Renamo Radicalizada?
Serviços secretos sul-africanos suspeitam de ligações ao estado islâmico.
O The Citizen fala da penetração de mais de 90 jihadistas do Daesh atravês da região norte de Cabo Delgado. Afirma que, no passado, já houve penetrações de extremistas do estado islâmico em Moçambique, mas nunca numa vaga tão grande como esta.
O site do jornal sul-africano acredita numa possível aliança dos extremistas à Renamo, cenário que o partido da perdiz nega.
A seguir publicamos uma reflexão feita pelo jornalista Armindo Chavana em 2015 sobre este assunto.

Uma situação prolongada de tensão político-militar, em Moçambique, pode propiciar a penetração de outros interesses, alheios à vontade das partes conflituantes que, tomando partido do caos, impõem, sobre estas, os seus desígnios. Quer o governo, quer a Renamo, têm o grande desafio de impedir que isso aconteça.
As revelações do jovem guerrilheiro da Renamo, capturado em combate pelas FDS, na província de Manica, e apresentado à comunicação social, no passado dia 19 de fevereiro , segundo as quais ele teria sido treinado no Quénia, num grupo de mais de cinquenta, podem indicar uma nova abordagem da Renamo, relativamente às suas novas alianças, e fontes de financiamento militar.
As revelações do jovem guerrilheiro da Renamo, capturado em combate pelas FDS, na província de Manica, e apresentado à comunicação social, no passado dia 19 de fevereiro , segundo as quais ele teria sido treinado no Quénia, num grupo de mais de cinquenta, podem indicar uma nova abordagem da Renamo, relativamente às suas novas alianças, e fontes de financiamento militar.
A nossa habitual crença na postura (ou suposta postura) pró-Renamo dos vários governos quenianos (nosso habitual suspeito), pode iludir-nos dos possíveis elos desta, à Al-Shaabab e, similares.
Considerando os ataques sangrentos que amiúde têm assolado o seu país, o governo do Quénia tem, com apoio internacional, se mostrado intransigente, no controlo do território, exceptuando, obviamente, os espaços clandestinos do terrorismo, que são o seu grande óbice (espaços situados, sobretudo, ao longo da fronteira com a Somália, ou nas madrassas radicais dos centros urbanos. Mohamed Mohamed, aliás Dulyadin, aliás Gamadhhere, que se acredita seja o cérebro do ataque à Universidade de Garissa, que resultou em 148 mortos, era um influente professor numa madrassa do norte do Quénia).
Considerando os ataques sangrentos que amiúde têm assolado o seu país, o governo do Quénia tem, com apoio internacional, se mostrado intransigente, no controlo do território, exceptuando, obviamente, os espaços clandestinos do terrorismo, que são o seu grande óbice (espaços situados, sobretudo, ao longo da fronteira com a Somália, ou nas madrassas radicais dos centros urbanos. Mohamed Mohamed, aliás Dulyadin, aliás Gamadhhere, que se acredita seja o cérebro do ataque à Universidade de Garissa, que resultou em 148 mortos, era um influente professor numa madrassa do norte do Quénia).
Numa entrevista ao semanário Savana, o alto-comissário cessante do Canadá em Moçambique, Shawn Barber, afirmou que a Renamo está desesperada, condição que, na política, pode significar radicalização.
Os seus ataques a alvos civis, que resultam no assassinato premeditado de cidadãos inocentes, configuram um modus operandis que do Boko Haram, só não é igual, ainda, no número de vítimas.
As correntes extremistas que na África sub-sahariana têm subido de tom nunca perderam de vista a região austral do continente, faltando-lhes apenas o feiticeiro, que lhas abra a porta.
Numa notícia de 16 de junho de 1999, e na sequência dos ataques da Al-Qaeda às embaixadas americanas em Nairobi e Dar-es-Salam, que provocaram mais de 244 mortos, a CNN citando fontes da CIA, afirmou que a representação diplomática norte-americana em Maputo teria estado também na mira, com planos de ataque em fase avançada.
Os seus ataques a alvos civis, que resultam no assassinato premeditado de cidadãos inocentes, configuram um modus operandis que do Boko Haram, só não é igual, ainda, no número de vítimas.
As correntes extremistas que na África sub-sahariana têm subido de tom nunca perderam de vista a região austral do continente, faltando-lhes apenas o feiticeiro, que lhas abra a porta.
Numa notícia de 16 de junho de 1999, e na sequência dos ataques da Al-Qaeda às embaixadas americanas em Nairobi e Dar-es-Salam, que provocaram mais de 244 mortos, a CNN citando fontes da CIA, afirmou que a representação diplomática norte-americana em Maputo teria estado também na mira, com planos de ataque em fase avançada.
