sexta-feira, 5 de maio de 2017

Culpa, responsabilidade e hipocrisia

Culpa, responsabilidade e hipocrisia
Andam aí discussões interessantes sobre o papel de Portugal na escravatura. Começaram com a oportunidade que o Presidente português perdeu em Gorée de pedir desculpas em nome do seu país pela escravatura e continuaram mais recentemente com um texto curioso duma articulista portuguesa, Maria João Marques, com o título “Não tenho culpa da escravatura. E não pago”. Reproduzo o texto mais abaixo. O que torna esta discussão interessante não são algumas das posições extremas que são apresentadas, isto é arrogância estúpida (como é o caso do referido texto) e anti-racismo fanático. É, sim, algo que os intervenientes na discussão não estão a conseguir articular, pelo menos em minha opinião, e que é central a toda a discussão. Refiro-me ao que comumente chamamos de “valores ocidentais”.
Explico-me. Há algum tempo que venho reflectindo sobre a noção de “Eurocentrismo”. Para muita gente, o “eurocentrismo” significa algo como a manifestação europeia do etnocentrismo. Acho que esta definição não é boa. O “eurocentrismo” define-se melhor, em minha opinião, como a perversão dos valores europeus. Dito doutro modo, o que por razões históricas se tornou tipicamente europeu não foi exactamente a arrogância autista europeia, mas sim a proclamação, pelos europeus, daquilo que eles considerarm como sendo seus valores como algo não só de alcance universal como também como algo que define o universal. O “eurocentrismo” entra na equação quando os europeus nas suas práticas e nas suas proclamações entram sistematicamente em contradição com estes valores por si próprios declarados. Ou por outra, “eurocentrismo” não é impôr um padrão europeu como medida de tudo, mas sim não ter vergonha de violar o que se declara como sendo sua própria cultura quando convém.
Nesta ordem de ideias, o que é grave na ascensão duma direita radical anti-imigrante na Europa não é o seu manifesto desprezo por outras culturas e maneiras de viver. É o seu desprezo pela própria cultura, pelo menos por aquela cultura que é propalada aos quatro ventos e que impõe certas obrigações morais ao europeu, algumas das quais consistem em tolerar e respeitar a diferença, promover a responsabilidade individual e colectiva, defender princípios políticos que viabilizem a emancipação individual e protejam o que não sendo do foro colectivo corresponde à definição que cada um tem do bem estar individual. Em várias palestras que dei nos últimos dois anos sobre aquilo que eles chamam de “crise de migração” na Suíça e na Alemanha, tenho defendido uma posição que dá destaque a esta questão. Redefino a crise como uma crise europeia de valores que se manifesta numa tensão entre a ética e a política. Os valores humanitários cujos direitos de autor os europeus reclamam estão em tensão com o pragmatismo político com o risco de perderem votos. Quando sou convidado por comunidades religiosas cristãs para falar sobre estes assuntos e elas me falam de crise, eu pergunto apenas se elas deixaram de ser cristãs e se o amor ao próximo já não existe.
