaca leiteira” de empresários
falidos.
Para Filipe Nyusi, os estudos de
viabilidade dos investimentos do
INSS não têm sido eficientes,
tendo, por isso, apelado à cautela,
porque o dinheiro da instituição
deve assegurar retorno para benefício
dos pensionistas.
O gabinete jurídico do INSS não
escapou ao escrutínio de Filipe
Nyusi. Questionou a sua competência
na defesa dos interesses da
instituição, considerando que não
tem sido capaz de assegurar que
pessoas que lesaram a Segurança
Social sejam judicialmente responsabilizadas.
Exigiu resultados o mais breve
possível no que toca aos diversos
casos em que a instituição foi lesada.
Um dos processos judiciais que o
gabinete jurídico do INSS disse
estar bem encaminhado é o que
envolve a CR Aviation, em que
também é parte o presidente da
CTA, Rogério Manuel, e um alto
funcionário do INSS, que terá
investido USD 7 milhões para
compra de 15% de participação
na empresa.
A compra litigiosa de uma casa
para o ex-PCA do INSS Inocêncio
Matavel, no valor de USD
100 mil, a reabilitação da casa da
antiga directora-geral, Rogéria
Muianga, que custou cerca de 7.5
milhões de meticais, e o investimento
de 25 milhões de meticais
em material propagandístico pela
Ntuzi investimento em 2012 e
que levou à exoneração da então
directora-geral são outros dos escândalos
que mancharam a reputação
do INSS.
CA pesado
O PR manifestou incredulidade
com a estrutura pesada do Conselho
de Administração do INSS
e as idades dos respectivos membros,
que, disse, não permitirão a
passagem de testemunhos à nova
geração.
Filipe Nyusi deu-se conta da numerosa
composição do CA do
INSS, quando os membros do órgão
se levantaram para a habitual
apresentação.
No total, colocaram-se de pé dez
integrantes do CA. Perplexo, Filipe
Nyusi pediu esclarecimentos
sobre a razão de tão pesada má-
quina.
Francisco Mazoio justificou a
proveniência de apenas nove
membros. Disse que os trabalhadores,
os empregadores e o
governo são representados por
duas pessoas, cada, sendo a estrutura
complementada pelo PCA,
director-geral e representante do
ministro do pelouro.
A existência desta última figura
foi objecto de questionamento
por parte do PR, uma vez que
existem dois representantes do
governo. Mazoio retorquiu: trata-
-se de uma exigência da actual
ministra do Trabalho, Vitória
Diogo.
Filipe Nyusi considerou que uma
estrutura vasta como a do CA do
INSS não é produtiva. O normal,
disse, é ter um CA com um má-
ximo de cinco membros, ou seja,
metade daquele.
Recomendou a direcção a ser o
primeiro defensor dos interesses
dos trabalhadores, sublinhando
que descontam as contribuições
dos seus salários.
Nyusi compara INSS a uma capoeira
Por Argunaldo Nhampossa
O regabofe do “banco dos pobres”
Francisco Mazoio, PCA do INSS, explica ao PR o funcionamento da plataforma M-Contribuição
Ochefe de Estado chamou
os funcionários
do MITESS cobardes,
referindo-se ao
facto de terem primado pelo
silêncio, quando lhes deu a palavra
e advertiu que não iria ler
nenhuma carta anónima reportando
problemas da instituição.
Tribunais de emprego
Uma das questões que preocupa
a Inspecção-geral do Trabalho
é a criação de tribunais
laborais, para acelerarem a resolução
de litígios entre os trabalhadores
e o patronado.
O inspector-geral do Trabalho,
Joaquim Siúta, tomou como
exemplo o caso de empresas de
segurança privada que acumulam
dívidas salariais e contribuições
ao INSS.
Esgotada a via extra-judicial, o
empregador mantém o braço-
-de-ferro, sem pagar salários,
situação que acaba sendo arrastada
para o tribunal, que leva o
seu tempo para ser julgado.
Caso a sentença de primeira
instância favoreça o trabalhador,
continuou, o empregador,
por má-fé, interpõe recurso,
contando com a morosidade
processual.
Joaquim Siúta afirmou que há
casos de trabalhadores que acabam
morrendo à espera da decisão
do tribunal, uma demora
que podia ser superada através
da criação de uma jurisdição
especialmente virada a disputais
laborais.
A proposta foi bem acolhida
pelo PR, que prometeu trabalhar
no assunto.
Sobre as empresas de seguran-
ça privada, que são, regra geral,
detidas por generais ligados à
Frelimo, Filipe Nyusi prometeu
interagir com o Ministério do
Interior.
Trabalhadores cobardes
TEMA DA SEMANA Savana 12-05-2017 3
Oinício de actividades
de pesquisa de gás e
petróleo por parte dos
consócios vencedores
do quinto concurso internacional
lançado pelo Governo mo-
çambicano está condicionado a
mudanças legislativas, admite o
presidente do Instituto Nacional
de Petróleos (INP), Carlos Zacarias.
Em declarações ao sítio de notícias
Zitamar, Carlos Zacarias
afirmou que o INP, representantes
das companhias e comissões
da Assembleia da República têm-
-se reunido para discutir a possibilidade
de acomodar em lei as
preocupações das multinacionais.
“As companhias dizem que querem
começar a investir tão cedo
quanto antes, mas para que tal
aconteça elas têm de ser flexíveis,
porque temos vários contratos.
Eles não podem chegar e dizer:
´mudem este contrato`. É por isso
que as negociações decorrem lado
a lado com comissões parlamentares
da Assembleia da República”,
declarou o presidente do INP.
O Governo, prosseguiu, está a fazer
tudo ao seu alcance para concluir
as discussões e alcançar um
entendimento com base na lei.
“Acreditávamos que até Junho
teríamos tudo fechado, mas estamos
praticamente em Maio e
ainda estamos a tentar fechar algumas
das questões que estão na
mesa das negociações”, afirmou
Carlos Zacarias.
Junho, continuou, mantém-se no
cronograma para o encerramento
das negociações visando o início
de actividades por parte das empresas,
mas esse cenário vai depender
da flexibilidade das partes,
afirmou o presidente do INP.
Em concreto, avança o Zitamar,
os consórcios vencedores exigem
cláusulas de garantia de estabilidade
fiscal e flexibilidade no regime
cambial.
Ao abrigo do regime fiscal aplicado
às empresas petrolíferas, aprovado
em 2014, as concessionárias
podem negociar com o Governo
um quadro de estabilidade fiscal
por dez anos, a contar da data da
aprovação do Plano de Desenvolvimento
do Petróleo ou Gás
(EPCC).
Este “pacto de estabilidade” pode
ser alargado até ao final do contrato
de produção ou exploração,
apesar de o imposto de produção
poder ser aumentado 2%, a partir
do 11º ano do início da produção.
Contudo, as multinacionais querem
cláusulas de estabilidade
acordadas logo que o EPCC seja
assinado, porque, entendem, de
outra forma, deixa margem para
alterações legais que podem pôr
em causa a viabilidade económica
dos projectos, entre a descoberta
dos recursos e o início da produ-
ção.
Uma vez que a mudança destas
cláusulas irá implicar uma intervenção
legislativa, será imperioso
o envolvimento da Assembleia da
República.
Esse cenário só poderá acontecer
até ao final do ano em curso,
adianta o Zitamar.
Quanto ao regime cambial, que
actualmente exige que as multinacionais
façam a conversão de
50% do seu capital para meticais,
mesmo quando destinado a pagar
a terceiros em moeda externa,
será mais fácil, porque está prevista
em regulamentos e não em
lei, devendo exigir apenas um decreto
do Conselho de Ministros.
Carlos Zacarias mostrou abertura
para uma maior flexibilidade do
regime cambial, tendo em conta a
grande dimensão dos investimentos
que estão a realizar no país.
“Estamos em contacto com o
Banco Central para encontrar
uma solução”, frisou.
O Governo moçambicano já fez
concessões naqueles aspectos à
ENI e Anadarko para o desenvolvimento
dos seus projectos de
gás na Bacia do Rovuma.
O Decreto-Lei sobre o LNG,
que define o quadro legal para o
desenvolvimento dos projectos de
gás na Bacia do Rovuma, atribuiu
aos consórcios liderados pelas
duas multinacionais uma maior
flexibilidade cambial, conferindo
a possibilidade de contas especiais
´off shore`.
Dá também aos dois projectos a
estabilidade legal e fiscal durante
a vida dos mesmos, prevendo
mecanismos de compensação por
perdas advenientes de novas leis.
O quinto concurso para blocos
petrolíferos foi atribuído aos consórcios
liderados pela ENI, Sasol,
Exxon Mobil e Delonex.
Quinto concurso internacional de petróleo e gás
Multinacionais exigem mudanças legislativas
TEMA DA SEMANA 4 Savana 12-05-2017
Continua na pag. 6
Ao terceiro ano de mandato,
já começam a inquietar
as recorrentes visitas do
presidente da República
a Cabo Delgado, sua terra natal e
berço da luta de libertação nacional.
Encostada no extremo nordeste de
Moçambique, a província de Cabo
Delgado, que ocupa um lugar de
destaque na agenda presidencial, é a
mais visitada por Filipe Nyusi desde
que tomou posse em Janeiro de
2015. São perto de 10 visitas contra
três em províncias como Gaza, por
sinal, das mais pobres do país e, por
isso, a requererem mais atenção do
chefe de Estado.
O que é certo é que o presidente está
sempre a ir a Cabo Delgado e, regra
geral, com uma agenda que, publicamente,
compreende inaugurações
de infra-estruturas que um director
provincial ou então o Governador,
seu representante local, faria, poupando
os cada vez mais escassos
recursos públicos drenados com a
movimentação de pesadas comitivas
presidenciais que incluem altos quadros
do Governo Central, mormente
ministros, quadros da presidência e
dirigentes da Frelimo, o partido que
sustenta o Governo.
Em apenas dois anos e quatro meses
de mandato, Filipe Nyusi já escalou
Cabo Delgado, pelo menos em visitas
oficiais, por perto de 10 ocasiões,
um número que pode disparar, se se
adicionar as vezes em que o estadista
escala a província longe dos holofotes
da comunicação social.
A sua mais recente visita teve lugar,
semana passada, quando chegou a
cancelar a sua participação na cimeira
do Fórum Económico Mundial,
que decorreu na cidade sul-africana
de Durban.
Tratava-se de uma importante cimeira
que juntou cerca de mil dirigentes
de grupos económicos, polí-
ticos, sociais, académicos e culturais
africanos e de outros cantos do
Mundo que, de 3 a 5 deste Maio,
discutiram possíveis saídas para tirar
da extrema pobreza um continente
rico em recursos naturais, mas cujas
populações continuam sendo as mais
pobres do planeta.
Citada pelo diário electrónico “Correio
da Manhã”, a chefe do Fórum
Económico Mundial para África,
Elsie Kanza, anunciou, em conferência
de imprensa, em Joanesburgo,
África do Sul, a participação de Filipe
Nyusi na cimeira que discutiu,
também, os caminhos para ajudar
África a preparar-se para as grandes
mudanças que o planeta vai experimentar
na sequência dos rápidos
avanços tecnológicos no mundo digital,
físico e biológico.
Nem mais, Filipe Nyusi não foi ao
evento de que participaram vários
estadistas africanos, mas, em contrapartida,
foi a Cabo Delgado para
uma visita de três dias, de 4 a 6 de
Maio corrente.
Filipe Jacinto Nyusi, de seu nome
completo, nasceu em Namau, distrito
de Mueda, província de Cabo-Delgado,
a 9 de Fevereiro de 1959. E
é a mais setentrional província de
Moçambique, que faz fronteira com
a Tanzânia, que Filipe Nyusi mais
visita desde que tomou posse a 15
de Janeiro de 2015. São aproximadamente
10 nos 28 meses que está na
condução dos destinos do país.
E, regra geral, são visitas que movimentam
uma pesada estrutura, que
inclui vários altos dirigentes do Estado
e do partido Frelimo.
Mais ainda, desde que tomou posse,
Cabo Delgado tem acolhido grande
parte das cerimónias centrais dos
eventos mais importantes na história
de Moçambique, exceptuamos aqueles
alusivos a factos históricos que
tiveram lugar naquela província.
Não se sabe se a realização desses
eventos na terra natal do presidente
é por iniciativa própria ou dos seus
próximos à procura de agradar o chefe.
A cronologia do regresso
GRÀOKRjFDVD
Nyusi foi a Cabo-Delgado, a 7 de
Abril de 2015, para acender a Chama
da Unidade Nacional, na povoa-
ção de Namatil, distrito de Mueda.
Regressaria dois meses depois, para
as cerimónias centrais dos 55 anos
do Massacre de Mueda, a 16 de Junho.
E, de 17 a 21 do mesmo mês efectuou
uma visita presidencial à província,
escalando, sucessivamente,
os distritos de Mocímboa da Praia,
Montepuez, Chiúre e Cidade de
Pemba. Manteve encontros com os
Governos provincial e distritais, visitas
a locais de interesse económico
e social, bem como interacção com a
população.
Nesta deslocação, fez-se acompanhar
pela ministra da Administração
Estatal e Função Pública, Carmelita
Namashulua, pelo ministro dos Negócios
Estrangeiros e Cooperação,
Oldemiro Baloi, da Defesa Nacional,
Atanásio Salvador N´tumuke, o ex
dos Recursos Minerais e Energia,
Pedro Conceição Couto e pela Vice-
-Ministra da Cultura e Turismo, Ana
Comoane, pelo ex-vice da Indústria
e Comércio, Omar Mithá, quadros
da Presidência e de outras institui-
ções do Estado.
Cerca de dois meses depois, o presidente
da República voltou a rumar
para Cabo Delgado, para a abertura
do XII Festival Nacional dos Jogos
Desportivos Escolares, a 15 de
Agosto.
Deu uma trégua de um mês para de
2 a 3 de Outubro efectuar uma visita
de trabalho à província. Nem mais,
o presidente ia inaugurar a estância
turística denominada “Mecúfi Beach
Resort”, no distrito de Mecúfi e participar
nas cerimónias do jubileu dos
75 anos da Missão Inhubo, no distrito
de Mueda, onde nasceu.
Fez-se acompanhar pelo ministro da
Cultura e Turismo, Silva Dunduro, e
por quadros da presidência e outras
instituições do Estado.
Cabo Delgado
Por Armando Nhantumbo
Quando na agitada madrugada de
01 de Março de 2014, Filipe Nyusi
venceu as internas na Frelimo, tornando-se
no candidato presidencial
do partido, não só se sucedia uma transição
intergeracional na liderança daquela formação
política e do país em geral.
Na verdade, se, por um lado, a geração do 25
de Setembro, como são conhecidos os velhos
libertadores do país, cedia espaço aos jovens
do 8 de Março, aqueles que abdicaram dos sonhos
para responder ao chamamento da pátria
ora libertada, por outro lado, consumava-se a
transferência do poder, historicamente, centrado
no sul de Moçambique, para a região norte
do país.
Ao longo da história da Frelimo e do país, o sul
de Moçambique sempre exerceu poder contra
o norte e o centro, mesmo na era colonial. A
história não oficial do país aponta como uma
das causas das fratricidas guerras internas na
Frelimo, a sobreposição da elite política do sul
sobre os camaradas provenientes a norte do
Save. Uria Simango, morto no calor das divergências
internas no partido, é conhecido como
o rosto das vítimas do poder “sulista”, liderado
por históricos da Frelimo como Eduardo
Mondlane e Samora Machel, todos oriundos
do sul.
Ao terceiro ano depois de ter sido proclamado
presidente da República, na sequência das elei-
ções de 15 de Outubro de 2014, Filipe Nyusi
tem dado provas de que chegou a vez do planalto
de Mueda e Cabo Delgado, quiçá o norte,
em geral, tomar o poder.
Depois de se fazer rodear por dinossauros da
etnia do planalto, Nyusi tornou-se no primeiro
presidente moçambicano que acendeu a chama
da Unidade Nacional em Mueda, sua terra
natal.
De facto, três meses depois de tomar o poder,
Nyusi mudou de Nangade para Mueda,
o berço da etnia makonde que agora controla
os destinos do país, o lançamento da Chama
da Unidade Nacional, contrariando Samora
Machel, que acendeu a chama em Nangade,
em 1975, e Armando Guebuza, que também
acendeu-a em Nangade, por duas vezes, 2005
e 2010.
No evento, que simbolizou a transferência de
poder do sul para o norte, Nyusi reuniu a elite
makonde, desde Alberto Chipande, o antigo
ministro da Defesa e membro da Comissão
Política da Frelimo, tido como o “tutor” do actual
presidente, até ao antigo chefe do Estado
Maior General, Lagos Lidimo, recentemente,
chamado por Filipe Nyusi para ocupar o cargo
de director geral dos Serviços de Informação e
Segurança do Estado (SISE).
Os pesos pesados da etnia makonde incluíam
ainda Raimundo e Marina Pachinuapa, Salé-
sio Nyalapimbano e Atanásio N´tumuke, este
último que foi chamado pelo presidente da República,
para dirigir o Ministério da Defesa. A
história oficial atribui a Atanásio N´tumuke a
liderança de um grupo de guerrilheiros da Frelimo
que, em 1974, tomou a nevrálgica base de
Omar, onde terá capturado mais de 100 portugueses,
desmantelando assim o último reduto
da colonização portuguesa em Moçambique.
O SAVANA esteve nas cerimónias do 7 de
Abril de 2015, no pacato povoado de Namatil,
situado a 71 quilómetros da vila sede do
distrito de Mueda e a sensivelmente 5 quiló-
metros da República Unida da Tanzânia e, à
boca pequena, os makondes, orgulhosos do seu
passado nacionalista, vincavam que não iriam
permitir que se faça de Filipe Nyusi um “bobo
da corte”, pelos anteriores detentores do poder
instalados em Maputo.
Directamente acossados pelo peso humanitá-
rio do flagelo da guerra, os makondes sempre
olharam para “os despojos” da guerra, incluindo
a Presidência da República e pastas como a
da Defesa, como uma legítima recompensa do
esforço que sustentaram para a independência
do país.
A vez do planalto
A província de eleição do presidente Nyusi
Alberto Chipande e Filipe Nyusi, acendendo, a 7 de Setembro de 2015, a “Chama do poder”, em Mueda, terra natal do
presidente
TEMA DA SEMANA Savana 12-05-2017 5
6 Savana 12-05-2017 SOCIEDADE
Um tribunal malawiano
condenou esta semana 23
moçambicanos a penas
entre 12 e 18 meses por
corte ilegal de madeira num parque
nacional daquele país vizinho. Os
moçambicanos integram uma lista
de 35 pessoas também condenadas
por se terem agrupado para se dedicar
ao corte de madeira no aludido
parque. O elenco de madeireiros ilegais
incluiu ainda 10 malawianos e
dois chineses.
O grupo era chefiado por um cidadão
com nacionalidade moçambicana
e portuguesa, de nome José Manuel,
e pelos chineses Chupei Zheng
e Xing Li.
De acordo com um tribunal de
Blantyre, a partir dos seus estaleiros
na província de Tete, centro de Mo-
çambique, o grupo entrou no Parque
Nacional de Lengwe, no distrito de
Chickwakwa, sul do Malawi, cometendo
uma verdade devastação naquele
santuário de vida selvagem.
A sua acção ilegal resultou no abate
de cerca de 240 mil árvores, avaliadas
em 8,9 milhões de dólares, e
desflorestação de 2.400 hectares de
madeira, equivalentes a 2.440 campos
de futebol, estima o Fundo para
a Vida Selvagem do Malawi.
Recorrendo a um buldózer, os madeireiros
abriram acessos no parque,
contribuindo para a degradação do
ecossistema da zona.
Esse procedimento abriu caminho a
que outros operadores ilegais cortassem
madeira para queima de carvão
e caça furtiva.
A investida dos madeireiros ilegais
concentrou-se principalmente
na valiosa árvore mopane, mas, de
acordo com o Fundo para a Vida
Selvagem de Lilongwe, as operações
do grupo destruíram um importante
habitat de uma zona de receptação
de água do Rio Shire, que resultou
na perda de mais de um milhão de
árvores.
Ao ler a sentença na terça-feira (2), o
juiz Thomson Ligowe declarou que
o caso foi histórico no Malawi, “talvez
por ser o primeiro de tal magnitude,
em termos de devastação da
árvore mopane, no parque nacional,
com recurso a máquinas tão sofisticadas
e tão pesadas”.
O professor Julian Bayliss, assessor
técnico do Governo do Malawi
para a Biodiversidade e Gestão de
Áreas Protegidas, disse à Zitamar
que o caso pode ser um de muitos
envolvendo grupos transfronteiriços
de corte ilegal de madeira, apelando
à cooperação entre Moçambique e
Malawi no combate a este tipo de
práticas.
“Este caso revela que há, provavelmente,
muito mais casos de corte
ilegal de madeira a ocorrer nesta
área, com origem na vila de Banda,
em Moçambique, perto da fronteira
com o Malawi”, afirmou Bayliss.
Ambos os países, prosseguiu, devem
empreender uma maior coordenação
na aplicação da lei contra a devasta-
ção dos recursos faunísticos, apesar
de estarem a tomar medidas muito
severas contra o corte ilegal de madeira.
Além das penas de prisão, que vão
contar a partir da data da detenção
das 35 pessoas, as autoridades judici-
árias malawianas confiscaram a favor
do Estado seis tractores, uma empilhadeira,
um buldózer, um Toyota
Hilux dupla cabina, um Toyota
Land Cruzer e quatro motorizadas,
que eram usados pelo grupo.
Corte ilegal de madeira
Tribunal do Malawi condena 23 moçambicanos
inaugurar, a 21 de Outubro, uma
Fábrica de Cimento no distrito de
Metuge, os edifícios da Procuradoria
Provincial, da Direcção Provincial
de Cultura e Turismo e do Instituto
Nacional do Emprego e Formação
Profissional, assim como ao lançamento
da Plataforma de Sistema de
Informação Geográfica (GIS), na
Cidade de Pemba.
Fez-se acompanhar pelos ministros
da Indústria e Comércio, Ernesto
Max Tonela, dos Transportes e Comunicações,
Carlos Mesquita, da
Cultura e Turismo, Silva Armando
Dunduro, pelo vice-ministro do Trabalho,
Emprego e Segurança Social,
Oswaldo Petersburgo, quadros da
Presidência da República e de outras
instituições do Estado.
