sábado, 3 de dezembro de 2016

Sobre Ditaduras e Democracias

EDITORIAL


PEC DA MORTE. Governo aprova a PEC 55 utilizando a mentira e a repressão.

Recife (PE),
Enquanto Cuba é taxada por alguns como "Ditadura Comunista", os Estados Unidos é tido como "Terra da Liberdade". / Vini O.
Em um país onde o acesso ao conhecimento é privilégio de poucos, uma das técnicas de dominação usadas pelos poderosos é distorcer o sentido das palavras até ficarem irreconhecíveis. Esse é o caso de termos como democracia e ditadura. Um país democrático deveria se referir, como acreditamos, à participação do povo nas decisões que incidem sobre suas vidas, ao acesso universal a direitos como educação, saúde, moradia, etc. São justamente essas coisas que seriam negadas ao povo em uma ditadura.

Enquanto a morte de Fidel Castro, na última sexta feira, era usada para chama-lo de ditador, a repressão era descrita no Brasil como um “custo da democracia”.
Após o afastamento inconstitucional de uma presidenta eleita pelo voto popular, o governo usurpador de Michel Temer levou ao Senado, na última terça (29), a PEC 55, proposta que limita os gastos do governo, particularmente em educação, saúde, previdência social e programas de transferência de renda aos mais pobres. A proposta retira por 20 anos o direito da sociedade e do parlamento definirem o tamanho do orçamento e as prioridades de investimento. Segundo o IPEA, instituto ligado ao governo federal, a PEC propõe retirar mais de 654 bilhões de reais em investimentos na saúde. Os funcionários do IPEA que revelaram essa triste realidade foram demitidos pelo governo.
A PEC foi aprovada em primeiro turno no senado a portas fechadas. Cerca de 30 mil pessoas protestavam em Brasília. Enquanto o debate se dava do lado de dentro, o governo Temer respondia com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e prisões arbitrárias do lado de fora. O que acontecia aos manifestantes não era exibido pela televisão, somente imagens de um cenário de guerra, dos policiais em ação e de algumas poucas placas queimando. A fumaça que se via de cima não vinha de qualquer incêndio: era a fumaça do gás lacrimogêneo que invadiu todo o plano piloto em Brasília. O contingente policial que entrou em ação para garantir que a proposta fosse a voto sem interferência da sociedade lembrava aqueles da ditadura militar.
Tais imagens contrastam com aquelas que chegam da praça de Havana, em Cuba. Mais de um milhão de cidadãos cubanos compareceram ao velório de Fidel Castro e prestaram sua homenagem a revolução cubana. Isso porque aquilo que a mídia em nosso país descreve como ditadura, é um governo popular que garantiu a libertação de seu país do capital estrangeiro, que priorizou os direitos e a soberania de seu povo. Cuba erradicou a fome, o analfabetismo e a mortalidade infantil. Garantiu para todos o acesso à saúde (área na qual é referência em todo o mundo), à moradia e à educação desde o fundamental até a universidade. A ditadura dos banqueiros no Brasil necessita da mídia para espalhar as mentiras sobre Fidel da mesma forma que necessita esconder de seu povo os interesses que comandaram a votação da PEC no senado. A verdade sobre Cuba permanece oculta atrás do véu de mentiras da grande mídia da mesma forma como a democracia resiste como sonho oculto e proibido atrás da fumaça e da repressão policial em Brasília.

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