sábado, 14 de abril de 2018

7 DE ABRIL!


Na minha vida, sempre estive presente nas comemorações das datas históricas do Moçambique independente, mas, este ano, dei-me a questionar sobre se 7 de Abril eh feriado nacional ou uma data comemorativa e, das pessoas mais próximas, senti indignação, não esperavam isso de mim, reconheço que tenha sido um erro tremendo, mas aconteceu, nesta azafama de agradar a todos, tudo pode acontecer em nome da democracia e da pluralidade.
O 7 de Abril de 2018, quer queiramos, quer não, a Iolanda Boa marcou a diferença, tornou a data um motivo de debate ate por aqueles que não se importam pelas datas da nossa historia, tudo porque a Jovem Mulher apareceu envolto da bandeira seminua, com imagens publicadas nas redes sociais em diferentes plataformas, Iolanda Boa criou um facto, desde cedo o debate, com o Ministério de Cultura e Turismo a emitir um Comunicado, que veio apimentar mais o debate.
Eu não quero entrar neste debate porque estou confuso, na verdade não sei dizer se aquilo eh ou não ultraje aos símbolos nacionais, nunca me dei tempo para refletir sobre isso, mas vejo artistas ou fazedores de arte por exemplo a dançarem seminus em publico e ninguém questiona e batemos palmas, os videoclips nacionais, existe a predominância de erotismo, antes por mulheres e agora também por jovens rapazes, não me indigno, na minha cultura, ngalanga e timbila, exibe-se movimentos sugestivos de erotismo e gostamos, sou chope!
Mas, esta reflexão, resulta da leitura de dois artigos de opinião com perspetivas diferentes sobre a mesma data que eh (A despeito do 7 de Abril” de António Cabrita, publicado no Semanário Savana de hoje, 13 de Abril e do artigo de Óscar Monteiro, também publicado no mesmo Semanário, pagina seguinte, com o titulo “Seteabrilemos …” em jeito de “observação” a escrita do Prof. Carlos Serra, ambos muito interessantes apesar de apresentarem perspetivas diferentes.
António Cabrita, olha de forma critica ao que se designa de “indústrias culturais” no pais, que, na sua opinião, denota “inconsistência e ingenuidade” e remata “não há indústrias culturais em Moçambique” para depois passar a uma interpretação minuciosa da música da cantora Marllen, a “Preta Negra” e diz “neste a cantora desenvolve três avatares do feminino; a mulher pantera, sensual, indomável; a mulher – amante, entregue ao requebrar dos quadris, em ritmos pélvicos que o frenesim do prazer (des) comanda; a enfermeira, que com uma enorme seringa fálica convida a que aceitemos a nossa dose de desejo” em seguida desseca a cada uma delas com palavras que só ele eh capaz.
Termina o seu texto assim “Iolanda Boa foi acusada de denegrir a imagem da mulher Moçambicana no exterior. Coitada, ele, acriticamente, so quis reproduzir o que tem visto nos videoclips das colegas, que denigrem a imagem da mulher Moçambicana ca dentro, julgando fazer arte. Se na linha temática dos videoclips moçambicanos o transe/o assunto eh invariavelmente a bamboleante carne dela ou os carros deles, ela bondosa, ela só quis mostrar como a Moçambicana eh boa, um naco que por si só vale um cromado. Ingenuidade da ignorância. Eh erótico? eh apenas obsceno e reles. Mas a pobre, no fundo, eh vitima duma sociedade que a abandonou a sua educação, as imagens desse valor abstrato; o Mercado” conclui António Cabrita.
Por seu turno, Óscar Monteiro, no seu “Seteabrilemos …” em reação, creio, da escrita do Prof. Carlos Serra, não li, reabre a historia sobre a data “7 de Abril” para o beneficio dos que não conhecem, em jeito de pedagogia e diz “ alguns detalhes, a consagração do 7 de Abril começou em 1972, com um cartaz do DIP, com a foto de Josina em tons sépia, para salientar a sua historiedade e a data 7 de Abril em cima; por baixo a epígrafe MULHER MOÇAMBICANA COMBATENTE” pode-se ler, mais adiante diz “mas a expressão do seu texto, Professor, de que o dia foi consagrado ou concedido por nos homens, não cola totalmente” recusa-se Óscar Monteiro.
No seu texto termina dizendo o seguinte “quis fazer essa observação e acabei por fazer um texto. De alguma forma porque também queria homenagear minha Mulher e Mãe dos meus filhos, minha companheira que como na cancão de Salomão Manhiça, traz o povo no seu coração e a quem, com beijo copio este mail” conclui Óscar Monteiro. Ou seja, o 7 de Abril por varias razoes foi motivo de debate e de estudo.
Quero agradecer ao Prof. António Cabrita, pela análise interpretativa da música “Preta Negra” e a sua opinião e visão sobre as chamadas “indústrias culturais” acredito, abre-se debate mais amplo sobre a matéria, se quisermos inverter o cenário, claro. Agradecer igualmente, ao Dr. Óscar Monteiro por esta lição sobre o 7 de Abril que, acredito, faz tempo que não se fala tao pedagogicamente quanto o fez no seu artigo, ficamos todos a ganhar, tudo porque a Iolanda Boa provocou o debate, obrigado a si também Iolanda Boa pela ousadia!
Adelino Buque
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Comentários
Jerson Dourado Dr. Adelino, para alem da reflexao em volta das reflexoes de outros pensadores, passa a redundancia, qual e mesmo o seu ponto nesta reflexao?
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Responder1 dia(s)Editado
Sidonio Pedro Porquê procura agradar a todos ó Adelino Buque?
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Adelino Buque Caro Sidónio Pedro! Não faz o meu feitio agradar a ninguém, procuro me conformar com a realidade, pluralismo.
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Sidonio Pedro " ... mas aconteceu, nesta azáfama de agradar a todos, pode acontecer..." foi por causa deste trecho caro Buque, que eu fiz a pergunta.
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Carlos Paruque Tambem agradeco a yolanda Boa, abriu espaco para debates com varias dimensoes! Estou a compilar uma obra so de debates e comentarios, espero encontrar uma tipografia que acolha a minha idea. Foi interecao, desde a moralidade, varios conceitos de ultraje, pareceres de grandes figuras de alto dominio no campo juridico e os varios "change minders"
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Jerson Dourado De facto, partilho da sua opiniao. Foi enriquecedor no sentido de ter suscitado um debate em varias frentes.