Mais recentemente, o presidente
moçambicano voltou a escalar a
sua terra natal. A visita de trabalho,
que durou de 4 a 6 de Maio corrente,
abrangeu os distritos de Nagade,
Mocímboa da Praia, Ancuabe, Macomia
e Montepuez, onde para além
de comícios populares, Nyusi manteve
encontros com os governos locais,
visitou e inaugurou empreendimentos
de interesse económico e social.
Fez-se acompanhar pela ministra
da Administração Estatal e Função
Pública, Carmelita Namashulua,
da Educação e Desenvolvimento
Humano, Conceita Sortane, pelo
ministro do Interior, Jaime Basílio
Monteiro, do Mar, Águas Interiores
e Pescas, Agostinho Mondlane, das
Obras Públicas, Habitação e Recursos
Hídricos, Carlos Bonete, pelo
vice-ministro dos Recursos Minerais
e Energia, Augusto Fernando, pela
governadora da cidade de Maputo,
Iolanda Cintuta, por quadros da presidência
e de outras instituições do
estado.
Depois de Cabo Delgado, seguem,
no ranking das mais visitadas pelo
presidente, as províncias de Nampula
e Niassa, todas elas no norte de Mo-
çambique. Foi por sete vezes a cada
uma das duas províncias nortenhas.
Em contrapartida, nos dois anos e
quatro meses no cargo, escalou, em
visitas presidenciais e de trabalho,
por apenas três vezes as províncias
de Gaza e Maputo, duas a cidade de
Maputo e quatro Inhambane, todas
elas no sul de Moçambique.
Na região centro, o presidente escalou
Sofala e Manica por três vezes,
Tete por quatro vezes e Zambézia
por cinco.
2OXVRPRoDPELFDQR-RVp0DQXHOHRVFKLQHVHV&KXSHL=KHQJH;LQJ/LFKHÀDYDP
o grupo
Continuação da pag. 4
Em 2016, a primeira visita data de
12 a 14 de Maio, quando Filipe Nyusi
fez uma visita presidencial a Cabo
Delgado, escalando, sucessivamente,
os distritos de Balama, Namuno,
Chiúre, Quissanga, Metuge e a capital
provincial, Pemba, onde manteve
encontros com os Governos locais,
reuniões com diversos segmentos da
sociedade, comícios populares e visitas
a empreendimentos de interesse
económico e social.
Nesta deslocação, fez-se acompanhar
pela ministra da Administração
Estatal e Função Pública, Carmelita
Namashulua, do Interior, Jaime Basílio
Monteiro, pelos vice-ministros
do Mar, Águas Interiores e Pescas,
Henriques Bongece, da Ciência e
Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional,
Leda Hugo, e por
quadros da Presidência e de outras
instituições do Estado.
Depois fez aquela que foi a maior
pausa de sempre, pelo menos em
visitas oficiais. Mas foram apenas
quatro meses porque no dia 07 de
Setembro orientou, em Pemba, as
cerimónias centrais alusivas à comemoração
do Dia da Vitória e inaugurou
a sede provincial da Associação
dos Combatentes da Luta de Libertação
Nacional (ACLLN).
Desta vez esteve com os ministros
dos Combatentes, Eusébio Lambo,
da Administração Estatal e Função
Pública, Carmelita Namashulua,
com a vice-ministra dos Combatentes,
Maria Pelembe, quadros da
Presidência da República e de outras
instituições do Estado.
Em Pemba, esteve também o secretário-geral
da ACLLN, Fernando
Faustino, que, em plenas celebrações
dos 42 anos da assinatura dos Acordos
de Lusaka, pediu armas, ao chefe
de Estado, para o que chamou de
“ensinamento” a Afonso Dhlakama,
o presidente da Renamo, tido como
um inimigo a abater pela ala dura da
Frelimo.
No mês seguinte, entretanto, Filipe
Nyusi voltaria à província para
SOCIEDADE Savana 12-05-2017 7
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8 Savana 12-05-2017 SOCIEDADE SOCIEDADE
Uma semana após a declaração
da “trégua sem prazo”
e a duas do anúncio da
operação de desocupação e
retirada da tropa governamental nas
26 posições de cerco à serra, onde se
supõe esteja alojado o líder da Renamo,
Afonso Dhlakama, a vila da Gorongosa,
onde foi concentrada a elite
militar e policial do conflito político-
-militar (edição 2016), para o que
pensavam ser “golpe final” sobre a
Renamo, vive dois cenários opostos:
enquanto os militares se retiram das
posições, sobe o nervosismo entre os
agentes policiais da UIR, que mantêm
os controlos na estrada.
A pacata Vila Paiva do tempo colonial,
marcada pela insensibilidade de
raptos e assassinatos de pessoas ligadas
à oposição, largamente “vigiada”
pela secreta do Estado - homens de
balalaicas e óculos escuros que se
fazem de desocupados – começou a
receber a conta-gotas os militares que
estão a deixar as suas posições junto à
serra da Gorongosa para o aquartelamento
da vila.
Ao que apurou o SAVANA, entre 28
de Abril e 10 de Maio apenas quatro
das 26 posições militares tinham sido
desocupadas no distrito da Gorongosa,
quase todas nas cercanias da serra,
estando as tropas a serem reagrupadas
em bases maiores, para posterior
evacuação.
O primeiro quartel a ser desocupado
a 28 de Abril foi o que estava
nos arredores da base Mazembe, que
passou a funcionar esta segunda-feira
como um centro de verificação e
controlo da trégua em curso no país,
com a chegada à Gorongosa dos oito
oficiais das duas partes a semana passada.
Outras três posições, a de Panga-
-Panga, Nhacunga e Mpulango, a
noroeste da Serra, quase todas no caminho
que vai a Satunjira (no sopé da
serra), também foram desocupadas
nos últimos dias, estando os respectivos
grupos militares a serem subdivididos
noutras posições maiores, para
de seguida serem movimentados para
a origem.
“Na base Mazembe e Nhamadjiwa já
estão concentrados centenas de militares
que saíram de outras posições
na serra. Nos próximos dias deverão
ser reagrupados nos quartéis da vila,
antes de serem devolvidos para as
províncias”, disse ao SAVANA uma
fonte militar na Gorongosa.
Das posições maiores ainda por desocupar,
figuram os acampamentos
de Piro, Dzongolwe, Mucodza,
Nhaulanga, Lourenço, Nhataca e
Egipto, também no caminho para
Vundúzi (localidade a 30 km para
Este da EN1), onde tinha sido feito
um controlo cerrado junto ao sopé da
serra, numa operação que ficou famosa
porque se dizia pretender “matar
Dhlakama à fome”.
“No dia 28 de Abril alguns carros
saíram carregados de militares deste
lado de Vundúzi. Os carros passaram
daqui para o quartel da vila. Que eu
saiba até agora os militares reagrupados
na Gorongosa ainda não saíram
daqui, continuam acampados, mas
sem fazer movimentos na vila”, disse
um comerciante ao SAVANA
Um outro morador local, Zefania
Ngulama, corroborou afiançando:
“aqui na vila da Gorongosa em todo
o canto ninguém saiu ainda. Todas as
posições continuam lá, os quartéis da
pista e Mapombwe, e estão a receber
mais militares que vêm de outras bases
“de lá dentro” (no interior). Estão
a acumular-se na vila todos eles”.
Contudo, em cumprimento de “ordens
superiores”, os militares estão
vedados de sair do aquartelamento da
vila, o que faz com que a urbe tenha
uma aparência normal e se reerga das
hostilidades de que foi alvo, paralisando
a pequena economia da região.
Na vila, o SAVANA constatou o
lento retorno à normalidade, com as
barracas cheias de hortícolas e tubérculos,
sobretudo mandioca e inhame
que são o cartaz do distrito, mas não
há tanta fartura como antigamente.
“Estamos a trazer este inhame de
Tsiquire (Este da Vila de Gorongosa),
já que se pode ir sem problemas, a
guerra não afectou muito lá e não há
militares. Só deste lado de Vunduzi
ainda não se entra lá, tem muito controlo”,
disse ao jornal uma vendedeira,
no mercado central da vila.
Controlos
Segundo apurou o SAVANA, desde
a primeira trégua de 27 de Dezembro
de 2016, até ao actual prolongamento,
os três controlos que funcionavam
desde o cruzamento de Inchope (entrocamento
da EN1 ligando à Beira a
Leste, a Chimoio a Oeste, às provínGorongosa:
entre retirada militar e
nervosismo policial
Por André Catueira, na Gorongosa
No Inchope, no controlo junto à báscula,
os agentes da UIR fazem uma
vasculha “pente fino” revirando tudo
a todas as viaturas que cortam a EN1,
em direcção à Gorongosa.
A meio do caminho, na ponte sobre
o rio Púnguè, um outro controlo vira
tudo de novo, revistando detalhadamente
e, geralmente, quando não há
nada “ofensivo”, a operação acaba
com um pedido de refresco ou água.
À entrada da Gorongosa, um “roadblock”
maior, com quase todas as
unidades policiais, incluindo a polícia
militar, volta a fazer uma revisão a
“pente fino” do que entra ou vai passar
pela Gorongosa, no meio de um
nervosismo dos agentes não muito
comum.
O cenário repete-se do lado norte
da Gorongosa até Nhamapadza, na
EN1, embora do outro lado a rigorosidade
perca força e é mais saliente o
pedido de cooperação dos automobilistas
pelos agentes: “frio meu irmão,
`Kota`, não deixas nada”.
O SAVANA constatou que na primeira
posição, na zona de Canda,
próximo ao local onde foi morto um
chefe desta localidade, só ficaram alguns
elementos da guarda-fronteira e
da UIR, e em Mussicazi dois, no cruzamento
para Casa Banana, também
ficaram alguns militares, desarmados,
o mesmo cenário próximo à entrada
de Nhamapadza (cerca de 93 km a
norte da Gorongosa).
“As coisas estão a voltar a ficar muito
tranquilas”, disse um outro morador
da Gorongosa, que vê na retirada dos
militares a devolução do sossego aos
moradores que têm vivido assustados
desde a reedição do conflito.
Política
Enquanto se prepara o cenário de
retirada dos militares, as duas forças
beligerantes estão a reerguer as bases
políticas, com a reposição de mastros
com bandeiras nas sedes, a maioria
feitas com estacas, no meio das matas
ou nas bermas da estrada.
De Inchope à Gorongosa pelo menos
contabilizámos nove bandeiras
novas da Frelimo, penduradas em
mastros em sedes precárias, contra
duas bandeiras da Renamo erguidas
nas suas bases, igualmente de material
precário. Neste troço não existe
erguida nenhuma bandeira do Movimento
Democrático de Moçambique
(MDM), terceira força parlamentar,
que sempre criticou a bipolarização
das negociações de paz em Moçambique.
cias do Sul e às do Norte) até à Gorongosa
(70 km a norte na EN1) não
foram desativados, sendo cada vez
mais visível o nervosismo dos agentes
da Unidade de Intervenção Rápida
(UIR), os polícias das unidades especiais
que ali operam. O nervosismo
terá a ver com o facto dos militares
se sentirem desprotegidos das armas
pesadas ou o fim das extorsões aos
utentes da EN1 na proporção do que
acontecia durante o conflito.
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Savana 12-05-2017 9
PUBLICIDADE SOCIEDADE
O Microbanco Fides Moçambique, SA, com Sede na Cidade de Nampula, solicitou
autorização para a cessação de actividades e cancelamento da licença que lhe foi
concedida para o exercício da actividade, como microbanco do tipo Caixa Geral de
Poupança e Crédito.
Considerando que, por força do nº 1 do artigo 17 da Lei n.º 15/99, de 1 de Novembro
(Lei das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras - LICSF), com as alterações
introduzidas pela Lei n.º 9/2004, de 21 de Julho, conjugado com a alínea a) do artigo
2 da Lei n.º 30/2007, de 18 de Dezembro, que regula o processo de liquidação administrativa
das instituições de crédito e sociedades financeiras, a autorização das
instituições pode ser revogada por expressa renúncia dos sócios;
O Governador do Banco de Moçambique, no uso das competências que lhe são
conferidas pelo n.º 1 do artigo 18 da LICSF, conjugado com os n.ºs 1 e 2 da Lei nº
30/2007, de 18 de Dezembro, por despacho de 26 de Abril de 2017, decidiu:
a) Revogar a autorização para o exercício de actividade concedida ao Microbanco
Fides Moçambique, SA;
b) Ordenar a dissolução e liquidação da sociedade; e
c) Designar o Fundo de Garantia de Depósitos, como liquidatário da sociedade, a
quem caberá praticar todos os actos necessários à liquidação e partilha da massa da
instituição liquidanda.
A manutenção da estabilidade do sistema financeiro e o reforço da confiança dos
depositantes e do público em geral são um dos objectivos fundamentais do Banco
de Moçambique
Maputo, 5 de Maio de 2017
COMUNICADO
PROMOVENDO A INCLUSÃO FINANCEIRA E A
VALORIZAÇÃO DO METICAL
10 Savana 12-05-2017 SOCIEDADE
Os custos de aquisição
e produção de energia
agravaram em 129%, em
2016, ao passar dos mais
de nove mil milhões de meticais,
em 2015, para mais de 22 mil milhões
de meticais. A informação
foi revelada pela Electricidade de
Moçambique (EDM), no fim da
reunião de balanço das actividades
de 2016, realizada entre os dias 12
e 13 de Abril último.
A crise económica que afecta o país
desde 2015 e agravada, em 2016,
com a descoberta das dívidas ocultas,
que ditou a retirada de apoio
directo ao Orçamento do Estado,
pelos parceiros de cooperação, é
apontada como uma das responsáveis,
tendo se tornado num ano
bastante desafiante.
Em comunicado de imprensa enviado
à nossa redacção, esta semana,
a EDM aponta ainda que a taxa
de electrificação passou de 25.9%,
em 2015, para 26.2%, em 2016,
representando um crescimento na
ordem de 0,3%.
Outra actividade que esteve abaixo
das expectativas é da expansão da
Rede Eléctrica Nacional (REN).
Em 2016, apenas duas sedes distritais
(Marara, em Tete, e Molumbo,
na Zambézia) foram ligadas à
REN.
Em contrapartida, a EDM revela
que, em 2016, o volume de energia
exportada cresceu em 79%, relativamente
a 2015, passando de 862
GWh para 1,541 GWh; enquanto
as vendas totais de energia passaram
de mais de 16 mil milhões de
meticais para mais de 29 mil milhões
de meticais, no ano transacto,
tendo crescido em 78%.
Por sua vez, o índice de cobertura
do sistema de contagem pré-pago
(CREDELEC) passou de 88%
para 90% do total dos clientes, em
2016; e o saldo de clientes cativos
cresceu 4%, saindo de 1,450,953
para 1,511,738.
Para além destes dados, o documento
refere que, em 2016, a EDM
expandiu a rede de distribuição em
Média Tensão em 415km, o que
permitiu a ligação de 70,994 novas
famílias à REN; assim como
expandiu a rede de alta tensão em
245km, com a inauguração da linha
de transporte Lionde-Mapai (e a
subestação de Mapai), assegurando
o fornecimento de energia com
qualidade ao norte da Província de
Gaza.
“A reposição da subestação da
Matola, em 75%, e a reparação do
transformador (160MVA), após os
incidentes de 2015, permitiram a
reposição do fornecimento normal
de energia eléctrica às cidades de
Maputo e Matola a partir do mês
de Julho”, diz o documento.
Constrangimentos
O comunicado de imprensa, em
nossa posse, revela que, em 2016, as
perdas de energia passaram de 25%
para 26%, enquanto a quantidade
de transformadores avariados na
rede de distribuição passou de 119
unidades para 128 unidades.
Como sempre, a Electricidade de
Moçambique queixa-se de vandaliCustos
de produção de energia agravam
em 129% em 2016
zação das suas infra-estruturas que,
em 2016, resultaram na perda de 24
milhões de meticais.
Os serviços da EDM têm sido,
constantemente, criticados pelos
seus clientes. A demora das equipas
operativas para a reparação das
avarias, a inoperância do serviço da
linha do cliente e a não responsabilização
da empresa pelos danos
são algumas das questões que apoquentam
os cidadãos.
A empresa avança que será estabelecido
um centro de comunicação
com acesso directo ao Presidente
do Conselho de Administração
para os casos em que o cidadão tenha
uma opinião ou reclamação.
'HVDÀRV
Neste ano, a EDM espera efectuar
200 mil novas ligações como resultado
da revisão do anterior processo
de procurement para a aquisição
de contadores, através do qual passa
a ter uma relação directa com os
fabricantes, ganhando, entre outras
coisas, no preço, assistência técnica
e formação.
Entre os projectos desenhados para
este ano, destaca-se o arranque das
obras de construção da central de
emergência de Nacala e da linha de
transmissão a Cuamba-Marrupa; a
conclusão da construção da Central-Fotovoltaica
de Mocuba, da
linha Chibata-Dondo (220kV); da
instalação do transformador redundante
da subestação de Chibata; e
da montagem da Subestação de
Khongolote (66/33kV, 40MVA).
A EDM sublinha que encara 2017
com muita seriedade, pois, será o
início da colheita dos resultados
dos vários trabalhos de preparação
do processo de transformação, iniciados
em 2016.
“Começamos por conseguir um
marco histórico, com o fecho de
contas previsto para Maio (este
mês) e sem qualificações, conforme
determinam as práticas internacionais”,
diz o comunicado, lembrando
que, no passado, a EDM fechava as
suas contas com 11 meses de atraso
e com qualificações.
Savana 12-05-2017 11 PUBLICIDADE SOCIEDADE
O Banco de Moçambique comunica que a Caixa Cooperativa de Crédito, SCRL, com sede na
Cidade de Maputo, solicitou autorização para a cessação das actividades e cancelamento da
licença que lhe foi concedida para o exercício da actividade como cooperativa de crédito;
Considerando que, por força do nº 1 do artigo 17 da Lei n.º 15/99, de 1 de Novembro (Lei das
Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras - LICSF), com alterações introduzidas pela Lei n.º
9/2004, de 21 de Julho, conjugado com a alínea a) do artigo 2 da Lei n.º 30/2007, de 18 de
Dezembro, que regula o processo de liquidação administrativa das instituições de crédito e
sociedades financeiras, a autorização das instituições pode ser revogada por expressa renúncia
dos sócios;
O Governador do Banco de Moçambique, no uso das competências que lhe são conferidas pelo
n.º 1 do artigo 18 da LICSF, conjugado com os números 1 e 2 do artigo 49 da Lei n.º 30/2007, de
18 de Dezembro, decidiu:
a) Revogar a autorização para o exercício da actividade concedida à Caixa Cooperativa de
Crédito, SCRL;
b) Ordenar a dissolução e liquidação da sociedade; e
c) Designar o Fundo de Garantia de Depósitos, como liquidatário da sociedade, a quem
caberá praticar todos os actos necessários à liquidação e partilha da massa da instituição
liquidanda.
A manutenção da estabilidade do sistema financeiro e o reforço da confiança dos depositantes e
do público em geral constituem objectivos fundamentais do Banco de Moçambique.
Maputo, 09 de Maio de 2017
COMUNICADO
PROMOVENDO A INCLUSÃO FINANCEIRA E A
VALORIZAÇÃO DO METICAL
12 Savana 12-05-2017 SOCIEDADE SOCIEDADE
Há cada vez mais pessoas
infectadas pelo vírus do
HIV/SIDA em Moçambique.
Os mais recentes
números tornados públicos, esta
semana, pelo Ministério da Saúde
(MISAU), mostram uma tendência
crescente de infecções da chamada
doença do século. Com uma
margem de erro de 5%, o estudo
refere-se a pessoas infectadas e os
centros urbanos, onde residem a
grande parte das pessoas instruí-
das, são, ironicamente, os que mais
casos apresentam.
O Inquérito de Indicadores de
Imunização, Malária e HIV/SIDA
(IMASIDA) realizado no ano passado,
aponta que 13.2% das pessoas
com idades compreendidas entre
15-49 anos de idade estão infectadas
pelo vírus do HIV/SIDA.
Vale recordar que o Inquérito Nacional
de Prevalência, Riscos Comportamentais
e Informação sobre
o HIV e SIDA em Moçambique
(INSIDA), de 2009, havia fixado a
prevalência nacional em 11.5 % em
adultos de 15-49 anos de idade.
Entretanto, o IMASIDA 2015,
conduzido pelo Instituto Nacional
de Saúde (INS), em colaboração
com o Instituto Nacional de Estatística
(INE) refere que as mulheres
continuam a liderar o gráfico de
infecções, com uma prevalência de
15.4%, depois de, em 2009, terem
se situado na casa dos 13.1%.
Os homens, que em 2009 atingiram
9.2%, agora fixam-se na casa
dos 10.1%. Aqui, é preciso esclarecer
que, diferentemente dos homens,
as mulheres estão expostas ao
teste do HIV, desde a fase da gravidez.
Isto pode explicar o porquê da
maior taxa nas mulheres, admitindo
a existência de muitos homens
que não aderem ao teste.
Em termos de distribuição geográfica,
a maior prevalência é nas
zonas urbanas que há mais infectados,
com 16. 8% contra 11% na
zona rural.
A nível provincial, Gaza continua
na dianteira com 24.4%, seguida
de Maputo província com 22.9%,
Maputo cidade com 16.9%, Sofala
com 16.3%, Zambézia com 15.1%,
Inhambane com 14.1%, Cabo
Delgado com 13.8% e, na cauda,
as províncias de Niassa com 7.8%,
Nampula com 5.7% e Tete com
5.2%.
No geral, a prevalência de HIV/
SIDA atinge o seu pico na faixa
etária dos 35-39 anos, sendo 17.5%
nos homens e 23.4% nas mulheres.
Para o caso dos jovens de idades
compreendidas entre 15-24 anos,
os números apontam que 6.9%
estão devidamente infectados pelo
HIV/SIDA.
Ainda nos jovens, as mulheres continuam
a liderar com uma taxa de
9.8% e os homens com uma modesta
taxa de 3.2%, num cenário em
que as áreas urbanas apresentam a
maior percentagem comparativamente
com as zonas rurais.
