terça-feira, 9 de maio de 2017

Manuel de Araújo procura soluções sustentáveis para Quelimane

Em Bona

Manuel_Araujo-QuelimaneEdil de Quelimane defende maior aproximação entre municipalidades e organismos internacionais na área ambiental. Manuel de Araújo justifica que muitas vezes os edis não estão preparados para lidar com acidentes naturais.
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O Edil da Cidade de Quelimane, na província central da Zambézia, Moçambique, está aqui em Bona a participar de alguns encontros. O primeiro foi organizado pelo ICLEI, uma ONG que congrega organizações da sociedade civil, governos locais e doadores, e o segundo foi na sede do clima da ONU, onde decorre uma conferência preparatória para a Cimeira do Clima a acontecer no final deste ano. A DW África convidou Manuel de Araújo para uma conversa.
DW África: O que traz de Quelimane?
Manuel de Araújo (MA): Viemos cá partilhar a experiência de Quelimane, mostrar o que temos feito, mas também aprender o que os outros têm feito. Por exemplo, aprendemos muito na área da mobilidade, fazendo-se investimentos ou criando-se condições para que haja meios de transportes que não poluam. E nós temos uma vantagem logo de partida, que é o facto de Quelimane ser a capital do ciclismo, temos o taxi-bicicleta, que pode ser aproveitado como uma forma verde [de viver], porque o nosso sonho é transformar Quelimane numa cidade verde.
DW África: Está a partcipar também num encontro preparatório para a Cimeira do Clima que acontece este ano. Colheu algo interessante que possa ser aplicado no seu município?
MA: Sim, e tivemos vários encontros com oficiais e quadros superiores das Nações Unidas, incluindo a senhora Spinoza, que é a diretora executiva da plataforma das Nações Unidas para as mudanças climáticas, nos quais foram expostas as potencialidades que existem e vários aspetos em que o Município de Quelimane se pode envolver. Na sequência desses encontros fomos convidados para fazer a nossa apresentação nesta segunda-feira (08.05.) aqui, perante uma audiência formada pelos negociadores, pelos Estados-parte, incluindo alguns membros da delegação moçambicana, onde mostramos as nossas aspirações e para onde gostaríamos de ver essas negociações se dirigirem. O ideal seria que o nível nacional trabalhasse com o nível internacional, porque quando há um desastre antes do nível nacional somos nós os edis que enfrentamos [a situação], temos de estar lá na hora em que acontece um acidente. E os munícipes estão a nossa espera, nós muitas vezes não estamos preparados e nem temos as condições e muito menos o conhecimento para dar a resposta esperada.
DW África: O Município de Quelimane está abaixo do nível das águas do mar e por outro lado Moçambique vive constantes cheias. O que o seu município tem feito para enfrentar estes dois fenómenos?
MA: Muitas vezes acontece um ou outro, mas há vezes em que temos cheias que advém das chuva e ao mesmo tempo temos marés altas. O nosso sonho era termos uma bacia de proteção que pudesse armazenar pelo menos as águas das chuvas. Ao nível do município temos um sistema de proteção que quando essa situação acontece fecha as comportas para que a água das chuvas não se misture com a do mar em maré alta. Essas comportas tem funcionado convenientemente nos últimos anos, mas há vezes que a pressão é tanta que as comportas não são suficientes.
DW África: Essa é que é a solução ideal para Quelimane?
MA: É uma das soluções possíveis, a ideal era não termos o que está a acontecer, mas temos falta de meios e tendo em conta o que é possível fazer penso que essa seria uma das soluções mais recomendáveis.
DW – 08.05.2017

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