Não alinho muito com exigências “de-coloniais” – sobretudo quando são formuladas por pessoas com evidentes lacunas na leitura – no que diz respeito à inclusão de outras referências nos cânones disciplinares. Kant, Hegel e Locke, apesar dos seus pronunciamentos negativos em relação ao outro, são referências incontornáveis para qualquer um de nós. Há algo de profundamente pedagógico na constatação da maneira como mentes brilhantes como estas foram capazes de tamanhos deslizes. Mas o que resta da leitura não é esse momento negativo, mas a sua contribuição para uma outra maneira de pensar o mundo e, inclusivamente, pensar a relação com o outro. Césaire, Ngugi wa Thiongo ou mesmo Amílcar Cabral não seriam opção de leitura hoje se os racistas do Kant, Hegel e Locke não nos tivessem legado o seu pensamento. Não é, portanto, possível virar as costas a estes homens brancos mortos sem abandonar também uma parte importante do que tornou o pensamento decolonial possível e intelegível. O pensamento de-colonial para mim é, por mais incrível que pareça, a reafirmação dos valores que estes homens contribuíram para tornar visíveis. Ou é isso, ou não é nada, receio.
É a partir desta posição epistemológica que eu pelo menos olho também para a História. Olho-a de forma relaxada. O colonialismo e tudo aquilo que ele implicou, nomeadamente o comércio de escravos, a humilhação do outro, assim como a criação dum mundo que colocou em desvantagem estrutural todos os não-europeus, é uma afronta aos valores que os europeus defendem. Quem se identifica com estes valores não pode ficar à vontade com esta História. O mundo que o colonialismo produziu contradiz tudo o que estes valores defendem: a igualdade, a justiça, a solidariedade. Quando alguém fala deste passado sombrio em Portugal, na França ou na Grã-Bretanha só quem não conhece os valores que a sua própria cultura defende verá nisso um apelo ao sentimento de culpa. O apelo aqui é ao sentido de responsabilidade, algo central a estes valores.
Para mim a atitude de todos aqueles que dizem que não têm culpa da escravatura é, num primeiro momento, infantil e, num segundo momento, oportunista. É infantil porque quer usufruir do poder sem sentido de responsabilidade e oportunista porque não se importa de tirar benefício das atrocidades cometidas por outros no passado mesmo sabendo que isso condenou algumas das pessoas com as quais hoje concorrem para muita coisa à desvantagem estrutural.
Eu podia ter nascido em Portugal ou na Alemanha de pais brancos. Não foi o caso. Nasci dos meus pais em Moçambique, percorro o mundo com o passaporte do meu país que me torna suspeito em muitos lugares, arranjo-me como posso numa língua que não é a minha, apesar de ser língua oficial no meu país, e preciso de fazer muito mais do que muitos dos meus colegas para poder estar em condições de concorrer melhor com eles. Não guardo nenhum rancor por isso, mas fico completamente atónito quando os vejo a não honrarem aquilo que os devia definir como indivíduos.
Mas se calhar isso é do pelouro da hipocrisia. O único preço possível para os erros da História é o recuo no tempo para fazer uma outra história e ter outros culpados. Como isso não é possível, o mínimo que se pode exigir é um pequeno sentido de responsabilidade, um valor profundamente europeu...