No que refere à prevalência de
HIV/SIDA entre casais, os dados
ilustram que muitos casais no país
são concordantes seronegativamente
numa taxa de 83.3%.
Contudo, houve uma redução de
3% quando comparado aos casais
concordantes seronegativos observados
no INSIDA de 2009, que
estava na casa dos 84.9%.
O estudo, que também analisou a
questão do conhecimento e comportamento
face a esta pandemia,
aponta que o conhecimento da
prevenção da transmissão do HIV/
SIDA diminuiu no período de
2009 a 2015.
Actualmente, 56% dos homens
e 47% de mulheres sabem que é
possível reduzir o risco de contágio
pelo HIV/SIDA usando preservativo
e limitando as relações sexuais
a um único parceiro não infectado.
Quanto ao comportamento, embora
21% dos homens tenham tido
duas ou mais parceiras nos 12 meses
anteriores ao inquérito, apenas
26% homens com múltiplas parceiras
é que usaram o preservativo
durante a última relação sexual.
A cobertura da testagem para HIV
nos últimos 12 meses anteriores ao
inquérito aumentou de 2% nos homens
e 3% nas mulheres em 2003,
para 19% nos homens e 31 nas mulheres
em 2015.
Para determinar a prevalência de
HIV/SIDA, foram entrevistados
um total de 5.283 homens e 7.749
mulheres, em 7.169 agregados familiares,
de 8 Junho a 31 de Dezembro
de 2015.
Situação do SIDA é dramática entre os
moçambicanos
Ogrupo Barclays Africa é o principal concorrente à compra
do Banco Moza, em Moçambique, havendo um total de três
interessados, escreve esta terça-feira a agência de informação
financeira Bloomberg.
O banco sul-africano, com operações em 12 países africanos, apresentou
uma proposta que será revista por um painel independente,
cuja decisão deverá ser conhecida em Julho, acrescentaram as mesmas
fontes.
A presença do Barclays em Moçambique é ainda demasiado limitada
para ter uma posição dominante, e a compra do Banco Moza é uma
maneira rápida de ganhar escala e dimensão nesta economia, explicaram
as fontes contactadas pela Bloomberg.
Recorde-se que os accionistas do Moza não conseguiram cumprir
com o prazo determinado pelo Banco de Moçambique (BM) para
injectar 8.170 milhões de meticais naquela instituição bancária. Antes
de o BM intervencionar o Moza, o ano passado, devido à degradação
insustentável dos seus principais indicadores financeiros e prudenciais,
os accionistas da instituição maioritariamente moçambicana já
tinham decidido, em Assembleia Geral, aumentar o capital, mas não
conseguiram cumprir a promessa, arrastando o Moza para muito abaixo
dos 8% que é o rácio de solvabilidade mínima admissível.
O BM tomou conta da gestão do Moza em Setembro do ano passado,
nomeando um novo Conselho de Administração (CA) presidido por
João Figueiredo, antigo PCA do Banco Único, com o intuito de estabilizar
o Moza, num prazo de seis meses.
Académicos, activistas sociais,
jornalistas, líderes
comunitários e religiosos,
representantes de
instituições governamentais entre
outros parceiros de desenvolvimento,
discutem, desde a última
quinta-feira, em Maputo, formas
de combater os casamentos prematuros,
uma das principais causas
do empobrecimento da mulher em
Moçambique.
Com o lema “casar? Só depois dos
18 anos”, a conferência, que termina
esta sexta-feira, conta com a
presença de 200 participantes, incluindo
de países da África Austral
e de fora da região, que partilham,
na capital moçambicana, experi-
ências de outras latitudes sobre a
temática.
Numa iniciativa do Fórum das Rá-
dios Comunitárias (FORCOM),
em parceria com várias organiza-
ções não governamentais, o evento
tem, dentre vários objectivos, aumentar
a consciência e o compromisso
das Organizações da Sociedade
Civil (OSC), da comunicação
social, das entidades competentes
que lidam com o assunto e da sociedade
no geral, na prevenção e
combate à problemática dos casamentos
prematuros.
Não é para menos. As estatísticas
revelam que Moçambique tem uma
das mais altas taxas de casamentos
prematuros, no mundo, ocupando a
10ª posição, a 6ª posição na África
Oriental e a 2ª posição na África
Austral.
A taxa média nacional de raparigas
que se casam antes dos 18 anos é
14%, que se casam antes dos 15
anos fixa-se aos 48%.
Em consequência, o país tem das
mais altas taxas de desistência nas
escolas, com uma participação feminina
de 48% no ensino primário.
As taxas de mortalidade materna e
infantil também são elevadas, com
os números a apontarem para 11
mulheres, maioritariamente jovens,
que morrem, diariamente, por
complicações de gravidez e parto.
408 bebés morrem em cada
100.000 nascimentos, mais de
100.000 raparigas contraem fístulas
obstétricas e as altas taxas de HIV/
SIDA em raparigas jovens e muitas
ainda impedidas de frequentar
a escola são outras consequências
que aumentam o nível de pobreza,
principalmente, em mulheres.
Os casamentos prematuros são
também uma das causas da desnutrição
crónica num país onde muitas
crianças mal nutridas são filhos
de raparigas menores de 18 anos.
Moçambique tem 43% de crianças
menores de cinco anos que sofrem
de desnutrição crónica moderada
e 20% que sofrem de desnutrição
crónica grave, enquanto 8% de
crianças são afectadas pela desnutrição
aguda.
A tradição e práticas culturais negativas
que reforçam as desigualdades
de género, valorizando o papel
da mulher apenas na perspectiva de
casamento, geração de filhos e cuidados
domésticos, o baixo conhecimento
dos direitos e o baixo nível
de escolaridade e a ausência de uma
legislação específica que penalize os
agressores que cometem este tipo
de crime são apontados como dos
principais motivos dos casamentos
prematuros.
Na verdade, embora o Governo
moçambicano tenha aprovado a
Estratégia Nacional de Prevenção e
Combate aos Casamentos Prematuros
(2016-2019), OSC entendem
que a inexistência de uma lei específica
contra os Casamentos Prematuros
condiciona o trabalho dos
implementadores da lei, nomeadamente,
as Procuradorias e os Tribunais,
na penalização dos responsá-
veis pela prática, pois estes têm de,
como recurso, optar pela legislação
avulsa e/ou pelo Código Penal.
São estes e outros pontos que, desde
ontem até hoje, estão na mesa,
em Maputo, numa conferência que
se enquadra, dentre várias iniciativas
nacionais e internacionais, na
campanha global “Girls Not Brides”
ou seja “Meninas e Não Noivas”.
Armando Nhantumbo
Segundo a agência Bloomberg
Barclays lidera a luta
pela compra do Moza
Cerca de 200 à mesma mesa em Maputo
Casamentos prematuros na
ordem do dia
0XOKHUHV +RPHQV
3HUFHQWDJHP
,16,'$ ,'6 ,0$6,'$
7HQGrQFLDGDSHUFHQWDJHPGHKRPHQVHPXOKHUHVTXHÀ]HUDPRWHVWHGH
HIV e receberam os resultados, 2009 a 2015
Savana 12-05-2017 13 SOCIEDADE OPINIÃO
Odomingo 7 de Maio deixou
a França e a UE a respirar
de alívio pela vitória do europeísta
Emmanuel Macron
frente a rival da Frente Nacional
Marine Le Pen.
Logo após o fecho das urnas, o novo
presidente dirigiu-se aos franceses
para agradecer o voto e prometer que
“uma nova página na longa história da
França se abriu”. O novo presidente
da França quer ser um líder da “esperança
e da confiança reencontrada” e
jurou defender “...a Europa, é a nossa
civilização que está em jogo, a nossa
maneira de sermos livres” prometendo
uma “França na vanguarda na luta
contra o terrorismo” uma França que
lute “contra todas as formas de desigualdade,
garantindo a vossa seguran-
ça e a união da Nação.
O novo Presidente não se esqueceu de
dirigir uma palavra de cordialidade à
sua adversária, uma “saudação republicana”,
e ao Presidente Hollande de
quem fora ministro de Economia antes
de deixar o Governo e fundar o seu
movimento En Marche.
O futuro Presidente da República
Francesa, Emmanuel Macron, tem 39
anos e é um Europeísta convicto. Foi
eleito, na segunda volta, com 65,8%
contra 34,2% para a sua opositora
Marine Le Pen.
A vitória de Macron ou como ele
próprio diz “A França ganhou” não
vai ser tarefa fácil, pois esperam-no as
legislativas de 11 e 18 de Junho (primeira
e segunda volta) que serão o seu
primeiro e grande teste. Macron não
tem atrás de si um partido o que torna
difícil a tarefa de garantir uma maioria
de governo estável pelos grandes desa-
fios que o esperam:
1. A economia com prioridade,
ou seja, recuperar a economia
e baixar o desemprego, baixar os impostos
para as empresas para fomentar
a competitividade. Tem previsto um
plano de investimentos na ordem dos
50 mil milhões de euros, reduzir 120
mil funcionários públicos nos próximos
cinco anos, cortar as despesas do
Estado, prevê alargar subsídios de desemprego
e manter a idade de reforma
aos 62 anos são alguns dos desafios
que se propõem ao ex-ministro de
Economia e ex-banqueiro.
2. O novo presidente visitou
duas vezes Berlim durante a campanha
deixando adivinhar o seu empenho
num eixo franco-alemão forte
numa Europa confrontada com o
Brexit (até o da sua adversária Marine
Le Pen). Tem planos para a zona euro
com a criação de um parlamento dos
países com a mesma moeda e criação
dum Ministro de Economia e Finan-
ças da zona Euro. Além disso, defende
a criação dum Conselho de Segurança
e de um Fundo Europeu de Defesa.
No seu conjunto é a tentativa de
criar uma Europa mais forte em que
a França recuperaria a liderança actual
da Alemanha.
Qual seria o cenário se a extrema-
-direita de Marine Le Pen ganhasse?
O partido fundado em 1972 por Jean-
-Marie Le Pen, pai da candidata, é
talvez o maior da França da extrema-
-direita e conseguiu sobreviver ao
fracasso de dois partidos tradicionais
que alternavam no poder, o PS e os
Republicanos.
A onda xenófoba e populista que
parece ter invadido certos países – o
Brexit (referendo de 16 de Junho de
2016) e a eleição de Donald Trump (8
de Novembro 2016) - parece ter ganho
retrocesso como sugerem as derrotas
nas presidenciais dos candidatos
da extrema-direita austríaca (4 de Dezembro)
e nas legislativas holandesas
(15 de Março deste ano).
Embora a ideia de que Le Pen pudesse
ganhar não fosse tão disparatada,
pôs toda a Europa numa grande expectativa
e tensão política já que na
primeira volta Le Pen obteve 21,3% e
Macron 24%.
Depois do violento e inédito confronto
na televisão francesa com a herdeira
da extrema-direita, onde “revelações”
não faltaram desde uma campanha
na internet (proveniente, diz-se da
Rússia ou dos sectores dos EUA que
fizeram a intoxicação anti-Hillary) a
que Marine Le Pen deu eco no debate
embora sem afirmar taxativamente
nem avançar com qualquer prova de
que Macron teria “uma conta bancária
escondida nas Bahamas” Emmanuel
Macron beneficiou duma dinâmica
favorável devido à captação da parte
do eleitorado que tinha votado nos
outros candidatos ( Jean-Luc Méchelon
e Francois Fillon).
Mas, não obstante tudo isso, como
seria se Marine Le Pen ganhasse a
segunda volta das presidenciais francesas?
Um artigo do escritor marroquino
Tahar Ben Jelloun e publicado no
Le Monde de 12 do corrente descreve
como poderia ter sido o dia seguinte:
“Nunca esqueceremos este domingo 7
de Maio, a noite funesta em que as 20
horas a imagem da Senhora Le Pen se
começou a formar em todos os ecrãs
da França. Olhávamos uns para os
outros e não queríamos acreditar: as
sondagens erram tantas vezes, além
de que os franceses estavam avisados.
Sempre tínhamos pensado ‘não farão
tal coisa’. Baixámos os olhos como se
tivéssemos vergonha...”
Deportações extrajudiciais: No plano
da ordem pública poder-se-ia assistir
à concretização da promessa de
deportar todos os suspeitos com “Ficha
S” na polícia, ou seja, a expulsão
e privação da cidadania sem decisão
judicial; também se assistiria a desfi-
lada de dois cavalos de batalha da propaganda
de Marine Le Pen: o Islão e
a imigração: encerramento de locais
de culto, a montagem de uma caça aos
sem papéis e privação de nacionalidade
aos que já a tivessem adquirido, a
perseguição das mulheres que usassem
a burqa ou um simples lenço, e a deportação
do imigrantes que não tivessem
trabalho.
A saída do euro e o regresso ao franco
e a saída da UE e o regresso à Europa
das fronteiras. A este propósito Tahar
Ben Jelloun recorda um velho provérbio
marroquino “Entrar no hamman
(banho turco) é uma coisa, sair é outra”.
Isto quer dizer que se assistiria a
um degradar dos rendimentos e uma
mudança radical nos hábitos de vida
e de consumo. É verdade, escreveu
Ben Jelloun que a UE é uma senhora
de 60 anos que envelheceu mal e engordou
ao ponto de ter acolhido paí-
ses antieuropeus como a Hungria e a
Polónia cuja presença é cada vez mais
questionada. Que se burocratizou e se
afastou mais dos cidadãos. Mas que
trouxe seis décadas de paz e de progresso
económico sem paralelo.
A vitória de Le Pen traria um confronto
entre comunidades e religiões e
daria lugar ao retorno do “saudosismo”
histórico com que a extrema-direita
francesa sonha desde o fim da guerra
de Argélia em 1962.
Os defensores do Daesh não têm escondido
a sua satisfação caso Le Pen
seja eleita pelo caos político que traria
e pelo abandono do Espaço Schengen
o que significaria, na prática, diminuir
a cooperação entre polícias e serviços
de informação dando-lhes um espaço
mais amplo para as suas actividades
terroristas e criminosas. A França
foi atingida pelo terrorismo o que
lhe custou cerca de 230 mortos desde
2015.
Tudo isto, conclui Ben Jelloun, iria
desfigurar de forma duradoura a
França, a sua história e a sua tradi-
ção de país de acolhimento. O país
dos Direitos do Homem fecharia as
suas portas e, mais do que isso, o seu
coração.
Eleições francesas
Por Leonel Andrade
14 Savana 12-05-2017 Savana 12-05-2013 15
NO CENTRO DO FURACÃO
D
ocumentação oficial britânica
sobre o despenhamento da
aeronave do Presidente Machel,
explica, em pormenor, as
razões que levaram o Reino Unido a
não participar na investigação técnica
do desastre aéreo, como pretendia
a África do Sul. Obtida ao abrigo da
Lei da Liberdade de Informação, a
documentação, constituída fundamentalmente
por correspondência diplomática
trocada entre o Foreign and
Commonwealth Office (o Ministério
dos Negócios Estrangeiros britânico)
e diversas chancelarias, cobre o perí-
odo que vai de Outubro a Dezembro
de 1986. Tal como a documentação do
Departamento de Estado norte-americano
que trata do mesmo assunto e
divulgada nos termos de lei semelhante
em vigor nos Estados Unidos, a do
Foreign Office demonstra cabalmente
não ter existido qualquer “cumplicidade
ocidental” na morte do chefe de
Estado moçambicano, ou que o desastre
tenha sido consequência de acto
criminoso, como tem vindo a alegar
um antigo ministro da Segurança de
Moçambique, Sérgio Vieira, que integrou
a Comissão Nacional de Inqué-
rito. As posições assumidas no âmbito
do desastre, não apenas pelos dois pa-
íses, mas também pelas demais partes,
incluindo as Nações Unidas, foram
eminentemente políticas, visando servir
interesses próprios.
De acordo com Sérgio Vieira, os
embaixadores britânico e americano
em Maputo contactaram-no poucos
dias após o acidente, a informar que,
“em nenhuma circunstância”, os respectivos
países “queriam participar
no inquérito” às causas da tragédia
de Mbuzini. Para o então ministro
moçambicano “só havia uma leitura
diplomática possível: que ambos conheciam
as causas reais do acidente e
porque os seus interesses os impediam
de condenar um acto terrorista do Estado
sul-africano (...), que não desejavam
aparecer como cúmplices activos
do crime, pelos equipamentos fornecidos
que haviam facilitado o crime”, (1)
nem tão pouco “podiam admitir que
peritos seus viessem a fundamentar o
envolvimento de Pretória num crime
de Terrorismo de Estado, no assassinato
dum Chefe de Estado”. (2)
Logo a seguir ao desastre, a África
do Sul veio a público declarar que
pretendia, enquanto Estado de Ocorrência
do acidente, uma investigação
imparcial, com o envolvimento de
países estrangeiros e ainda da Organização
de Aviação Civil Internacional
(ICAO). Houve, inicialmente, uma
reacção favorável, se bem que cautelosa,
por parte do Reino Unido e dos
Estados Unidos, ao apelo sul-africano.
Ambos, porém, impunham condições
a uma eventual participação nas investigações.
Da leitura da profusa documentação
diplomática de britânicos e americanos,
um ponto em comum torna-se
evidente: ambos governos preocupavam-se
sobremaneira, de forma obsessiva
até, com a percepção que os países
africanos e do Terceiro Mundo no geral,
pudessem ter de um envolvimento
do Reino Unido e dos Estados Unidos
nas investigações. Na óptica do Reino
Unido, esses países acabariam por
tomar partido da União Soviética, a
qual poderia ser “tentada a adulterar
as provas do gravador de voo”, por
“não ter qualquer interesse em que a
responsabilidade pela morte do Presidente
Machel fosse atribuída aos tripulantes
e/ou ao avião soviéticos”. (3)
Se, por um lado, a África do Sul desejava
o envolvimento estrangeiro
como forma de conferir imparcialidade
às investigações, tornando credí-
veis as conclusões, por outro lado, os
americanos e britânicos pretendiam
o mesmo, mas por razões diferentes:
queriam estar “em boa companhia”, de
preferência com países “neutros”, designadamente
a Suíça, a Áustria e nórdicos,
e assim não serem vistos como
os únicos a ajudar a África do Sul.
Em telegrama (4) enviado ao embaixador
britânico em Pretória, na sequência
do pedido da África do Sul,
o ministro britânico dos Negócios
Estrangeiros, Geoffrey Howe, referiu
que o seu país “nunca havia rejeita(do)
um pedido de ajuda dessa natureza”,
mas que o governo de Londres “tinha
em conta as suspeitas, por mais infundadas
que sejam, de envolvimento
sul-africano no desastre”. Acrescentou
Howe: “As observações dos americanos
de que seriam poucos os países
africanos a estabelecer uma grande
distinção entre Governo da África do
Sul e participação americana nas investigações,
aplicam-se também a nós,
mutatis mutandis.” Howe adiantou que
o Reino Unido “não está em posição
de ajudar na leitura do gravador do
voo soviético. Não dispomos de capacidade
técnica para fazê-lo e de qualquer
forma esta é uma prerrogativa
soviética”. Na opinião de Howe, “não
ajudaria nem a sul-africanos, nem a
nós próprios, se houvesse desacordo
quanto às conclusões da investigação,
com os russos a declararem sabotagem
e uma investigação do Reino Unido a
culpar a tripulação ou o avião”.
Em face de tudo isso, Howe deu
instruções ao embaixador em Pretória
para informar o presidente da
comissão de inquérito sul-africana,
Cecil Margo, ou o chefe da equipa
investigadora, Rennie van Zyl, de que
“estaríamos prontos a ajudar na investigação,
mas apenas sob condição
de que seríamos parte de uma equipa
que inclua outros países ocidentais de
responsabilidade”, designadamente
12 dos 36 membros do Conselho da
ICAO e “neutros como a Suécia, a
Suíça ou a Áustria”. No mesmo telegrama,
Howe fez notar ao embaixador
britânico em Maputo, James Allan,
que, caso “os moçambicanos estejam
preparados para solicitar a nossa ajuda
na investigação, ou a aprová-la publicamente,
tal ajudaria na forma como
a posição britânica seria apresentada”.
Howe foi específico nas instruções
transmitidas a James Allan a 23 de
Outubro, no sentido deste abordar
Sérgio Vieira “quanto à possibilidade
da participação do Reino Unido na
investigação”, mas que o embaixador
devia ter em mente que “é ainda nosso
desejo estarmos envolvidos apenas
com gente responsável do Ocidente,
pelas razões já apontadas”, que “uma
participação dependeria sempre de
um convite de Moçambique, mas que
para ser eficaz e convincente, ela devia
ser levada a cabo por peritos de um
conjunto de países com experiência
comprovada nessa área”, rematando
que “uma decisão final britânica seria
tomada à luz de um conhecimento
claro de quais seriam as outras partes
envolvidas”. (5)
De acordo com um telegrama do embaixador
Allan, este falou com Sérgio
Vieira na manhã do dia 24 de Outubro,
tendo o ministro moçambicano
respondido que iria informar o governo
da diligência, manifestando ainda
“apreço pelo nosso desejo em sermos
prestáveis”. (6) Reacção idêntica teve
Sérgio Vieira depois de ter sido contactado
pelo embaixador dos EUA,
John De Vos. Num telegrama expedido
pelo diplomata americano a 24
de Outubro, lê-se que Sérgio Vieira
havia dado “uma reacção preliminar
positiva” à ideia de um envolvimento
dos Estados Unidos nas investigações
e que “subsequentemente apresentou
o caso à direcção máxima, tendo esta
dado aprovação formal”. (7)
Em livro publicado anos mais tarde,
(8) Sérgio Vieira fornece pormenores
sobre a forma como pôs a direc-
ção do Partido Frelimo e do governo
moçambicano ao corrente das diligências
que acabavam de ser feitas pelos
dois embaixadores: “Reflecti, antes de
me deslocar à sede do Partido, onde
se encontrava a Comissão Política
(sic) e membros do Governo. Relatei
os contactos e as minhas interroga-
ções, que se resumiram aos seguintes
pontos: ambos os governos agiam de
forma coordenada; ambos os governos
fizeram questão de nos virem dar
conhecimento, indirectamente, da iniciativa
sul-africana; ambos recusavam
participar – e porquê?” Sérgio Vieira
responde às interrogações com mais
perguntas:
“a. Porque conheciam no detalhe os
instrumentos que haviam fornecido
à África do Sul ou a Israel e que, só
esses instrumentos poderiam provocar
a falsificação dos dados transmitidos
pelos instrumentos de bordo?
b. Porque sabiam o que, efectivamente,
ocorrera?
c. Porque no caso de participarem,
tratando-se da morte de um Chefe
de Estado, deveriam nomear peritos
de primeiro plano, que jamais se comprometeriam
assinando conclusões
menos verdadeiras, mesmo se politicamente
correctas e requeridas para ilibar
os seus Estados?
d. A conclusão poderia forçar ambos
os Governos a retirarem as conclusões
político-diplomáticas necessárias,
neste caso, aceitar que se tratava de um
Acto de Terrorismo de Estado?
e. Estariam os dois Governos prontos
a darem esse passo?”
