terça-feira, 2 de maio de 2017

HÁ um ano, eram descobertos corpos de jovens semi-nus entre Gorongosa e Macossa.

"Há dias, entretanto, foi anunciada a conclusão da autópsia realizada em apenas 11 corpos, que inclusive trás à superfície a identidade de cada cadáver e as causas que estiveram por detrás das mortes"

Bate-fundo por salvador raimundo
 um ano, eram descobertos corpos de jovens semi-nus entre Gorongosa e Macossa. Deu pano para manga.
O tradicional ping-pong político no apurar de responsabilidades na chacina.
Enquanto as pedras eram atiradas para o telhado envidraçado do arqui-rival, a Polícia corria a enterrar os corpos, sem obedecer critérios aconselháveis nestes casos. Acabaria por corrigir o erro mercê do avolumar das queixas.
Há dias, entretanto, foi anunciada a conclusão da autópsia realizada em apenas 11 corpos, que inclusive trás à superfície a identidade de cada cadáver e as causas que estiveram por detrás das mortes.
Cabe, agora, à Procuradoria Provincial de Manica – entidade requisitante da autópsia - anunciar, em pormenor, os resultados das mesmas. E há quem não vé a hora de serem anunciados. A demora inquieta e muito…
Se calhar por estas alturas, politicamente não valha a pena trazer à tona os dados. O Governo e a Renamo andam tão comprometidos com paz efectiva e duradoura, que qualquer que seja o resultado pode beliscar o processo negocial.
Porque, até prova em contrário, as mortes têm motivações políticas – com as vítimas, consta, copiosamente torturadas antes de virarem cadáveres.
Na altura dos acontecimentos, para além de aquela região ter sido caracterizada pelo ‘bang-bang’ para aqui e para acolá, uma manifestação pacífica (?) estava em vias de acontecer, visando destronar dos governos provinciais.
Como se uma manifestação pacífica fosse suficientemente capaz de forçar um Governo a se deixar cair.
Há que investigar isto. Pena que só o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) quebra o silêncio por uma investigação aturada para que, finalmente, se saiba a verdadeira causa e os promotores de tamanha matança.
DURO golpe no estômago das chefias militares na sequência da decisão política de fazer recuar a tropa na Serra da Gorongosa.
Durante meses a tropa governamental esteve à beira dos bunker’s e túneis de Dhlakama e seus estrategas, terreno difícil de conquistar e que terá custado vidas.
Ganhos no terreno militar que, num ápice, são prescindidos por uma causa nobre que é a paz efectiva e duradoura.
É por esses valores supremos que a tropa se vê obrigada a recuar, depois de uma primeira pressão exercida pela Renamo, ano passado, para que a tropa recuasse.
Urge que a paz se efective, para que os homens hoje obrigados a recuar se sintam homenageados e não cabisbaixos, como parece, por estas alturas.
Mas, convém dizê-lo, este recuo acaba sendo bem vindo por parte dos militares, longe dos seus e entregues a armadilhas de Dhlakama, num terreno que muito bem conhece de memória.
Para isso, aliás, elegeu a zona para se fixar. 41
EXPRESSO – 02.05.2017

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