Hoje, passados 24 anos do acordo geral paz, e sem que a região lhe favoreça um backup político-militar seguro, a Renamo apresenta-se musculada, de peito aberto, com armas e sangue novo. De onde lhe vem tudo isso? Não parece que seja dos arsenais anteriores a 1992. O guerrilheiro capturado em Manica falou de uma capacidade aero-transportada.
Sem ela se aperceber, o seu “desespero” pode propiciar a sua manipulação, e controlo por forças e tendências bem acima dos seus interesses, como foi na sua génese, e ao longo dos 16 anos subsequentes. Nessas ocasiões, as suas reivindicações contra o regime, que podiam até ser legítimas, foram apropriadas pelo eixo Rodésia/Pretória e usadas abusivamente como uma ferramenta criminosa contra o país.
Provavelmente atentas a este possível cenário as várias chancelarias ocidentais, em Maputo, vêm abandonando, progressivamente, a sua habitual postura ambivalente na abordagem do conflito político-militar moçambicano, criticando a Renamo mais abertamente, embora encorajando o seu diálogo com o governo. Foi assim com a alta-comissária e o embaixador, cessantes, da Grã-Bretanha, e dos Estados Unidos.
No final das suas missões afirmaram que não se deve tolerar um partido político armado, em Moçambique.
Creio que percebem, hoje, que a ameaça aos seus interesses, nesta parte do mundo pode estar a evoluir sob um novo substrato, bem no quadro da sua luta global contra o terrorismo, a que nunca deram quartel.
Creio que percebem, hoje, que a ameaça aos seus interesses, nesta parte do mundo pode estar a evoluir sob um novo substrato, bem no quadro da sua luta global contra o terrorismo, a que nunca deram quartel.
PS: Este artigo foi publicado em 2015 e foi escrito pelo jornalista Armindo Chavana Jr. Hoje o @artigo74 retoma-o na sequência das revelações do jornal sul-africano The Citizen, citando fontes dos serviços de segurança. Para consubstanciar a informação escute o áudio da RDP África sobre o assunto. (x)
Os parceiros de cooperação decidiram reduzir
o seu apoio directo ao orçamento do Estado
primeiro na sequência da crise de refugiados de 2015
primeiro na sequência da crise de refugiados de 2015
Na verdade, esse apoio passou de 1.464 milhões de dólares em 2014, para pouco de mais de metade no ano seguinte, ou seja 872.8 milhões de dólares.
O argumento pode ter sido uma reportagem de Karen Allen, da BBC, de 16 de Fevereiro de 2016, que a partir de um campo de refugiados moçambicanos no Malawi reportou sobre histórias de mais de 600 pessoas que teriam supostamente fugido de atrocidades cometidas pelo exército na sequência da tensão político-militar eclodida das eleições de 2014.
Adicionalmente, no dia 28 de abril de 2016 na zona 76 do posto administrativo de Canda, Gorongosa, na província de Sofala foi reportada uma alegada vala comum com mais de 120 corpos, escalando a tensão com os parceiros.
A narrativa dos direitos humanos, com jargões como “esquadrões da morte” continuou a dominar os corredores das relações com os “doadores”, perturbando a cooperação económica. A União Europeia e as Nações Unidas despacharam peritos e equipas independentes para clarificar a situação no terreno.
No seu relatório de 2016 sobre democracia e direitos humanos em Moçambique, a União Europeia escreve:
“ em 2016 a situação geral dos direitos humanos em Moçambique deteriorou-se, principalmente devido à tensão político-militar entre o governo e a Renamo, com assassinatos não esclarecidos e intimidações visando, em particular opositores do governo….”
“ em 2016 a situação geral dos direitos humanos em Moçambique deteriorou-se, principalmente devido à tensão político-militar entre o governo e a Renamo, com assassinatos não esclarecidos e intimidações visando, em particular opositores do governo….”
No mesmo ano, 2016, acontecia, na arena internacional, a chamada crise das commodities que no caso de Moçambique consubstanciou-se na crise da taxa de câmbio, passando o metical, em pouco tempo, de 44 para 81 meticais, o dólar, agravando todos os rácios, incluindo os de sustentabilidade da dívida pública.
Com a revelação do crédito da EMMATUM (e das garantias soberanas à MAM e PROINDICS) a crise das commodities passou a ser, abusivamente, conhecida como a crise das dívidas ocultas, como se fossem essas, de facto, a razão de ser da crise, ou da saída dos parceiros do orçamento.
Com a revelação do crédito da EMMATUM (e das garantias soberanas à MAM e PROINDICS) a crise das commodities passou a ser, abusivamente, conhecida como a crise das dívidas ocultas, como se fossem essas, de facto, a razão de ser da crise, ou da saída dos parceiros do orçamento.