Como se depreende, a exposição de
Sérgio Vieira não coincide, no essencial,
com as diligências efectuadas
pelos dois diplomatas, em particular
o facto de o Reino Unido e os Estados
Unidos se terem manifestado
dispostos a participar na investigação
do desastre, mediante o acerto de posições
que claramente enunciaram. E
a insistência de ingleses e americanos
para que outros países se envolvessem
na investigação não era típica de quem
pretendesse ser ilibado de uma suposta
cumplicidade num alegado crime
de terrorismo de Estado, ilibação essa
que teria necessariamente de contar
com a anuência das nações neutras.
Refira-se que o informe de Sérgio
Vieira foi apresentado quando a equipa
tripartida de investigadores do acidente
reunia-se pela primeira vez em
Komatipoort, precisamente a 24 de
Outubro de 1986. Tratou-se de uma
reunião marcada pelo impasse por não
se ter chegado a acordo quanto à forma
como seriam extraídos os dados
das caixas negras da aeronave, impasse
esse que só viria a ser sanado em
meados do mês seguinte. Não deixa,
pois, de ser extraordinário que, mesmo
antes do minucioso processo de leitura
e análise dos dados contidos nas
caixas negras ter tido início na última
semana de Novembro, já o ministro
da segurança moçambicano podia ir
ao pormenor de que houvera “falsi-
ficação dos dados transmitidos pelos
instrumentos de bordo” por aparelhos
“fornecidos à África do Sul ou a Israel”
pelos governos britânico e americano.
Posteriormente, o Relatório Factual
do Acidente, unanimemente assinado
pelas delegações da África do Sul,
Moçambique e União Soviética em
16 de Janeiro de 1987, não revelou
qualquer falsificação de dados, tendo
especificado que todos os instrumentos
de bordo haviam funcionado normalmente.
Não foi apenas o Ministério dos Negócios
Estrangeiros do Reino Unido
a impor condições para um envolvimento
britânico nas investigações.
Numa nota enviada a Howe pelo ministro
dos transportes britânico, John
Moore, este informou “estar disposto
a que a Divisão de Investigação de
Acidentes (AIB) tome parte, com base
em atribuições claramente definidas
e em associação com outros Estados
aceitáveis”, e que “seria também importante
que as autoridades moçambicanas
queiram a nossa participação”.
Mas Moore alerta para “o grande risco
dos Estados africanos verem o nosso
envolvimento como uma tentativa de
ajudar o Governo da África do Sul a
branquear um inquérito tendencioso”,
prejudicando assim “a enorme reputação
dos nossos investigadores de
acidentes, e não servindo os interesses
do Reino Unido na área da aviação em
África no geral”. (9)
O impasse em torno da leitura e aná-
lise das caixas negras do avião fez com
que, perante a opinião pública, a investigação
sobre as causas do acidente
passasse para segundo plano, ganhando
proeminência a campanha de desinformação
que se havia iniciado logo
no dia a seguir ao despenhamento do
avião. A par disso, os chamados paí-
ses neutros e os 12 Estados ocidentais
representados no Conselho da ICAO
não reagiram favoravelmente à ideia
de sul-africanos, britânicos ou americanos
de se envolverem nas investigações.
A Suíça rejeitou o pedido de
ajuda técnica solicitada pela África do
Sul, alegando não possuir meios para
tal. Todavia, em telegrama expedido
de Berna, a embaixada britânica informou
que “na decisão que tomou,
a Suíça foi também influenciada por
sensibilidades políticas”. (10) O governo
dinamarquês informou o embaixador
britânico em Copenhaga que
um eventual pedido de ajuda técnica
por parte da África do Sul seria rejeitado
“em conformidade com a forma
da Dinamarca lidar com o governo
sul-africano”. (11) A própria ICAO
declinou o pedido formulado pela
África do Sul, no sentido de serem designados
peritos de Estados membros
desse organismo das Nações Unidas
para ajudar a esclarecer as causas do
desastre. Consciente de que se tratava
de um desastre envolvendo a perda de
vidas humanas, de mais a mais estrangeiras
na sua totalidade, a ICAO não
Por João Cabrita
evocou as sanções da ONU impostas
ao regime de Pretória para justificar a
recusa. Em resposta lacónica, o presidente
dessa agência especializada das
Nações Unidas informou o governo
sul-africano que “encontrando-se a
investigação nas mãos do Estado em
cujo território o acidente ocorreu, e estando
o Estado de Registo e o Estado
de Fabrico da aeronave representados
na investigação, não há, consequentemente,
necessidade de mais comunicações
por parte da ICAO”. (12)
Perante esta situação, e tendo tomado
em conta um parecer do chefe do
Departamento da África Austral do
Ministério dos Negócios Estrangeiros
britânico, Sir Walter Kieran Prendergast,
a ministra de Estado para África
e Commonwealth, Lynda Chalker, recomendou
que o Reino Unido “devia
manter-se afastado da investigação
técnica”. (13) Porém, dois britânicos
viriam a integrar a comissão de
inquérito sul-africana presidida por
Cecil Margo, um deles, Sir Edward
Eveleigh, com a aprovação pessoal da
primeira-ministra, Margaret Thatcher.
Entre avanços e recuos, os Estados
Unidos optaram por participar na investigação
técnica, tendo pesado as recomendações
do embaixador americano
em Pretória, Richard Barkley. Em
telegrama expedido a 25 de Outubro,
Barkley defendeu o envolvimento dos
Estados Unidos, “não para sermos
prestáveis ao governo sul-africano
– nesta fase não lhe devemos nada –
mas para servir os nossos interesses”.
Na óptica do embaixador, os Estados
Unidos seriam “inevitavelmente atraí-
dos por insinuações e desinformação
soviéticas”, pois o acidente “reúne
todos os predicados de uma saga a la
Patrice Lumumba, ‘de mártir africano
do capitalismo’”. Para Barkley, “não há
dúvida que é de prever um enorme esforço
visando distorcer a investigação,
acompanhado de uma campanha de
desinformação”, e que por essas razões,
“seria melhor os Estados Unidos
envolverem-se já, antes que os sovié-
ticos viciem os dados” e “nessa altura
o Governo da República Popular de
Moçambique estaria praticamente
amarrado e amordaçado pelos sovié-
ticos”. (14)
Dos “neutros”, a Suíça acabaria por
disponibilizar meios para em Zurique
se proceder à abertura de uma das caixas
negras do avião. A Alemanha nomeou
um perito que trabalhou com as
equipas investigadoras. Contrariando
a posição que antes assumira perante
a África do Sul, a ICAO designou
uma equipa de três peritos depois de
Moçambique, por recomendação dos
sul-africanos, ter solicitado apoio. (15)
NOTAS
1. Sérgio Vieira, “Sobre a morte de
um herói”, Domingo, 2 de Fevereiro
de 2003 p. 8
2. Sérgio Vieira, “Sobre crimes ditos
por esclarecer”, Domingo (Maputo)
10 de Outubro de 2004 p. 8.
3. Telegrama Confidencial de Geo-
ffrey Howe para Sir Patrick Morbey,
Embaixador do Reino Unido
em Pretória, 22 de Outubro de
1986.
Mbuzini – Outras Leituras Diplomáticas
Num telegrama Confi-
dencial expedido a 27
de Outubro de 1986,
o embaixador James
Allan refere-se à “intensificação
da campanha na imprensa visando
implicar o governo da África
do Sul” nas causas do desastre
de Mbuzini. O diplomata disse
que “certos jornalistas, especialmente
o director da AIM, provavelmente
o editor do Notícias,
apoiados pelo director (britânico)
da Rádio Moçambique estão
a trabalhar afincadamente para
promover a ideia de que o governo
sul-africano foi responsável”
pelo sucedido. Allan acrescentou
que “o ministro da informação,
Teodato Hunguana, sob considerável
pressão de jornalistas
locais, disse a 25 de Outubro
que o governo não excluía a possibilidade
de acção criminosa,
e em resposta a uma outra pergunta
(creio que de Iain Christie,
Rádio Moçambique), afirmou
que do mesmo modo o governo
não excluía o envolvimento sul-
-africano”. O embaixador britâ-
nico salienta que “jornalistas de
visita comentaram ser claro que
o governo recusava-se a dar luz
verde a jornalistas locais para
avançarem com uma campanha
desinibida sobre o envolvimento
do governo sul-africano”.
O embaixador John De Vos, em
telegrama Confidencial datado
de 25 de Novembro, informou os
seus superiores ter “escrito uma
enérgica carta ao ministro da
informação” depois do diário Notícias
ter reproduzido, na edição
de 21 do mesmo mês, um artigo
da agência de notícias soviética,
Novosti, intitulado, Imperialismo
contra lutadores pela paz e libertação
nacional, a insinuar o envolvimento
dos Estados Unidos
na morte do Presidente Samora
Machel. O artigo alegava que
nos últimos 25 anos, os Estados
Comunicação social
& comunidade britânica
Unidos haviam sido directa ou indirectamente
responsáveis pelo assassinato
de líderes mundiais, incluindo
o primeiro presidente da Frelimo,
Eduardo Mondlane. Refere De Vos
que “como consequência (da carta), o
editor do Notícias, Mário Ferro, contactou
o embaixador a fim de discutir
o assunto e solicitar um artigo sobre
as relações americano-moçambicanas
a ser publicado em destaque” naquele
diário.
Lynda Chalker, que representou o
Reino Unido nas exéquias do chefe de
Estado moçambicano, é citada numa
nota do seu secretário particular com
a data de 5 de Novembro como tendo
dito “estar convicta que a campanha
de desinformação soviética já
obteve considerável sucesso junto
dos líderes dos Estados da Linha
da Frente”. Uma outra nota do
secretário particular de Chalker,
diz que “a comunidade britânica
com quem ela se reuniu em Maputo,
e que era sobretudo, mas
não exclusivamente, de esquerda,
recusava-se a aceitar como despropositadas
as suspeitas de envolvimento
sul-africano” na morte
de Samora Machel. A nota,
datada de 30 de Novembro, não
identifica os membros da referida
comunidade.
4. Ibid.
5. Telegrama Confidencial de Geoffrey
Howe para James Allan,
Embaixador do Reino Unido em
Maputo, 23 de Outubro de 1986
6. Telegrama Confidencial do Embaixador
James Allan, 24 de Outubro
de 1986.
7. Telegrama Secreto do Embaixador
John De Vos, 24 de Outubro
de 1986.
8. Sérgio Vieira, “Participei, por isso
Testemunho”, Maputo: Editorial
Ndjira, 2010, pp. 489-490.
9. John Moore, nota enviada a Geoffrey
Howe, 3 de Novembro de
1986.
10. Telegrama Confidencial da Embaixada
do Reino Unido, Berna,
24 de Outubro de 1986
11. Telegrama Confidencial da Embaixada
do Reino Unido, Copenhaga,
7 de Novembro de 1986
12. Telex de Assad Kotaite, presidente
do Conselho da ICAO, Montreal,
28 de Outubro de 1986.
13. Nota Confidencial enviada por R.
John Sawers, secretário particular
de Lynda Chalker, a Sir Walter
Prendergast, 6 de Novembro de
1986.
14. Telegrama Secreto do Embaixador
Richard Barkley, 25 de Outubro
de 1986.
15. Telex do director de Aviação Civil
da República Popular de Moçambique
e carta do vice-ministro dos
transportes e telecomunicações de
Moçambique, Rui Lousã, enviados
à ICAO em 30 e 31 de Outubro
de 1986, respectivamente.
Ambas as missivas não aludem ao
facto do Estado de Ocorrência do
acidente ter aconselhado Moçambique
a solicitar o apoio da ICAO.
Telegrama de Geoffrey How para embaixador em Maputo 24 Outubro de 1986
16 Savana 12-05-2017 PUBLICIDADE
.
As Organizações da Sociedade Civil signatárias pretendem, com sobre os efeitos sócio-económicos do grande projecto Portucel
0RoDPELTXH $V LPSOLFDo}HV GHVWDV SODQWDo}HV ÀRUHVWDLV D QtYHO
GRV DJUHJDGRV IDPLOLDUHV IRUDPLGHQWL¿FDGDV DWUDYpV GH SHVTXLVDV
e trabalhos independentes realizados pelas OSCs que actuam
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Moçambique2, foi criada em 2009 com o volume de investimento
DSURYDGRDSUR[LPDGDPHQWHGHGRLVPLOHWUH]HQWRVPLOK}HVGH86'
VXEGLYLGLGRV HP PLO PLOK}HV QDV iUHDV ÀRUHVWDLV =DPEp]LD
e Manica) e 1,75 mil milhões na área industrial, e tem como
DFFLRQLVWDVR*UXSR7KH1DYLJDWRU&RPSDQ\([3RUWXFHO6RSRUFHO
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0LQLVWURVR'8$7SURYLVyULRSRUDQRVUHQRYiYHLVGHKD
GLVWULEXtGRV HQWUH GLIHUHQWHV GLVWULWRV GD SURYtQFLD GD =DPEp]LD
KDRQGHVHSUHYrXPDiUHDGHSODQWDomRFRUUHVSRQGHQWH
D PLO KHFWDUHV H GH 0DQLFD KD FRP XPD iUHD GH
SODQWDomR SUHYLVWD HP PLO KHFWDUHV LQWHQFLRQDQGR SODQWDU
DSUR[LPDGDPHQWHGHDPEDViUHDVFRQFHVVLRQDGDV2PRGHOR
de ocupação de terras adoptado pela Portucel envolve a obtenção
gradual da terra após o consentimento por parte das comunidades
resultante de um processo de negociação entre a empresa e
D SRSXODomR UHVLGHQWH QDV iUHDV GH '8$7 FHGLGDV j HPSUHVD
DWUDYpVGDDSURYDomRGR&RQVHOKRGH0LQLVWURV3RVWHULRUPHQWHDV
SODQWDo}HVVmRGLUHFFLRQDGDVjViUHDVFHGLGDVGHIRUPDYROXQWiULD
pressupondo a adopção do modelo mosaico, o qual resulta numa
LQWHUOLJDomR HQWUH DV SODQWDo}HV ÀRUHVWDLV H DV PDFKDPEDV RX
UHVLGrQFLDVGDVFRPXQLGDGHVHPIRUPDGHPRVDLFRWDPEpPFRPR
objectivo de evitar o plantio em áreas de conservação e áreas em
TXHRVDJUHJDGRVIDPLOLDUHVUHFXVDUDPDFHGrQFLDGHWHUUD
(VWH PRGHOR FRQVWLWXL XPD SUiWLFD UHODWLYDPHQWH GLIHUHQWH GDV
praticadas em Moçambique, pelo que não se compreende de forma
FODUDD VXDEDVHOHJDO WURFDGH WHUUDSRUHPSUHJR XPDSHTXHQD
percentagem recebe a oportunidade de ter emprego permanente
e a grande maioria apenas recebe remunerações diárias pela força
de trabalho ao longo do processo de limpeza, plantação e rega das
plantas) e/ou inclusão em um plano de desenvolvimento de uma
empresa. Ou seja, em substituição ao reassentamento será, em
WHRULDLPSOHPHQWDGRR3ODQRGH'HVHQYROYLPHQWR6RFLDOGD3RUWXFHO
3'63 FRPR IRUPD GH FRPSHQVDU D GLPLQXLomR GDV iUHDV GRV
agregados familiares, sem nenhum tipo de indemnização prevista por
lei ou então nenhum tipo de reassentamento ou acompanhamento
GHLGHQWL¿FDomRGHQRYDVSDUFHODVHPVXEVWLWXLomRjVFHGLGDVFRPR
IRUPD GH PDQXWHQomR RX PHOKRULD GD TXDOLGDGH GH YLGD D QtYHO
VRFLDOHFRQyPLFRDPELHQWDOHItVLFRFRPRSUHYLVWRQR5HJXODPHQWR
VREUHR3URFHVVRGH5HDVVHQWDPHQWRVHP0RoDPELTXH
eLPSRUWDQWHUHIHULUTXHH[LVWHSRUSDUWHGD3RUWXFHO0RoDPELTXHXP
claro comprometimento e intenção de promover um desenvolvimento
inclusivo e de partilha de valor com as comunidades, D¿UPDQGR
1 O Comité Consultivo tem função de promover o diálogo, providenciar
aconselhamento e monitorar o desenvolvimento e a actuação da Portucel
0RoDPELTXH QD LPSOHPHQWDomR GHVWH SURMHFWR ÀRUHVWDO LQFOXLQGR R 3ODQR
de Desenvolvimento Social da Portucel (PDSP). Este Comité é constituído
por cinco organizações da sociedade civil, um representante da Portucel
Moçambique e um representante do gverno.
6LWHR¿FLDOGD3RUWXFHO0RoDPELTXH
KWWSZZZSRUWXFHOPRFDPELTXHFRP3RUWXFHO0RFDPELTXH
3 A área de DUAT total da empresa é dez vezes superior à Cidade de
Maputo.
a empresa que o mesmo seráPDWHULDOL]DGR DWUDYpV GR VHX SODQR
GH GHVHQYROYLPHQWR VRFLDO 3'63 R TXDO FRQVWLWXLX D SULQFLSDO
FRQGLFLRQDQWHSDUDDDWULEXLomRGR'8$723'63DVSLUDDFULDomRH
SDUWLOKDGHYDORUHSURVSHULGDGHFRPDVFRPXQLGDGHVORFDLVDWUDYpV
GRLQYHVWLPHQWRHPSODQWDo}HVÀRUHVWDLVFRPRREMHFWLYRGHDSRLDU
DR GHVHQYROYLPHQWR GH FRPXQLGDGHV LQFOXVLYDV H DXWRVX¿FLHQWHV
EDVHDGRHPWUrVSULQFLSDLVSLODUHVVXEVLVWrQFLDDOLPHQWDUHGH
UHQGLPHQWRFUHVFLPHQWRHFRQyPLFRHFRQWULEXLomRSDUDR
EHPHVWDUGDVIDPtOLDV3RUWXFHO0RoDPELTXH
$WUDYpV GRV WUDEDOKRV GH SHVTXLVD UHDOL]DGRV LGHQWL¿FDUDPVH RV
VHJXLQWHVSULQFLSDLVFRQWULEXWRVGDVSODQWDo}HVÀRUHVWDLVGD3RUWXFHO
0RoDPELTXH GLQDPL]DomR GR PHUFDGR GH WUDEDOKR GLUHFWR RX
indirecto, sendo qua apenas a Portucel Moçambique criou 251 postos
GHHPSUHJRHIHFWLYRVHDSUR[LPDGDPHQWHRFDVLRQDLVDWp-XQKR
GHGHVHQYROYLPHQWRGHLQIUDHVWUXWXUDVFRPRSRUH[HPSOR
D UHDELOLWDomR GH DSUR[LPDGDPHQWH .P GH HVWUDGD DSHQDV
QD SURYtQFLD GD =DPEp]LD H DXPHQWR GR QtYHO GH HGXFDomR
pelo programa de alfabetização da empresa para os trabalhadores
GRVHXPDLRUYLYHLURWUDEDOKDGRUHVGLVWULEXtGRVHPGLIHUHQWHV
QtYHLVGRHQVLQRSULPiULRHGHDSUHQGL]DJHPYLVLWDVUHJXODUHVGH
H[WHQVLRQLVWDVQRkPELWRGR3'63$VTXDQWL¿FDo}HVIRUDPGDGRV
IRUQHFLGRVSHODSUySULDHPSUHVDVHPFRQ¿UPDomRQRWHUUHQR
No entanto, ao analisar o modelo de desenvolvimento rural induzido
SHODV SODQWDo}HV ÀRUHVWDLV GD 3RUWXFHO 0RoDPELTXH YHUL¿FDUDP
se implicações que requerem uma forte intervenção do Governo
DVVLP FRPR UHYLVmRGHDOJXPDVSROtWLFDVGDSUySULDHPSUHVDSDUD
salvaguardar os interesses e direitos dos agregados familiares
envolvidos em prol de um desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Seguem as principais questões que requerem atenção e medidas
correctivas:
1. 5HDOL]DomR GH FRQVXOWDV FRPXQLWiULDV QmR DEUDQJHQWHV D
HPSUHVD D¿UPD WHU UHDOL]DGR FRQVXOWDV FRPXQLWiULDV DQWHULRUPHQWH
j DWULEXLomR GR '8$7 SURYLVyULR QR HQWDQWR RV
estudos mostram que grande parte dos agregados familiaUHVTXH
FHGHUDP WHUUDj3RUWXFHO0RoDPELTXH UHIHUHPQmR
ter havido consulta comunitária previamente e terem havido
irregularidades em relação aos procedimentos a serem seguidos.