Nada tenho contra debates sobre a escravatura, nem investigação histórica sobre o tema. Mas vou já avisando que não tenho culpa nenhuma do que se...
observador.pt
Adriano Simão Uaciquete Como sempre: assertivo, claro, frontal e maningue nice na forma nao menos comum de nos ajudar a ver a realidade. Khanimanbo.

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· 20 h
Paulo Inglês
Paulo Inglês Pedro Schacht viste este texto Elisio Macamo.

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· 19 h
Rachel Vieira

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· 16 h
Rui Armando Matavele
Rui Armando Matavele Boa reflexao Prof. Acho que eh falta de consideracao pela Historia humana no geral, e ignorar as atrocidades do colonialismo e da escravatura em Africa, em particular eh uma aberacao. Agora, ela como pessoa, pode ter uma opiniao, mas nao me parece razoavel falar em nome do seu pais.

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· 15 h
Núria Duplovê Éne
Núria Duplovê Éne Ora aqui está uma abordagem inteligentissima! Vou roubar ;)

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Núria Duplovê Éne
Núria Duplovê Éne Não resultou ;)

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· 1 h
Elisio Macamo
Elisio Macamo deus não dorme.

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Alcídes André de Amaral
Alcídes André de Amaral A hipocrisia, a lúcidez ou a ignorância não tem cor e nem país oh, professor! Tudo depende da posição do indivíduo. É claro que a estrutura corrompe muitas vezes, mas é também claro que há individuos que não se deixam corromper assim de bandeixa. E não são poucos. Professor está mostrar isso neste seu texto. Ser culto, ser responsável ou ser irresponsável também não tem cor e nem país, depende do indivíduo... Então, continue a ensinar não o rancor, o ódio ou aplausos mas princípios e valores que, apesar de os europeus - alguns indivíduos europeus, se for rigoroso - terem proposto e o resto ter assumido tais valores, que podem ser TAMBÉM universais no sentido de que qualquer um, em grupo ou individualmente, pode fazer dele os seus! As pessoas precisam defender e promover os valores não andarem por ai apontando violações destes princípios e valores para recusá-los....

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José Teixeira

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Crespim Mabuluko
Crespim Mabuluko Desta vez há didáctica em tudo que diz professor muita lucidez e boa retrospectiva histórico explicativa...

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Tony Bambo
Tony Bambo Caro Professor, É preciso ler alguns acontecimentos e abordagens com um sentido de revisão e sobretudo encontrar nas entrelinhas do que ficou escrito a verdadeira dimensão do que o(a) Autor(a) quis dizer. Senão vejamos:

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Tony Bambo
Tony Bambo a) A escravatura não é, não foi um acto individual, isolado do que se possa apontar culpados individual e pessoalmente. b) no meu entender alguns dos posicionamentos que se apresentam são resultado de uma leitura apressada, pouco sustentada, nas quais, em lugar de olhar a escravatura como um fenómeno social, que trouxe frutoa que aplicados desenvolveram o continente europeu e correpondiam a um certo modo de produção. C) só uma mente europeia que jamais aprendeu quais os valores universais adoptados após séculos da abolição da escravatura, pode vir discutir quem paga por ela por ser culpado. d) Obama não é culpado pelo lançamento da bomba atómica no Japão, mas sendo americano convicto, com profundo sentir humano, apresentou aos Japoneses o pedido de perdão americanos.

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Tony Bambo
Tony Bambo Por isso e em atenção ao que define como eurocentrico e a sua negação, não posso de mod algum ficar indiferente ao texto da aludida jotrnalista, mas o que se deve dizer é que ela não é culpada do radicalismo e da tentativa de como individuo e fazedora de opinão ter sido infeliz na abordagem de um tema tão colectivo e social de maneira leviana. É o novo nacionalismo pragmático euro-americano. Mundo global para os outros, para os Europeus e americanos a europa e a America de Trump. Pequenos seres....... Humanos??!

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Ricardo Santos
Ricardo Santos Bela reflexão!

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· Responder · 30 min
Eliha Bukeni

