sábado, 10 de dezembro de 2016

O Governo fala muito da descentralização e desenvolvimento do distrito. Mas há vontade política para isso?

SAVANA – 29.09.2006

Padre Filipe Couto demolidor

Não existe multipartidarismo existe um partido grande

Entrevista de Paola Rolletta*

O padre Filipe Couto decidiu desfiar para o SAVANA as contas do seu rosário, onde se assume como homem de religião sem ser necessariamente de igreja, intelectual comprometido, sem ser necessariamente um ortodoxo, invocando uma Frelimo que se calhar já não existe, assumindo, por vezes, um discurso datado, partilhando as suas interrogações sobre a academia, os intelectuais e o multipartidarismo que ainda não o é. Até do próprio jornal que o entrevistou tem dúvidas.

  Acha possível uma academia independente?


  Depende muito daquilo que se entende com a palavra independente. Na prática, eu não creio, porque todos nós estamos ligados a certos interesses, os nossos próprios ou daqueles que nos suportam, família, grupo de pertença, religião, partido.

  A academia deve respeitar o bem comum, dar voz a todas as partes da sociedade ou não?

  Deve-se procurar o bem comum, porém o bem comum nunca é claro nas sociedades. Vamos pegar Moçambique, por exemplo. O que é um bem comum para Moçambique neste momento? Um poderia dizer que o bem comum é que todos tenham boa saúde, outro diria que todos possam ir à escola, outro que todos tenham emprego... Não há verdadeiramente ciência que faz com que todos estejam de acordo com ela. A universidade sempre foi protegida por pessoas ou por sociedades. Na idade medieval eram reis ou príncipes que ajudavam a universidade.

  O que deve fazer um académico?

  É conseguir ser honesto e dizer, por mais que eu queira ser intelectual independente, eu tenho que procurar a protecção daqueles que eu acho que estão na linha, que eu gosto, que eu quero. Talvez quando tinha trinta anos pensava que podia existir um intelectual livre, mas não é assim. Nós estamos sempre condicionados por aqueles que nos dão o pão de cada dia. Deve--se procurar coligação com as pessoas que estão na minha linha. A verdade numa pessoa humana é relativa, quer dizer ninguém consegue ter toda a verdade. Por isso eu acho que é preciso ter uma academia capaz de raciocinar e dizer
com quem é que eu vou trabalhar neste momento, qual é a posição que eu vou tomar na minha pesquisa. Um jornalista que quer fazer jornalismo em Moçambique, que vem de uma faculdade de jornalistas, qual é a posição que vai tomar no contexto de Moçambique, com a história de Moçambique, na SADC, na África, depois com o mundo global.

  Mas o intelectual, o homem da academia, é considerado o farol no caminho para com a perfeição que todos nós fazemos na nossa vida, não é isso?

  É. sim. Talvez eu não esteja a satisfazer com a minha resposta, porque não lhe estou a dar uma resposta clara, sim ou não. Não lhe vou dizer que a academia pode ser livre e imparcial, mas, sim, que ela deve procurar ser imparcial, porque a verdade é sempre limitada. Mesmo assim, deve procurar servir a sociedade, a maioria, especialmente quando as questões afectam o bem comum, quando são questões muito relevantes. Há países onde já não é preciso falar de bem comum.

  Acha?

  Um país onde todos têm comida, está satisfeito o direito à habitação, o serviço de saúde está bem feito, isto é, estão assegurados os direitos básicos, então eu posso fazer uma universidade onde vou falar de belas artes, onde vou falar de arquitectura, mas não vou falar de construção de casas a baixo custo como estamos a falar aqui. Porque aqui precisamos mesmo de construção a baixo custo, porque estamos num limite, numa pobreza forte. Até estamos a dizer absoluta, não é? Aqui temos de falar disto e se eu começasse a falar de outras coisas mesmo interessantes a nível teórico, isto não vai ter um interesse para o bem comum.

O intelectual condicionado

  Qual é então o papel do intelectual em Moçambique?