Sendo assim, questiona-se a base legal, pela qual o
&RQVHOKRGH0LQLVWURVSURFHGHXjDXWRUL]DomRGR'8$7
2. Modelo de obtenção de terra desfavorável para grande parte
dos agregados familiares na medida em que estes trocam
as suas terras por oportunidade de emprego precário e com
EHQHItFLRV D FXUWR SUD]R SRU H[HPSOR OLPSH]D SODQWDomR
HUHJDUHFHEHQGR0WVSRUGLDSRUSHUtRGRVLQIHULRUHVD
GRLV PHVHV $VVLP RV DJUHJDGRV YrPVH GHVSURYLGRV GH
terra e de emprego, perdendo assim um importante meio de
VXEVLVWrQFLDDIDYRUGDHPSUHVD
3. As implicações directas do modelo de obtenção de terra da
3RUWXFHO0RoDPELTXHPRGHORPRVDLFRVmRRVVHJXLQWHV4:
a. 'LPLQXLomR GD iUHD GH SURGXomR GRV DJUHJDGRV IDPLOLDUHVDSRSXODomRFHGHWHUUDVjHPSUHVDSRUpP
R PRGHOR XVDGR SHOD HPSUHVD QmR SUHYr D LGHQWL¿FDomR
GH QRYDV áreas para compensar a perda
de terra pelos agregados, tendo em conta o alto
QtYHOGHGHQVLGDGHSRSXODFLRQDOGDViUHDVHGRDOWR
FUHVFLPHQWRGHPRJUi¿FRH[LVWHQWH
(VWDDQiOLVHEDVHLDVHQRVUHVXOWDGRVGRHVWXGRDVHUSXEOLFDGRSHOR205
no âmbito do projecto de investigação “Efeitos dos grandes projectos no meio
UXUDORFDVRGD3RUWXFHO0RoDPELTXH´
COMUNIDADO DAS OSCS
Maio de 2017
OS EFEITOS DAS PLANTAÇÕES FLORESTAIS DA PORTUCEL MOÇAMBIQUE
Savana 12-05-2017 17 PUBLICIDADE
.
b. 5HGXomRGDTXDQWLGDGHSURGX]LGDHDOWHUDomRGDHVtrutura
produtiva por agregado familiar: poderá pôr
em causa a segurança alimentar dos agregados familiares.
c. 5HGXomRQDVHJXUDQoDGHSRVVHGHWHUUDGRVDJUHJDdosIDPLOLDUHVUHVLGHQWHVQDiUHDGH'8$7GD3RUWXFHO
Moçambique: questionabilidade do poder de reivindicação
dos agregados familiares na medida em que a
HPSUHVDMiREWHYHR'8$7PHVPRTXHVHQGRSURYLsório.
d. 'HVHTXLOtEULRVQRPHUFDGRGHWUDEDOKRGHVHPSUHJRH
GHSHQGrQFLD DR DVVDODULDPHQWR FDSLWDOLVWD DSyV XP
grande pico de emprego na fase inicial das plantações,
YHUL¿FDVHXPJUDQGHQtYHOGHGHVHPSUHJRGDSRSXODomRTXHVHHQFRQWUDQXPDVLWXDomRGHGp¿FHGHWHUUD
e de trabalho.
e. 'HVHQYROYLPHQWR QmR LQFOXVLYR HVWUDWL¿FDomR UXUDO
LQWHQVL¿FDomR GDV GHVLJXDOGDGHV VRFLRHFRQyPLFDV H
elitização rural, na medida em que se nota maiores
EHQHItFLRVSDUDXPUHGX]LGRQ~PHURGHDJUHJDGRVIDPLOLDUHV
SULQFLSDOPHQWH OtGHUHV FRPXQLWiULRV H VXDV
ligações ou os trabalhadores permanentes da Portucel).
4. %DL[RQtYHOGHSDUWLFLSDomRHLQFOXVmRGDVFRPXQLGDGHVORFDLV
no processo de tomada de decisão em relação ao processo de
REWHQomR GH WHUUD D UHFXUVRV GR 3'36 H DVLPSOLFDo}HV GR
projecto a longo prazo, o que resultará na marginalização dos
direitos e interesses da comunidade.
5. Indução de um modelo de desenvolvimento não inclusivo na
PHGLGDHPTXHEHQH¿FLDDSHQDVXPJUXSRGRVTXHSRVVXHP
JUDQGHVSRUo}HVGHWHUUDHPSUHJRSRVVLELOLWDQGRRDSURIXQGDPHQWRGDVGHVLJXDOGDGHVVRFLDLVHHFRQyPLFDV
HOLWL]DomR
do meio rural).
6. 'LVFUHSkQFLD QR ULWPR GH RFXSDomR GH WHUUD H SODQWDomR GH
eucaliptos em comparação com o ritmo em que a empresa
UHDOL]D DV DFo}HV SUHYLVWDV QR 3'36 RX VHMD SULRUL]DPVH
RVWUDEDOKRVSDUDDH[HFXomRGDVSODQWDo}HVHPGHWULPHQWR
das actividades de compensação das perdas dos agregados
familiares.
7. 3HUFHEHPVH DOWRV QtYHLV GH LQH[SHULrQFLD H LQFDSDFLGDGH
WpFQLFD GH DOJXQV GRV UHSUHVHQWDQWHV GR *RYHUQR ORFDO HP
lidar com questões relacionadas com grandes projectos, e
SULQFLSDOPHQWH QD iUHD GH SODQWDo}HV ÀRUHVWDLV (VWH IDFWR
H D HVFDVVH] GH UHFXUVRV ¿QDQFHLURV HQWUH RXWUDV TXHVW}HV
GHGHELOLGDGHLQVWLWXFLRQDOUHVXOWDQXPDDXVrQFLDGHVXSRUWH
LQVWLWXFLRQDOHLQWHUYHQomRS~EOLFDSDUDPRQLWRULDGRSURFHVVR
GHREWHQomRGHWHUUDVHGHH[HFXomRGR3'63&RQVHTXHQWHPHQWH
QmR H[LVWH VX¿FLHQWH VXSRUWH JRYHUQDPHQWDO QD GHfesa
dos interesses e direitos dos agregados familiares das
regiões afectadas.
'LDQWH GHVWH FHQiULR DV RUJDQL]Do}HV VLJQDWiULDV DSUHVHQWDP XP
conjunto de medidas necessárias tendo como base os estudos e
DV DFWLYLGDGHV FRQGX]LGDV SHODVPHVPDV 'LUHFFLRQDVH j HPSUHVD
Portucel Moçambique as seguintes recomendações:
1. Monitoria do processo de ocupação de terras comunitárias
para aferir o cumprimento cabal dos procedimentos legais
por parte do governo e da empresa aquando da atribuição do
'8$7HSDUDFRUUHFomRGDVLUUHJXODULGDGHVGHWHFWDGDV
2. 'LUHFFLRQDU PDLRU DWHQomR j HVWUDWpJLD GH FRPXQLFDomR GD
HPSUHVDDWUDYpVGHDFo}HVGHIRUPDomRHFDSDFLWDomRWpFQLFD
aos tradutores que trabalham e dos restantes colaboradores
na área de comunicação para que a transmissão da informa-
ção seja clara, transparente e objectiva, permitindo uma meOKRUJHVWmRGHH[SHFWDWLYDVGD
FRPXQLGDGH VREUHD UHODomR
GHWURFDH[LVWHQWHQRSURFHVVRGHRFXSDomRGDWHUUDHVXDV
implicações a longo prazo.
3. (TXLOtEULRGRULWPRGHLPSOHPHQWDomRGRVREMHFWLYRVGHRFXpação
de terras com as suas plantações e do ritmo em que o
3'63pLPSOHPHQWDGRQRVHLRGRVDJUHJDGRVIDPLOLDUHVTXH
cederam terra, com objectivo de compensar os custos incorridos
aos agregados familiDUHVRPDLVFHGRSRVVtYHOPLWLJDQGR
SRWHQFLDLV HIHLWRV QHJDWLYRV D QtYHO VRFLDO H HFRQyPLFR GRV
mesmos.
4. ,QWHQVL¿FDomRGHDFo}HVGHPRQLWRULDHDYDOLDomRGRQtYHOGH
H¿FLrQFLDHH¿FiFLDGDVSROtWLFDVGHRFXSDomRGHWHUUDPDnutenção
de 2 KD SRU DJUHJDGR H GR 36'3 SRU SDUWH GD
empresa, incluindo a revisão dos acordos entre a empresa e
DVIDPtOLDVFRPREMHFWLYRGHFHUWL¿FDURQtYHOGHVXVWHQWDELlidade
do mesmo, envolvendo todos os agregados familiares
TXHFHGHUDPWHUUDVDHPSUHVD'HVWHPRGRDHPSUHVDFHUWL¿FDULDTXHDVSHUGDVHVWmRUHDOPHQWHVHQGRFRPSHQVDGDV
GHVUHVSRQVDELOL]DQGRVHGHSRWHQFLDLVSUHMXt]RVDRVDJUHJDdos.
5. 0DLRUQtYHOGHLQFOXVmRHSDUWLFLSDomRGHWRGRVRVPHPEURV
da comunidade e não apenas de um determinado segmento
GD FRPXQLGDGH FRPR OtGHUHV HQWUH RXWUDV HOLWHV UXUDLV QR
SURFHVVRGHWRPDGDGHGHFLVmRDWUDYpVGDHVWUDWpJLDGHFRmunicação
da empresa para que as actividades desenvolvidas
SHODHPSUHVDHDVSUHYLVWDVQR3'63WHQKDPHPFRQWDRVLQteresses,
aspirações e necessidades das comunidades locais,
e não apenas dos seus representante.
6. &ULDomRGH&RPLWpV&RPXQLWiULRVHWLWXODomRGDVWHUUDVDFWXDOPHQWHRFXSDGDVSHODV
FRPXQLGDGHVSDUDPHOKRU FODUL¿FDomRGDVLWXDomRMXUtGLFDFROHFWLYDHIDPLOLDU
Compreende-se claramente que o modelo de desenvolvimento
QmR LQFOXVLYR LQGX]LGR SHODV SODQWDo}HV ÀRUHVWDLV QmR p VRPHQWH
UHVXOWDQWHGDDFomRGDHPSUHVDSRLVRWLSRGHJRYHUQDomRFHQWUDO
e local) e sua capacidade de desempenhar suas funções determina
R QtYHO GH VXVWHQWDELOLGDGH H[LVWHQWH QD LPSOHPHQWDomR GH XP
investimento desta dimensão. Portanto, tendo em conta a actuação
GRJRYHUQRORFDOHFHQWUDOQHVWHkPELWRDSUHVHQWDPVHDVVHJXLQWHV
recomendações:
1. Sugerem-se acções de formação e capacitação aos agentes
GR JRYHUQR ORFDO SDUD PDLRU FRQVFLrQFLD GD LPSRUWkQFLD H
LPSDFWR GH JUDQGHV SURMHFWRV GH SODQWDo}HV ÀRUHVWDLV SDUD
a economia da região e para os agregados familiares nelas
residentes.
2. $FRPSDQKDPHQWR LQWHQVL¿FDGR DR ORQJR GH WRGR SURFHVVR
de ocupação e obtenção de terras incluindo o processo de
QHJRFLDomRFRPYLVWDDPD[LPL]DURVJDQKRVGRVDJUHJDGRV
familiares e a garantir que seus direitos são respeitados.
(VWDEHOHFLPHQWRGHPHFDQLVPRVSDUDDPRQLWRULDHDYDOLDomR
das actividades da empresa assim como da situação económica
H VRFLDO GRV DJUHJDGRV IDFH jV WUDQVIRUPDo}HV UHVXOWDQWHV
GRSURMHFWRFRPYLVWDDFHUWL¿FDURQtYHOGHVXVWHQWDELOLGDGH
LQLFLDOPHQWHSURSRVWRSHODHPSUHVDDWUDYpVGDLPSOHPHQWDomR
GRVHX3'63
4. ,GHQWL¿FDomRGHiUHDVGHQHFHVVLGDGHGHDFomRJRYHUQDPHQtal
com vista a compensação das desigualdades económicas e
sociais induzidas pelo modelo de desenvolvimento rural sem
assumir que seja a empresa a desempenhar funções pertenFHQWHVDRVHFWRUS~EOLFR
5. (YLWDUIXWXUDVGHFLV}HVSULQFLSDOPHQWHDVTXHHQYROYDPJUDQGHV
GLPHQV}HV GH WHUUDV H XP Q~PHUR HOHYDGR GH DJUHJDdos
familiares, sem que se realizem estudos preliminares nos
TXDLVVHLGHQWL¿TXHPSRWHQFLDVLPSDFWRVVRFLDVHFRQyPLFRV
HDPELHQWDLVHVHPTXHVHHVWDEHOHoDPPHFDQLVPRVH¿FD]HV
GHPRQLWRULD 3DUDOHODPHQWH p QHFHVViULR TXH VH FXPSUDP
todos os procedimentos legais para a tomada de decisão tendo
em conta o papel do governo como promotor do bem-estar
GRSRYRHQmRGRVLQWHUHVVHVGRFDSLWDOSULYDGRHVWUDQJHLUR
É importante referir a necessidade de revisão do modelo de ocupação
de terras da empresa, que induz ao reassentamento involuntário
e não DVVLWLGR DR SUHYHU D RFXSDomR GH DWp GD iUHD GH '8$7
por plantações de eucalipto e poderá resultar em escassez de terra
para os agregados familiares que residem nessas áreas e, num
IXWXURSUy[LPRHVFDVVH]GH WHUUDSDUDDV IXWXUDVJHUDo}HV2TXH
VLJQL¿FDTXHGHDOJXPPRGRDVSRSXODo}HVVHVHQWLUmRREULJDGDVD
deslocar-se para outras terras, correndo o risco de degradação das
suas condições de vida na medida em que não lhes será fornecida
QHQKXPD DVVLVWrQFLD JRYHUQDPHQWDO QHVWH SURFHVVR YLVWR TXH D
SROtWLFD GH WHUUDV GD HPSUHVD QmR HQYROYH UHDVVHQWDPHQWRV SDUD
compensação das áreas cedidas.
'LDQWH GHVWH FHQiULR DV RUJDQL]Do}HV VLJQDWiULDV UHTXHUHP TXH
R *RYHUQR H D 3RUWXFHO 0RoDPELTXH UHGHVHQKHP VXDV SROtWLFDV H
formas de actuação como forma de alcançar um desenvolvimento
PDLV LQFOXVLYR H PDLV VXVWHQWiYHO ([LJHVH GR *RYHUQR TXH VH
tomem medidas correctivas e que este desempenhe seu papel e suas
funções a cargo do bem-estar do povo que o sustenta.
18 Savana 12-05-2017 OPINIÃO
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admc@mediacoop.co.mz
Administração
www.savana.co.mz
EDITORIAL Cartoon
A
placar Pequim, entender-
-se com Washington e
evitar uma guerra com
Pyongyang são desafios
imediatos que escassa margem de
manobra deixam ao novo Presidente
da Coreia do Sul.
Levar Xi Jinping a levantar as san-
ções comerciais e o boicote turístico
impostos após a instalação do sistema
norte-americano de antimísseis
balísticos (THAAD) na Coreia do
Sul por alegada vigia radar intrusiva
do território chinês é essencial
para Moon Jae-In concretizar promessas
de reformas económicas.
O boicote a produtos sul-coreanos
e a quebra acentuada de entradas de
turistas chineses terão de ser ultrapassadas
para Moon tentar acelerar
o ritmo de crescimento da economia
(cerca de 2% desde 2013) de
forma a reduzir o desemprego juvenil
que ronda os 8% e representa o
dobro da média nacional.
Melhorar o desempenho econó-
mico, que a par do combate à corrupção
surge entre as principais
preocupações nos inquéritos à opinião
pública, obriga, contudo, a um
compromisso político com Pequim,
principal parceiro comercial, sem
alienar Washington, garante de segurança.
Os excedentes comerciais que a
Coreia do Sul mantém com ambos
os países complicam as negociações
e Moon, opositor declarado à instalação
do THAAD, admitiu recentemente
ser demasiado tarde para
desmantelar o sistema antimíssil
acordado entre Washington e a sua
predecessora Park Geun-Hye no
ano passado.
A Coreia do Norte intromete-se
2XWUR3UHVLGHQWHQRÀRGDQDYDOKD
como problema intratável dado o
autoproclamado fim da “paciência
estratégica” dos Estados Unidos e a
ameaça de Trump recorrer à força
para impedir a ampliação e avan-
ço do programa militar nuclear e
de mísseis balísticos da Coreia do
Norte.
A China propõe uma moratória
para testes nucleares e de mísseis
norte-coreanos em paralelo com a
suspensão de exercícios militares
na Coreia do Sul, onde os EUA
mantêm um contingente de 28 mil
e 500 homens, tendo-se esquivado
até agora à imposição de sanções
que levem ao fim das suas compras
de carvão a Pyongyang e ao corte
dos abastecimentos de petróleo.
Apesar dos desentendimentos crescentes
com Kim Jong-Il, a China
pretende, tal como a Rússia, evitar
que a derrocada do regime redunde
na unificação da península sob controlo
de Seul e subsequente reforço
do sistema de alianças militares de
Washington no Extremo Oriente.
O risco de guerra ou dispersão de
arsenais químicos e biológicos é
real e também temido pelo Japão
que mantém relações tensas com
Seul por não assumir as responsabilidades
de Tóquio na prostituição
forçada de mulheres durante os
anos da guerra do Pacífico e devido
ao contencioso da ocupação nipó-
nica da península (1910-1945).
A política de abertura e coopera-
ção com Pyongyang iniciada por
Kim Dae-Jung em 1988 e prosseguida
pelo sucessor Roh Moo-
-Hyun - os anteriores Presidentes
de centro-esquerda eleitos após a
democratização iniciada em 1987 -
volatilizou-se com o primeiro teste
nuclear norte-coreano em 2006.
Moon diz-se disposto a negociar
com Kim Jong-Un e a retomar os
investimentos na Zona Industrial
de Kaesong - parque industrial
para empresas do Sul empregadoras
de mão-de-obra local, situado
dez quilómetros a norte da Zona
Desmilitarizada e encerrado desde
Fevereiro de 2016 -, apesar das san-
ções da ONU.
A maioria de direita e centrista
na Assembleia Nacional eleita em
Abril de 2016 por quatro anos e
que não pode ser dissolvida pelo
chefe de Estado opõe-se a esta pretensão.
Por outro lado, dificilmente haverá
acordo com um Presidente
de centro-esquerda para reformas
constitucionais (revisão do mandato
único presidencial de cinco anos
e redução dos poderes do chefe de
Estado) que exigem maioria de 2/3
antes de serem referendadas pelo
eleitorado.
A discórdia alarga-se a projectos
para desmantelar os conglomerados
controlados por dinastias empresariais
(“chaebol”), considerados
obstáculo monopolista à inovação e
factor de corrupção, evidente, por
exemplo, no envolvimento da Samsung
em actos ilícitos no caso de
Park destituída em Março e levada
este mês a julgamento.
Moon, homem pouco dado a compromissos,
já passou por momentos
difíceis e em 2009 coube-lhe anunciar
o suicídio do Presidente Roh
Moo-Hyun de quem era chefe de
gabinete.
De hoje para a frente Moon está no
fio da navalha.
*www.jornaldenegocios.pt
T
alvez como consequência da actual crise económica, o Governo
moçambicano está finalmente a falar de som alto aquilo de que
em tempos só se falava em surdina, mas com que ninguém parecia
estar ocupado.
As mais recentes visitas do Presidente Filipe Nyusi a alguns organismos
do Estado, incluindo ministérios do Governo e empresas públicas, têm
permitido ver o nível de precariedade em que se encontra o sector pú-
blico em Moçambique.
Um sector público largamente caracterizado pela ineficiência, despesismo,
incompetência e incapacidade de dar resposta adequada à demanda
que os cidadãos impõem sobre ele.
Não vale a pena aqui particularizar os problemas, pois eles são comuns.
Mas foi na visita ao Ministério da Administração Estatal e Função Pú-
blica que o Chefe do Estado resumiu todos os problemas; enquanto a
Administração Pública demonstra um desempenho abaixo do desejável,
os custos da sua manutenção vão disparando exponencialmente.
Elevados custos numa proporção inversa ao desempenho e aos resultados
obtidos é um dos principais indicadores da ineficiência. Esta por sua
vez pode ser produto ou gerador da incompetência. É neste ciclo onde
prolifera a corrupção, que depois se torna endêmica, quando todos encolhemos
os ombros e a aceitamos como uma inevitabilidade.
Há factores históricos que contribuíram para o actual estado em que
nos encontramos. A administração pública moçambicana herdou as suas
bases do sistema de administração das zonas libertadas, durante a guerra
pela independência.
A desconfiança permanente pelo próximo, o que pressupunha um sistema
contínuo de vigilância mútua, visava proteger as populações que
habitavam essas zonas de acções inimigas que poderiam ser facilitadas
por indivíduos infiltrados e ao serviço das autoridades coloniais.
Não surgiu por acaso a palavra de ordem que acentuava a necessidade de
se pautar pela Unidade, Trabalho e Vigilância. O imperativo de ter de
se escangalhar do Aparelho de Estado colonial teve como implicações o
desaparecimento de todos os procedimentos normais de uma administração
pública convencional. A competência necessária para o exercício
de um determinado cargo ou função pública passou a ser substituída
pela importância da confiança política, o que nas circunstâncias de então
pressupunha um alinhamento integral com a ideologia do partido
Frelimo.
A grande fragilidade do critério da confiança política é que em muitos
casos ele é subjectivo e propenso ao nepotismo. Não há um indicador
objectivo para determinar que certo indivíduo tem competência para
desempenhar as complexas funções que lhe são atribuídas. Para além
de que a pertença ao partido ou a militância aparente pode ser um dispositivo
de oportunismo para tirar benefícios pessoais. Se um dirigente
público, seja a que nível for, negligenciar o seu trabalho e justificar essa
falha pelo facto de ter estado envolvido em actividades do partido, é
um álibi suficiente. Da mesma forma que no sentido inverso, se um determinado
dirigente for diligente e competente no seu trabalho, mas
pouco activo nas actividades partidárias, pode estar certo de que a sua
continuação no cargo não é algo garantido. Houve momentos em que,
em muitos organismos da administração pública, a opinião do secretário
da célula sobrepunha-se ao melhor juízo do titular nomeado para dirigir
a instituição. E não foram poucos os dirigentes que caíram em desgraça,
nem que tenha sido por razões de incompatibilidade pessoal.
Foi assim durante muitos anos. Quando se despertou para a consciência
de que as coisas não podiam continuar desta forma, e que havia necessidade
de transformações profundas, o cancro já se tinha espalhado por
uma parte significativa do corpo que é hoje a nossa administração pú-
blica. Uma doença neste estado resiste a qualquer tratamento. Há uma
forte resistência às mudanças que se pretende implementar no sistema
de administração pública em Moçambique, e essa resistência se manifesta
nas disfuncionalidades que o Presidente da República tem estado a
constatar nas suas visitas.