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· Responder · 23 min
Eliha Bukeni
Eliha Bukeni Caro Tony, sem querer discordar com a substância do seu texto, creio não estar certo ao dizer que Obama apresentou um pedido de desculpas ao Japão, por ocasião da sua visita á Hiroshima em Maio de 2016. Aliás, do mesmo modo que na visita de retribuição ao Hawai em Dezembro de 2016, Shinzo Abe, não apresentou nenhum pedido de desculpas pelo bombardeamento da aviação Japonesa á base naval americana de Pearl Harbor em Dezembro de 1941, acto que motivou a entrada dos EUA na segunda guerra mundial. Ambos lideres ficaram-se pela homenagem aos perecidos. Também gostei da abordagem do Prof. Elísio, muita pena a Jornalista não poder ler o texto e aprender algo!
"Nada tenho contra debates sobre a escravatura, nem investigação histórica sobre o tema. Mas vou já avisando que não tenho culpa nenhuma do que se escravizou e comerciou até ao século XIX".
A crónica de Maria João Marques:
Nada tenho contra debates sobre a escravatura, nem investigação histórica sobre o tema. Mas vou já avisando que não tenho culpa nenhuma
OBSERVADOR.PT
Comentários
Pedro Silva Como sempre resume a publicação a uma guerra sem tréguas entre a esquerda e a direita!!! Porque não há pessoas de esquerda católicas e de direita ateus!!! Porque só as investigações de pessoas da direita são válidas e nem esses com subsídios... 
Realme
nte, poderá não ser responsabilizada por actos dos seus antepassados mas talvez por hoje ainda haver escravos no mundo e pouco ou nada o denunciar!!! Onde são ainda escravizadas e vendidas milhares de crianças, e não no séc XIX mas no XXI onde esta mulher "chafurda" a inteligência...
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3/5 às 14:00
Rui Ribeiro ó ignorante,. Achas que a Arábia Saúdita, Marrocos e a Argélia nos vão pagar por terem escravizado os portugueses durante vários séculos? Se tivesses um pingo de cultura geral, sabias que até 1842, os europeus do norte do Mediterrâneo e mesmo portugueses ds zonas costeiras foram raptados e comercializados no mercado de escravos de Argel?
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3/5 às 14:47
Pedro Silva Primeiro fala baixo e direitinho que não te conheço de lado nenhum...!!! 
O que isso tem a ver com a publicação e com o que escrevi???
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3/5 às 14:54
Pedro Silva Depois quem defendeu em ser responsabilizado pelos escravos? Eu não... E se o assunto é falado, demais ou não, é simplesmente para não se repetir novamente!!! 
Antes fosse que só nesses países, é que ainda restasse tráfico de pessoas...
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3/5 às 15:00
Pedro Carvalho Pedro Silva, não retirei do texto as mesmas conclusões e julgo ter lido com atenção. A jornalista não resumiu a questão a um conflito esquerda-direita mas não acha que já chega de denegrir o nosso nome? Complexos de culpa já temos de sobra, de inferior...Ver mais
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3/5 às 15:39
Pedro Silva Mas como não??? Se não fosse uma questão ideológica, se supostamente a investigação não esteja supostamente ligada a uma esquerda qualquer como a autora refere e por fim, desde quando a autora escreve um texto sem a dicotomia esquerda/direita??
Quanto 
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3/5 às 15:50
Pedro Carvalho Mas querer reescrever a História de acordo com a agenda política da esquerda é no fundo a negação do que Portugal sofreu enquanto pequeno país que lutou e luta ainda pela conquista e manutenção de uma independência incómoda no seio da Europa onde nunca estivemos a não ser geograficamente. Por isso digo. Têm complexos do nosso Passado?! Vivam com isso !
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3/5 às 15:58
Pedro Silva Mas quem quer reescrever a história??? É uma investigação, valida ou não, se for realizada depois se tiram as conclusões!!! 
A autora escreve em ateus, em cristãos quando inúmeras situações aconteceram em nome e com a bênção de Deus segundo os seus aut
ores e uma delas foi a escravatura! Ate a igreja se indignou por actos que teve ao longo dos séculos, porque teremos nós vergonha de alguma coisa de mal que fizemos? E vivo bem com isso e não sou de esquerda ou direita...
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3/5 às 17:07Editado
Arierom Sevla Parece que o único que chafurda por aqui é o meu caro!...