Armindo Chavana
Descentralização e desarmamento
Duas questões
Indissociáveis
No seu discurso de abertura da mais recente sessão do Comité Central, 23-25 de março, o presidente da Frelimo, e da República, FJN afirmou que a intenção da Renamo de introduzir exigências novas, não previamente consensualizadas nos bilaterais que vem mantendo com Afonso Dlakhama, está fora do espírito de enriquecer a proposta submetida à AR por ele, em nome de ambos, e pode ser vista como uma manobra dilatória. (nossa interpretação do que disse o presidente, não uma citação ipsis verbis).
O presidente FJN também reiterou que o presente processo de descentralização e o desarmamento da Renamo são duas questões indissociáveis.
Embora não se conheça, pelo menos publicamente, o calendário da conclusão do dossiê militar, a expectativa geral da população é que ele seja anterior às próximas autárquicas (de outubro), para que pela primeira vez os cidadãos votem sem armas apontadas às sua cabeças.
Ora, uma leitura fria e desapaixonada dos cenários sugere-nos que essa conclusão ou acontece mesmo à tangente da data eleitoral ou, muito provavelmente, transite de forma perigosa para o ano que segue.
A estratégia da Renamo tem sido, desde 1994, combinar os ganhos políticos da sua participação democrática, com uma forte pressão militar. Se a nossa leitura é correcta o que a Renamo pretende não é desarmar-se, mas, veladamente, armar-se como o exercito constitucional do país.
Queremos estar redondamente enganados, mas o tempo pode mostrar-nos um líder da Renamo que não sai do seu bastião militar antes de 2019, deixando o país numa situação permanentemente nervosa.
O pretexto de pendentes do AGP, de há mais de 25 anos, é conversa para boi dormir.(x)
Descentralização e desarmamento
Duas questões
Indissociáveis
Duas questões
Indissociáveis
No seu discurso de abertura da mais recente sessão do Comité Central, 23-25 de março, o presidente da Frelimo, e da República, FJN afirmou que a intenção da Renamo de introduzir exigências novas, não previamente consensualizadas nos bilaterais que vem mantendo com Afonso Dlakhama, está fora do espírito de enriquecer a proposta submetida à AR por ele, em nome de ambos, e pode ser vista como uma manobra dilatória. (nossa interpretação do que disse o presidente, não uma citação ipsis verbis).
O presidente FJN também reiterou que o presente processo de descentralização e o desarmamento da Renamo são duas questões indissociáveis.
Embora não se conheça, pelo menos publicamente, o calendário da conclusão do dossiê militar, a expectativa geral da população é que ele seja anterior às próximas autárquicas (de outubro), para que pela primeira vez os cidadãos votem sem armas apontadas às sua cabeças.
Ora, uma leitura fria e desapaixonada dos cenários sugere-nos que essa conclusão ou acontece mesmo à tangente da data eleitoral ou, muito provavelmente, transite de forma perigosa para o ano que segue.
A estratégia da Renamo tem sido, desde 1994, combinar os ganhos políticos da sua participação democrática, com uma forte pressão militar. Se a nossa leitura é correcta o que a Renamo pretende não é desarmar-se, mas, veladamente, armar-se como o exercito constitucional do país.
Queremos estar redondamente enganados, mas o tempo pode mostrar-nos um líder da Renamo que não sai do seu bastião militar antes de 2019, deixando o país numa situação permanentemente nervosa.
O pretexto de pendentes do AGP, de há mais de 25 anos, é conversa para boi dormir.(x)
O presidente FJN também reiterou que o presente processo de descentralização e o desarmamento da Renamo são duas questões indissociáveis.
Embora não se conheça, pelo menos publicamente, o calendário da conclusão do dossiê militar, a expectativa geral da população é que ele seja anterior às próximas autárquicas (de outubro), para que pela primeira vez os cidadãos votem sem armas apontadas às sua cabeças.
Ora, uma leitura fria e desapaixonada dos cenários sugere-nos que essa conclusão ou acontece mesmo à tangente da data eleitoral ou, muito provavelmente, transite de forma perigosa para o ano que segue.
A estratégia da Renamo tem sido, desde 1994, combinar os ganhos políticos da sua participação democrática, com uma forte pressão militar. Se a nossa leitura é correcta o que a Renamo pretende não é desarmar-se, mas, veladamente, armar-se como o exercito constitucional do país.
Queremos estar redondamente enganados, mas o tempo pode mostrar-nos um líder da Renamo que não sai do seu bastião militar antes de 2019, deixando o país numa situação permanentemente nervosa.
O pretexto de pendentes do AGP, de há mais de 25 anos, é conversa para boi dormir.(x)

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