Aguardo ansiosamente pela colectanea.
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Carlos Paruque Sim vou intitular mesmo " A dimensao da Yolanda Boa" acredito nao precisar de muitos arranjos linguisticos na medida em que sao ideas, reflexoes, debates...trago ideas genuinas das pessoas num unico livro
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Nelson Junior Neste Planeta em que vivemos, num País normal, a foto ou as fotos da Yolanda Boa,nao seria ou nao seriao um/uns caso/os de debate...Mas, como sabemos e como muitas vezes dissemos, Moçambique nao é um País Normal....No caso da Yolanda, é estranho que tenham aparecido tantos,tantos e tantos moralistas...A sociedade Moçambicana está cheia de tanta hipocresia, que mete medo....A Yolanda vestida de Bandeira Nacional ( nua ou semi nua) a quem faz mal em pratica?...ou teem inveja,por ela ter um corpo exotico e muito feminino?...francamente,so faltave esta!...com tantos problemas que Moçambique tem, mas, é isto que realmente a sociedade se preocupa??...entao,somos realmente uns pobres mentais e infantis.
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Solomone Manyike Seteabrilar aquelas que nos dão lar
Seteabrilar aquelas que sabem amar
Seteabrilar aquelas que sabem falar

Seteabrilar aquelas que sabem acompanhar
Seteabrilar aquelas que sabem cuidar...
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Solomone Manyike Sobre os símbolos e nós, precisamos mais educação, debate e envolvimento.
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Nelson Junior Nao vou comentar sobre a Yolanda Boa...mas, os/as que a acusam de ela denegrir a imagem de Mocambique, gostaria eu de frizar de que, sujam mais a imagem de Mocambique os que fazem dividas ocultas, os que baleam academicos e intelectuais...os que vivem num super luxo enquanto a maioria sobrevive de migalhas....A Yolanda Boa eh Mocambicana, e a Bandeira Nacional tambem a ela pertence...onde esta problema??....Quanto ao Oscar Monteiro, far-nos-ia um favor se, ele estivesse calado...Se, hoje temos este Mocambique de ladroes,de mafiosos, em parte foram os Oscares Monteiros de 1975,que criaram terrenos ferteis pra a criacao de um Mocambique que temos hoje....Recordam-se quando este Monteiro era Ministro de Estado na Presidencia??....este senhor representava o fulcro da opressao, e hoje vem ca ensinar-nos algo!...francamente!...estes comunistas de ontem e hoje camafulados em democrtas devem fechar a boca.....foram estes senhores, que criaram este Mocambique de hoje, onde ainda assistimos mais de metade da populacao “vegetando”...e ele numa “boa”...nao aturo estes Oscares, Rebelos, Chipandes, Gracas, etc etc, etc
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Esperança Machavela Li os dois textos e gostei. Acho que apesar de abordarem sob perspectivas diferentes a questão da afirmação da Mulher sāo relevantes um por alertar que, nós mulheres, saímos do foco daquilo que as gerações que nos precederam entenderam como constituinte da afirmação da Mulher. No outro texto coloca se o ponto no ii sobre a apropriação da luta da Mulher
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Alberto De Maputo Está a ficar demasiado neutral, nos comentarios.
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Responder21 h
Carlos Tembe Medo dos camaradas. Kkkkkkk
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Responder12 h
Adelino Buque Os camaradas mordem!
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Responder7 h
Arlindo Matavele A moda assume-se no Seteabrilendo,com as Capulanas invadindo o corpo sensualmente rico em cores, mesmo as da bandeira.As festas em familia completaram,com as vestes da mulher
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