  Eu queria levá-lo um pouco à honestidade e dizer assim, podes ler tudo aquilo que queres, mas procura dizer coisas muito claras que indicam as pessoas, especialmente a maioria, como ir para frente. Procura ser farol. Estamos a falar de HIV, por exemplo, um intelectual deveria falar se ele sabe, se ele descobriu quais são as causas do HIV/SIDA, devia falar de uma maneira tal que todos possam compreender.

  Mas quando o tal intelectual se confronta contra uma espécie de muro, onde
se confunde a cultura com os hábitos, como é que deve actuar?


  Esforçar-se a falar de forma que as pessoas não deixem de o ouvir, que não fiquem cansadas. Deve falar de uma maneira tal que as pessoas quando ouvirem, ficam a pensar, mesmo se não concordam muito, começam a dizer, bom, custa, mas é um argumento aceitável.

  Acha que há espaço para este tipo de intelectual na sociedade moçambicana?

  Decididamente, sim, há esse espaço, e está indo cada vez mais para frente. Vejamos a nossa história. Em 1975, quando começávamos a ser nós, o intelectual tinha outro contexto e outras perguntas. Ali nós não discutíamos sobre o multi-partidarismo. Nós estávamos contentes, porque tínhamos a nossa bandeira e o nosso presidente. Estávamos a começar a ser nós, e certas coisas que foram decididas naquele tempo, até um intelectual, pela força do entusiasmo, poderia ter exagerado. O intelectual quando fala não deve ter medo de errar, mas deve estar preparado para se corrigir. A correcção não vem logo, porque a verdade vai sendo descoberta. A verdade não se encontra num só dia.

  No entanto, é esse percurso que a gente faz para com a verdade, para com a utopia, não é?

  Quando eu ouvia Samora Machel a falar, eu nem pensava e nem tinha tempo de criticá-lo, gostava só de ouvi-lo. Aquilo que ele dizia tinha que ser feito, não é? Nesta época alguma coisa se adiantou. É como na família tudo aquilo que a mamã diz para fazer deve ser feito. Só quando ficarmos mais adultos é que começamos a dizer que eu também tenho as minhas ideias, não é? Entre família e Estado há uma grande diferença, a analogia não vale cem por cento.

  Acha que a Universidade Católica onde trabalhou integra os princípios de independência?

  Sim, integra e pode aceitar uma visão muito mais aberta.

  Porquê deixou a Católica? Estava cansado?

  Não, disseram-me que já havia um outro reitor. Tive que aceitar a ideia de sair e deixar gente mais nova a trabalhar. O que não quer dizer que os mais novos continuem na linha que eu tinha.

  O que acha da inculturação?

  Não vou falar de inculturação no sentido do Concílio Vaticano II. É melhor perguntar às pessoas que estão ligadas a este campo, mas deixe-me falar deste mesmo tema duma maneira muito mais geral. Ainda há dias acabou a reunião dos ministros da Educação e da Cultura dos países da União Africana, em Maputo. Numa das discussões, o ministro da Educação do Zimbabwe disse: "Vocês estão a falar da cultura do género, que nós temos que ter a cultura do género, mas vocês estão a ligar a cultura com o género. Cultura e género são duas coisas. Eu preferia que vocês dissessem o programa da escola deve ser ligado à nossa cultura. Mas nós ainda temos que lutar na África, ter um curriculum. Onde a nossa cultura seja o centro das ideias, é a cultura que alimenta o curriculum.

  Não é o tal papel da academia?

  É o papel da academia, mas é ., academia vai fazer isso se for forçada a fazer, é aí onde eu queria chegar quando digo que a liberdade é relativa.

  Está a me dizer que não houve até agora vontade política para que a cultura local seja ponto de análise, de discussão e ponto de partida para outras interpretações.