O comandismo, o secretismo e o nepotismo que se instalaram nas hostes
da administração pública conduzem a uma situação em que a corrupção
se torna rei, a responsabilização e a prestação de contas praticamente
inexistentes, e o mérito irrelevante. Quando um dirigente monta um
parque automóvel do topo de gama na sua residência às expensas do
Estado, é momento de questionar se este país tem recursos para tamanha
indulgência. Ninguém toma decisões e ninguém assume responsabilidade
pelo que está mal. Existe o medo de tomar decisões que venham
a ser questionadas. Em muitos casos, o estado de paralisia é tal que o
titular não fará nada até que, um dia, as orientações venham lá de cima.
Investidores (nacionais e estrangeiros) que pretendam contribuir para
o desenvolvimento do país são frustrados até à exaustão, e obrigados
a procurar alternativas noutras paragens mais acolhedoras, no meio de
murmúrios de que “os moçambicanos não são sérios”.
Mudar este estado de coisas é um imperativo para a sobrevivência nacional.
Mas a questão é por onde começar?
A questão é por onde começar?
Por João Carlos Barradas*
Savana 12-05-2017 19 OPINIÃO
527
Email: carlosserra_maputo@yahoo.com
Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com
3
de maio, dia da Liberdade
de Expressão, foi dia de ver
Putins e Trumps, Maduros
e dos Santos, Kim Jong-
-uns e Xí Jìnpíngs e muitos rostos
desconhecidos, façanhudos e ferozes
a partir bicos de lápis, esmagar
microfones ou quebrar câmaras.
Terroristas barbudos, militares escanhoados,
gordos bem vestidos,
tudo o que representa o poder apareceu
a transformar jornalistas em
alvos – o limite foi a imaginação.
Nada contra. Mas é pouco. Com
eles apenas se perdem as que caem
no chão, mas convém não fixar o
olhar no dedo e ignorar os cenários
que ele aponta, aqueles de que fazemos
parte.
No mundo ocidental, o principal
ataque à liberdade de expressão não
vem de fora. O inimigo está cá dentro.
Como o caruncho que reduz a
mobília a serradura ou a lagarta que
corrói a maçã, é dentro da Comunicação
Social que se está a destruir
o jornalismo. É cá dentro que se
criam condições para que a liberdade
de expressão seja despicienda e,
até, que o jornalismo se torne dispensável
(como se ele fosse possível
sem liberdade).
Quando a lesão de Jonas (do Ben-
fica) é questão central; quando as
sete melhores praias para o fim-de-
-semana são capas e destaques de
primeiras páginas; numa época em
que o body building enche edições e
as dietas dão origem a pormenorizados
trabalhos (chegou a hora de
tirar os biquínis e calções dos armá-
rios), para que serve a liberdade de
expressão?
Muito, mesmo muito do que hoje
se escreve seria tranquilamente
aceite pela mais zelosa ditadura.
O mundo que conta está fora da
Comunicação Social – com muito
raras excepções.
Hoje não se emitem debates sobre
conceitos políticos, não há verdadeiras
discussões.
Sem meios, vários jornais, televisões
e rádios seguem os mesmos
assuntos, cobrem os mesmos acontecimentos,
disputam as agendas
oficiais e vão atrás dos comunicados
e temas lançados pelas mesmas
fontes. Ouvem os mesmos
comentadores, alguns dos quais se
desdobram por vários programas
e vários órgãos de comunicação.
Alimentam-se das mesmas intrigas
partidárias e disputam entre si
a exclusividade de pormenores que
já pouco interesse têm.
Investigar? Isso é caro.
Aprofundar? Nem pensar em coisas
maçudas.
Debater? O jornalismo não é para
chatos.
Há redacções em que os orçamentos
não chegam para sair da sede.
Há outras onde se ganha ao clique
(dizem-me que isto até acontece
em títulos que se dizem defensores
da ética e do interesse público, mas
eu não acredito - sacar audiências
não é informar: toda a gente sabe
que um problema com as cuecas de
Ronaldo dá muito mais tráfego que
o gás sarin na Síria).
Não, não é a internet que tem a
culpa. O digital só faz mal aos jornais,
rádios e televisões que querem
viver contra o futuro. O problema
é que há jornais em papel e online,
rádios e televisões que escolheram
ser como a maioria dos sites da net:
fúteis, sem nível, sem conhecimento,
sem cultura, sem rigor, sem independência.
Sem incomodar.
Cada vez mais, os jornalistas, à
procura de emprego estável e de
vencimentos decentes, deixaram de
questionar o poder (dentro e fora
das redacções), passaram a encolher
os ombros em conferências de
imprensa em que as perguntas são
proibidas e vão a correr mandar o
serviço para o online. Não interessa
ser o melhor, o importante é ser
o primeiro e bater o concorrente
imaginário, nem que depois se peça
desculpa pela calinada. As redac-
ções estão a absorver o pior que
têm a net e as redes sociais.
Há quem tente resistir. Mas não
muito, nem muitos. São mesmo
cada vez menos e mais tímidos. A
aposta é ir sobrevivendo. Não é inovar,
impor qualidade, arriscar. Não é
parar para pensar: a cobertura que
está a ser dada à Baleia Azul não
estará a popularizar o problema?
A palavra de ordem é recuar na
qualidade, ir de cedência em cedência.
A publicidade conquista
terreno e mina a credibilidade com
formas encapotadas para os menos
atentos, como sejam os mais recentes
“conteúdos patrocinados”. Por
isso soube-me bem (embora este
seja um tema para fazer correr muita
tinta) ver a CNN recusar a publicidade
que Trump queria comprar.
As férias de sonho, os chefs de cozinha
(novas referências da alta
cultura), as farmácias de serviço, a
meteorologia e a forma física do
ponta de lança fazem falta nas publicações.
Mas só fazem falta; não
podem esgotar as publicações. Serão
informação, não são jornalismo.
O jornalismo é para incomodar,
para fazer reflectir. É para permitir
decidir em consciência sobre o futuro
que queremos. Isso não dá rios
de cliques, mas é o que não pode
acabar. E é o que precisa de liberdade
para existir.
Não, hoje, os títulos mais vendidos
não precisam de liberdade de expressão.
Dispensaram-na, desprezaram-na
em nome do espectáculo
e das audiências. E o problema
é que outros estão a ir atrás. Com
a desculpa de que não conseguem
resistir, deixam-se influenciar ou
copiam os modelos mais fáceis e
lucrativos.
Talvez se vão vendendo, mas porque
se estão a vender.
A informação é um negócio. Uma
actividade que tem de dar lucro.
Mas não pode esgotar-se aí. Tal
como um médico e um enfermeiro
não podem ser meros assalariados
e um bombeiro sapador não é
um funcionário municipal como
os restantes, os órgãos de informação
também não podem ser
stands de automóveis. Não podem
existir apenas para ganhar dinheiro.
Como em tudo o que tem uma
função social, há obrigações e responsabilidades
acrescidas.
Por isso é tão especial, por isso é tão
importante, por isso é tão apaixoJornalismo
2017:
A violência perturba-nos, magoa-nos. Por quê? Porque é
violenta. Mas há um problema: e se a violência não for
violenta, mas podendo a este nível ser até mais violenta do
que a violência violenta? E se a violência não violenta for a
razão da violência violenta?
A nossa concepção de violência baseia-se na violência violenta, é
uma concepção muito física, como que quinestésica: um tiro, uma
agressão, uma ira sem fronteiras, um discurso, uma manifestação
popular, uma carga policial. Quando isso acontece, de imediato
salta um fusível perceptivo no comum de nós e dizemos algo como:
eis a violência.
Quer dizer, a nossa concepção corrente é a do ruído, da explosão, a
daqueles momentos veementes que escamoteiam as condições
violentas não violentas que, por acumulação progressiva, geram a
repentinidade da violência violenta que parece, afinal, não radicar
nessas condições.
Violência
Por João Garcia*
Ao longo daquelas quase
duas décadas de vida em
comum, ela foi testemunha
de muitos dos meus
acessos cíclicos de loucura, mas
nunca aprendeu a conviver com
eles nem, ao que me parece, isso
alguma vez constituiu sua preocupação.
De resto, durante esses
acessos eu quase que não existia
naquela casa: passava 30 ou 90
dias consecutivos em clausura
quase completa no meu atelier,
num frenesi imparável de trabalho.
Andava às voltas de um
bloco de mármore ou de pau preto,
sândalo ou umbila, tentando
transmitir-lhe o sopro vital da
arte que me pulsava nas artérias
e me fazia latejar constantemente
as têmporas.
Trabalhava como um possesso,
mal me dava conta do passar
do tempo e mal me dava tempo
também, por conseguinte, de falar
com quer que fosse, mesmo
com ela, uma vez que nem mesmo
nas horas de refeição eu me
fazia presente na casa principal.
Era como se não existisse. Na
verdade, o que estava presente no
meu atelier era simplesmente o
meu corpo; a minha mente viajava
no espaço sideral, no cosmos
da minha alucinação, tentando
criar vida com imagens que me
ocorriam em catadupa e a que
queria dar consistência física,
como se estivesse a correr atrás
de uma miragem que a qualquer
momento poderia desvanecer-se.
A única coisa que me dizia com
certa frequência nos raros momentos
em que nos cruzávamos
nos corredores da casa a caminho
dos lavabos ou à procura de uma
ou outra ferramenta que me faltasse
era – “Estás outra vez em maré
de lua cheia. Espero que faças bom
proveito.” Eu quase que não a ouvia.
Mas mesmo que a ouvisse, era coisa a
que não poderia dar a mínima importância,
porque na verdade não tinha.
O que se tornava mais presente e
talvez mais doloroso era o momento
que vinha depois desses acessos,
momentos a que eu chamava de “ressaca”.
Como efeito, durante os vários
meses que se seguiam ao acesso de
loucura, todo o efeito remanescente
se resumia ao culto de um sentido de
humor que ela nunca compreendeu e,
aliás, abominava. Dizia-me – “Tens
um sentido de humor muito cáustico
e, ainda que o queiras disfarçar, a tua
língua não o deixa: tens uma língua
viperina.” Eu olhava para ela com o
olhar fixo e não conseguia responder.
Era impossível eu dizer-lhe o que me
ia na alma, que na verdade mesmo
para mim era dificilmente compreensível.
Era um caos. Mas desse caos
resultava finalmente uma serenidade
de verbo que marcava a ponta final
de todo o processo, desde o início da
loucura até ao fim da ressaca. E retomávamos
o normal ritmo da vida.
Normal é uma maneira de dizer. Ao
fim de quase duas décadas ela não
suportou mais e a separação foi o resultado
lógico e natural da nossa vida
em comum.
Acontece que, por uma razão qualquer,
no meio de mais um acesso
desses de alucinação, no passado domingo,
16 de Abril, lhe mandei uma
mensagem que dizia textualmente o
seguinte: “Envio-te um grande e amigável
abraço. Se se der o caso de ainda
estares viva, Feliz Páscoa!” Passou-se
um dia e dois e três, e ela não me
respondeu nem por mensagem nem
por chamada. No princípio chamei-
-me idiota, dizendo a mim próprio –
“Como é que pensas que, depois
deste tempo todo de separação,
ela poderia reagir a uma mensagem
daquelas? Para além de
pouco sentido prático da vida, és
muito presunçoso. Desde a vossa
separação a Terra já deu a volta ao
Sol 17 vezes e vocês nunca mais
se falaram. Não sei a que propó-
sito é que ela havia de responder
a uma mensagem daquelas, ainda
por cima eivada desse teu sentido
viperino de humor. Deverias agora
era pedir-lhe desculpas.”
Chamava-me idiota, naturalmente,
mas também, no fundo, consolava-me
o facto de que eu tinha
enviado a mensagem na melhor
das minhas intenções. Escrevo
hoje, quarta-feira, 10 de Maio,
porque ela ontem me telefonou.
Não me deu muita margem para
conversa. Disse-me simplesmente
– “Obrigada pela mensagem que
me mandaste. Para tua informa-
ção e teu desprazer informo que
não só estou viva como também
estou muito saudável. Tudo o que
eram feridas cicatrizaram e tenho
uma vida perfeitamente normal,
dentro dos carris. Mas faço de
contas que para ti morri. A minha
porta de sésamo está definitivamente
fechada para ti. Nunca
mais me mandes mensagens, não
me procures, não perguntes por
mim, porque esse passado está
definitivamente encerrado.” Desligou.
Mesmo assim, mandei-lhe uma
mensagem a dizer: “A única coisa
que me resta, e podes gravar isso
em cima da pedra que puseste sobre
o nosso passado, é pedir-te perdão.
Nunca quis magoar-te e, se puderes,
acredita nesta verdade simples:
amo-te muito.”
O inimigo está entre nós
$SDODYUDÀQDO
20 Savana 12-05-2017 OPINIÃO
SACO AZUL 3RU/XtV*XHYDQH
T
omar os mais velhos como referência,
como modelos de bom
comportamento, como exemplos
de boa conduta, como reserva
moral, tem sido regra em qualquer civilização
que se preze como tal. Mas, esses
mesmos “mais velhos” devem merecer o
respeito da sociedade (porque conquistado).
Os “mais velhos”, concretamente
os da terceira idade, pouco ou nada
têm que justifique que sejam tomados
como referência ou reserva moral por
parte dos que lhes seguem. Dito deste
modo pode certamente provocar algum
desconforto. É sempre mais cómodo e
prudente não generalizar ao extremo.
Dizer, por exemplo, que todos os “mais
velhos” que a sociedade (moçambicana)
interpreta com estando na origem da
actual crise económica e financeira são
indivíduos da terceira idade e nunca fo-
4XDODPHOKRUVROXomR"
ram referência para os adultos de hoje. Isto
pode não ser óbvio por estarem “juntos e
misturados” os corruptos, os que os combatem,
incluindo os que nada tiveram a ver
com o assunto, ainda que seja verdade que
todos os principais pilares do problema estejam
hoje na terceira idade.
Claramente que não é verdade que todos os
indivíduos da terceira idade contribuíram
com a sua apatia, seu suposto conformismo,
sua cega obediência aos ditames do poder,
sua clarividente permissibilidade com relação
à corrupção, sua atitude de “não vi”,
“nada ouvi” e nada tenho a dizer sobre o
assunto; dizia, não é verdade que contribuíram
para que o país caminhasse para o
actual descalabro. Qual era idade desses indivíduos
há vinte e cinco anos, por alturas
da assinatura do AGP, e que valores éticos
e morais defendiam? Eram indivíduos conformados
com a lei ou com a arrogância? A
verdade é que, apesar de não serem todos,
os indivíduos da “terceira idade” ainda inspiram
respeito aos mais jovens por deixarem
que estes demonstrem claramente que
não se conformam com a actual situação
e que exigem a tão bordejada responsabilização.
Generalizar com base numa pequena
amostra de arroz para concluir que todo
o produto do saco está estragado pode ter
o seu valor estatístico, entretanto, é preciso
algum cuidado quando lidamos com seres
humanos. Não são todos os do partido A
ou B que estão interessados em proteger
fulano ou beltrano só porque a cúpula que
impinge a disciplina partidária assim o
deseja. A disciplina partidária deve conformar-se
com a lei; ela não é o bálsamo
da crise e muito menos uma espécie de
amedrontamento aos membros que pensam
diferente. Maçaroca estragada contamina
as outras levando-as ao mesmo
destino. Aliás, falemos de fruta que é
mais simples. Ou isolam-se as frutas
já identificadas e rotuladas como “estragadas”,
ou aceitamos correr o risco
de atingirem todo o sistema (que é o
que mais se teme, se é que não está
já a acontecer). A solução ética e economicamente
viável é o isolamento
dessa maçaroca, aliás, das frutas que
avançam com a sua putrefação para o
sistema e que, mesmo “sem consenso”,
todos reconhecem o risco que as
mesmas representam. Pode-se assim
salvar a produção e minimizar a fome.
Cá entre nós: deve doer bastante essa coisa
de disciplina partidária quando todos
os membros estão claros em relação a este
ou aquele culpado que está na origem de
uma grande crise económica e financeira.
Quem dá o guizo ao gato?
Conta-se que um mercador nas
suas viagens anuais a Meca
oferecia sempre uma moeda de
ouro a um leproso que tinha o
corpo coberto de chagas e moscas. Certa
vez, para além da moeda, resolveu afastar
as moscas, e assim alivia-lo do sofrimento.
Para seu espanto, o leproso revoltou-se,
afirmando: “estas moscas já estão aqui há
muito tempo, e estão saciadas... as que vierem
vão ter de comer muito para atingir
esse estágio”.
Este parece ser também o sentimento de
grande parte do nosso povo e está subjacente
ao estado actual do país. De onde
nasce esta descrença?
A independência de Moçambique foi conquistada
na premissa de que todos tínhamos
um destino comum, assim como o
dever de, como cidadãos, salvaguardar em
primeiro lugar a pátria e o bem comum.
O bem comum, entendido como sendo
toda a riqueza nacional, cujos benefícios
devem ser partilhados por todos.
Mas a verdade é que deixamos de controlar
o nosso destino comum. Hoje, a estratégia
para garantir a prosperidade e a sobrevivência
assenta no interesse individual. Assim,
certa ou errada, a ideologia do novo
Moçambique é o individualismo.
O individualismo pode ser positivo quando
não afecta negativamente o próximo, ou
quando as acções são viradas para desenvolver
uma consciência interna individual,
sem acarretar custos para a sociedade.
A nossa realidade é que vivemos mais associados
ao egoísmo e ao desenvolvimento
individual. O que verifico, de vários casos
reportados pela imprensa ultimamente, é
que hoje existe um desrespeito total pelo
bem comum: não há defensores ou não
existem recursos, vontade ou moral para
defender o bem comum.
O roubo da propriedade “ilegalmente” ou
de forma legalizada é o caminho mais fácil
para a riqueza. O pior é que já não existe
o sentimento de vergonha ou de culpa.
Desde as mais pequenas violações até aos
roubos milionários evidenciados nos últimos
anos. É tudo feito com o conhecimento
de que haverá total impunidade. Já rico,
o ladrão não se chama como tal, mas sim
“empresário de sucesso” (sem necessidade
de investir no país).
A palavra “ladrão”, e as consequências de
ser apanhado a roubar só incomodam aos
pilha galinhas, e jamais aos verdadeiros
terroristas que saqueiam os bens da nação.
E os ladrõezinhos de quintal, por acaso,
são os que mais sofrem com o roubo pelo
“empresário”, do bem comum que deveria
ter servido para empoderar o menino que
virou ladrão.
Por outro lado, o “empresário” também
sabe que já pode comprar o cartão que o
põe acima da lei. Mas como num filme
de cowboys, ninguém se atreve a contestar;
afinal, os corpos dos últimos xerifes ainda
estão a apodrecer no centro da vila, e como
sempre ninguém viu nada. Ou queres ser o
próximo?
O desrespeito pelo bem comum vive-se nas
nossas ruas, nas nossas praias, nossas minas,
nossos impostos, nossos recursos naturais
e biodiversidade que nem na teoria
da janela quebrada de James Wilson e George
Kelling, decorrente de uma experiência
onde duas viaturas idênticas, da mesma
Que não se mude apenas as moscas
Por Mantchiyani Samora Machel*
marca, modelo e até cor, foram abandonadas
na via pública uma num bairro pobre e
a outra num bairro rico e tranquilo. A viatura
abandonada no bairro pobre começou
a ser vandalizada em poucas horas. Contrariamente,
a viatura abandonada na zona
rica manteve-se intacta até os pesquisadores
partirem um vidro e aí se desencadeou
o mesmo processo de destruição. Um vidro
partido numa viatura abandonada transmite
uma ideia de deterioração, de desinteresse, de
despreocupação de ausência de lei, de normas,
de regras, enfim de “vale-tudo”.
Se quem deveria dar exemplo no tratamento
do bem comum não o faz, como esperar
que os outros o façam se a janela já foi partida?
O dilema do bem comum é a crença
de que “propriedade de todos é propriedade
de ninguém”. Se continuamos a ignorar
os valores, se aceitarmos o sentimento de
que “eu sou mais esperto que os outros” que
seguem as leis, que pagam os impostos, que
não deitam lixo ao chão, seja qual for a norma,
então morremos como sociedade.
Maus exemplos corrompem de tal forma
que parece que o crime em Moçambique
compensa. Se este sentimento continuar
a crescer pode ser o primeiro alerta para
um estado falhado, e assim podemo-nos
transformar numa verdadeira república das
bananas.
Existem, contudo, indicações fortes de
que o estado adormecido de aplicação e
cumprimento de leis esteja a despertar.
Disso são exemplos a operação tronco, as
posições da comissão de ética e a aparente
postura de afastamento em relação a possí-
veis conflitos de interesse de membros do
executivo. É importante lembrar que em
breve vamos ter eventos cruciais de vários
partidos, com eleições internas a vários
níveis assim como eleições municipais, o
que é visto por muitos como um momento
de demarcação. A nossa esperança é que o
lixo seja removido antes da comida chegar.
Esperemos que um novo olhar para o bem
comum seja apresentado. Não precisamos
de mudanças cosméticas mas de acções
profundas. Devemos aplicar tolerância
zero, não apenas para quem cometa o delito,
mas também em relação ao próprio
delito. Devemos estabelecer as condições
para desenvolver uma sociedade ordenada,
que respeite as leis e os códigos básicos da
convivência social humana.
Estamos num momento crucial, em que as
regras sobre a vida da nossa e das futuras
gerações devem ser ditadas. Não podemos
temer dar a volta que pode ser a diferença
entre um Moçambique que vive da dependência
de donativos e um Moçambique
que lidera o progresso Africano. O bem comum
é nossa riqueza e não de indivíduos,
seja ele a terra, o gás, a floresta ou a praia. A
nossa geração e as futuras gerações devem
ter o mesmo direito de uso e benefício, por
isso o nosso dever é de entregar os nossos
activos como estão ou num melhor estado.
Que não se mude apenas as moscas, mas
que se implemente o que já foi acordado
entre o governo e o povo, pois a confiança é
a única coisa que mantém um estado firme.
