sábado, 10 de agosto de 2019

o que me custa acreditar é que estas coisas sejam "apadrinhadas" por pessoas que nos seus países não agiriam assim.


Mais a sério ainda
A Assembleia da República recebeu orientações para aprovar uma lei que formaliza o acordo. Não sei se sou o único que acha isto estranho, talvez por não ser das leis. Não devia ter sido ao contrário? Discutir a lei e depois firmar o acordo? Que tal se a Assembleia for mal disposta à sessão de aprovação e chumbar o acordo? Adeus paz definitiva?
A versão que me chegou às mãos está cheia de gralhas. Numa das passagens fala-se de “chefe do Chefe do Estado Maior”... para além de vírgulas fora do lugar. Estão a ser sérios? O Ministério das finanças assinou um parecer no dia 9 de Agosto, portanto, após a assinatura do acordo, que proclama não haver encargos adicionais já que não serão recrutadas pessoas para o aparelho do Estado.
Bom, para além disto não ser verdade (os quadros da Renamo que ingressam nos órgãos de defesa já estavam lá?), há um problema lógico: se o Ministério tivesse constatado encargos adicionais, chumbava-se o acordo?
Há quem ache que estas interpelações sejam de quem não quer a paz. Mas não é isso. Uma paz séria alcança-se com um processo inclusivo de deliberação. A paz diz respeito a todos. O processo tem a ganhar quando estas questões são objecto de debate público. Não significa que o governo deva aceitar tudo o que a gente diz. Mas pode ser que as nossas reticências obriguem o governo, e a Renamo, a considerarem coisas que não tinham considerado. É normal, eles não podem saber tudo. O acordo ganha maior legitimidade com essa inclusão.
Vai ser difícil fazer com que o País dê certo enquanto houver tanto desprezo pela opinião da sociedade e enquanto as instituições democráticas forem usadas como veias de transmissão da vontade do soberano que se diz empregado do povo, mas não dá importância à opinião do seu patrão. É claro que vou torcer para que dê certo, mas aquele que confia apenas na fé juntou-se à esta Frelimo e à Renamo na hostilidade ao País.
Comentários
  • Tomás Timbane Viste bem Professor, alguma coisa não “bate certo”, mas é sempre assim, infelizmente. Isto é reflexo da regulação partidária, tudo é decidido fora do Parlamento, que só “chancela” pergunto: porque o acordo deve ir ao Parlamento? Para além disso, o acordo de cessação de hostilidades determina que as partes devem privilegiar o diálogo na resolução de dúvidas e divergências de interpelação na implementação do acordo. E se não o houver acordo como ficamos? Voltamos ao conflito? O acordo é nulo? Porque não há uma entidade que vão resolver essas divergências? Outra questão tem a ver com a reconciliação... não vi nada no acordo para materializar. E nós povo não temos de nos reconciliar?
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  • Tomas Mario Sucedeu da.mesma forma.com.o.Acordo Geral de Paz, assinado em Roma! Desta vez.com.efeitos ainda mais."graves": o.AGP continha, já em si, disposições que reviam a própria Constituição da República!
    O "nosso" processo democrático tem sido.mesmo.assim: no.sentido oposto!
    Lembro-me muito bem do então deputado da AR, Luis Bernardo Honwana, "gritando": mas esta Assembleia é ou não é soberana?!

    Debalde!
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  • Constantino Pedro Marrengula Como não haver encargos, havendo pessoas por ser reintegradas de forma permanente? Parece que não estamos a ser sérios.
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  • Ser - Huo "Interpelações de quem não quer a paz"? Relaxa. Seus problemas são dois, apenas dois: seres fã assumido do persona no grata número 1 daqui, o que mostra claramente que não és sensível ao sofrimento nosso que vivemos as coisas "daqui"; e fazeres essas interpelações a partir de Basileia, logo, alguém que não conhece a urgência e necessidade desses corta-mato. E um problema terceiro (bacela), não sabes cantar a música do controlador da integridade da coisa e do servidor público, logo, és contra a sociedade civil, o principal guardião da moral daqui. Como vamos te levar a sério. Agora, o lado bom de tudo (agora para te escovar um pouco), é que as suas interpelações, não raras vezes são tomadas e refeitas pela mesma malta, e podes ter certeza que estas observações que fazes neste post algum iluminado vai usá-las nalgum programa de TV.
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  • Magacebe Majacunene Isto é um amadorismo assustador.
    E isto está a ser frequente e com toda a naturalidade.
    O copy paste das leis vindas da capital colonial....meu Deus!!!!
  • Celso Manguana Manguana Democracia tipo Coreia do Norte + Sociedade Civil+ Doadores+.........
  • Wilson Profirio Nicaquela Em nome do povo que reprentais... Nós temos uma exclusividade incomparável entre os humanos. O Nosso timoneiro, só pode substituir o soberano ALAH.
  • Antonio Lourenco Junior Estamos sempre em contramao, infelizmente.
  • Raul Junior Foi necessário fragilizar a força militar do Hitler até que Fuher se suicidasse!

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