segunda-feira, 22 de maio de 2017

Por um fio

editorial

Por um fio

Passado o impacto inicial -e arrasador- da delação da JBS, o presidente Michel Temer (PMDB) dedica-se a convencer uma audiência restrita de que tem condições de permanecer no cargo.
Impopular desde a origem de seu governo, Temer não se dirige ao público geral quando apresenta sua defesa, como fez no pronunciamento deste sábado (20). Fala, principalmente, às instituições do Judiciário e aos partidos de sua base de sustentação no Legislativo.
Sua tarefa, dificílima, é contestar os indícios e procedimentos que motivaram um inquérito contra si e, mais relevante de um ponto de vista pragmático, evitar a debandada de sua coalizão parlamentar.
O presidente não deixa de ter razão ao apontar inconsistências, de forma e conteúdo, na gravação de sua conversa com o empresário Joesley Batista. Também procede o raciocínio de que a manobra contribuiu para que o delator, criminoso confesso, hoje viva em liberdade nos Estados Unidos.
Esta Folha, acrescente-se, há muito manifesta sua preocupação com a prudência jurídica, o direito à plena defesa e a presunção da inocência, que correm o risco de ser violados no turbilhão diário de escândalos e em meio à indignação da opinião pública.
Sob o prisma político, entretanto, as gravíssimas suspeitas levantadas contra Temer são plausíveis o bastante para comprometer a capacidade de governar -ainda que o inquérito em curso não revele de pronto novas complicações.
O presidente recebeu na residência oficial um empresário investigado (a este jornal, disse que ignorava tal condição); passivamente, ouviu-o discorrer sobre intenções de subornar procuradores.
Designou ainda a Batista um interlocutor privilegiado, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), afastado do posto após flagrante de receptação de dinheiro.
Na arena parlamentar, Temer depende de manter uma coalizão que não apenas contenha investidas por seu impedimento, mas que respalde a agenda de estabilização econômica -esteio básico, talvez único, de sua gestão.
Político reconhecidamente habilidoso, o peemedebista fez avançar reformas cruciais. Aprovaram-se o teto para os gastos públicos e o programa de socorro a Estados falidos; há pela frente as reformas previdenciária e trabalhista, sem as quais a retomada econômica torna-se ainda mais incerta.
A própria hipótese de que Temer venha a ser deposto, aliás, basta para provocar a retração de consumidores e empresas. À Folha, o presidente descarta a renúncia: "Se quiserem, me derrubem".
Vislumbra-se, assim, um círculo vicioso em que fragilidades do mandatário, de sua base e da economia acentuam umas às outras. É ameaça que o governo, por um fio, terá de debelar em questão de dias.

Livraria da Folha

Comentários

adenor Dias

(07h19) há 7 horas
Só resta ao Michel Temer, chamar os sócios do golpe para comprar de novo a consciência do povo. Ele soube fazer isso antes do impeachment...Como nos velhos tempo, Brioche acalma o povo...
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Cloves Oliveira

(08h55) há 6 horas
Aos poucos vai ficando claro que a operação LJ mirou no que viu e acertou no que não viu. O objetivo inicial era o de terminar o trabalho que faltou no “mensalão”, ou seja, desmantelar o estado maior petista. Mas o desafio provou ser mais complexo resultando que a ordem legal está se tornando desordem legal e a democracia sendo sequestrada por uma instituição soberana, mas não eleita. A recondução da LJ dentro dos trilhos legais e democráticos é importante até para a integridade do Judiciário.
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Benedicto Dutra

(12h19) há 2 horas
Estamos atravessando uma lamentável situação. Qual a saída? Os humanos estão passando pelo Balanço: “Trata-se do poder, que em breve atemorizará os seres humanos que no futuro terão de temer! Mas só terão de temer deveras aqueles que agiram errado. Se eles se julgarem certos aí, ou pretenderem fazer os outros acreditar nisso, isso não as salvará do golpe do efeito retroativo que atua nas leis de Deus!” Que o Brasil possa se tornar de fato uma pátria iluminada de paz, progresso e felicidade.
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