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Responder3/5 às 21:21
Pedro Silva Arierom Sevla basta ver a sua página de facebook para perceber quem chafurda!!!!
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3/5 às 23:33
Rui Ribeiro Pedro Silva Peço desculpa Pedro. Numa primeira leitura não entendi a mensagem que pretendia transmitir. Concordo consigo.
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ResponderOntem às 0:17
Nelson Gaspar Concordo que esse tipo de questionamento é completamente sem sentido. No entanto discordo do seu ponto de vista com relação aos ateus. Já fui católico também e considero que a evolução natural da capacidade de raciocínio do ser humano leva inequivocamente à conclusão de que toda e qualquer religião tem por objetivo a "escravização" mental do ser humano, essa sim questionável. Então, resumindo, sou ateu, livre de qualquer culpa ou pecado, consciente de que tudo o que somos, seremos e teremos depende apenas de nós mesmos e de mais ninguém.
Seu texto estava indo muito bem até que "escorregou" numa beatice aborrecida e preconceituosa. Desculpe mas é como eu vejo.
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3/5 às 19:05
Joaquim Campos A reflexão é boa, embora coloque a tónica em " Culpa " ! Sem preconceitos auto-recriminatórios surge o debate de qual a fronteira entre o orgulho que temos na nossa História dos momentos de glória sem reprovarmos ou pelo menos termos um olhar crítico sobre os momentos mais negros. Não olho para um alemão como sendo cria de Hitler e do Nazismo, mas espero que ele se lembre que o seu país não tem só motivos de orgulho, por exemplo.
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3/5 às 12:56
Filipe Miguel Brazão Santos Kant, Hegel, Nietzsche, Wagner, Otto Von Bismarck, Porsche, Hugo Boss, Daimler, Benz, sem dúvida não devem ter orgulho no seu passado...
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3/5 às 14:08
Joaquim Campos Filipe Miguel Brazão Santos Penso que o artigo se referia a um povo / nação. Os juízos sobre os individuos são ainda mais complexos.
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3/5 às 14:45
Pedro Silva O Rui Ribeiro deu uma razão para os comunistas terem orgulho de Stalin, porque não têm influência dos mongóis!!!
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3/5 às 15:39Editado
Joaquim Campos Pedro Silva Demasiadas vezes temos orgulho num qualquer episódio - mesmo que errado -, que nos faça sentir supremacia ou anular défices nossos. É errado mas humano. Assim como é humano mas certo, gostar do que temos de bom e não gostarmos do que em nós é menos. Povos são pessoas. O erro é acreditar que povos pensam, acham e são, e as pessoas que os compõem, não.
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3/5 às 16:31
Pedro Silva Joaquim Campos o Rui Ribeiro pessoa que anda aqui há uns tempos a desestabilizar e a levar a conversa sempre para o lado que mais lhe interessa... 
O facto de aceitar, entender e não voltar a repetir erros que o passado nos conta talvez devesse ser o i
nício para uma coisa melhor a que podíamos de chamar mundo!!! Não é arranjar exemplos piores que os nossos (Mongóis) para desculpar o nosso papel na escravatura! Nem um pedido de desculpa fica mal, que até já foi feito algumas vezes e por isso ate já chegava e como não convém esquecer que escravidão ainda hoje existe!!!
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3/5 às 17:06
Filipe Miguel Brazão Santos Joaquim Campos Os Estados/Nações têm de assumir o seu Passado se não querem ficar sem Futuro. Mas se quiserem continuar a dissertar sobre culpas do Passado por ser que se lembrem do que aconteceu aos Portugueses Negros que não pertenciam às Etnias "Vencedoras" depois de 1975, julgo que quanto a Racismo estamos conversados.
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Responder3/5 às 20:49
Filipe Miguel Brazão Santos Pedro Silva Será que temos de pagar reparações de Guerra? Mas para certas pessoas basta acabar com o Jardim do Império e isso é esquecido...
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Responder3/5 às 20:51
Joaquim Campos Expliquei o meu ponto de vista. Percebi o vosso. Boa noite.
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Responder3/5 às 23:29
Pedro Silva Filipe Miguel Brazão Santos misturar tudo fica a parecer que nada tem importância... como sempre gosta de fazer... sei que gosta muito de Estados bélicos, do Império, das conquistas...!!!