*Bacharel em Relações Internacionais, Mestrado
em Estudos de Desenvolvimento, Mestrado
em Gestão
Savana 12-05-2017 21 PUBLICIDADE
22 Savana 12-05-2017 DESPORTO
Oque parecia motivo de
orgulho para o povo mo-
çambicano tornou-se
num factor de divisão,
entre a Federação Moçambicana
de Futebol (FMF) e o Clube Ferroviário
da Beira (CFB).
O “arremesso de pedras” entre as
duas instituições desportivas teve
início no último fim-de-semana,
após a marcação, pela Confedera-
ção Africana de Futebol (CAF),
para o Estádio Nacional do Zimpeto,
do jogo entre os “locomotivas”
do Chiveve e os sudaneses do Al-
-Hilal, referente à segunda jornada.
A entidade que superintende o futebol
nacional acusa aquele clube
de não ter cumprido com o calendário
para a inspecção do seu campo
e este retorque, afirmando que
esta agiu de má-fé, ao sonegar a informação.
Trata-se de um episódio
que nos leva a questionar de quem
é a culpa ou a mesma está solteira?
Os factos
No dia 04 de Maio, a CAF comunicou
à FMF a marcação do jogo da
segunda jornada entre o Ferroviário
da Beira e o Al Hilal do Sudão, para
o dia 23 de Maio, no Estádio Nacional
do Zimpeto.
A informação caiu como uma bomba
para aquela colectividade, que
esperava acolher os jogos, no seu
reduto, diante do seu público e foi
tida como um projecto arquitectado
pela FMF.
Numa conferência de imprensa
concedida, sexta-feira finda, em
Maputo, Filipe Johane, Secretário-
-geral da FMF, justificou que a escolha
do Zimpeto deveu-se à tardia
solicitação da inspecção do “Caldeirão”
do Chiveve, pela direcção “locomotiva”.
Segundo Johane, o CFB solicitou a
inspecção do seu campo para dia 10
de Maio, 13 dias antes do jogo da
segunda jornada, tempo considerado
escasso, pois, os jogos são marcados
com 21 dias de antecedência
para facilitar a logística das equipas.
Reagindo a este posicionamento, o
CFB acusou o órgão reitor do nosso
futebol de ter agido de má-fé, tudo
só para ver a equipa a fazer os jogos
em Maputo.
Na voz do seu vice-Presidente, Eugénio
Caetano, o clube sustenta a
sua posição, afirmando que Filipe
Johane contactou, a 02 de Maio, o
Presidente da Associação Provincial
de Futebol de Sofala, Fernando
Dias, para alertá-lo sobre a inspec-
ção do campo, sendo que esta foi
requerida no dia seguinte, já fora do
prazo, segundo a fonte.
Caetano acrescenta ainda que o
Clube nunca indicou o Estádio Nacional
do Zimpeto como alternativa,
mas o da Machava, visto que
pertence aos Caminhos de Ferro de
Moçambique (CFM), seu patrocinador,
pelo que não pagaria nada
pela sua utilização.
Para aquele dirigente não há dú-
vidas que a FMF fez de tudo para
Ferroviário da Beira e FMF em acusações mútuas em relação à inspecção do “Caldeirão” do Chiveve
Por Abílio Maolela
inviabilizar a realização do jogo na
Beira, até porque, para a produção e
transmissão dos jogos caseiros, contratou
uma empresa que não tem
capacidades de fazê-las na cidade
da Beira.
A direcção “locomotiva” tinha contactado
a Televisão de Moçambique,
entretanto, o negócio foi adjudicado
a uma outra companhia
(não conseguimos apurar), a qual
os beirenses terão de pagar USD40
mil por jogo.
Caetano defende que as coisas chegaram
a este nível porque a institui-
ção liderada por Alberto Simango
Júnior não colaborou, pois, a comunicação
entre a CAF e os clubes é
feita através das federações nacionais,
pelo que “a FMF devia ter
orientado e comunicado sobre os
procedimentos a seguir”.
Aliás, Orlando Conde, Director de
Comunicação e Imagem do CFB,
revelou que só teve conhecimento
da existência do modelo 5 (que versa
sobre as transmissões televisivas,
equipamentos e questões de marketing),
no workshop realizado um
dia após o sorteio.
Assim, o representante moçambicano
não vestirá o equipamento encomendado
(com os nomes dos jogadores
identificados) e sem o nome
do seu patrocinador porque não
comunicou à CAF esses detalhes.
A FMF, através do Assessor de direcção,
Sídio Mugadza, rebate as
acusações. Citado pelo Notícias,
esta terça-feira, Magadze afirma
que a FMF recebeu o modelo 5, na
semana passada; que o Estádio da
Machava foi reprovado, em 2016,
devido à distância entre o campo e
os balneários; e que os outros detalhes
da competição estão expressos
no regulamento das competições,
na posse do clube.
Entretanto...
A situação que “derrota”, psicologicamente,
o representante mo-
çambicano, na medida em que fará
mais de 1200 km para acolher os
seus jogos e longe dos seus adeptos,
revela, mais uma vez, o deficit de
organização das nossas instituições
desportivas.
Em 2015, a selecção nacional de
futebol foi obrigada a viajar para
Culpa solteira?
Libreville, capital do Gabão, no dia
do jogo (dois dias de atraso), tudo
porque a FMF pagou um avião fretado,
cuja companhia não tinha autorização
para voar até aquele país.
Neste caso, o Ferroviário da Beira
qualificou-se para a fase de grupos,
a 19 de Março e o sorteio foi realizado
a 26 de Abril, ou seja, 38 dias
depois. Durante este período, tanto
a FMF, assim como o CFB não se
preocuparam em saber dos procedimentos
para a participação na fase
seguinte da competição.
O CFB ignorou os regulamentos
das competições, conforme justifi-
ca a FMF, e esta também não quis
saber do estágio de preparação do
representante moçambicano na
prova.
Ao SAVANA, o jornalista Renato
Caldeira defende que, por um lado,
não terá havido um suficiente assumir
desta qualificação como também
sua, por parte da FMF e, por
outro, algum auto-convencimento
dos beirenses relativamente à assessoria
necessária de quem já viveu
algumas experiências africanas.
Fonte ligada ao Ferroviário de Maputo
(presente na prova, em 1997),
que não quis ser citada, afiançou
que os procedimentos actuais são
liderados pela Federação e não pelo
clube.
“Estamos perante uma situação
nova no nosso país. Antes o processo
era tratado entre a CAF e o
clube, mas agora é tratado através
da Federação”, disse a fonte.
Caldeira afirma que as implicações
da “quase impensável anormalidade”
são, para já, incalculáveis.
“Os ganhos financeiros, sempre necessários,
serão talvez os menos penalizantes,
quando calculados com
os demais. É que o ‘inferno’ que nos
está reservado nas partidas fora de
portas será bem diferente daquele
que os nossos adversários cá virão
encontrar”, destaca a fonte.
Se, por um lado, a Federação é culpada
por não ter liderado de forma
proactiva o processo, por outro,
verifica-se que, de forma objectiva,
não havia condições para a CAF
agendar o jogo da segunda jornada
para a cidade da Beira.
Imagens divulgadas, esta semana,
pelo semanário Desafio, revelam
que aquele campo ainda continua
em obras, facto que não permitiria a
CAF inspeccionar, aprovar e marcar
a referida partida neste curto espaço
de tempo. Aliás, mesmo a terceira
jornada está em risco, visto que será
marcada dentro de dias.
“Não nos compete convocar
AG na FMF”, Alberto
Nkutumula
Na conferência de imprensa concedida
na cidade da Beira, pelo CFB,
o Director Provincial da Juventude
e Desportos, Fernando Pinho,
associou-se ao clube, tendo acusado
a FMF de “ferir a verdade desportiva”.
Endiabrado e sem ter em conta a
sua posição governamental (não
pode interferir na gestão das federa-
ções), Pinho disse que “a FMF tem
de ser penalizada com a destituição
dos seus órgãos”, pelo que “propus
ao Ministro uma Assembleia-Geral
(AG) na FMF”, pois, “isto tem outras
implicações”.
Confrontado com a afirmação do
seu subordinado, o titular da pasta
da Juventude e Desportos, Alberto
Nkutumula, afirmou que não é sua
competência convocar AG, seja ordinária,
assim como extraordinária,
para discutir qualquer assunto, sublinhando
que este facto acontece
em situações em que uma federação
não realiza o encontro no período
estabelecido na lei.
Para Nkutumula, “é preciso que não
se crie mais confusão. É necessário
que se explique as pessoas o que
aconteceu porque o jogo já foi marcado
e não há mais nada a fazer”,
disse.
Falta de comunicação coloca o Ferroviário da Beira na iminência de disputar dois
jogos em Maputo
Enquanto, internamente, discute-se o culpado em relação à marcação
do jogo da segunda jornada para o Estádio Nacional do
Zimpeto, o Ferroviário da Beira estreia-se, esta noite, na Tuní-
sia, na fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos.
Pela frente, a equipa moçambicana terá o Étoile Sportive du Sahel,
a terceira maior equipa do futebol tunisino, com 10 títulos nacionais,
atrás do Espérance Sportive de Tunis (26) e do Club Africain (13).
A equipa tunisina é um cliente assíduo das competições africanas, tendo
já conquistado uma Liga dos Campeões (2007), duas Taças CAF
(2006 e 2015) e duas Supertaças Africanas (1998 e 2008).
Favorito a passar no grupo, o Étoile du Sahel soma, em nove jogos
disputados nos play-offs do campeonato local, 22 pontos, fruto de sete
vitórias, um empate e uma derrota, estando na segunda posição, atrás
do Espérance de Tunis (23 pontos). Refira-se também que vem de uma
sequência de quatro vitórias consecutivas, a última sobre o Étoile Sportive
Métlaoui, por 4-1, no último fim-de-semana.
O treinador dos “locomotivas”, Aleixo Fumo, conhece esta realidade e
diz que o jogo “será um bom teste, que temos encará-lo de frente” e a
equipa fará tudo o que estiver ao seu alcance.
Fumo sublinha que o Ferroviário da Beira é o elo mais fraco do grupo,
mas “queremos deixar marcas”, pelo que, “vamos fazer desta situação
uma oportunidade para podermos relançar o nome do país no panorama
futebolístico africano e mostrar os nossos jovens nesta montra.
Renato Caldeira destaca a falta de ritmo e experiência competitiva,
como factores que jogam contra a equipa moçambicana.
“O Étoile du Sahel é um clube que representa uma região que alia o
fanatismo religioso à paixão sem limites pelo futebol e, na cidade de
Sousse, todos os corações vibram ao ritmo daquela equipa”, diz.
Por isso, Caldeira entende que o campeão nacional deve ser muito
forte mentalmente, sobretudo nos primeiros
minutos que vão ser de autêntico
sufoco.
“O sonho de amealhar três pontos ficará
reservado para os jogos em casa”, sublinha.
Refira-se que o Ferroviário da Beira chega
a esta fase, após eliminar o Barrack
Young Controllers, da Libéria, e o Zimamoto
de Zanzibar, enquanto o Étoile
du Sahel afastou apenas o AS Tanda, da
Costa do Marfim.
Ferroviário da Beira estreia-se, hoje, diante do
Étoile du Sahel
O início de uma
missão espinhosa
“Devemos ser fortes
mentalmente”, - Renato Caldeira
Savana 12-05-2017 23 PUBLICIDADE DESPORTO
24 Savana 12-05-2017 CULTURA
Ofamoso subúrbio, Chamanculo,
decidiu recentemente
homenagear um
dos mais honrados filhos
da casa, o músico, compositor e
produtor Carlos Gove, carinhosamente
tratado por “Carlitos” pelos
mais antigos e novos residentes.
Com um carisma natural, simpatia
e generosidade como suas características
principais, Carlitos é um
reconhecido filho de Chamanculo,
com a sua brilhante carreira a fazê-
-lo ser referência e inspiração para
o estilo de vida dos mais jovens e
uma visão sobre os potenciais de
Chamanculo, bairro de desportistas
e artistas versáteis, habituados
a singrar na vida com perseverança,
apesar das dificuldades.
Aos 53 anos de idade, Carlitos tem
uma carreira musical repleta de
brilhos, iniciada nos anos setenta e
que sempre pautou pela qualidade
nas suas composições, inclusive nas
bandas em que sempre integrou e
ajudou a criar. É co-fundador da
banda de afro-jazz Nondje, juntamente
com músicos de renome
como Júlio César e Paíto Tcheco,
trabalha em parceria com a cantora
Mingas, desde 2000 no projecChamanculo
homenageia músico Carlos Gove
to Vuka, agrupamento com o qual
tem acompanhado a artista nas suas
apresentações, além do que é mais
conhecido, como um dos mais antigos
integrantes (1983) e actual líder
da maior banda de Moçambique,
os Ghorwane.
Com todo este percurso e, sobretudo,
por inspirar a juventude suburbana
a seguir os seus sonhos e
projectos, Carlos Gove merece a
homenagem pelo bairro onde nasceu
e se formou como homem de
carácter e com uma personalidade
que se distingue em qualquer posiOFestival
Literatas 2017 já
tem datas marcadas. Será
nos dias 6 a 8 de Outubro
no Auditório Municipal
700, na Matola, e tem como seu enredo
principal o continente africano
sob o lema “Pensar Identidades”.
Com efeito, artistas e líderes de redes
culturais de vários países africanos
já confirmam presenças no Festival,
com o principal destaque para Angola,
África do Sul, Tanzânia além da
já habitual presença, desde 2015, do
Brasil.
A acontecer pela terceira edição
consecutiva, em periodicidade anual,
o Festival Literatas é um evento
artístico e cultural de promoção da
diversidade e diálogo intercultural.
O evento já constitui uma referência
no panorama cultural nacional e com
influência internacional, ao tornar na
Matola uma cidade de artes no perí-
odo da sua realização.
Com uma característica multifacetada
e alimentada por uma diversidade
na sua programação, o Festival Literatas
em 2017 manterá a sua tendência
de celebrar a cultura de ler através
de várias expressões artísticas, desde
o teatro, dança, cinema, música e artes
visuais, além das feiras de livros,
artesanato e gastronomia.
Neste ano e por se inspirar no continente
africano, o festival terá uma
presença assinalável de artistas dos
países africanos, sobretudo da região
austral, com participações já confirmadas
de países como Angola, África
do Sul, Brasil, Tanzânia e Zimbabwe,
além de uma visão de maior inclusão
de artistas nacionais, à semelhança
das suas edições anteriores que já
contou com escritores da cidade da
Beira e Nampula.
Ao escolher o continente africano
como seu foco de temática para o
presente ano, o Festival Literatas
efectiva o seu plano de afirmar-se
como um evento de importância na
esfera artística nacional e regional,
fortalecendo o diálogo intercultural
entre artistas moçambicanos e do
continente, sobretudo, dos países vizinhos.
Por outro lado, a decisão vem da necessidade
de internacionalização da
literatura e de outras manifestações
artísticas nacionais, visto que na região
é fraco o conhecimento de obras
moçambicanas, apesar da vizinhança,
tendo como principal barreira a língua.
Neste momento, a organização já de-
finiu o mês de Julho para a apresentação
oficial dos principais atractivos
do evento, que a partir deste mês de
Maio tem várias actividades programadas,
desde formação em áreas artísticas
a alunos da província de Maputo
e ainda um concurso artístico
nesta parcela do país.
Em Março deste ano, a direcção do
Festival Literatas já foi recebida pelo
ministro da Cultura e Turismo, Silva
Dunduro, ao qual foi endereçado
oficialmente o convite para dirigir a
cerimónia de abertura em Outubro.
O Festival Literatas 2017 é uma realização
da Associação Movimento
Literário Kuphaluxa e conta com a
parceria do Governo da Província
de Maputo, Conselho Municipal da
Cidade da Matola, entre outros parceiros.
A.S
“Pensar Identidades”
no Festival Literatas
ção que se encontre.
O acto ocorreu no Chamanculo
Guêzi Fest, um festival social e
cultural realizado pela primeira vez,
pela Casa das Artes em parceria
com o Centro Cultural Americano
e Conselho Municipal da Cidade
de Maputo, visando a inclusão social,
diálogo e solidariedade através
das artes e intercâmbios, promovendo
a expressão criativa de um
dos maiores subúrbios de Maputo,
Chamanculo.
Guêzi, palavra em ronga que signi-
fica “luz”, tem como seu principal
o presente, e que a forma como o
colonialismo português é visto tem
tanto de brandura como de ilusão.
São estas as palavras da equipa de
programação do Festival.
Uma Memória em Três Actos do
realizador Inadelso Cossa é um
ensaio aristotélico e poético pós-
-colonial que explora as narrativas
dramáticas da memória colectiva e
do trauma pós-colonial onde personagens
anónimos da história fazem
uma jornada em busca da terapia
para se exorcizarem do fantasma
colonial e encontrar uma possível
reconciliação com o passado hoje.
Num estilo híbrido experimental
entre a ficção e o documentário, o
filme propõe um retrato contemporâneo
da história de Moçambique
em três actos.
Inadelso Cossa é um realizador e
produtor da nova vaga de cineastas
moçambicanos.
É realizador do filme designado
Xilunguine, A Terra Prometida
vencedor do Prémio Estação Imagem
Mora para melhor documentário
no FIKE - Festival Internacional
de Curtas Metragens de
Évora, em 2013 e prémio do júri
no Festival do filme etnográfico do
Recife, além de ter participado em
festivais como Berlinale, Locarno
e Seattle! O filme uma Memória
em Três Actos é o seu primeiro
documentário de longa metragem
e o último da sua trilogia sobre a
“Memória”. Iniciado em 2010 com
o filme Xilunguine – A Terra Prometida.
Refira-se que o filme também
foi seleccionado para o Seoul
Human Rights International Film
Festival a decorrer em Junho na
Coreia do sul.
A.S
propósito fazer acreditar na qualidade
de vida da infância e da juventude
no meio suburbano, através de
boas práticas em artes, desporto,
saúde, ambiente e diálogo. Daí o
lema escolhido ser “Tu podes fazer
melhor”.
Pretende-se com o Guêzi criar um
movimento para a motivação das
comunidades a pautar por uma
convivência harmoniosa, tolerante
e democrática, através de acções de
liderança juvenil, diálogo, respeito
pelas diferenças, preservação do
meio ambiente, atitudes expressadas
por via da práticas artísticas,
culturais e desportivas.
O movimento teve o seu arranque
no dia 22 de Abril, com actividades
desportivas com crianças da
comunidade local, e ainda pintura
de murais no espaço que vai acolher
o Festival e a própria cerimónia de
homenagem.
Carlos Gove, nascido no Hospital
de Chamanculo aos 30 de Junho
de 1964, antes Lourenço Marques,
inicia a sua carreira musical nos
anos 70, concretamente na província
de Inhambane onde cria com
amigos aquela que seria a sua primeira
banda musical com o nome
“Os Surpreendentes” que tocava
em casas de pastos música de vários
países.
Em 1983, regressa a Maputo onde
é convidado participar na formação
daquela que seria uma das maiores
bandas da actualidade “Ghorwane”,
banda de que é líder neste momento.
2008/10 - É nomeado membro de
júri dos prémios do Fundo para o
Desenvolvimento Cultural e Artístico
(FUNDAC), na área de música.
Fez actuações por vários países do
mundo desde o continente africano,
europeu, americano e asiático,
concretamente, Zimbabwe, Suazilândia,
Portugal, França, Inglaterra,
Brasil, Eslovénia, Checoslováquia,
Alemanha, Finlândia, Coreia do
Norte, Espanha, Áustria, África do
Sul, Costa de Marfim, Noruega,
etc.
Neste momento, trabalha também
no seu próprio projecto “Massone”,
língua Chope, traduzido para português
significa “Em Frente”, editado
em disco em 2013, com temas
a favor da rapariga, uma crítica social
para alertar sobre o abandono
escolar pela rapariga como consequência,
várias vezes, dos casamentos
prematuros.
A.S
“Uma Memória em três actos”
no Indie Lisboa 2017
Depois da sua estreia mundial
na meca dos documentários,
o Prestigiado
IDFA – International
Documentary Festival Amsterdão
2017 na capital Holandesa, Amsterdão,
e Goteborg International
Film Festival na Suécia, o mais
recente filme do realizador Inadelso
Cossa segue agora para o Indie
Lisboa - Festival Internacional do
Cinema Independente de Lisboa
2017, evento que vai na sua 14 edi-
ção e decorre de 4 a 14 de Maio na
capital portuguesa, Lisboa. O filme
Uma Memória em três Actos faz a
sua estreia portuguesa neste festival
que selecciona o melhor do cinema
independente de todo o mundo.
Este ano, o festival tem programada
uma série de filmes de autor e
independentes, sendo o filme de
abertura, intitulado
“Colo” da realizadora
Teresa vila Verde
e o filme de fecho
“I am Not Your Negro”
de Raoul Peck,
este último vencedor
do Óscar para
melhor Documentário
este ano.
O filme Uma Memória
em Três Actos
foi programado
para a secção especial
- Alt. Cinema
onde com outros
quarto filmes se
pretende reflectir
sobre a história e
Carlos Gove em plena actuação
Dobra por aqui
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1218 ‡ DE MAIO DE 2017
2 Savana 12-05-2017 SUPLEMENTO Savana 12-05-2017 3
Savana 12-05-2017 27 OPINIÃO Abdul Sulemane (Texto) Ilec Vilanculos (Fotos) Quando se fala da liberdade de imprensa e de expressão no país, a primeira coisa que
nos vem à mente é que as instituições públicas têm dificuldade de fornecer informação
para o conhecimento público.
Recordei-me dum aspecto que foi levantado aquando do debate alusivo ao Dia
Internacional da Liberdade de Imprensa em que alguns chefes de alguns órgãos de
comunicação social censuram o trabalho dos seus colegas, alegadamente porque determinados
assuntos não podem ser divulgados, para defender certos interesses.
São esses mesmos dirigentes, que devem incentivar e promover a cultura de liberdade de imprensa
e de expressão, que, entretanto, atropelam as suas causas, obrigações e deveres. Não é por
acaso que o constitucionalista sul-africano, Albie Sachs, fala de olhos fechados com Ernesto
Nenane, Director Executivo do MISA-Moçambique, em sinal de expressão de sentimento de
amargura sobre o que acontece no seio da imprensa nacional.