  Mais do que isso. Até agora os países de África tinham tantos outros problemas e não tinham ainda a capacidade de articular e dizer, o que nós queremos verdadeiramente é agora sermos nós próprios, queremos verdadeiramente ser africanos. Queremos entrar na nossa cultura, mas o que é essa cultura? O que não é o facto de dizer vamos utilizar uma capulana, ou vamos bater o batuque ou não. Quando o africano determinar aquilo que ele quer, então começa ali ele a inculturar-se e é ali onde ele vai ter de escolher, não sei, aquelas coisas antigas que tinha, mas também vai escolher na globalização coisas que ele quer? Ele até pode escolher um 4X4, porque ele quer e pode, não é? A cultura é cultivar não é? Os africanos até nem cultivavam aquilo que queriam, não kulimavam aquilo que eles queriam kulimar, eles é que têm que decidir. Para se chegar a fazer isso é preciso ter poder, é preciso ter Estado, é preciso ter governantes. Às vezes, as pessoas de fora dizem que um governante daqui é ditador, mas dentro as pessoas estão contentes. Todos dizem que o Machel era ditador, mas nós estávamos contentes, pelo menos por algum tempo, porque estávamos a começar a ser nós, embora aquele nosso começar fosse muito imperfeito. Começámos a copiar muita coisa, mas éramos nós que decidíamos.

  O Governo fala muito da descentralização e desenvolvimento do distrito. Mas há vontade política para isso?

  Há.

  E quais são as capacidades do distrito de gerir os sete biliões?

  A capacidade desenvolve-se através dos erros. Mas é a primeira vez que receberam aquele montante para gerir. De certeza que vai haver pessoas que usarão o dinheiro para o seu enriquecimento. E também iremos ouvir decisões um pouco estranhas. Por exemplo, ouvi que há um distrito que quer fazer uma prisão ao em vez de fazer casas, mas porquê? Eles dizem que têm gado e muita gente rouba. "Com uma prisão, podemos prendê-los e obrigá-los a trabalhar para compensar no campo se roubou um cabrito."

  Portanto, a minha resposta é sim senhor, há possibilidade e há vontade política. Só que a vontade política, principalmente quando um país está em vias de desenvolvimento, é misturada com o poder, então o intelectual numa situação dessas deve saber lidar com o poder, dialogar com o poder.

  O poder deixa dialogar?

  Um verdadeiro intelectual deve conseguir fazer isso, não vai conseguir sempre, eu consigo fazer-me entender? Consigo sempre?

  A sociedade civil consegue, na sua opinião, dialogar com o poder?

  Eu estou um pouco do lado do Teodato Hunguana (antigo ministro). Tu não podes chegar e dizer aquilo que tu pensas, se quem tem o poder não concorda contigo, tu tens que fazer com que aquele que tem o poder dialogue contigo e chegue a concordar. E quando o que está no poder não se disponibiliza a dialogar, quem está do outro lado tem de ter alguém capaz de estimular este diálogo. Esse é o verdadeiro intelectual. O que quer dizer intelectual, aquele que compreende a situação e a psicologia daquele que tem o poder e consegue dizer a ele as coisas de uma maneira que ele até pensa que ele é que esta a dizer. Por exemplo: quantas vezes contrariei Samora Machel? Mas nunca o contrariei em público, porque eu sabia que se eu o contrariasse, ia dizer "suca daqui".Mandava-me chamar, dizia-lhe o que pensava em privado. Quantas vezes me mandou sair da sala! Eu saía, mas ele era capaz de me chamar de novo, perguntava o que queria beber, respondia que queria chá e me chamava mentiroso e mandava vir uma cerveja! Porque ele sentia que eu lhe queria bem, sabia que quando discordava era para ele ter sucesso, não era por mal.

A sociedade civil é feita pelo poder

  Acha que a sociedade civil tem essa capacidade?

  Não, a sociedade civil, as igrejas, os partidos, etc., não têm ainda esta capacidade. Em Moçambique, acha-se que para dialogar com o poder é preciso ir ao ataque directo! Mas o ataque directo não é diálogo! A política não é religião ou não deveria ser pelo menos, a política não é totalmente ciência universitária, a política não é de interesse empresarial, mas seja o empresário, o religioso, o universitário, esta gente tem que dialogar com o poder e então, o intelectual que compreende o que é o poder deve saber lidar com ele. Ainda não temos muitos intelectuais. Mas hão-de vir.

  Indique um exemplo para eu perceber.