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Responder3/5 às 23:36
Comentários Principais está selecionado e, por isso, algumas respostas podem ter sido filtradas.
Natália Melo Digam que não há vítima viva do sistema esclavagista aos descendentes de escravos que continuam a viver na miséria e têm muito menos oportunidades do que os descendentes europeus num país em que deram a liberdade e esqueceram de dar condições de sobrev...Ver mais
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3/5 às 21:23
Carlos Marxo Dias Transcrição do decreto de 1761:
«Eu El-Rei Faço saber aos que este Alvará com força de Lei virem, que, sendo informado dos muitos e graves inconvenientes que resultam do excesso, e devassidão, com que contra as Leis, e costumes de outras Cortes polidas
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3/5 às 18:32
Nuno Pereirinha O nosso colonialismo foi igual ao das outras nações, não temos nada que nos penitenciar ou arrepender, aconteceu está feito foi um período da história europeia. Se alguma diferença há é na ausência de uma doutrina racista como nos países do norte da Europa. O que permitiu a miscegenação em larga escala, como se pode ver pelo Brasil e mesmo em Portugal onde no século XVI 10% da população era escrava e até a descolonização era raro ver um negro na rua. Na Inglaterra ou na América isso não aconteceu
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3/5 às 15:52
Rui Meireles Até à descolonização era raro ver um negro na rua aonde?Voçê veio de marte ou é dautónico?E a população escrava era só portuguesa?E os escravatura feita pelos Ingleses,Holandeses, e até de alguns países cínicos do norte da Europa?Fui eu que a fiz?Depoi...Ver mais
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3/5 às 18:32
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3/5 às 18:35
Rui Ribeiro Eu também não pago. Se tiver que pagar que seja com o dinheiro com que os árabes nos vierem a pagar, por terem colonizado a Península Ibérica e escravizado os meus antepassados!
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3/5 às 14:51
Pedro Carvalho Em alternativa proponho uma troca de pedidos de perdão. Nós pedimos perdão a quem escravizamos, espoliamos, "descobrimos", colonizamos e....aos que foram por nós deixados à sua sorte. Mas antes de todos estes pedidos de perdão temos que ver quantos e quem é que temos que perdoar. O ideal seria um empate de perdões mas se no final ficassemos com mais a perdoar do que a pedir perdão, sempre poderíamos pedir perdão por isso.
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3/5 às 15:50
Ana Maia Seja de que cor for cada um temos de concordar que não pode existir uma responsabilidade económica sobre dois séculos passados. Simplesmente porque já há tanta mistura que maioritariamente Portugal é o sangue de todos os cantos do mundo. Pondo a questão do "pago" de lado. Acho que sim devia haver mais informação, investigação, que sim devia dar se nas escolas todas as atrocidades da escravatura mas corretamente. Não um colonialismo rápido onde se exaltam as conquistas. Por muito que eu não seja responsável. Sou responsável se deixar a história morrer. Sou responsável se não ensinar a gerações futuras se não confrontar gerações recentes, se não lutar contra o racismo. Se não me ferver o sangue de raiva ao pensar tudo o que cada escravo sofreu. O problema de atrocidades humanas como a queima das bruxa da inquisição, as guerras, o holocausto, a escravatura africana porque sim todos sabemos que já existia noutros locais, sabemos que existia mesmo entre tribos africanas, mas a escravatura dos negros, dos índios foi massiva. Intrinsecamente massiva. Moldados alteramos a sua história, cometemos atrocidades incomparáveis. E não podemos passar uma borracha nisso e esconder por baixo do tapete.
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Responder3/5 às 22:58Editado
Paulo von Handsuntrancis "Estas invenções de problemas, por gente ligada à intelectualidade de esquerda, têm regra geral um fim: tentar criar um ambiente propício para espoliar os contribuintes mais um bocadinho, na forma de conferências, projetos de investigação, exposições, livros patrocinados por organismos públicos, e por aí adiante. " Realmente, projectos de investigação e conferências são mesmo uma perda de tempo e dinheiro ........ 😏😏 texto ridiculo
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Responder4/5 às 13:41
