quarta-feira, 3 de maio de 2017

A Cyber-Injustiça do Governo Moçambicano


Não tem sido meu apanágio debruçar sobre questões voltadas a relação existente entre a internet e a política, mas ultimamente devido à crescente preocupação que os estudiosos da Ciência Política voltados para a área da informatização institucional, tem em relação a este campo, este assunto acabou suscitando-me um enorme interesse em procurar compreender a forma pela qual o Governo Moçambicano tem lidado com a questão da internet, sobretudo no que tange a mídia digital como fator impulsionador da participação política online ou digital.
Caríssimos, antes importa sublinhar que, uma importante parte das pesquisas em democracia digital realizada na última década enfatizam as supostas vantagens trazidas pela Internet ao campo da política, especificamente no que se refere à questão da participação política dos cidadãos através de um conjunto de mecanismo Cyber-institucionalmente criados.
Neste presente artigo de opinião, a reflexão que proponho tem como ponto de partida a seguinte questão, qual o papel que o Estado moçambicano joga na aproximação da população as instituições, por via da cibernetização institucional?
Mas antes de ir ao fundo, permitam-me afirmar que em termos gerais entende-se por cibernetização institucional, como sendo a informatização de todas atividades do Governo através das mídias digitais, sendo por via do Twitter, Facebook, Youtube, Instagram, Entre outros.
Entretanto meus caros, a reflexão que levanto tendo como ponto de partida a questão acima colocada, pode ser respondida através do nível da acessibilidade e de disponibilidade da informação por um lado, e por outro através do grau de interação online entre as instituições do Estado com a população.
Ultimamente tenho tido muito cuidado em trazer respostas acabadas tomando em consideração a complexidade dos assuntos e os desafios que os atores (instituições) enfrentam sobre o assunto em destaque. Mas os dois fatores mencionados não me isentam em dar uma resposta a questão.
Se formes a fazer uma visita ao nosso portal do Governo vamos perceber que as informações que o portal contem são mais sobre o ato constituinte, ou seja a lei que cria e regula as nossas instituições e tem menos informação sobre as atividades desenvolvidas por estas instituições, o que é insuficiente para tornar forte a interação entre as instituições e a população.
O argumento comum é o de que problemas técnicos intra institucionais constituem obstáculos para a informatização das atividades das principais instituições (Ministérios) o que consequentemente acaba dificultando a interação das mesmas com a população.
Não quero discordar da razão levantada pelo Governo, mas na qualidade de aspirante a um Cientista Politico estou em crer que é mais uma razão superficial e não profunda. Porque razão não profunda?
Para responder a esta questão teríamos que antes compreender que implicações a relação entre a política e a internet pode trazer, ou ainda quais as implicações da informatização institucional num contexto de democracias deficitárias.
De um lado com a informatização, levanto a possibilidade de uma maior fragmentação do debate público, o que pode obrigar as instituições a terem que responder todas as demandas colocadas pelo público, quebrando o paradigma da uniformização dos conteúdo, e se por ventura as instituições não estar preparadas para a fragmentação isso pode gerar uma situação de privação do acesso a informação e toda privação uma vez que gera violência isso pode desaguar numa crise que pode colocar em causa a estabilidade política.
E por outo lado, a razão pode cingir-se no facto da informatização ter que estar associado a outros fatores que na minha ótica podem dar mais sentido a questão da interação online do Governo moçambicano, pois sou da opinião de que vale mais informatizar, mas com condições criadas para aceder ao informatizado. E tomando em consideração que o nível de acesso à internet não atinge a 7% da população moçambicana, acho que antes, o desafio passa pela "internetização" do Estado moçambicano acompanhando por um processo de educação Cyber-cívica e da alfabetização, só desta forma podemos ter uma interação online eficiente entre o governo e a população.
Portanto meus caros, sou da opinião que o nosso Estado está jogando um papel pouco expressivo em relação a aproximação da população as instituições por via da cibernetização institucional, tomando em consideração as razões acimas levantadas.
Em jeito de conclusão, luz dos dois pontos acima levantados fazem me acreditar que neste determinado momentos vivemos uma situação de Cyber-injustiça protagonizada pelo Estado moçambicano pelo facto deste não conseguir "quebrar barreiras" a volta da informatização institucional como forma de garantir uma interação online entre o Governo e a população.
"O partido Frelimo, MDM e Renamo são mais online do que o Governo" entretanto até então em Moçambique somos um país sem um Governo online
Por: Bitone Viage
Faculdade e universidade · Belem Do Pará, Pará, Brasil
Enoque Basilio Aplausos. De facto, em moç'que não temos um Governo on-line, senão pessoas do governo a todo momento on-line.
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Aitofel Alberto Vilanculo
Aitofel Alberto Vilanculo Tema assaz tormentoso, mas há que parabenizar o Estado moçambicano pela criação do e-bau, uma clara autentica confirmação de que o Governo está a envidar esforço no sentido de oferecer vários serviços a populaçao através da internet.
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Zacarias Monjane Júnior
Zacarias Monjane Júnior Gostei da criatividade ilustre, é um tema pouco abordado.
Tens escrito muitos artigos de opinião, isso é bom. Entretanto, os artigos de opinião tem um probleminha, eles não são muito "bem vindos" para se criar debates academicos tendo em conta a nature
za da informação lá contida (senso comum). Eu particularmente gostava de ver as duas abordagem em artigos cientificos e tal, como resultado de hipoteses testadas e tal, penso que seria muito bom. Mas de qualquer forma, gostei da abordagem.
Traquinho da Conceição
Traquinho da Conceição Muito bom mas penso que devias ver antes a Lei das transaccoes eletronicas, aprovada recentemente pela Assembleia da Republica. Cpts
Gosto · Responder · 2 · 5 h
Tedi Pendegrécio Cossa
Tedi Pendegrécio Cossa Concordo, algumas coisas teria escrito de forma diferente depois de ler essa Lei.
Mas não deixa de merecer um aplauso pela ousadia no assunto meu caríssimo amigo Bitone Viage, i got your back.

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