  Estive muitos anos na Alemanha, no tempo em que estava dividida em dois Estados: um dizia-se capitalista e outro socialista. Falava com alguns intelectuais da RDA, como o sociólogo Baro, com quem discordei porque abandonou a RDA para ir viver na Alemanha capitalista. Eu dizia-lhe: se vais para lá não vales nada, vão-te dar comida, mas não és oposicionista. Se ficas na RDA, falas de vez em quando, censuram as tuas obras, até na Alemanha compram os teus livros. Se vais para a Alemanha capitalista, podes publicar tudo aquilo que quiseres, a um dado momento terás até um editor. Porém vais viver esquecido, só aqui vais conseguir fazer crítica construtiva.

  E aqui em Moçambique?

  Aqui em Moçambique, por exemplo, não há só Frelimo e Renamo. Há outros partidos. Mas são fracos. Porquê? Para fazer um partido é preciso organizá-lo! Queres uma analogia? Quanto tempo ficou o partido Democrata-cristão na Itália? Cinquenta anos. Depois os italianos ficaram cansados daquilo.

  Não foi só exactamente por causa disso. Houve também uma transformação da sociedade, a corrupção, houve também uma mudança do cenário internacional, o muro de Berlim caiu.

  Mas a Democracia Cristã governou cinquenta anos.

  Governou cinquenta anos, porque existia o partido comunista, uma oposição governamental que exercia o seu poder e o seu papel. Em Moçambique, acha que a oposição exerce o seu papel na governação?

  Não, mas porquê não? Porque é preciso que da governação venha a oposição. A oposição ainda não existe porque não há possibilidade histórico-política para que isso exista. Então posso eu dizer que, de certa forma, a agenda política da assim chamada sociedade civil é feita pelo próprio partido no poder, neste momento. É a questão do partido único, mesmo com a entrada do multi-partidarismo não só em Moçambique, mas na África de Sul, Tanzânia, Malawi não está resolvida. Não existe multipartidarismo, existe um partido grande, desse partido um dia poderá vir uma ala conservadora, uma menos conservadora e vão trocar a governação, um pouco o que está a suceder nos Estados Unidos entre democratas e republicanos.

A separação das águas

  Quanto tempo acha que é preciso para esta divisão de almas?

  Permita-me falar de uma coisa pessoal. Eu tenho sessenta e sete anos, Arafat morreu com setenta e cinco. Se eu morrer com setenta e cinco, só tenho mais oito anos de vida, assim como muitos da minha geração, muitos políticos da luta de libertação, antigos combatentes. Virá gente nova que não teve a experiência da luta de libertação. Falar da luta de libertação para eles não terá sentido. É como na Itália, falar dos partigianos, para a tua geração, faz sentido?

  Quando a nossa geração de antigos combatentes desaparecer, haverá uma nova situação. Mas não quererá dizer Renamo ou Frelimo. Será dentro do partido maioritário, onde haverá uma quebra: então ficarão, de um lado, os "republicanos" e do outro lado os "democratas". É o que sucedeu em todas as grandes democracias.

  Mas não acha que o eleitorado em Moçambique está a ficar um pouco alienado da participação política?

  Armando Guebuza notou isso, o que ele fez? Ele mobilizou toda a gente que pensava que estava esquecida, antigos combatentes, administradores, autoridades tradicionais. Está a ver que ele vai para os distritos, então reactivou isso.

  Há opiniões discordantes. Há quem diga que está aquém da expectativa. A mudança prometida tarda a fazer-se sentir...

  Houve uma mudança. Não foi uma mudança de pessoas, mas foi uma mudança de posições. Se puser o zero antes de outro número, não vale nada, se o puser à direita muda tudo. Guebuza nomeou governadores como ministros e vice-ministros. Pegou em pessoas que estavam nas províncias para o Governo central. Distribuiu muita gente do Norte e do Centro, no Governo. Ele é esperto nesse sentido, nesta fase onde o sangue, a tribo, a religião conta muito, estão contentes com ele.

  O que chega ao bolso e que serviços tem o cidadão com estas mudanças geográficas dentro do Governo?

