sábado, 24 de dezembro de 2016

Seis principais presidenciáveis já foram citados na Lava-Jato


Manifestantes pedem prisão de Lula
De Lula, réu em três ações do processo, a Marina, citada uma só vez, todos os favoritos nas eleições de 2018 estão sob a mira do juiz Sérgio Moro. Presidente Michel Temer incluído
É cada vez mais provável que o próximo presidente do Brasil eleito tenha sido, no mínimo, citado na Operação Lava-Jato. A julgar pelas últimas sondagens, realizadas no início deste mês, os seis principais candidatos à sucessão de Michel Temer em 2018 - incluindo o próprio chefe do Estado - surgem nas propostas de delação premiada de executivos de construtoras associadas ao esquema de corrupção na Petrobras. De Lula da Silva, que lidera as pesquisas de opinião à primeira volta, a Marina Silva, que venceria em qualquer cenário de segunda volta, passando pelo trio de presidenciáveis do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Numa operação policial com proporções bíblicas - são 1434 processos instaurados, 188 prisões, 730 buscas e apreensões, 120 condenados contabilizando 1257 anos de penas acumuladas, prováveis 150 acordos de delação premiada, mais de dez mil milhões de euros em pedido de ressarcimento e centenas de políticos envolvidos - não escapa, de facto, ninguém. Isto é, os brasileiros, apesar de aplaudirem a operação e exigirem a cabeça dos implicados na Lava-Jato, provavelmente elegerão daqui a ano e meio um envolvido.
Acusações
Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), é o mais atingido - é réu em três ações, investigado em duas e citado noutra. Em causa, acusações de corrupção passiva, como a obtenção de imóveis por via de construtoras, ou de interferência nas investigações. E Marina, do Rede Sustentabilidade, a menos: foi citada uma vez pelo presidente da empreiteira OAS como beneficiária de uma doação de campanha não declarada. A defesa dela diz que prestou contas à justiça eleitoral. A dele considera as acusações dignas "de Kafka ou do Minority Report", aludindo ao mestre checo do realismo fantástico e ao filme de Steven Spielberg em que os suspeitos eram presos mesmo antes de cometerem crimes.
Na área do PSDB, Aécio Neves, presidente do partido, senador e candidato derrotado em 2014, é investigado duas vezes por corrupção e citado outras tantas como destinatário de doações ilegais de construtoras. Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo e segundo classificado nas presidenciais que reelegeram Lula, aparece sob a alcunha de Santo nas listas do setor de subornos da empresa Odebrecht, que garante ter-lhe feito doações ilegais de campanha. José Serra, ministro dos Negócios Estrangeiros derrotado em anteriores sufrágios por Lula e por Dilma Rousseff, terá recebido ilegalmente 23 milhões de reais da mesma Odebrecht na campanha eleitoral de 2010 frente à ex-presidente. Os três desmentem as acusações.
Sobra Michel Temer, citado duas vezes na Lava-Jato, na delação de um ex-executivo e, por 43 vezes, no primeiro de 77 acordos de delação premiada de ex-quadros da Odebrecht vindo a público há duas semanas. O Palácio do Planalto negou que, ao contrário do que dizem os delatores, algum dia tenha pedido doações ilícitas.
Outsiders
Atentas ao "efeito Silvio Berlusconi" - magnata da comunicação e do futebol eleito em Itália na sequência da Operação Mãos Limpas, que dizimou os partidos tradicionais -, as empresas de sondagens, como o Instituto Datafolha, têm incluído nomes fora do establishment. Sérgio Moro, o juiz que comanda a Lava-Jato e por isso influi no futuro de Lula, Temer e companhia; o também juiz Joaquim Barbosa, que liderou com mão de ferro o processo do mensalão; o autoproclamado candidato Roberto Justus, empresário e apresentador de reality shows; e Jair Bolsonaro, opção de extrema-direita pelo Partido Social Cristão. E Moro, que nega ser concorrente, ou Bolsonaro, cuja pré-campanha está em andamento, superam nalguns cenários o presidente Temer.
Em São Paulo

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