Tony Magalhaes O,,Mikas,,,tiveste sorte teres nascido no sèculo 19,,,pk OLHANDO as tuas ideias direitolas, como um fio num bolso,,se tens vindo ao mundo la pelo sèculo,16,,tambem eras vendida como escrava,,mas tipo escrava Isaura...
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Responder3/5 às 14:31
Dora Mata Nao temos culpa do que se passou com os nossos antepassados, e nao me parece que devamos ser punidos, moralmente evidentemente , por esses mesmos actos, nao deixa porem de ser importante que nao esquecamos, para nao sermos coniventes com situacoes semelhantes que se passam na actualidade. Pelo menos que nos mantenha a consciencia disperta para nao nos calarmmos e eventualmente nos desculpar-mos perante a humanidade e principalmente os que foram vitimas
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3/5 às 15:57
Vitor Cardoso Não quer pagar,.?!,..Mas onde é que já ouvi isto,.?!,.Paga,sim senhor,..Digo-lhe mais,.Paga,.e não bufa,.Como boa católica que é,.saiba que as dívidas,.abrangem a 5ª geração,.e o bisavô,.andou de chicote na mão,a dar nos pretos,..Enquanto for viva,.tem que pagar,.e mesmo depois de morta,.cuide-se,.ou nem vai à reciclagem,..Nada de resmunganços,.e vamos lá abrir os cordões à bolsa,Ok,.?!,..(Esta Agora,.!!,.),.
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Responder4/5 às 3:06
José Barreiros Isto, é um assunto bastante delicado, que, sem qualquer defesa da escravatura, tem que ser analisado no contexto da época, em que, infelizmente, era normal, mas a questão que se debate, é que (e quem já trabalhou / viveu em África, e viveu o quotidiano de algum racismo, percebe), e concordo com a Maria João Marques, como Português, não tenho que me sentir culpado, ou assumir qualquer culpa do que os meus antepassados fizeram. Mais, e que fique claro, para mim, e para qualquer pessoa mínimamente esclarecida, a medida de avaliação de uma pessoa, não se baseia, em critérios de raça ou outros. Mais, e pior, é ter atitudesde paternalismo com pessoas que diferente cor, o que muitas pessoas não percebem, é, também, uma forma de racismo.
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3/5 às 13:44Editado
Vander Neves Mas o "contexto da época" também é uma perspectiva. Não era normal para o escravizado. Não era um era acto voluntário. É uma questão de construção de identidade.Talvez as pessoas não pensem nisto no dia-a-dia. Ser português hoje em dia baseia se em o quê?É o glorificar a história sem uma consciência critica? Sem haver debate? Eu considero me português por uma série de valores que tenho da modernidade, não pelo passado histórico. Não canto o hino, não foram "heróis do mar" para os meus ancestrais, e acho que pedirem para me distanciar disso, é fingir que não aconteceu . Para os meus antepassados foram saqueadores,causadores de terror, e esse era o contexto de quem era escravizado.
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Responder3/5 às 18:19Editado
José Barreiros Vander Neves espero que num "ambiente de tolerância" (no FB as pessoas desatam a insultar-se...), permita-me, mas não concordo consigo, por vários motivos: o primeiro, é que o nosso passado é algo que nos devemos orgulhar pois somos uma das mais antigas nações europeias (assumindo uma posição crítica, obviamente, sobretudo pela História que não nos ensinam na escola...) e é uma referência fundamental, até enquanto indivíduos (o que somos nós, sem o nosso passado ?) ; o segundo, é que o passado tem que ser analisado num contexto "de passado" (obviamente, não era normal para o escravizado, citando-o, mas infelizmente, era normal para a sociedade dominante) ; terceiro, e último, não sou "retornado" (e sem ofensa para quem é), mas tive oportunidade - e ainda hoje tenho - de trabalhar e viver em diversos países africanos, alguns ex-colónias e, passo a expressão, não alinho em carregar culpas de antepassados, nem em "tratar os pretos ao colo" (péssima expressão..), pois são pessoas como as outras, boas e más, só que tem a pele mais escura que a nossa.
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Responder3/5 às 21:17Editado
Fernando Marques O Tiago Tiago, como bom português que é, vai continuar a viver com remorsos durante toda a vida, auto-mutilar-se e oferecer metade do rendimento disponível para uma qualquer instituição africana - sempre com o objectivo de viver desculpabilizado!
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3/5 às 14:00