  Pode ser que vá pouco, mas nos distritos estão a cultivar mais. Comem e antes não comiam: em vez de receber comida do PMA, estão a começar a comer o que cultivam. Começaram a vender, por exemplo, nas fronteiras com os países vizinhos. Ele(Guebuza) liberalizou o comércio nas fronteiras. No aparelho de Estado, é verdade que a disciplina não está totalmente reposta, mas algumas coisas funcionam melhor do que antes. Mesmo na educação algumas coisas estão a funcionar. O livro escolar chegou ao distrito e quando começaram as aulas todos tinham o seu livro, tirando só Tete que atrasou, porque houve chuvas. Mas foi um atraso de quinze dias.

  Os media cumprem o seu papel?

  Os media cumprem o seu papel, mas o SAVANA, por exemplo, porque é que o SAVANA se moderou?

  Em que sentido?

  Já não ataca como atacava no tempo do Chissano. Porquê?

  Não sei.

  Eu creio que o SAVANA recebe um pouco de dinheiro do Governo.

  A sério?

  Porquê não, eles seriam estúpidos se não recebessem.

As religiões devem ajudar as pessoas

  O catolicismo, aqui em Moçambique, está em franca expansão ou está em
regressão e as seitas, e o Islão, como é isso tudo?


  Eu sou padre e funciono ainda como padre, mas aqui contigo falei de Deus?

  Não.

  Porque existe um segundo mandamento, qual é?

  Não pronuncies o nome de Deus em vão!

  Também, é bom não falar disto em vão porque se fala demais., e para falar dele é melhor que seja ele a falar! Por exemplo, quando alguém está doente, quando alguém está a morrer, quando o bebé nasce, ele fala. Eu é que há muito não falo da igreja., eu não sei se já me viu a falar, a fazer apologia sobre a igreja, dizer que a igreja é boa?

  Não!

  Agora queres que eu fale? É que estamos numa situação onde há várias religiões, temos um grande complexo que é aquilo que se chamam religiões tradicionais, para os intelectuais um campo inexplorado. Se diz que é religioso, religião ligada às nossas aldeias, aos nossos chefes tradicionais, mas ainda não tivemos tempo de ir lá indagar isso, não nós como igreja, mas como cientistas. Toda a religião está ligada à cultura. Depois temos uma outra religião que chegou antes do cristianismo que é o Islão. Eu tenho uma cunhada que é islâmica. Gosto de chegar em casa dela, ver os meus sobrinhos, ver o meu irmão. Damo-nos muito bem e é muçulmana. Do cristianismo também temos a versão católica, anglicana, metodista, adventista, presbiteriana. O Estado, que pelo menos na sua fundação não deveria ser ligado às religiões, deveria ser um Estado a que vocês na Itália chamam laico.

  Deveria? Está a dizer que não é?

  Há um perigo para mim que é este. Que as pessoas comecem a dizer que o primeiro presidente era protestante, o segundo católico e agora presbeteriano, depois quando vem o muçulmano?

  Uma alternância religiosa no poder?


  Como na Tanzânia onde houve Nyerere católico, Mwinyi muçulmano, Mkapa católico, agora Cikwete muçulmano. Há uma alternância entre católicos e muçulmanos. Não sei quando há-de vir um tradicional. Eu digo assim, não gostaria de uma igreja poderosa em Moçambique, nem um Islão poderoso, mas gostaria que fossem religiões capazes de assistir as pessoas quando precisam delas, não é? Não queria aqui a predominância de uma delas, por isso eu sempre gostei da decisão que fizemos de sermos um estado laico. Diz lá o que eu sou politicamente?

  Da FRELIMO, não é?

  Eu nunca escondi isso, nunca te disseram que aquele ali é um frelimista?

  Claro que sim!

  Falo, por exemplo, da luta de libertação. Zango com eles e quando zango com eles outros riem-se, aquele ali. Mas também falo com os da RENAMO, não tenho medo, falei muitas vezes com o presidente Dhlakama, falei com vários outros.

  Quando afirma não querer igrejas fortes, está com receio que possa haver aproveitamento, instrumentalização.

  E até se pode chegar a uma instrumentalização política

SAVANA – 29.09.2006

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