terça-feira, 20 de dezembro de 2016

“formato eficaz” para obter “um cessar-fogo” na Síria

MoscovoTeerão e Ancara, “formato eficaz” para obter “um cessar-fogo” na Síria

O trio de Moscovo diz-se agora “pronto a contribuir para elaborar um projecto de acordo para as negociações entre o Governo sírio e a oposição”.
Lavrov cumprimenta o homólogo turco, com o iraniano atrás
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Lavrov cumprimenta o homólogo turco, com o iraniano atrás MAXIM SHEMETOV/REUTERS
Os iranianos, principais aliados de Bashar al-Assad, só começaram o ano passado a integrar as tentativas de negociações com o regime da Síria e a oposição externa, promovidas sempre pelas Nações Unidas ou num esforço diplomático conjunto de Estados Unidos e Rússia. Esta terça-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros russo, iraniano e turco defenderam em Moscovo “a importância de alargar o regime de cessar-fogo de forma a garantir um acesso sem obstáculos à ajuda humanitária e à livre circulação das populações no território sírio”.
Questionado sobre o que ficou para trás de trabalho com o seu homólogo americano, John Kerry, Serguei Lavrov afirmou que “este formato é o mais eficaz, e isto não é uma tentativa de lançar uma sombra sobre os esforços de todos os parceiros para resolver a crise síria”, é apenas o ministro russo a “constatar um facto”.
O cessar-fogo actual envolve Alepo, a grande cidade do Norte da Síria onde a oposição armada mantém ainda alguns bairros que aceitou abandonar a semana passada em troca da evacuação dos civis, cercados há meses e bombardeados sem tréguas pela aviação síria e russa desde Novembro. Lavrov afirma que a retirada das populações das zonas Leste de Alepo estará terminada “dentro de um dia, dois no máximo”.
Pelo menos 25 mil pessoas, incluindo uns 4000 combatentes, saíram desde quinta-feira, diz o Comité Internacional da Cruz Vermelha, que está a coordenar o processo assim que os habitantes passam os controlos de segurança do regime. O Exército de Assad precisou dos altifalantes dos rebeldes e usou-os para pedir a opositores e civis que abandonem o último enclave da oposição. “O Exército quer limpar a zona depois da saída dos homens armados”, explicou um responsável militar sírio à AFP.
A Cruz Vermelha diz que ainda falta retirar “milhares” de pessoas; a ONU estimava 20 a 30 mil na segunda-feira ao final do dia. No primeiro dia da semana, reiniciada a retirada que fora interrompida sábado e domingo, houve 75 autocarros a sair do Leste de Alepo. Terça-feira de manhã foram apenas dez a dirigirem-se para os bairros sob controlo do Governo antes de partirem para zonas rurais da província mantidas pela oposição ou para Idlib, umas dezenas de quilómetros a Sudoeste. Segundo as descrições dos correspondentes da AFP, a maioria eram “velhos, mulheres e crianças”. “O seu estado é lamentável, todos tinham frio”, disse um responsável dos serviços médicos, Bashar Babbour.
Russos e turcos negociaram este cessar-fogo e esta evacuação – por causa do seu relativo sucesso, o enviado da ONU para o conflito, o diplomata Staffan de Mistura, já apelara a um regresso à mesa das negociações a 8 de Fevereiro na cidade de Genebra, onde decorreram ao longo dos últimos anos diversas tentativas infrutíferas de pôr regime e oposição a falar.
O trio de Moscovo diz-se agora “pronto a contribuir para elaborar um projecto de acordo para as negociações entre o Governo sírio e a oposição”, afirmou Lavrov, quando leu uma declaração tendo a seu lado o ministro turco, Mevlüt Çavusoglu, e iraniano, Mohammad Javad Zarif, assim como os ministros da Defesa dos três países.
Na conferência de imprensa que se seguiu, Çavusoglu defendeu a necessidade de pôr fim a todos os apoios a grupos que vão combater na Síria, dizendo que “é errado apontar apenas o dedo a um dos lados”.
A Turquia apoia diferentes grupos de sírios árabes e tem o seu próprio Exército na Síria – para travar os avanços dos curdos e dos jihadistas do Daesh na direcção do seu território. Já a Rússia e o Irão têm as suas próprias forças ao lado do regime e Teerão promove ainda a mobilização do Hezbollah libanês, que não nega há mais de dois anos estar na Síria, e de outras milícias xiitas, como algumas iraquianas.

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