Eduardo Jorge Almeida Eu também não tive culpa, não tenho remorsos , nem estou disposto a pagar !!!
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3/5 às 15:20
Paulo Salta E escrever incorretamente português também devia dar a indemnização. Digo eu. 🤔 há cada pontapé na gramática nestes comentários. Acabei de ver que a palavra abolir agora se escreve abulir. E não ter nada a ver com o assunto agora é não ter nada haver. Deve ser um novo acordo ortográfico.
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3/5 às 15:26Editado
Franco Horàcio Mais um excelente artigo da Maria João Marques. O enxame politicamente correcto abocanhou agora o tema da escravatura, culpabilizando os actuais descendentes dos antigos esclavagistas. Esquecem-se de condenar a actual escravatura, praticada em África e na Ásia, por pretos, amarelos e árabes.
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3/5 às 22:14
Hugo Rodrigues Eu só tenho pena do destino que globalistas e marxistas vão ter daqui a uns anos. Até a Nossa Senhora e Fátima vai chorar.
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4/5 às 13:20
Paixão Santos O melhor das crónicas da MJM são mesmo os comentários, até por se centrarem na sua maioria no título, esquecendo ou não lendo a crónica. Vamos por partes, sou de direita, de formação católica mas ateu, logo não tenho o complexo de culpa dos meus queridos conterrâneos, não me interessa nada se os "meus" antepassados tiveram ou não escravos, até por acreditar que se tiver em conta a riqueza dos meus antecessores seria mais natural que fossem escravos, sim eu sei que é estranho mas havia escravos brancos e muitos. Em marketing é normal criar a necessidade para depois criar o produto, é elementar, ela tem razão quando diz que ao se criar o sentimento de culpa (necessidade) para depois aparecerem uns "eruditos" para dissertarem sobre o tema, tema sobre o qual existem vários estudos escritos por pessoas de áreas políticas distintas. O que ela diz mesmo de importante tem a haver com esta necessidade de rótulos, de a cultura não poder ser só de brancos e heteros, esta idiotice de as "minorias" não terem os mesmos direitos, têm à face da Lei, existe racismo, xenofobia, claro que existe, em ambos os sentidos, a "minoria" também quer impor a sua verdade sobre a minha e eu não aceito. A história das quotas é apenas uma estupidez, deixando de lado os melhores para permitir o acesso aos medíocres em nome do género, inclinação sexual, religiosa ou outra patetice, embora na questão do género tenha uma teoria que foram homens inteligentes que colocaram a questão dos 50%, de modo a garantir que pelo menos 50% do género masculino tenha acesso a lugares de chefia, de outro modo no espaço de uma a duas gerações, as mulheres tinham o poder.
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4/5 às 0:33
Antonio Paulo Esta faria bem.um.papel no missisipi no filme o estado.livre de jones 
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Responder3/5 às 14:47
José Martelo E de que adiantam esses debates?Antes da abolição é que seria assunto,mas actualmente...
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Responder4/5 às 1:15
Jorge DaPresentina E se os negros tivessem estado na posição dos brancos nesse tempo teriam escravizado menos. olhem para os donos de angola
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Responder4/5 às 22:05
Tiago Santos Maria João marques quanto mais haters você tiver na caixa dos comentários é sinal que está a trabalhar bem.
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Responder4/5 às 2:41
Anselmo Pinto Será que ainda vamos a tempo de "renegociar/reestruturar" mais essa dívida?
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Responder4/5 às 13:42Editado
Maria Lopes Esta tipa só escrever m*. F*da-se.
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3/5 às 23:30
Maria João Furtado O Maria João você tem a profissão errada.
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3/5 às 21:10
Carlos Lopes Até que enfim que alguém que escreve não é masoquista.
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Responder3/5 às 18:06
Cláudio Rodrigues Eu obviamente não pago!!!!
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Responder4/5 às 1:05
Valente Araújo Sra jornalista, herdamos o bom e o mauuuuu
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3/5 às 13:12
Ana Amaro E ninguém a interna?

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