A imagem que o nosso Governo tem apresentado nos últimos tempos, para a comunidade nacional
e internacional em termos de procedimentos democráticos, está longe do desejado. O assunto
das dívidas ocultas está longe de terminar. Talvez termine numa gaveta do esquecimento
como muitos assuntos candentes do país que foram arquivados.
Mas o assunto ainda deixa algumas figuras preponderantes do país com preocupação, isso
é verdade. Por isso vemos nesta segunda imagem o antigo estadista moçambicano, Joaquim
Chissano, a comentar alguns aspectos sobre a situação do país ao Primeiro-ministro, Carlos
Agostinho do Rosário. Este último escuta atentamente. O que será que Chissano está a dizer?
Quem nos dera saber.
Mesmo a falar de assuntos sérios, há quem tem a capacidade de usar os seus conhecimentos
em termos de dramaturgia para se expressar de forma mais eloquente. Reparem a forma teatral
como o Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, Flávio Menete, fala. Isso deixa
o Presidente da Associação dos Juízes de Moçambique, Carlos Mondlane, empolgado.
O Presidente da República, Filipe Nyusi, realizou visitas a várias instituições públicas na capital
do país e constatou muitas irregularidades, como é de costume. Quando chegou a vez do
Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social, parece que os dirigentes não se intimidaram.
Não é por acaso que a respectiva ministra, Vitória Diogo, e seu vice, Oswaldo Peterburgo,
optaram por preparar uma indumentária para receber o presidente. Até tiveram tempo
para ensaiar uns passos de dança. Talvez por saber que Nyusi também gosta de dar o gosto ao pé
quando tem oportunidade. Ou será que quem não tem nada a temer fica à vontade, chegando
ao ponto de dançar. Quem sabe é uma nova forma que os ministros deste país descobriram
para receber a visita do Presidente da República? E se a moda pega não imaginamos ver alguns
ministros exibirem seus passos de dança. Gostaríamos de ver essa nova tendência mais vezes.
Esse cenário de dança dos ministros desencadeou escárnios para alguns. Não foi por acaso que
o Jornalista Rogério Sitoe e o docente universitário José Castiano, na quarta imagem, desataram
a sorrir em debandada como se concordassem com a ideia de ir gracejar longe daquele
local, sob o risco de serem marcados negativamente pelos ministros dançarinos.
O que podemos fazer?
IMAGEM DA SEMANA
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz EF.BJPEFt"/099*7t/o
1218 Diz-se... Diz-se
Numa das suas mais recentes
aparições, o Parlamento
Juvenil (PJ)
mostra-se preocupado
com o crescimento do endividamento
do país, que considera ser
um legado penoso para a juventude
moçambicana. Numa carta
enviada ao representante do
Fundo Monetário Internacional
(FMI), em Maputo, a que o SAVANA
teve acesso, aquele movimento
de advocacia em prol dos
direitos e prioridades dos jovens
questiona o posicionamento do
FMI face às dívidas moçambicanas.
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Endividamento do país
Carro da Polícia a ser transportado para Ilha de Inhaca
PJ interpela FMI
Savana 12-05-2016
EVENTOS
1
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EVENTOS
Barclays cresce rapidamente
em Moçambique
O
Barclays Bank Moçambique (BBM) foi distinguido
recentemente, pela publicação internacional da área
bancária e financeira, Global Banking and Financing
Review, como o “Melhor Banco de Serviço ao Cliente,
em Moçambique”, “Banco Corporate com o Crescimento
Mais Rápido em Moçambique” e “Banco Comercial com
o Crescimento Mais Rápido em Moçambique”. Ainda este
ano, foi reconhecido, pela publicação Finance Digest, como
“Marca de Excelência, no Crescimento de Banca de Retalho”,
em Moçambique.
De acordo com o banco, os prémios reflectem a estratégia e o
posicionamento que adoptou nos últimos anos, tendo vindo
a solidificar a sua posição de banco de confiança e de relação,
numa estratégia clara e devidamente alicerçada num banco
moderno e focado no cliente. O seu compromisso em ser um
banco de excelência em Moçambique e a exigência contínua
dos clientes levaram-no a efectuar melhorias significativas, a
investir em novas tecnologias e inovação, e não menos importante,
na formação do seu quadro, o que, por sua vez, resultou
num serviço ainda mais focado no cliente e numa simplifica-
ção significativa de processos.
Prestes a celebrar os 40 anos de existência, os resultados de
2016, recentemente publicados, mostram o quanto o banco
tem vindo a crescer no mercado nacional.
Ainda este ano, o Barclays Africa Group, um dos maiores
grupos financeiros do continente, foi igualmente distinguido
pela prestigiada revista African Banker, com o prémio de
“Melhor Banco de Investimento” e “Melhor Banco Comercial”,
na região da África Subsariana.
“Temos essa enorme responsabilidade e orgulho em fazer
parte da história e do seu desenvolvimento económico e
social, apoiando empresas e particulares, nacionais e estrangeiros,
a crescer e a prosperar. Acreditamos que temos um
papel único neste mercado, dada a nossa dimensão e presença
geográfica local, regional e internacional, enquanto um dos
maiores bancos do Mundo a operar em Moçambique”, disse
Sérgio Inglês, responsável de Comunicação do Barclays Bank
Moçambique.
Savana 12-05-2017 EVENTOS
2
CDM e PRM juntam sinergias
P
elo menos 350 profissionais
da empresa Cervejas
de Moçambique (CDM)
foram capacitados durante
o mês de Abril do ano em curso,
em matérias ligadas à segurança
no trabalho e segurança rodoviária
pela Polícia da República de Mo-
çambique (PRM) - Departamento
de Trânsito do Comando Geral da
Polícia.
A acção insere-se no âmbito da
parceria existente entre a CDM
e PRM que pretende reduzir a
sinistralidade rodoviária e acidentes
de trabalho. No passado dia
28 de Abril passado, celebrou-se
o dia mundial Segurança no Trabalho
e, em Moçambique, essa
temática continua preocupante. A
preocupação contínua deve-se aos
números apresentados, a título de
exemplo, o ano passado registou
um total de 495 casos de acidentes
de trabalhos, dos quais 14 resultaram
em morte. Relativamente aos
acidentes rodoviários, a AMVIRO
- Associação Moçambicana das
Vítimas de Insegurança Rodovi-
ária (AMVIRO) referiu que, em
2016, pelo menos 1.379 pessoas
O
bairro da Mafalala é o
centro de debates acesos
sobre história, turismo
e património cultural.
Com efeito, o bairro tem
sido uma preferência de debate
em diversos eventos internacionais.
Só na última semana, foi
lançado em Minas Gerais, no
Brasil, o livro “Mafalala: Memórias
e Espaços de um Lugar”,
que versa sobre um dos mais
emblemáticos bairros suburbanos
de Moçambique.
O lançamento do livro no Brasil,
que contou com a presença
de Rui Laranjeira, co-autor da
obra, estava inserido na programação
da 12ª Feira Nacional
do Livro de Poços de Caldas e
Flipoços 2017 (FLIPOÇOS),
que este ano homenageia Mo-
çambique.
Da iniciativa da Associação
Iverca e Centro de Estudos Sociais
da Universidade de Coimbra,
é a primeira obra moçambicana
que se foca no património
existente na periferia e explica
toda uma componente urbana,
social e cultura.
Um outro evento de dimensão
internacional decide incluir na
sua curadoria o bairro da Mafalala.
Trata-se da Segunda Reunião
Transnacional de Peritos
Africanos – AfrolInnova, que
terá lugar de 14 a 20 de Maio
corrente, na Cidade de Cali,
Colômbia.
Nesta reunião, o presidente da
Associação IVERCA, Ivan Laranjeira,
será um dos oradores.
Laranjeira vai neste encontro
partilhar a experiência de ter
criado um modelo de turismo
no bairro da Mafalala (Mafalala
Walking Tour) e por desenvolver
projectos que oferecem soluções
eficazes a problemas reais
da sua comunidade.
Tomando parte desta conferência,
a IVERCA dá mais um passo
para a internacionalização do
seu trabalho e criar uma maior
coesão com os diferentes actores
culturais ao nível mundial.
Aliás, esta é uma das linhas
orientadoras do Plano Estratégico
da organização dirigida
por Ivan Laranjeira, que abarca
igualmente a criação de programas
de cooperação institucional
dentro e fora do país.
Mafalala na boca
do mundo
morreram devido a 1.991 acidentes
de viação ocorridos em todo o
território nacional.
De acordo com o director de Departamento
jurídico e Assuntos
corporativos da CDM, Hugo Gomes,
“esta formação enquadra-se
no âmbito de várias acções que a
empresa tem estado a desenvolver
no sentido de educar e alertar para
os principais riscos negligenciados
no local de trabalho. Esta formação
visa garantir que se observe as mais
elementares regras de segurança,
incluindo quando nos fazemos às
estradas.”
Refira-se que esta é a primeira fase
de treinamento a nível das três
fábricas existentes que compõem
a maior empresa de produção de
bebidas alcoólicas a nível nacional.
Savana 12-05-2016
EVENTOS
3
Savana 12-05-2017 EVENTOS
4
VENDE-SE Ponta D'Ouro
MORADIA UNIFAMILIAR DO TIPO 5 COM
GARAGEM E JARDIM PRIVATIVO
No âmbito do processo de liquidação do NOSSO BANCO, SA, a Comissão Liquidatária
vem, por este meio, convidar todos os interessados a submeterem propostas para
aquisição desta Moradia localizada na Ponta D'Ouro.
Maputo, aos 17 de Abril de 2017
Área de construção: 400 m²
Área do terreno: 2.000 m²
As propostas deverão ser submetidas, em carta fechada, à Comissão
Liquidatária do NOSSO BANCO, SA - Sociedade em Liquidação, na Av.
24 de Julho, nº 3549, Edifício – Sede do INSS, 4º Andar, até às 16:00
horas do dia 16 Maio de 2017, em Maputo.
A abertura pública das propostas será realizada às 16:30 horas do
mesmo dia e no mesmo local.
Mais informações poderão ser obtidas no mesmo endereço, das 8:00
às 17:00 horas, ou pelo contacto 21407979/80.
Preço de referência: 14.560.000,00 MT (catorze milhões, quinhentos e sessenta
mil meticais)
SOCIEDADE EM LIQUIDAÇÃO
4
2
5
COMISSÃO LIQUIDATÁRIA
Savana 12-05-2016
EVENTOS
5
Joel Chiziane
“Sempre que chega este dia dentro
de nós nasce um forte sentimento,
um misto de tristeza e saudade de
alguém que partiu deixando um vazio.
As pessoas especiais que partem
da nossa vida, nunca nos deixam por
completo, este consolo junto com
as memórias do que vivemos juntos
carregamos durante estes cinco
anos e nos dá forças para continuar
em frente.
Eterna saudade Joel Chiziane.
Mensagem da família Chiziane
11/05/2017
O
Standard Bank lançou,
nesta quinta-feira, em
todo o País, uma campanha
para divulgação dos
benefícios que os cidadãos têm ao
subscrever uma conta bancária.
Nesta campanha, o Standard Bank
apresenta como algumas das vantagens
de uma conta corrente, o
seguro de protecção de salário,
seguro de vida, seguro de viagem,
plano tranquilidade e plano hospitalar,
que protegem de várias situações
inesperadas do dia-a-dia.
Igualmente, como benefícios de
subscrição à conta corrente, o banco
apresenta a possibilidade de realizar
transacções de forma rápida
e segura com recurso ao QuiQ,
NetPlus (Internet Banking), NetPlus
App (Mobile Banking), Kiosque
Digital, bem como efectuar
Standard Bank lança campanha sobre
benefícios bancários
transacções bancárias através da
Linha do Cliente, disponível 24
horas por dia, incluindo feriados.
Através desta campanha, é possível
perceber o contínuo investimento
do banco na qualidade de serviço
prestado, para que os clientes tenham
uma experiência única em
qualquer ponto de atendimento.
Savana 12-05-2017 EVENTOS
6
Beira e Dondo
Caros assinantes do jornal SAVANA
Pede-se o favor de contactar os nossos escritórios da sede-Maputo
pelos Nºs 21 301737, 82 3171100, 84 3171100 ou pelo e-mail:
admc@mediacoop.co.mz para tratar de assuntos de vosso interesse.
A Direccao
Cine-Gilberto Mendes
Sextas, Sábados e Domingos, 18h30
“Pátria de Esperança”
Maputo Waterfront
Todas Sextas, 19h
Jantar Dancante com Alexandre Mazuze
Todos Sábados, 19h
Música com Zé Barata ou Fernando Luís
Xima Bar
Sexta, 12/05/17 22h Ntumbuluku Project
Sábado, 13/05/17 22h Os GALTON’s
Chefs Restaurante
Todas Sextas, 19h Música ao vivo
Savana 12-05-2016
EVENTOS
7
A
TDM - Telecomunicações
de Moçambique, SA participa
de 10 a 14 de Maio
corrente, através do seu presidente
do Conselho de Administra-
ção, Virgílio Ferrão, no 25º Fórum da
Associação Internacional de Comunicações
de Expressão Portuguesa.
O Fórum vai debater o Desenvolvimento
Digital, Correios e Encomendas,
bem como o Estado e
D
ecorreu, recentemente
em Maputo, a IX Cerimónia
de recepção e integração
de estudantes
à vida académica, da Universidade
Pedagógica (UP). O evento,
organizado pela Associação de
Estudantes da UP e sob o lema
“Juntos fazemos a diferença”,
foi orientado pelo Reitor da UP,
Jorge Ferrão, e teve como oradores
o Jornalista Salomão Moyana
e o músico Stewart Sukuma.
BCI premeia estudantes da UP
Falando na ocasião, Ferrão salientou
a importância do livro e da
leitura como ferramentas imprescindíveis
para a aquisição e aprofundamento
do conhecimento.
Moyana e Sukuma partilharam a
sua visão e expuseram os desafios
para a formação de jovens universitários.
Para o BCI, a premiação dos estudantes
enquadra-se no âmbito
de parceria inter-institucional e
visa encorajar os jovens estudantes
a realizarem a sua formação
superior com distinção, numa das
A
Movitel, empresa de telefonia móvel, em Moçambique,
inaugurou na passada sexta-feira, na cidade de Maputo,
mais uma loja de atendimento ao cliente e ao público em
geral. Este acto representa a crescente preocupação da operadora
em responder às preocupações cada vez mais crescentes dos
seus subscritores.
Falando minutos depois da abertura da nova loja, o Director da Filial
de Maputo, Elvis Chichava, afirmou que uma vez mais é aberto
mais um canal de distribuição dos produtos e serviços da Movitel,
que contribuirá para a resolução de diferentes preocupações experienciadas
pelos clientes da Movitel.
“A Movitel inaugura esta loja num momento em que completa mais
um ano de operações no mercado de telecomunicações em Moçambique,
sendo que para celebrar com os seus clientes, lançou nesta
loja uma promoção que irá correr do dia 5 a 20 de Maio”, disse.
Com efeito, todos os primeiros 100 clientes que efectuarem qualquer
transacção na nova loja no Super Marés recebem automaticamente
um cartão MoviKool no qual irão beneficiar de 200 minutos
de chamadas, 500 MB e 50 SMS para utilizar por um mês e com
possibilidade de renovação. A segunda promoção lançada oferece
aos primeiros 20 clientes um desconto de 35% na compra de um
Samsung J1. Portanto, dos actuais 8500 MT para 5000 MT.
instituições de referência no país,
com a qual o BCI possui estreitos
laços.
Refira-se que, no quadro da parceria
existente, o BCI apoia a
equipa sénior de futebol da Universidade
Pedagógica de Lichinga,
único representante da província
do Niassa no Moçambola
edição 2017. Mais ainda, as duas
instituições celebraram, ano passado,
protocolos que permitem
aos estudantes da UP beneficiar
de novas soluções integradas para
o pagamento de serviços. Com
a adesão da UP ao sistema de
Pagamento de Serviços BCI, os
estudantes e os respectivos encarregados
de educação têm acesso
aos seguintes meios de pagamento
daki, via Celular (Conta à Ordem/Conta
Móvel); via ATM; via
Internet (eBanking/App); e em
Agência.
Movitel expande serviços
Tendências das Comunicações.
Participam no encontro, a ter lugar
em Brasília, para além do país anfi-
trião, Angola, Cabo-Verde, Guiné
Bissau, Moçambique, Portugal, São
Tomé e Príncipe e Timor Leste.
São membros da AICEP, por parte
de Moçambique para além da TDM,
Correios de Moçambique, mCel, Vodacom,
INCM, Soico e TV Cabo.
TDM participa no Fórum das
Comunicações Lusófonas
Savana 12-05-2017 EVENTOS
8
A Vodacom procedeu, nos
dias 4 e 5 de Maio, à doa-
ção de um total de 240Kg
de sementes aos agricultores
da cidade de Xai-Xai e distrito
Chókwè, um acto que demonstra
o contínuo envolvimento da operadora
com o sector da agricultura,
ajudando as comunidades locais a
enfrentar as dificuldades com as
colheitas.
As cerimónias de entrega das sementes
contaram com a participa-
ção de vários agricultores e representantes
locais, que receberam a
equipa da Vodacom, representada
por Lucas Chachine, em total envolvimento
com as necessidades e
preocupações dos municípios.
Na ocasião, Lucas Chachine falou
sobre a importância destas
iniciativas para as comunidades
locais: “ajudámos Xai-Xai e depois
Chókwè, na esperança de que
o resultado do compromisso da
Vodacom no desenvolvimento do
sector da agricultura na província
de Gaza seja visível nos próximos
meses. O nosso país está a atravessar
vários desafios e a Vodacom
sabe que tem um papel bastante
activo na luta pela superação
desses entraves. É por isso que a
agricultura, a saúde e a educação
andam sempre no topo das nossas
prioridades!’
A Vodacom é um suporte recorrente
no apoio ao sector da agricultura,
actuando no seio de várias
comunidades locais. Mantendo
uma política de responsabilidade
social activa, a operadora, líder no
mercado das telecomunicações,
procura ajudar nas mais áreas cultivadas
nesta província, dinamizando
a agricultura local e criando
mais condições de subsistência.
A
Mozal procedeu à entrega formal do equipamento agrícola ao Instituto
Agrário de Boane (IAB). O equipamento composto por tractor
e alfaias agrárias e material didáctico, destinados aos estudantes de
agropecuária, “vai dinamizar a realização das aulas práticas para o
curso de Mecanização agrícola, aulas de módulos do curso agro-pecuário,
bem como incrementar a produção produtividade e melhoria da dieta alimentar
dos alunos”, Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino
Superior e Técnico Profissional, Jorge Nhambiu.
Falando à margem do evento que teve lugar segunda-feira, Jorge Nhambiu
recomendou a direcção do IAB a criar parcerias e desenvolver actividades
de geração de renda para o auto-sustento, sem perder de vista a actividade
principal que é a formação.
É expectativa do ministro, que se capitalize o investimento observando as
regras de uma correcta utilização, manutenção, reparação e até a reposição de
tudo quanto seja necessário.
De acordo com o dirigente, o governo de Moçambique definiu como estratégia
para a erradicação da pobreza e a elevação do nível de vida dos moçambicanos
a aposta na educação e na formação dos seus recursos humanos, e o
Ensino Técnico Profissional, subsistema de que é parte o Instituto Agrário
de Boane, com a responsabilidade crucial de formar mão-de-obra qualificada
para os diversos sectores económicos e sociais em particular para a agricultura.
É neste contexto que o processo de Reforma da Educação Profissional em
curso, em parceria com o sector privado, a sociedade civil e comunidade internacional,
faz com que todas as políticas, programas e planos estratégicos
de educação apontem no sentido da modernização do sistema de educação
técnico profissional para o alcance da promoção do desenvolvimento econó-
mico e social do país.
Por sua vez, o Director do IAB, Valentim Miguel, referiu que, desde o ano
lectivo de 2010, está em curso a implementação das novas qualificações, isto
é, currículo baseado em padrões de competências, com objectivo de conferir
conhecimentos, habilidades e atitude, pressupostos indispensáveis na qualidade
do ser humano. Daí a existência de qualificações compostas por quatros
pilares, nomeadamente: habilidades genéricas; habilidades vocacionais
obrigatórias; habilidades vocacionais opcionais e habilidade de experiência e
trabalho e projectos integrados.
“Importa referir que o Instituto Agrário de Boane tem a missão de formar
técnicos qualificados de ramo agrário, através dos cursos de agro-pecuária.
A instituição conta hoje com uma população estudantil de cerca de 350 dos
quais um pouco mais da metade são mulheres, sinal claro do papel da mulher
moçambicana nos processos de desenvolvimento nacional se tivermos em
conta que agricultura é a base de desenvolvimento de Moçambique”, disse
Valentim Miguel.
Nhambiu insta IAB a dinamizar
de aulas de agropecuária
Vodacom apoia
agricultores em Gaza
O
BancABC Moçambique,
parte do Atlas Mara, anunciou
os seus resultados fi-
nanceiros referentes ao ano
de 2016, onde registou um Rácio
de Solvabilidade de 24% e Capital
superior a 1.99 mil milhões de meticais.
O desempenho do banco indica, por
outro lado, um aumento da receita
bruta em 47% para 1.7 mil milhões
de meticais e um lucro líquido no
valor de 136 milhões de meticais,
consubstanciando, deste modo, um
crescimento de 235 por cento face
ao prejuízo de 101 milhões de meticais
registado em 2015.
O retorno sobre o capital próprio do
Banco aumentou para 5.8% (2015:
- 6.3%) e foi impulsionado por um
forte desempenho em todas as linhas
de negócio. Este rácio foi parcialmente
diluído pelo aumento de
capital no valor de 750 milhões de
meticais, no final de 2016, em fun-
ção da ambição e do compromisso
do Grupo Atlas Mara com as operações
em Moçambique.
O banco refere que a carteira de
empréstimos diminuiu em 13%
para 5.7 mil milhões de meticais,
em parte devido ao foco da administração
para melhorar a qualidade
da sua carteira de créditos e garantir
empréstimos sustentáveis em 2016.
Esta opção contribuiu para a redu-
ção dos créditos malparados para
9.2% (2015:11.2%) e para o aumento
da taxa de cobertura para 94%.
BancABC aumenta receita bruta em 47%
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